Disciplina: Historiografia HST

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3- O Homem do Renascimento (1975), de Agnes HELLER [pp. 9 a 49 da edição portuguesa Editorial Presença- Lisboa, 1982].

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Transcrição:

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Centro de Filosofia e Ciências Humanas Programa de Pós-Graduação em História Disciplina: Historiografia HST 3602000 Semestre: 2013/01 Objetivo: Professor: Adriano Luiz Duarte A disciplina historiografia, nesse ano, propõe a discussão de quatro temas centrais para a disciplina da história, na atualidade: 1) os usos, problemas e limites do conceito de cultura; 2) as complexas relações entre verdade, ficção e narrativa; 3) os delicados trânsitos conceituais entre a história e as demais ciências humanas; 4) as conexões e interdeterminações entre o local e o global. Cada um desses temas, isoladamente, daria origem a muitas (e diferentes) disciplinas; o que se pretende aqui é apenas e tão somente problematizá-los mas nem de longe esgotar ou dar conta de toda a amplitude do debate sem deixar de, como cabe ao historiador, tomar partido, porque embora muitas vezes esquecida a teoria tem consequências! De um lado, pode acentuar o ceticismo generalizado sobre o conhecimento, a verdade e a justiça, tornando-os sem sentido e, em decorrência, introduzir uma boa dose de irracionalismo, cinismo e niilismo como é o caso das várias correntes que compõem a agenda pós-moderna. De outro, pode nos oferecer as bases racionais e críticas para rejeitar muito do que a nova direita nos apresenta como sabedoria política realista. É a segunda perspectiva que orienta esse programa. Programa: Tema I: Os usos, problemas e limites do conceito de cultura 18/03 Apresentação do programa 25/03 *Kuper, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru. Edusc, 2002. 1) Cultura e civilização: intelectuais franceses, alemães e ingleses,1930-1958 2) Clifford Geetz: cultura como religião e como grande ópera 3) Marshal Sahlins: história como cultura 1/04 *Kuper, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru. Edusc, 2002. 4) Admirável mundo novo 5) Cultura, diferença e identidade

2 8/04 *Williams, Raymond. Culture is ordinary In: Gable, Robin (ed.). Resources of hope. London. Verso, 1989. *Thompson. E. P. Introdução: costume e cultura. In: Costumes em Comum. São Paulo. Cia. das Letras, 1998. *Williams, Raymond. Dominant, residual, and emergent in: Marxism and literature. Oxford/New York. Oxford University Press, 1977. 15/04 *Williams, Raymond. Política do modernismo: contra os novos conformistas. São Paulo. Ed. Unesp, 2011. 1) Quando se deu o modernismo 2) Percepções metropolitanas e a emergência do moderno 3) A política de vanguarda 4) Linguagem de vanguarda 22/04 *Jameson, Fredric. A lógica cultural do capitalismo tardio In: Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo. Ática, 2000. *Harvey, David. Passagens da modernidade à pós-modernidade na cultura contemporânea e A transformação político-econômica do capitalismo do final do século XX in: Condição pós-moderna. São Paulo. Edições Loyola, 1992. Arrighi, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens de nosso tempo. Rio de Janeiro/São Paulo. Contraponto/Ed. Unesp. 1996. Badaró, Marcelo. E. P. Thompson e a tradição de crítica ativa do materialismo histórico. Rio de Janeiro. Ed. UFRJ, 2012. Boas, Franz. Antropologia Cultural. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 2005. Burke, Peter. O que é história cultural? Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 2005. Eagleton, Terry. Ascensão e queda da teoria e O caminho para o pós-moderno in: Depois da teoria: um olhar sobre os estudos culturais e o pós-moderno. Rio de Janeiro. Civilização brasileira, 2010. Cardoso, Ciro Flamarion. A História na virada de milênio: fim das certezas, crise dos paradigmas? Que História convirá ao século XXI? Texto foi conferência pronunciada no Congresso Nacional da ANPUH realizado na UFF, Niterói, em julho de 2001. Geertz, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro. Guanabara/Koogan S.A., 1989. Kuper, Adam. Antropologia y antropólogos: La escuela britânica, 1922-1972. Barcelona. Editorial Anagrama, 1973. Sahlins, Marshal. Ilhas da História. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1990. Williams, Raymond. Cultura. Rio de Janeiro. Paz e terra, 1992. Williams, Raymond. Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo. Boitempo, 2007. Williams, Raymond. O círculo de Bloonsbury in: Cultura e materialismo. São Paulo. Ed. Unesp, 2011. Tema II: as complexas relações entre verdade, ficção e narrativa

3 29/04 *White, Hayden. Enredo e verdade na escrita da história. In: Malerba, Jurandir (org.) A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo. Contexto, 2006. *White, Hayden. A questão da narrativa na teoria histórica contemporânea. In: Novais, Fernando e Silva, Rogério (org.) Nova história em perspectiva. São Paulo. Cosac & Naif, 2011. 6/05 *Thompson, E. P. Intervalo: a lógica histórica In: A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma crítica ao pensamento de Althusser. Rio de Janeiro. Zahar Editores, 1981. *Ginzburg, Carlo. Lorenza Valla e a doação de Constantino. Relações de força: história, retórica, prova. São Paulo. Cia das Letras, 2000. 13/05 *Ginzburg, Carlo. Os fios e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. São Paulo. Cia das Letras, 2006. 1) Descrição e citação 2) A áspera verdade um desafio de Stendhal aos historiadores 3) Unus testis o extermino dos judeus e o principio da realidade 20/05 *Ginzburg, Carlo. Os fios e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. São Paulo. Cia das Letras, 2006. 4) Detalhes, primeiros planos e microanálises à margem de um livro de Siegfried Kracauer 5) Provas e possibilidades: pósfácio a Natalie Zemon Davis, o retorno de Martin Guerre Anderson, Perry. The Force of the Anomaly. Threads and Traces: True False Fictive by Carlo Ginzburg. London Review of books. Vol. 34, n 8, April, 2012. (http://www.lrb.co.uk/v34/n08/contents) Anderson, Perry. As origens da pós-modernidade. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1999. Jenkins, Keith. A história repensada. São Paulo contexto, 2001. White, Hayden. Meta-historia: a imaginação histórica do século XIX. São Paulo Edusp, 1992. White, Hayden. Trópicos do discurso: ensaios sobre a crítica da cultura. São Paulo Edusp, 1994. Tema III: os delicados trânsitos conceituais entre a história e as demais ciências humanas 27/05 *Febvre, Lucien. Contra o espírito de especialidade Os combates pela história. Lisboa. editorial Presença, 1985. *Braudel, Fernand. História e ciências sociais: a longa duração e História e sociologia. In: Escritos sobre a história. São Paulo. Ed. Perspectiva, 1978. 03/06

4 *Bourdieu, Pierre e Chartier, Roger. O sociólogo e o historiador. Belo Horizonte. Autêntica, 2011. 10/06 *Thompson. E. P. Folclore, antropologia e história social In: Negro, Antonio e Silva, Sérgio (org.) As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Campinas. Ed. Unicamp, 2001. *Revel, Jacques. História e ciências sociais: uma confrontação instável in: Julia, Dominique (org.) Passados Recompostos: campos e canteiros da história. Rio de Janeiro. Ed. UFRJ/Ed. FGV, 1998. Hobsbawm, Eric. Historiadores e economistas I e II. In: Sobre a história: ensaios. São Paulo. Cia. das letras, 1998. Lévi-Strauss, Claude. Etnologia e História. In: Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967. Hartog, François. Olhar Distanciado: Lévi-Strauss e a História.Topoi, v. 7, no. 12, jan/jun. 2006. Schwarcz, Lilia. "História e etnologia: Lévi-Strauss e os embates em região de fronteira" In: Revista de Antropologia, Vol. 42, nº 1 e 2, 1999. Fernando Teixeira da Silva. História e Ciências Sociais: zonas de fronteira. História. Franca, vol. 24, n. 1, 2005. Tema IV As conexões e interdeterminações entre o local e o global 17/06 *Elias, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1994. 24/06 *Espaço reservado para remanejamento Anderson, Perry. Estrutura e sujeito In: Nas trilhas do materialismo histórico. São Paulo. Boitempo, 2004. Espada, Henrique. Narrar, pensar o detalhe: notas à margem de um projeto de Carlo Ginzburg. In: ArtCultura: revista de história, cultura e arte. Uberlândia, vol. 9, n 15, jul/dez 2007. Coutinho, Carlos Nelson. O estruturalismo e a miséria da razão. São Paulo. Expressão popular, 2010. Elias, Norbert. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1990. Ginzburg, Carlo. Latitudes, escravos e a bíblia: um experimento em micro-história. In: ArtCultura: revista de história, cultura e arte. Uberlândia, vol. 9, n 15, jul/dez 2007. Koselleck, Reinhart. Sobre a teoria e o método da determinação do tempo histórico In: Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro. Contraponto/Ed. PUC, 2006. Prost, Antoine. A história social e A criação de enredos e narratividade In: Doze lições sobre a história. Belo Horizonte. Autêntica, 2012. Sartre, Jean Paul. Questão de método. Difel. São Paulo/Rio de Janeiro, 1979.

5 A Avaliação consistirá: 1) da presença, discussão e apresentação dos textos em aula, na forma de seminário; 2) de um texto escrito, problematizando algum dos temas discutidos em aula, preferencialmente relacionado às pesquisas em andamento. Obs: agradeço aos colegas Henrique Espada, Letícia Nedel e Arthur Isaia pelas sugestões de leitura para os tópicos acima. Mas a escolha dos textos, e obviamente a abordagem escolhida, é de minha inteira responsabilidade.