Referência: Inquérito Civil 06.2015.00002471-7 TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA O Município de Luís Gomes, através de sua Prefeita Municipal, Mariana Mafaldo de Paiva Fernandes, brasileira, solteiro(a)/casado(a), inscrita no CPF sob o n.º 101.823.204-48, e do Procurador do Município, Paulo Victor de Brito Netto, brasileiro, solteiro/casado, inscrito na OAB/PB nº 18224, CELEBRA perante o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, neste ato representado pelo Promotor de Justiça Substituto designado na Promotoria de Luís Gomes, Mariano Paganini Lauria, e com fundamento no art. 5º, 6º, da Lei 7.347, de 24.7.85, e no art. 41 da Resolução nº 002/2008-CPJ, de 17.04.2008, o presente TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, nos autos do Inquérito Civil 06.2015.00002471-7, mediante os seguintes fundamentos e condições: Considerando que, nos termos do art. 127 da Constituição Federal, incumbe ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis; Considerando que a regra para a assunção de funções públicas é a investidura mediante de concurso público, salvo exceções aplicadas a casos isolados, definidas em lei, nos termos do art. 37, incisos II e IX, da Constituição da República: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; [...] IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; Considerando que a própria Constituição ressalvou a importância dessa regra, registrando que a omissão na realização de concursos públicos e a contratação irregular de trabalhadores sem certame seletivo deverão ser reprimidas: Art. 37 [ ] 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III 1/5
implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. Considerando que tal proceder pode revelar o cometimento de ato de improbidade administrativa (art. 11 da Lei 8.429/92) e da infração penal capitulada pelo art. 1º, XIII, do Decreto-Lei 201/67, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. ART. 1º, INCISO XIII, DO DECRETO-LEI Nº 201/67. PODER INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO DE SERVIDORES SEM CONCURSO PÚBLICO CONTRA EXPRESSA DISPOSIÇÃO DE LEI E EM OFENSA AO DISPOSTO NO ART. 37, INCISO II, DA LEX FUNDAMENTALIS. CONDUTA QUE SE ENQUADRA, EM TESE, NO TIPO PENAL IMPUTADO AO PACIENTE. DENÚNCIA QUE DESCREVE SATISFATORIAMENTE A CONDUTA APARENTEMENTE TÍPICA. O AFASTAMENTO DO CARGO DE PREFEITO EM RAZÃO DO RECEBIMENTO DE DENÚNCIA É PREVISTO NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA QUE EXIGE A DEVIDA FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DADOS QUE COMPROVE QUE O PACIENTE ESTÁ NA IMINÊNCIA DE SOFRER CONSTRANGIMENTO ILEGAL. [ ] III - A contratação de servidores, sem concurso público, contra expressa disposição de lei e em ofensa ao disposto no art. 37, inciso II, da Lex Fundamentalis, pode implicar no oferecimento de denúncia dando o acusado como incurso nas sanções do delito previsto no inciso XIII do artigo 1º do Decreto-lei 201/67 (Inq 814/SC, Tribunal Pleno. Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ de 21/06/2002). Todavia, havendo lei municipal autorizadora da contratação, e verificando-se a existência de algumas das hipóteses permitidas em lei, é de se afastar a justa causa para a ação penal diante da atipicidade da conduta. (HC 73.131/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 17/05/1996). Na presente hipótese, contudo, a exordial acusatória faz referência às duas leis municipais que autorizam a contratação de pessoal, sem concurso público, por prazo determinado, destacando, entretanto, que os servidores mencionados na própria exordial foram contratados fora das hipóteses que autorizariam a contratação sem a realização de concurso público, patente, portanto, a justa causa para a ação penal.[...] Habeas corpus denegado. (HC 107.939/BA, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 24/11/2008, DJe 02/02/2009) Considerando, portanto, a necessidade de se preencher adequadamente os cargos do serviço público do Município de Luís Gomes/RN; 2/5
1 DO OBJETO O presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta tem por objeto a criação e provimento de cargos públicos necessários à estruturação do serviço público municipal de Luís Gomes/RN. 2.A DAS CLÁUSULAS CLÁUSULA PRIMEIRA O MUNICÍPIO DE LUÍS GOMES/RN reconhece que a contratação temporária de profissionais, como regra, sem a observância dos pressupostos necessários, é prática que não encontra respaldo na Constituição Federal nem na legislação infraconstitucional atinente. CLÁUSULA SEGUNDA: O MUNICÍPIO DE LUÍS GOMES/RN, por meio de seu(a) Prefeito(a), reconhece a necessidade de criação de cargos públicos de provimento efetivo suficientes para a regularização do vínculo dos profissionais de seu serviço público municipal, conforme as necessidades a serem levantadas pela Administração em 60 (sessenta) dias, levando-se em consideração o quadro atual e as necessidades futuras. CLÁUSULA TERCEIRA: Em razão da cláusula anterior, O MUNICÍPIO DE LUÍS GOMES/RN, mediante seu(a) Prefeito(a), compromete-se a remeter à Câmara Municipal, no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o término do prazo anterior, projeto de lei que cria os cargos efetivos necessários. CLÁUSULA QUARTA: A Prefeitura Municipal de LUÍS GOMES/RN compromete-se a deflagrar as providências administrativas aptas a fim de proceder a licitação e contratar empresa para a realização do concurso público para preenchimento dos cargos efetivos objeto deste Termo 30 (trinta) dias após o início da vigência da legislação eventualmente aprovada pela Câmara Municipal. CLÁUSULA QUINTA: A Prefeitura Municipal de LUÍS GOMES/RN compromete-se a nomear e a dar posse aos candidatos aprovados no concurso público no prazo máximo de 04 (quatro) meses após o término da efetiva 3/5
realização e homologação do concurso. CLÁUSULA SEXTA: O Município de LUÍS GOMES/RN se compromete a rescindir, após a conclusão do concurso público, no prazo máximo previsto na Cláusula anterior, os contratos de todos os servidores contratados em caráter temporário, cujos cargos deverão ser assumidos pelos aprovados no referido certame realizado; CLÁUSULA SÉTIMA: O(a) Prefeito(a) Municipal, para assegurar a continuidade do serviço público, em especial o que for prestado por pessoas contratadas temporariamente, editará, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da assinatura deste Ajustamento de Conduta, ato administrativo, devidamente fundamentado, designando todos os servidores que ocupam os cargos temporários para desempenharem as atribuições do mencionado cargo, em caráter emergencial e temporário, somente até a conclusão do concurso público para provimento dos referidos cargos; CLÁUSULA OITAVA: A Prefeitura Municipal de LUÍS GOMES/RN compromete-se a, após o vencimento dos prazos previstos neste Termo de Ajustamento de Conduta, remeter ao Ministério Público os documentos comprobatórios do cumprimento da cada termo ajustado. 2.B - DAS PENALIDADES CLÁUSULA NONA: Em caso de descumprimento injustificado de qualquer dos prazos previstos neste Termo de Ajustamento, o Município de LUÍS GOMES/RN incorrerá em multa de R$ 500,00 (quinhentos reais), por dia de descumprimento e por obrigação descumprida, a ser paga a partir do empenho de verbas afetadas à publicidade preferencialmente, ou a quaisquer outras atividades estranhas à Saúde, à Segurança Pública e à Educação, em favor do Fundo Municipal de Saúde e do FUNDEB municipal, à razão de 50% (cinquenta por cento) para cada. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Caso haja algum fato impeditivo 4/5
do cumprimento de qualquer dos prazos previstos neste Termo, alheio às competências administrativas da Prefeitura Municipal, o MUNICÍPIO DE LUÍS GOMES/RN informará tal ocorrência à Promotoria de Justiça local, justificando eventual descumprimento e solicitando a negociação de novo prazo. CLÁUSULA DÉCIMA: O não pagamento da multa eventualmente aplicada implica em sua cobrança judicial pelo Ministério Público, com atualização contada a partir da data do inadimplemento da obrigação monetária. CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA: O cumprimento do presente Termo deverá ser fiscalizado pelo Ministério Público e poderá ser averiguado por qualquer do povo ou por qualquer órgão público. CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA: A celebração do presente Termo de Ajustamento de Conduta não obsta eventual atuação do Ministério Público quanto aos mesmos fatos na seara criminal. E, estando justo e acertado o compromisso celebrado, com base no art. 5º, 6º, da Lei nº 7.347/85, reconhecem os signatários a natureza de título executivo extrajudicial, nada mais havendo, lido e achado conforme, vai este instrumento devidamente assinado e datado, entregues, na ocasião, a cada um dos signatários. Luís Gomes/RN, 05 de abril de 2018. Mariana Mafaldo de Paiva Fernandes Prefeita do Município de Luís Gomes Paulo Victor de Brito Netto Procurador do Município de Luís Gomes Mariano Paganini Lauria Promotor de Justiça Substituto Testemunhas: 5/5