TÓPICOS DE RESOLUÇÃO DO EXAME. Exercício I

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Transcrição:

TÓPICOS DE RESOLUÇÃO DO EXAME Exercício I a) A afirmação é verdadeira. ualquer investimento público deverá, em ultima instância, ser financiado através de impostos, pelo que a carga excedente gerada pelos impostos deverá ser contabilizada nos custos associados ao investimento público. b) A afirmação é verdadeira. As quotas à importação fazem com que os preços no mercado interno sejam superiores aos preços no mercado internacional, traduzindo-se esta diferença num lucro ou renda para os importadores. Ora, estando-se na presença de uma restrição regulamentar à entrada no mercado, a qual é geradora de rendas, conclui-se que a mesma poderá favorecer a corrupção (por ex., determinado importador poderá convencer o decisor público a atribuir-lhe as quotas, mediante o pagamento de determinadas luvas ). c) A afirmação é falsa. Para além dos subsídios e impostos de Pigou referidos na afirmação, as externalidades também podem ser corrigidas através da criação de quotas à produção ou ao consumo, ou mediante a definição de direitos de propriedade que resultem na criação de um mercado para a externalidade (por exemplo, o mercado de carbono). Exercício II a) Diminuição da quantidade e preço de equilíbrio, bem como do excedente total, em resultado de uma contracção da curva de procura. P S D 2 D 1 2 1 b) Aumento da quantidade e preço de equilíbrio, bem como do excedente total, em resultado de uma expansão da curva de procura. 1

P S D 1 D 2 1 2 c) Diminuição da quantidade de equilíbrio e diminuição do bem-estar social, traduzida na carga excedente associada ao aumento da tributação. d) Aumento da quantidade de equilíbrio e diminuição do preço de equilíbrio, bem como aumento do bem-estar social, em resultado de uma expansão da curva de oferta. P S 1 S 2 D 1 2 e) Aumento da quantidade e preço de equilíbrio, bem como do excedente total, em resultado de uma expansão da curva de procura. P S D 1 D 2 1 2 2

f) Diminuição do preço e quantidade de equilíbrio, em resultado da imposição de um preço máximo. Ao mesmo tempo, é gerada uma carga excedente, resultante da distorção nas quantidades de equilíbrio. Exercício III a) As curvas de indiferença devem respeitar a condição de transitividade, o que implica que as mesmas não se poderão cruzar. b) O cabaz óptimo de consumo é um cabaz sobre a restrição orçamental, sendo que a inclinação desta deverá ser igual à inclinação da curva de indiferença. A inclinação da restrição orçamental é igual ao preço relativo dos bens, pelo que este é essencial para determinar a solução óptima de consumo. c) Os produtores poderão recorrer a uma tarifa duas partes para se apropriarem de todo o excedente gerado pelas transacções no mercado. Para tal, deverão definir a parte fixa da tarifa como sendo igual a todo o excedente do consumidor. O gráfico seguinte identifica esta situação. O produtor maximiza a sua receita se praticar um preço variável por unidade consumida igual ao custo marginal (identificado por c) e, ao mesmo tempo, se cobrar uma tarifa fixa igual a todo o excedente do consumidor (identificada pela área T). (q 1) T c q 1 O aumento do preço variável por unidade consumida traduz-se numa diminuição da quantidade consumida e, consequentemente, numa diminuição da tarifa fixa que o produtor poderá cobrar (igual ao excedente do consumidor). Neste cenário, a receita do produtor diminui, conforme identificado no gráfico seguinte (a diminuição de receita é identificada pela área azul): 3

(q 1 ) T c+δp c q 2 q 1 Exercício IV a) A quantidade de monopólio resulta de: Rmg = Cmg 100 2 = 20 * = 40 O preço de monopólio é determinado pela substituição da quantidade na função procura: P* = 100 * P* = 60 b) O gráfico seguinte identifica as soluções de monopólio e de concorrência perfeita. O triângulo azul identifica a perda de bem-estar social que resulta do monopólio, por comparação com a situação de concorrência perfeita. Monopólio 60 Concorrência Perfeita 20 Cmg 40 80 c) O gráfico seguinte compara as soluções de concorrência perfeita e de monopólio, assumindo custos marginais mais baixos em monopólio do que em concorrência perfeita. Neste caso, estamos perante um trade-off de Willimanson (poder de mercado vs ganhos 4

de eficiência). A área do rectângulo vermelho identifica os ganhos de eficiência de custos e sinergias que resultam do monopólio; a área do triângulo azul identifica a perda de excedente que resulta da distorção na quantidade de equilíbrio. O excedente de monopólio poderá ser maior do que o excedente de concorrência perfeita, se os ganhos de eficiência e sinergias (área do rectângulo vermelho) compensarem a perda de excedente que resulta da distorção nas quantidades (área do triângulo azul). Monopólio Concorrência Perfeita CmgCP CmgM d) O gráfico seguinte apresenta as soluções de monopólio e de concorrência perfeita, comparando-as, em termos de bem-estar social, com a solução socialmente óptima (i.e., aquela que resulta de considerarmos a totalidade dos custos marginais associados à produção do bem, o que inclui, para além dos custos marginais suportados pela empresa, também o custo associado à externalidade negativa resultante da poluição). A solução de monopólio resulta numa quantidade (40) inferior ao óptimo social (50), sendo a perda de excedente do monopólio (por comparação com a solução socialmente óptima) representada pela área do triângulo azul. A solução de concorrência perfeita resulta numa quantidade (80) superior ao óptimo social (50), sendo a perda de excedente de concorrência perfeita (por comparação com a solução socialmente óptima) representada pela área do triângulo vermelho. 5

Monopólio Óptimo Social 60 50 Cmg+Externalidade Concorrência Perfeita 20 Cmg 40 50 80 e) Estamos perante a integração vertical de dois monopólios. O gráfico seguinte apresenta as soluções de monopólio no mercado de cimento, nos cenários com e sem integração vertical da empresa cimenteira com a empresa siderúrgica. A integração vertical da empresa cimenteira com a empresa siderúrgica traduz-se na diminuição dos custos marginais da empresa cimenteira (deixa de pagar a margem que, no cenário sem integração vertical, teria que pagar à empresa siderúrgica), resultando na diminuição do preço e aumento da quantidade de cimento transacionada e, consequentemente, o processo de integração vertical será benéfica para o consumidor. Sem integração vertical de dois monopólios p 1 Com integração vertical de dois monopólios p 2 Cmg=c+m Cmg=c q 1 q 2 6