Compreendendo as Estruturas de Mercado Profa. Celina Martins Ramalho O Conceito de Estrutura de Mercado Objetivo Apresentar as estruturas de mercado sobre as quais se organizam os mercados de concorrência imperfeita; Caracterizar as estruturas de mercado, apresentando suas especificidades; e Mostrar as causas e implicações das estruturas de mercado na economia em geral, e nas organizações em particular. Diante das características dos bens ou serviços produzidos as indústrias podem estar organizadas entre si de várias formas. Estas formas que caracterizam a organização das indústrias denominamos estruturas de mercado. Estes mercados de bens ou serviços são estruturados em função de dois fatores que são: o número de firmas atuando no mercado e a homogeneidade ou diferenciação dos produtos da firma. A importância que damos às estruturas de mercado é que a análise permite observarmos em que situação a empresa poderá atuar formando preços, ofertando qual quantidade, e também que tipo de concorrência ocorre no setor em que atua. É importante observarmos que a análise de estrutura de mercado reflete o grau de concorrência entre as empresas que implica na quantidade de indivíduos que consomem os bens. Estamos falando da influência das estruturas de mercado na formação dos preços de mercado e na capacidade de consumo dos indivíduos, e portanto no seu bemestar. E por fim é importante observarmos que as estruturas de mercado se dão em um processo histórico. Por exemplo, nos Estados Unidos há uma menor concentração das empresas, o que permite maior concorrência e menores preços dos bens e serviços. Portanto neste país a característica mais evidente das empresas em sua estrutura são os oligopólios. Já no Brasil, historicamente pudemos observar a partir do final da década de 1980 o fim dos monopólios do Estado e o surgimento de estruturas de mercado oligopolistas, a exemplo do sistema de telefonia do país.
Compreendendo as Estruturas de Mercado Glossário Concorrência perfeita Situação de mercado na qual o número de compradores e vendedores é tão grande que nenhum deles consegue afetar o preço individualmente. Os produtos são homogêneos, há livre entrada e saída de empresas e informação perfeita entre vendedores e copradores. Monopólio Situação de mercado em que uma única empresa vende um produto que não tenha substitutos próximos Discriminação de preços Prática comercail de vender o mesmo bem ou serviços por diferentes preços aos diferentes clientes. Concorrência monopolística Situação de mercado na qual existem muitas empresas vendendo produtos diferenciados que são substitutos próximos entre si. Oligopólio: Situação de mercado em que há um pequeno número de empresas dominando o mercado, as quais controlam a oferta de um produto que pode ser homogêneo ou diferenciado. Ineficiência do monopólio: como um monopólio cobra um preço superior ao custo marginal, nem todos os consumidores que atribuem ao bem valor superior ao custo o comparam. Isso implica que a quantidade produzida e vendida por um monopolísta é inferior ao nível socialmente eficiente. O peso morto é representado pela área do triângulo entre a curva de demanda, que reflete o valor do bem para os consumidores, e a curva de custo marginal, que reflete o custo para o produtor monopolista. Concorrência Perfeita Até agora tratamos as questões da Teoria da Produção e da Teoria dos Custos nas aulas 5 e 6 considerando a concorrência perfeita. Esta é a situação de mercado em que o número de compradores e de vendedores é tão grande que nenhum deles consegue influenciar o preço agindo individualmente. Através de um exemplo podemos imaginar um produtor agrícola. Quando ele colhe seu produto para ofertar no mercado não é ele quem define o preço da mercadoria, pois o preço é definido no mercado. Então, mesmo que ele queira vender a um preço mais alto não irá conseguir, pois haverão produtores ofertando ao preço mais baixo, definido no mercado. Os produtos agrícolas são ótimo exemplo de mercado de concorrência perfeita por serem homogêneos, ou seja, independente do local da produção o bem é praticamente igual. Há muitos produtores agrícolas e muitos compradores, uma vez que os produtos agrícolas são parte do item alimentação, essencial para os indivíduos. Concorrências Imperfeitas I: monopólio e monopsônico Monopólio O monopólio é a situação em que uma empresa é a única vendedora de seu produto e este produto não tem substitutos próximos. O que causa a situação de monopólio são as barreiras à entrada de uma ou mais empresas como produtoras e concorrentes no mercado deste bem ou serviço. As origens das barreiras à entrada são: - a propriedade de um recurso-chave de uma única empresa, como por exemplo a existência de uma única mina de água numa cidade. O proprietário das terras em que se encontra a mina tem o monopólio do fornecimento de água para consumo da população. Esta situação de monopólio é a menos comum, uma vez que as economias atuais são grandes e os recursos têm muitos proprietários. Atualmente há meios que facilitam a existência de substitutos próximos dos produtos, mesmo que haja necessidade de transporte. - o governo dá o direito a uma única empresa para produzir um bem, a exemplo da indústria farmacêutica, a qual é autorizada a produzir um certo medicamento a um período de tempo e comercializá-lo com exclusividade. Esta patente é justificada como meio da indústria obter mais lucro e que este seja investido em mais pesquisa e desenvolvimento. O mesmo ocorre com os direitos autorais do escritor de um livro. Este valor que ele recebe pela venda de cada livro corresponde à remuneração para a produção de mais livros.
Profa. Celina Martins Ramalho - um único produtor é mais eficiente assumindo os custos da produção, em vez de vários produtores. Esta condição de existência do monopólio é denominada monopólio natural, a qual contém economias de escala ao longo da faixa relevante de produção. Estas economias de escala ocorrem quando a curva de custo total médio declina continuamente, de modo que se a produção é dividida entre mais empresas, cada uma delas produz menos e o custo total médio sobe. Então, uma única empresa pode produzir qualquer quantidade a um custo menor. Um exemplo é o fornecimento de energia elétrica em uma cidade. Não faz sentido ter-se outra empresa arcando com custos de instalação dos equipamentos de fornecimento de energia elétrica para o vizinho. Então, é conveniente que uma única empresa forneça energia elétrica na cidade. Como as empresas monopolistas decidem preços e quantidades de oferta Para compreendermos como se define o preço e a quantidade de oferta de um bem ou serviço cujo mercado é um monopólio devemos compará-lo a uma empresa competitiva. O monopólio tem grande capacidade de influir no preço de sua produção, e portanto é formador de preço, ao passo que a empresa competitiva é apenas uma dentre várias existentes no mercado, e portanto é tomadora de preço, ou seja, aplica o preço que as outras várias empresas ofertam no mercado. Diante destas situações de mercado, as curvas de demanda para empresas competitivas e monopolistas são caracterizadas da seguinte forma: a) curva de demanda de uma empresa competitiva b) curva de demanda de uma empresa monopolista
Compreendendo as Estruturas de Mercado A partir destes gráficos de demanda podemos observar que uma vez que as empresas competitivas são tomadoras de preços, elas se deparam com curvas de demanda horizontais, como podemos conferir no painel a. Por sua vez, sendo a empresa monopolista a única no seu mercado, ela se depara com a curva de demanda negativamente inclinada, como podemos observar no painel b. Portanto, o monopólio tem que aceitar um preço menor se deseja vender mais. Duas considerações devem ser feitas acerca do lucro do monopólio. Primeiramente, a curva de demanda do mercado impõe um limite à capacidade do monopólio lucrar com seu poder de mercado, ou seja, o comportamento do consumidor define a que preço ele está disposto a adquirir o bem ou serviço. A curva de demanda do mercado descreve as combinações de preço e quantidade que estão disponíveis para a empresa monopolista. Portanto ela deve escolher qualquer ponto da curva de demanda, mas não um ponto fora da curva. O ponto da curva de demanda que será escolhido pelo monopolista, que por sua vez visa a maximização do lucro, leva à necessidade de calcularmos a receita total menos os custos totais, nossa próxima tarefa. Maximização do lucro do monopólio Para tratarmos o lucro do monopólio, primeiramente devemos considerar a abordagem contábil da receita total - custo total estabelecida para a empresa em concorrência perfeita. A empresa monopolista também maximiza seu lucro total (LT) no nível de produção em que a diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT) é máxima. Maximização de lucros de um monopólio: um monopólio pode maximizar lucros escolhendo a quantidade na qual a receita marginal é igual ao custo marginal. Após obter este ponto de equilíbrio ele utiliza a curva de demanda para determinar o preço capaz de induzir os consumidores a comprar essa quantidade. Portanto, ao contrário dos mercados competitivos, os monopólios falham na alocação eficiente dos recursos. Os monopólios produzem menos do que a quantidade de produto socialmente desejável e, em consequência, cobram preços superiores ao custo marginal. Este problema, o da perda de bem-estar social por conta da empresa monopolista que oferta o produto, reflete a ineficiência do monopólio. O monopólio aplica um preço superior ao custo marginal, o qual nem todos os cosumidores estão dispostos a pagar. Isto implica que a quantidade produzida e vendida por um monopólio é inferior ao nível socialmente eficiente.
Profa. Celina Martins Ramalho Nesta situação temos a definição do peso morto que é representado pela área do triângulo situada entre a curva de demanda, que reflete o valor do bem para os consumidores, e a curva de custo marginal, que reflete os custos incorrridos pelo produtor monopolista. Ainda, esta situação do peso morto causado pela empresa monopolista é semelhante à situação de peso morto causada pela arrecadação de impostos, com a diferença que no primeiro caso a empresa privada aufere lucro monopolista, e no segundo, o governo obtém a receita do imposto que será revertida na produção de bens e serviços públicos à população. Um outro aspecto do lucro monopolista é a preocupação dele ser um custo social. Para tanto, os formuladores de políticas públicas do governo podem adotar algumas medidas para responder ao problema: - tornar as atividades monopolistas mais competitivas; - regulamentar o comportamento dos monopólios estabelecendo tetos de preços; - transformando monopólios privados em empresas públicas e vice-versa. E por fim é importante considerarmos a prática comercial de discriminação de preços. Em muitos casos as empresas vendem o mesmo bem ou serviço a diferentes clientes por preços diferentes, muito embora os custos de produção sejam os mesmos. Concorrências Imperfeitas II: concorrência monopolística Dizemos que um mercado é concorrência monopolística quando identificamos a existência de elementos da concorrência perfeita e do monopólio que o deixam em situação intermediária entre estas duas formas de organização de mercado. Então, podemos considerar a existência de um grande número de compradores e de vendedores, cada empresa produzindo um produto diferenciado, embora seja substituto próximo dos produzidos pelas outras empresas. Identificamos também a livre entrada e saída das empresas.
Compreendendo as Estruturas de Mercado Outras características são a curva de demanda negativamente inclinada, ilustrando que reduções do preço provocam aumentos nas quantidades vendidas. E a demanda é bastante elástica uma vez que há disponibilidade de numerosos substitutos para o produto, permitindo ao consumidor outras alternativas de consumo na ocorrência de aumentos de preço. Exemplos de concorrência monopolística podem ser dados no setor de serviços como os prestados em academias de ginástica, salões de beleza, padarias, bares, etc. Decisões sobre preço e produção de uma empresa em concorrência monopolística A empresa em concorrência monopolística no curto prazo tem comportamento de empresa em monopólio. Há restrições pela tecnologia de produção, pelos preços pagos pelos fatores de produção e a curva de demanda é negativamente inclinada. A empresa em monopólio irá produzir uma quantidade de produto para o qual Rmg = Cmg, podendo ter lucro extraordinário (lucro econômico) ou prejuízo no curto prazo. Em concorrência monopolística, quando uma empresa aumenta seu preço, seus clientes têm a opção de comprar um produto similar de outra empresa. Por sua vez, a empresa em concorrência monopolística no longo prazo tem comportamento de empresa em concorrência perfeita. Portanto, ela não obterá lucro extraordinário no longo prazo. Ela somente obterá lucro normal (lucro econômico zero), assim como uma empresa perfeitamente competitiva. Então, a obtenção do lucro zero requer que o preço aplicado pela empresa seja igual ao custo médio de produção (P = Cme). Como conclusão podemos sintetizar que em um mercado de concorrência monopolística no curto prazo as empresas podem obter lucro extraordinário ou prejuízo, ao passo que no longo prazo a livre entrada e saída de empresas na indústria faz com que cada empresa tenha lucro econômico igual a zero (lucro normal), assim como no mercado de concorrência perfeita. No equilíbrio de longo prazo não há incentivo para novas firmas entrarem ou saírem da indústria. Concorrências Imperfeitas III: oligopólio e oligopsônio Oligopólio Esta estrutura de mercado é a que prevalece nas economias do mundo ocidental. Ela é caracterizada por um pequeno número de empresas que produzem bens substitutos entre si (idênticos ou diferenciados) e que praticam preços bastante similares. Os exemplos mais comuns são a indústria automobilística, a indústria de bebidas e a indústria de eletrodomésticos. Há um método de se verificar se uma indústria é um oligopólio, através do qual se determina o índice de concentração da indústria. Este método fornece o percentual da produção da indústria que é controlada pelas quatro maiores produtoras. (aos alunos que pretendem maiores definições em economia de empresas, verifiquem as teorias de Cournot, Bertrand e Stackelberg contidas no Capítulo 12 do livro do Pindyck e Rubinfeld indicado nas Referências Bibliográficas) As principais características do oligopólio são: - a existência de poucas firmas interdependentes por considerarem e reagirem às decisões de preço e produção de outras. - o oligopólio pode ser puro nos casos de bens homogêneos ou substitutos perfeitos entre si como o cimento, o aço e outras matérias primas. Ou diferenciado, no caso dos produtos semelhantes, e portanto não idênticos como o cigarro, as bebidas e os automóveis.
Profa. Celina Martins Ramalho - e a existência de dificuldades para entrar na indústria como as economias de escala, o controle sobre as fontes de matérias-primas, e a existência de patentes como barreiras legais. Oligopsônio Esta estrutura de mercado é caracterizada por poucas empresas de grande porte compradoras de determinada matéria-prima. Estando no âmbito do fornecimento das matérias-primas, as empresas do oligosônio podem comprar de muitos pequenos produtores, ou então de um mercado fornecedor também concentrado, com poucos e grandes produtores. Esta última possibilidade também é denominada oligopsônio bilateral, que a exemplo das indústrias siderúrgicas e automobilísticas o comércio é caracterizado por poucos vendedores e poucos compradores. Quadro - Resumo das estruturas de mercado (Nogami e Passos, pág. 355).