Tecido muscular Capítulo 5

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Transcrição:

Tecido muscular Capítulo 5 1 MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO As células do músculo estriado esquelético são originadas da fusão dos mioblastos. Figura 5.1 - Fusão dos mioblastos para formar o músculo estriado esquelético. HE. Objetiva de 100x (1.373x). Griscelda da Conceição da Silva, Thaís de Oliveira Plá & Figura 5.2 - Corte longitudinal do músculo estriado esquelético. Notar os núcleos periféricos e as estriações transversais que correspondem às bandas I (claras) e A (escuras). HE. Objetiva de 40x (550x). As células do músculo estriado esquelético são cilíndricas (10 a 100 m de diâmetro e até 30cm de comprimento) e multinucleadas, e os núcleos são periféricos. Elas são ricas nos filamentos de actina e de miosina, responsáveis pela sua contração. A actina e algumas proteínas associadas compõem filamentos de cerca de 7nm de diâmetro, os filamentos finos, enquanto a miosina II forma filamentos com 15nm de diâmetro, os filamentos espessos. Os filamentos contráteis são envoltos por invaginações da membrana plasmática, pelas cisternas do retículo sarcoplasmático e pelas mitocôndrias, resultando nas miofibrilas, dispostas longitudinalmente nas células. Os filamentos finos e espessos dispõem-se de tal maneira que bandas claras (bandas I) e escuras (bandas A) alternam-se ao longo da fibra muscular. 63

TATIANA MONTANARI Figura 5.3 - Sarcômeros delimitados pelas linhas Z ( ) no músculo estriado esquelético. As bandas I são claras e laterais, e as bandas A, escuras e centrais. HE. Objetiva de 100x (1.373x). As bandas I têm somente filamentos finos, e as bandas A possuem filamentos finos e espessos. No centro da banda I, há uma linha escura, a linha Z. Nela há as proteínas - actinina e CapZ, as quais ancoram e evitam a despolimerização dos filamentos de actina na sua extremidade positiva. A ancoragem dos filamentos de miosina à linha Z é realizada pela titina, uma proteína com característica elástica que muda o seu comprimento quando a célula contrai ou relaxa. Ainda na linha Z, há os filamentos intermediários de desmina e de vimentina, ligando as miofibrilas adjacentes. Ao microscópio eletrônico, reconhece-se, no centro da banda A, uma região mais clara, a banda H, onde somente filamentos de miosina são encontrados. No centro dessa banda, há uma faixa escura, a linha M. Nela há miomesina, proteína C e outras proteínas que interligam os filamentos de miosina, mantendo seu arranjo em forma de grade. Há ainda a creatina quinase, uma enzima que catalisa a transferência de um grupo fosfato da fosfocreatina para o ADP, resultando no ATP utilizado nas contrações musculares. As linhas Z delimitam a unidade repetitiva das miofibrilas, o sarcômero, que apresenta a metade de duas bandas I e uma banda A central e mede 2,5 m de comprimento no músculo em repouso. Na contração muscular, há o encurtamento dos sarcômeros e assim de toda a fibra, devido à maior sobreposição dos filamentos de actina aos de miosina. As bandas I e H tornam-se mais estreitas, enquanto a banda A não altera a sua extensão. Figura 5.4 - Eletromicrografia do músculo estriado esquelético, onde são indicadas as bandas A, I e H e as linhas M e Z. Ainda são assinaladas as mitocôndrias (mit) e o glicogênio (G). Cortesia de Tais Malysz e Matilde Achaval Elena, UFRGS. 64

ATLAS DIGITAL DE BIOLOGIA CELULAR E TECIDUAL A contração das fibras musculares esqueléticas é estimulada por terminações das fibras nervosas motoras. Próximo à superfície da célula muscular, o axônio perde a bainha de mielina e dilata-se, formando a junção neuromuscular (ou placa motora). O impulso nervoso é transmitido com a liberação de acetilcolina do terminal axônico. Essa substância difunde-se através da fenda sináptica e prende-se a receptores na membrana da célula muscular, tornando-a permeável ao Na +, o que resulta na despolarização da membrana. Figura 5.5 - Imagem ao microscópio eletrônico da junção neuromuscular: as vesículas do axônio (A) fusionam-se na fenda sináptica ( ), liberando os neurotransmissores para modular a contração da célula muscular (M). C fibrilas colágenas. 32.000x. Cortesia de Maria Cristina Faccioni- Heuser e Matilde Achaval Elena, UFRGS. 65

TATIANA MONTANARI 2 MÚSCULO ESTRIADO CARDÍACO G. da C. da Silva, T. de O. Plá & Figura 5.6 - Corte longitudinal do músculo estriado cardíaco. HE. Objetiva de 40x (550x). O músculo estriado cardíaco é formado por células cilíndricas (10 a 20 m de diâmetro e 80 a 100 m de comprimento), ramificadas, com um ou dois núcleos em posição central ou próxima. Ao microscópio de luz, além das estriações devido ao arranjo dos filamentos contráteis, esse músculo exibe os discos intercalares, linhas retas ou em escada, posicionadas na linha Z. Os discos intercalares correspondem a complexos juncionais, sendo constituídos por interdigitações, junções de adesão e desmossomos, que impedem a separação das células com o batimento cardíaco, e junções comunicantes, que, ao permitir a passagem de íons de uma célula à outra, promovem a rápida propagação da despolarização da membrana e a sincronização da contração das células. Figura 5.7 - Sarcômeros delimitados pelas linhas Z ( ) no músculo estriado cardíaco. Na junção entre as células, observa-se o disco intercalar ( ). HE. Objetiva de 100x (1.373x). 66

ATLAS DIGITAL DE BIOLOGIA CELULAR E TECIDUAL 3 MÚSCULO LISO G. da C. da Silva, T. de O. Plá & Figura 5.8 - Cortes transversal e longitudinal do músculo liso. HE. Objetiva de 40x (550x). As células do músculo liso são fusiformes, com 3 a 10 m de diâmetro e comprimento variado (20 m nos pequenos vasos sanguíneos, 200µm no intestino e 500 m no útero gravídico). O núcleo é central, alongado ou, quando as células estão contraídas, pregueado, em formato de sacarolhas. Vesículas endocíticas, as cavéolas, podem estar relacionadas com a intensa pinocitose para a entrada de íons Ca 2+. A disposição dos feixes de filamentos contráteis em diferentes planos faz com que as células não apresentem estriações. Como os filamentos contráteis estão intercruzados nas células, o seu deslizamento faz com que elas se encurtem e se tornem globulares, reduzindo o diâmetro da luz do órgão. Figura 5.9 - Microscopia eletrônica de célula muscular lisa com filamentos contráteis dispostos em diferentes planos. Cavéolas são apontadas. Cortesia de Fabiana Rigon e Maria Cristina Faccioni-Heuser, UFRGS. 67