1. CONCEITO O ácido peracético é uma solução com odor que remete ao de vinagre. Sua fórmula química é CH3CO3. É utilizado para desinfecção de alto nível devido às suas propriedades fungicidas, viricida, bactericidas e esporicidas. Age por desnaturação das proteínas, alterando a permeabilidade da parede celular, em proteínas e enzimas. Tem uma ação bastante rápida sobre os microrganismos, inclusive sobre os esporos bacterianos. É efetivo em presença de matéria orgânica, apresenta baixa toxicidade e sua decomposição final no ambiente resulta em produtos não-tóxicos, ou seja, água, oxigênio e peróxido de hidrogênio. Tem como desvantagens o custo elevado, pode ser corrosivo para alguns metais, como o ferro e o cobre, e dependendo da formulação, especialmente do ph, pode ser irritante para olhos e trato respiratório. 2. FINALIDADE Orientar sobre o uso e conservação da solução de no Hospital Escola UFPel/EBSERH nos processos de desinfecção de alto nível de artigos médico-hospitalares semicríticos (aqueles que entram em contato com pele não íntegra ou com mucosas), por meio de imersão. 1
De acordo com a RESOLUÇÃO - RDC Nº 8, de 27 de fevereiro de 2009 da ANVISA, fica suspensa a esterilização química por imersão, utilizando agentes esterilizantes líquidos, para o instrumental cirúrgico e produtos para saúde utilizados nos procedimentos cirúrgicos e diagnósticos por videoscopias. 3. INDICAÇÕES E CONTRA INDICAÇÕES 3.1 INDICAÇÕES: Desinfecção de alto nível de artigos semicríticos. 3.2 CONTRA INDICAÇÕES: Atentar para materiais incompatíveis com o produto. 4. RESPONSABILIDADE E TEMPO 4.1 RESPONSÁVEL PELA PRESCRIÇÃO: Não se aplica 4.2 RESPONSÁVEL PELA EXECUÇÃO: Técnicos de enfermagem 4.3 TEMPO DE EXECUÇÃO: Colocar o material totalmente imerso no recipiente com o ácido peracético 0,2% por 20 minutos; 5. MATERIAL/EQUIPAMENTOS Solução de ácido peracético 0,2% Sachê inibidor de corrosão (se indicado pelo fabricante); 2
Recipiente plástico com tampa; Fita de teste específica de leitura de ácido peracético; EPI: proteção facial ou ocular, luvas plásticas, máscaras, avental. 6. DESCRIÇÃO TÉCNICA PREPARO DA SOLUÇÃO: Usar EPIs: máscara comum, luvas, óculos de proteção e avental. Abrir a bombona com o produto ácido peracético; Colocar o produto em recipiente plástico com tampa; Monitorar e validar sua concentração, diariamente, por meio da fita teste específica. Seguir as orientações do fabricante; IDENTIFICAÇÃO DA FÓRMULA PRONTA Etiquetar o galão, com a data do preparo, nome do profissional, validade do produto ativo (conforme orientação do fabricante) OBSERVAÇÕES: Conservar o produto em local seco e ventilado, afastado da luz solar direta, fontes de calor e materiais incompatíveis (combustíveis e gases comprimidos). Observar orientações do fabricante; Manter o recipiente sempre fechado com ou sem imersão de produtos; 3
Todos os artigos a serem submetidos ao processo de desinfecção de alto nível devem ser previamente limpos e secos, de acordo com as práticas recomendadas para este artigo, antes de serem submersos no ácido peracético; Imergir totalmente os artigos, expondo as regiões críticas (articulações, ranhuras). No caso de artigos com canais internos, aspirar a solução e preenchê-los totalmente. Tempo de contato: conforme orientação do fabricante. Após, enxaguar abundantemente com água. Trocar a solução ao término da validade, ou antes, se a concentração de ácido peracético estiver menor que 0,2%, medida por meio de fita teste específica; Descarte: conforme orientação do fabricante. Atender às regulamentações sanitárias municipais, estaduais e federais; 7. CUIDADOS ESPECIAIS/PLANO DE CONTIGÊNCIA MANUSEIO SEGURO Sempre utilizar EPI ao manusear o produto; Segundo a Proposta de Classificação dos Esterilizantes Líquidos Químicos e 4
Desinfetantes, publicada no Federal Register/Vol 63/ Nov 98 Proposed Classification of Liquid Chemical Sterilants and General Purpose Disinfecyants, pelo FDA Food and Drug Administration, o ácido peracético é declarado como agente não tóxico, não alergênico e considerado irritante leve. O produto é considerado não irritante dérmico por contato e moderadamente irritante ocular por contato. 8. BIBLIOGRAFIA Brasil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde: Limpeza e desinfecção de superfícies Brasília: Anvisa, 2012. Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada n. 8, de 27 de fevereiro de 2009. Dispõe sobre as medidas para redução da ocorrência de infecções por Micobactérias de Crescimento Rápido - MCR em serviços de saúde Brasília: Anvisa; 2009. Brasil, Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico sobre desinfetantes de alto nível, nível intermediário e esterilizantes. Anvisa, 13 de dezembro 2012. Brasil. Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção. Processamento de artigos e superfícies em estabelecimentos de saúde. Brasília, 1994. 5
CDC, Guideline for Disinfection and Sterilization in Healthcare Facilities and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC), 2008 RESOLUÇÃO-RDC Nº 31, de 04 de julho 2011 - Diário Oficial da União Seção I Nº 129, de 07 de julho de 2011: Desinfetante Hospitalar para Artigos Semicríticos passam a ser classificados nas categorias Desinfetante de Alto Nível ou Desinfetante de Nível Intermediário SOBECC Práticas Recomendadas SOBECC / Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Central de Material Esterilizado. 5ª. Edição. São Paulo: SOBECC, 2009. ANEXOS (IMAGENS) Não se aplica 6