PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR N.º /2013



Documentos relacionados
Criado pela Lei Complementar Nº 15 de 02/07/2004 Edição 2000 Ponta Porã-MS, 21 de Maio de Poder Executivo. Edital LICENCIAMENTO

LEI Nº. 430 DE 15 DE ABRIL DE 2010

PREFEITURA MUNICIPAL DE POUSO REDONDO CNPJ / Rua Antonio Carlos Thiesen, Pouso Redondo Santa Catarina

A CÂMARA MUNICIPAL DE TRÊS RIOS DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:

Faço saber, que a Câmara Municipal de Mangueirinha, Estado do Paraná aprovou e eu, ALBARI GUIMORVAM FONSECA DOS SANTOS, sanciono a seguinte lei:

PROJETO DE LEI Nº...

CAPÍTULO III DA REESTRUTURAÇÃO

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE INDAIATUBA

DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO DO CONSELHO DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR CAE DO MUNICÍPIO NOS TERMOS DA MEDIDA PROVISÓRIA , DE 02 DE

JOSÉ ALVORI DA SILVA KUHN PREFEITO MUNICIPAL DE MORMAÇO, Estado do Rio Grande do Sul.

CÂMARA MUNICIPAL DE INDAIATUBA

Prefeitura Municipal de São João del-rei

PREFEITURA MUNICIPAL DE NEPOMUCENO

Lei N. 391/2007 Wanderlândia 14 de Março de 2007.

PROJETO DE LEI Nº 12, de 06 de outubro de 2014.

PROPOSTA DE PROJETO DE LEI

PROJETO DE LEI Nº /2015

LEI N 501, DE 02 DE JULHO DE 2009.

CÂMARA MUNICIPAL DE HORTOLÂNDIA

REGIMENTO DO CONSELHO CONSULTIVO DO AUDIOVISUAL DE PERNAMBUCO

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO E FINALIDADE

LEI N 1.892/2008 Dá nova redação a Lei nº 1.580/2004

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO URBANO CAPÍTULO I DA NATUREZA, COMPOSIÇÃO E ORGANIZAÇÃO

REGIMENTO INTERNO CONSELHO GESTOR DAS UNIDADES DE SAUDE

CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS

Estado do Rio de Janeiro MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS Fundação de Turismo de Angra dos Reis Conselho Municipal de Turismo

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO FISCAL DO FUNDO DE APOSENTADORIA E PENSÃO DO SERVIDOR- FAPS

Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial, de 07/07/2011

CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Nº Despacho A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO DECRETA:

LEI N.º 2.816, DE 08 DE JULHO DE 2011.

Of. nº 387/GP. Paço dos Açorianos, 13 de abril de Senhora Presidente:

PROJETO DE LEI Nº 14/2016 DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE PARTICIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE NEGRA CAPÍTULO I

SECRETARIA DE ESTADO DE ESPORTES E DA JUVENTUDE SUBSECRETARIA DA JUVENTUDE

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PREFEITURA MUNICIPAL DE CANOAS

LEI MUNICIPAL Nº 3.486/2005

LEI N. 1397/2013, de 03 de dezembro de 2013.

LEI Nº Art. 2º A Ouvidoria de Polícia do Estado do Espírito Santo tem as seguintes atribuições:

REGULAMENTO DO COLEGIADO DE CURSO CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADES

DECRETO Nº , DE 23 DE JANEIRO DE 2015

ESTADO DE SERGIPE PODER EXECUTIVO Governo do Município de Tobias Barreto

LEI MUNICIPAL Nº 428/2014

REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, NATUREZA, SEDE E DURAÇÃO

CÂMARA MUNICIPAL DE JACAREÍ

PREFEITURA MUNICIPAL DE PILÕES CNPJ: / CEP:

L E I LEI Nº. 691/2007 DE 27 DE JUNHO DE 2.007

Art. 2º Ao Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA-SC - compete:

DO CONSELHO MUNICIPAL DE DIREITOS DO IDOSO. Art. 2º. Compete ao Conselho Municipal de Direitos do Idoso:

COLEGIADO DE FISCAIS DE TRIBUTOS, AUDITORES FISCAIS E TÉCNICOS DA TRIBUTAÇÃO DA AMOSC REGIMENTO INTERNO

Conselho Municipal de Proteção aos Animais - Conselhos - Prefeitura de Franca

Prefeitura Municipal de Porto Alegre

ESTADO DO MARANHAO PREFEITURA MUNICIPAL DE ALTO ALEGRE DO PINDARÉ GABINETE DO PREFEITO CAPÍTULO I DA FINALIDADE

LEI MUNICIPAL Nº 111/2001, de 29 de Novembro de 2001.

FORUM PERMANENTE DA AGENDA 21 LOCAL DE SAQUAREMA REGIMENTO INTERNO. CAPITULO 1-Da natureza, sede, finalidade, princípios e atribuições:

CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO REGIMENTO INTERNO

ESTADO DO RIO DE JANEIRO PREFEITURA MUNICIPAL DE SUMIDOURO GABINETE DO PREFEITO

PROPOSTA DE PROJETO DE LEI

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ACRE TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

MUNICÍPIO DE CRUZEIRO DO SUL - ACRE GABINETE DO PREFEITO MEDIDA PROVISÓRIA N 002/2013, DE 14 DE MARÇO DE 2013.

******************************************************************************** LEI Nº 7508/2007, de 31 de dezembro de 2007

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO SEBASTIÃO

LEI Nº DE 11 DE OUTUBRO DE 2011.

REGIMENTO DO FÓRUM ESTADUAL PERMANENTE DE APOIO À FORMAÇÃO DOCENTE GOIÁS (FORPROF-GO)

LEI Nº 6.583, DE 20 DE OUTUBRO DE 1978

CONSELHO DE ÓRGÃOS MUNICIPAIS INTEGRADOS AO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO (COMITRA) REGIMENTO INTERNO

CAPÍTULO I DA NATUREZA E DOS OBJETIVOS

Modelo - Projeto de Lei Municipal de criação do Conselho Municipal do Idoso

CAPÍTULO I DA NATUREZA, FINALIDADE, CONSTITUIÇÃO E COMPOSIÇÃO DO CONSELHO

ESTADO DE MATO GROSSO CAMARA MUNICIPAL DE RONDONÓPOLIS Gabinete do Vereador Rodrigo da Zaeli

Prefeitura Municipal de São João del-rei

RESOLUÇÃO Nº 021/2007 DO CONSELHO SUPERIOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS UNIFAL-MG

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

PROJETO DE LEI /2009 dos Vereadores Claudio Fonseca (PPS) e Jose Police Neto (PSD) Consolida a legislação municipal sobre alimentação escolar,

\, 2G LEI. PREFEITURA MUNICIPAL DO CAPÃO DO LEÃO Av. Narciso Silva, 2360

CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE

REGULAMENTO DO CONSELHO DEPARTAMENTAL

LEI COMPLEMENTAR Nº 97, DE 9 DE JUNHO DE Dispõe sobre as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas.

REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS

CONSELHO DE GESTORES MUNICIPAIS DE CULTURA DE SANTA CATARINA CONGESC

LEI Nº 982 DE 16 DE MAIO DE 2013.

LEI Nº 1550, DE 17 DE ABRIL DE 2008

O PREFEITO MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE. Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Gabinete de Consultoria Legislativa

RESOLUÇÃO N 83/TCE/RO-2011

PREFEITURA MUNICIPAL DE BAURU

EDITAL DE COMPOSIÇÃO DO COMITÊ GESTOR DO PROGRAMA MUNICIPAL DE PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS

LEI Nº. 179/2007, DE 08/06/2007

CONSELHO MUNICIPAL DE ESPORTE E LAZER SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO - SMED

CÂMARA MUNICIPAL DE SABOEIRO-CE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO RESOLUÇÃO Nº 21/2007

LEI Nº 2.998/2007 CAPÍTULO I DA COMPOSIÇÃO

ANTONIO CARLOS NARDI

Faço saber que a Câmara Municipal de Mangueirinha, Estado do Paraná aprovou e eu, ALBARI GUIMORVAM FONSECA DOS SANTOS, sanciono a seguinte lei:

Art. 4º. 1º. 2º. 3º. 4º. 5º. 6º. Art. 5º. Art. 6º. Da coordenação: Art. 7º. Art. 8º.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SIMÃO DIAS Gabinete do Prefeito

REGULAMENTO DA COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO DA FACULDADE FRUTAL FAF TÍTULO I DO REGULAMENTO E DO ÓRGÃO

Transcrição:

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR N.º /2013 DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE PROTEÇÃO ANIMAL DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Faço saber a todos os habitantes do Município de Florianópolis que a Câmara de Vereadores aprovou e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica criado o Conselho Municipal de Proteção Animal, ligado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMDU) com atribuições e constituição definidas pela presente Lei. Parágrafo único - O Conselho tem o objetivo de proteger e defender de abusos e maus-tratos animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Art. 2º Compete ao Conselho Municipal de Proteção Animal: I. Exigir das autoridades e órgãos públicos e privados o fiel cumprimento das leis de proteção animal; II. Dar parecer, ser ouvido e deliberar em situações definidas nos termos do parágrafo único do Art. 1º desta Lei; III. Acionar órgãos competentes e a fiscalização da Prefeitura quando convier; IV. Realizar diligências e adotar providências contra situações de maus tratos aos animais; V. Organizar, orientar e difundir as práticas de Proteção Animal no Município; VI. Receber e avaliar todos os projetos no âmbito do Poder Público Municipal relacionados com a proteção animal; VII. Realizar estudos e trabalhos relacionados com a Proteção Animal; VIII. Diligenciar junto aos poderes públicos competentes, no sentido de dar fiel e cabal cumprimento às suas atribuições; IX. Requerer na Justiça a proibição da tutela de animais em situações tipificadas no parágrafo único do Art. 1º desta Lei.

Parágrafo único - Dependerão de parecer prévio do Conselho os alvarás e licenças de funcionamento de eventos ou de organizações com atividades que envolvam animais, podendo ser embargados se não dada ciência prévia de setenta e duas horas ao Conselho, ressalvada legislação que restrinja ou venha a restringir, ou que proíba ou venha a proibir a concessão destes alvarás. Art. 3º O Conselho Municipal de Proteção Animal será composto paritariamente entre poder público e sociedade nos seguintes termos: I. Um representante da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis; II. Um representante da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis; III. Um representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMDU); IV. Um representante da Guarda Municipal de Florianópolis; V. Um representante do Ministério Público Estadual (Grupo de Defesa dos Direitos dos Animais); VI. Cinco representantes de ONGs de proteção animal distintas. 1º As ONGs participantes devem estar devidamente constituídas a, no mínimo, 2 (dois) anos e sediadas no município de Florianópolis a, no mínimo, 1 (um) ano. Das Disposições Transitórias Comporá, inicialmente, o Conselho Municipal de Proteção Animal um representante de cada ONG a seguir, em regime de rodízio com outras constituídas e pleiteantes. I. Instituto É o Bicho; II. PATA - Protetores e Amigos Trabalhando pelos Animais PATA - Protetores e Amigos Trabalhando pelos Animais; III. OBA Floripa - Organização Bem Animal; IV. Acapra - Associação Catarinense de Proteção aos Animais; V. R3 Animal. 2º As regras sobre a rotatividade de ONGs no Conselho serão definidas em Regimento Interno a ser criado como disposto no Art. 6º. 3º Todo membro titular do Conselho terá um suplente indicado pela mesma instituição. 4º A indicação dos membros titulares e suplentes deverá ocorrer no prazo de trinta dias

contados a partir da solicitação do Executivo, caso contrário, será considerada automaticamente eliminada da participação no Conselho durante o mandato da composição a que se referir. 5º Os membros do Conselho deverão ser de comprovada idoneidade e reconhecidos como atuantes na área. 6º Os membros do Conselho terão mandato de dois anos, podendo ser reconduzidos somente uma vez e reeleitos para mandatos posteriores com interstício de dois anos. 7º Os membros do Conselho serão indicados por quem de direito, mediante solicitação por ofício ao Prefeito Municipal e homologados por este. Art. 4º A função de membro do Conselho Municipal de Proteção Animal será exercida sem qualquer ônus para o município. Art. 5º Os membros do Conselho Municipal de Proteção Animal terão acesso livre e gratuito aos recintos onde se realize qualquer atividade que envolva animais. 1º Para garantir o disposto no caput, basta apresentar ofício devidamente identificado e assinado pelo Presidente do Conselho Municipal de Proteção aos Animais. 2º A desobediência ao disposto no caput deste artigo será punida com multa, a ser aplicada pela Fiscalização da Prefeitura, acionada com base no art. 2º. 3º A multa será no valor correspondente a R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), por pessoa barrada, com renda revertida para o Conselho Municipal de Proteção Animal. Art. 6º Após a sua constituição, o Conselho Municipal de Proteção Animal deverá definir o seu Regimento Interno em até 90 (sessenta) dias. 1º A eleição da diretoria do Conselho será realizada quando da primeira reunião deste após definido o Regimento Interno e de acordo com seus termos. 2º O Conselho, por meio de seu presidente, enviará relatório bimestral de suas atividades à Prefeitura e à Câmara Municipal.

Art. 7º As despesas com a execução da presente lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias. Art. 8º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2013. AFRÂNIO BOPPRÉ Vereador PSOL

JUSTIFICATIVA A Constituição Federal de 1988 trouxe avanços no âmbito dos direitos sociais e garantiu a participação popular e o exercício do Controle Social nas Políticas Públicas. Neste contexto de ampliação dos direitos sociais, a participação passa a ser percebida por meio do Controle Social da sociedade civil na gestão das políticas públicas, ou seja, a interferência política da sociedade civil nas decisões tomadas pelo Estado. Sendo assim, o Controle Social é um direito conquistado na Constituição Federal de 88 e refere-se ao princípio da participação popular, que significa a gestão participativa nas políticas, ou seja, a sociedade civil organizada planejando e fiscalizando as políticas públicas. O controle social pode ser feito individualmente, por qualquer cidadão, ou por um grupo de pessoas. Os conselhos municipais são canais efetivos de participação, que permitem estabelecer uma sociedade na qual a cidadania deixe de ser apenas um direito, mas uma realidade. A importância dos conselhos está no seu papel de fortalecimento da participação democrática da população na formulação e implementação de políticas públicas. Os conselhos são espaços públicos de composição plural e paritária entre Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consultiva, cuja função é formular e controlar a execução das políticas públicas setoriais. Os conselhos são o principal canal de participação popular encontrado nas três instâncias de governo (federal, estadual e municipal). Neste sentido, está dentro da legitimidade do Vereador assegurar os instrumentos necessários para que o controle social se efetive.

Para se criar um Conselho o primeiro passo é propiciar uma mobilização e debate social o que ocorreu, no dia 25 de abril de 2013, em Audiência Pública (Ata e Lista de presença anexas), na Câmara Municipal de Florianópolis com a presença das entidades representativas da causa animal, bem como do poder público. Nesta ocasião, foi feita a discussão da proposta do projeto de Lei com os seus principais pontos, nela constando a finalidade do Conselho, sua composição, atribuições, como se dará a escolha dos conselheiros, funcionamento, a alternância da representação governamental e não-governamental na Presidência do Conselho, estrutura, entre outros assuntos. Diante o exposto e dada a importância da iniciativa peço aos nobres colegas Vereadores o apoio e o voto favorável ao Projeto de Lei apresentado. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2013. AFRÂNIO BOPPRÉ Vereador PSOL