Fotografando com um SRL Digital por José Eduardo Deboni jose@eduardodeboni.com Fotografar com uma câmera digital SLR (aquelas que permitem trocar as lentes) pode ser um pouco intimidador. A quantidade de opções e o número de controles assusta o principiante. Muitos não sabem que uma SLR também pode ser usada como uma câmera automática, mas não é isso que se deseja com uma câmera assim. Apresento aqui uma lista de 4 passos pode ajudar a dar a segurança para obter as primeiras fotos, e aos poucos, ir se aprofundando no conhecimento da técnicas e do equipamento. Minha intensão é mostrar que este aprendizado pode ser divertido e o resultado altamente compensador. Os passos que estou propondo são: 1. Selecionar o assunto e o tipo de lente; 2. Ajustar o ISO à iluminação disponível; 3. Selecione o modo de operação (AV, TV ou Manual) para o tipo de foto 4. Foco e composição.
1. Seleção do assunto e da lente Dependendo do tipo de fotografia que se pretende fazer, deve-se selecionar um lente adequada. As lentes são classificadas em 3 grandes grupos conforme a distância focal (relacionado com a aproximação ou afatamento que o objeto resulta na foto) : Grande angular - São objetivas que apresentam distâncias focais menores que a diagonal da imagem projetada, tendo, portanto, um grande campo de visão. As grandes angulares possuem distâncias menores que 50 mm, com 17 mm, 22 mm ou 35 mm. Objetivas chamadas olho de peixe tem uma visão de quase 180 graus e distância angular de 8 mm por exemplo. São lentes próprias para fotos de grandes objetos, arquitetura, paisagens ou grandes grupos de objetos. Normais - são objetivas para o formato 35 mm tem a distância focal de 50mm. O campo de visão desta objetiva é da ordem de 50. A distorção é pequena e a imagem é projetada quase paralelamente ao sensor. São lentes de propósito geral e servem para vários tipos de atividades. São especialmente úteis em retratos. Telefoto - são objetivas cujas distâncias focais são maiores que as das objetivas normais, 60 mm, 100 mm, 200 mm e até 500 mm. A característica mais marcante no uso destas objetivas é a produção de imagens ampliadas e um aparente "achatamento" nos planos da imagem. Isto porque elas são produzidas para observar ou fotografar objetos numa distância mais elevada, e assim as distâncias relativas entre os objetos se tornam menores. São indicadas para fotos em close-up e da natureza como plantas, flores e pássaros. Vamos considerar uma lente intermediária em torno dos 50 mm (de 35 a 70 mm) para seguirmos no estudo. Cada lente possui características próprias que podem ser exploradas para se obter o máximo da sua capacidade. 2.Seleção do ISO em função da iluminação disponível O item mais importante para uma boa fotografia é o aproveitamento da luz. A luz é que vai definir as formas, cores e criar contornos e padrões que vão ser capturados pela lente. Em princípio deve-se ficar de costas para a fonte de luz, mas pode-se tentar colocar ao lado da fonte luminosa para capturar valorizar sombras e contrastes ou, até mesmo ficar de frente à fonte luminosa para fotografar silhuetas em contra-luz. Para que a máquina consiga capturar a luz deve-se selecionar a sensibilidade do sensor com o ISO. Quanto menor o ISO, maior deve ser a luz disponível para produzir a imagem. Com um ISO baixo o sensor dedica um número maior de pontos para capturar a imagem e ela será mais nítida e definida. Um ISO grande o número de pontos é menor e a imagem vai parecer granulada. ISO 100-200 ISO 200-400 ISO 800-1600 ou até 6400 Muita luz, como um dia claro ou um objeto muito bem iluminado Dias nublados, luz indireta, ou locais com menos iluminação Fotos à noite, com iluminação deficiente ou locais fechados Veja alguns exemplos do efeito da variação do ISO em uma foto.
Observar variação da granularidade da foto: (a) ISO 200 (f 4.0, v= 1/8) (c) ISO 3200 (f 4.0, v= 1/100) (b) ISO 800 (f 4.0, v= 1/40) (d) ISO 12800 (f 4.0, v= 1/640) 3. Selecione o modo de operação em função do tipo de foto (AV, TV ou Manual) Na maioria das minhas fotos uso o modo AV, ou com prioridade de abertura. Onde a máquina fixa uma abertura (f-stop) e varia o tempo de exposição (t) para garantir uma exposição correta em função da quantidade de luz disponível. Um valor de f-stop alto (ex. f 10) significa uma abertura pequena e uma necessidade de luz maior. Um valor de f-stop baixo (ex. f 2) significa uma grande abertura e um aproveitamento melhor da luz disponível. No modo manual o fotógrafo controla todas as variáveis (f e velocidade), no modo AV fixa o f e câmera define a velociada. No modo TV fixa a velocidade e a câmera escolhe o f adequado. Vou tentar explicar melhor o modo de operação AV: A máquina possui um fotômetro que mede a quantidade de luz e calcula, em função da abertura (f) fixada para o obturador, qual a velocidade ideal para não fazer uma superexposição (deixando entrar muita luz e queimar a foto) nem uma subexposição (não deixar entrar luz e tornar a foto escura). Assim no modo AV deve-se definir uma abertura e a câmera ajusta a velocidade.
O comum é usar a maior abertura disponível na lente (f 2, f. 1.8, ou f.4). Isso faz com que a lente fique o mais aberto possível e deixe entrar o máximo de luz. Como a luz é um recurso raro procura-se aproveitá-lo ao máximo. Essa regra deve ser revisada em função do tipo de foto, e especialmente se houver uma boa quantidade de luz, no entanto pode ser adotada como uma regra geral. O que muitos ainda não sabe é que a variação da abertura (f) muda a profundidade de foto. Um f baixo cria um "desfocado" ou "boke" muito apreciado nas fotos. Veja nas fotos abaixo que com o aumento do f partes da frete e no fundo da foto que vão fincando em foco.
(1) f 1.4 (v=1/400, ISO 800) (2) f 2.8 ( v=1/125, ISO 800) (3) f 5.0 (v=1/40, ISO 800) (4) f 14.0 (v=1/10, ISO 800) Se a velocidade calculada for muito baixa, a foto pode não ser possível de ser feita com as mãos não apoiadas, sendo recomendado usar um tripé para manter a câmera imóvel. Uma regra geral é que a velocidade mínima que se consegue tirar uma foto sem o uso de um tripé é 1/distância focal, ou seja se está usando uma lente de 100 mm deve ter uma velocidade mínima de 1/100 s para se conseguir tirar segurar a máquina com as mãos. Uma lente de 50 mm permite fotos de até 1/50 s. Se a velocidade estive muito baixa, aumente o ISO para conseguir uma velocidade adequada. Os outros modos de operação são: modo TV (prioridade no tempo) define-se um tempo de abertura e a câmera seleciona a abertura para uma exposição ideal. Esse modo é útil quando se quer destacar movimentos com uma velocidade de exposição lenta, ou se quer congelar um momento rápido (como nos esportes). No modo manual (M) o fotografo deve definir o tempo de exposição e a abertura manualmente. 4. Foco e Composição Passada toda a parte técnica, agora só falta enquadrar, pressionar o disparador e fotografar. Neste momento é que o ôlho do fotógrafo entra em ação. No modo de foco manual (MF) o fotografo deve fazer o foco manualmente na imagem e pressionar o disparador. Vamos proport usar o modo de foco automático (AF) e ver como ele funciona. As câmeras digitais tem vários pontos de foco, mas por simplicidade vamos habilitar apenas o ponto de foco central (ponto vermelho no centro do visor). Pressionando o disparador bem devagar observa-se que na primeira fase de pressão a câmera tenta fazer o foco, para isso ela procura uma linha (um canto, uma fronteira) e tenta deixar a linha bem definida em algum ponto de foto. O ponto central pisca e um sinal sonoro é geralmente emitido (isso pode ser omitido). A partir dai a máquina fixa o foco se o fotógrafo mantiver o disparador semipressionado. Nesta condição o fotógrafo pode fazer a composição que deseja, ou seja movimentar a câmera para distribuir os objetos à sua frente pela foto. É comum ver fotógrafos fazendo pequenos movimentos com a câmera, antes de fotografar em um constante focalizacompõe, focaliza-compõe... Apesar de não existir uma regra geral para uma boa composição, e ótimas fotos vem de boas regras sendo quebradas, algums dicas podem ajudar no início: 1. Tente ter um único ponto de atração do olhar (pode ser um ponto e uma linha), que é o assunto principal da foto 2. Conheça a regras dos terços para organizar os objetos no quadro em 3 partes, distribuindo os objetos principais nas fronteiras dos terços e não no centro da imagem. 3. O background ou o foreground podem ajudar muito a composiçã, ajudando a contar uma história com a foto ou apenas distrair e confundir o observador. 4. Padrões e texturas ajudam a criar uma composição agradável. 5. O alinhamento (ou desalinhamento) pode ajudar a destacar o centro de atenção da foto. Explore este fato. Agora é só sair para se divertir. Boas fotos.