REGULAMENTO DO PROCESSO DE ARBITRAGEM

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LEI N.º 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996.

Transcrição:

REGULAMENTO DO PROCESSO DE ARBITRAGEM CAPÍTULO I DO INÍCIO DO PROCESSO Art. 1º As partes poderão submeter à arbitragem da Câmara de Mediação e Arbitragem Especializada CAMES os conflitos sobre direitos patrimoniais disponíveis. 1º A arbitragem promovida pela CAMES poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. 2º As partes serão, preferencialmente, acompanhadas por advogado constituído, durante todo o processo de arbitragem. Art. 2º A arbitragem é regida pelos seguintes princípios: I autonomia da vontade das partes; II imparcialidade do árbitro; III igualdade das partes; IV livre convencimento do árbitro; V contraditório; VI ampla defesa; VII confidencialidade; e VIII boa-fé. Art. 3º Qualquer pessoa física ou jurídica capaz pode requerer a arbitragem da CAMES, preenchendo o formulário constante do seu site ou dirigindo-se a uma de suas unidades. 1

Parágrafo único. Deverá constar do formulário a informação sobre a necessidade de se contatar a outra parte para saber do seu interesse de se submeter ao processo de arbitragem, quando for o caso, com os respectivos dados para contato. Art. 4º Havendo cláusula compromissória ou sendo formulado compromisso arbitral, serão inseridos no sistema da CAMES o requerimento inicial e a documentação que comprove a regularidade da representação e toda a documentação necessária para comprovar o alegado. Parágrafo único. A liberação do sistema CAMES para inserção da documentação está condicionada ao pagamento da taxa de administração prevista na tabela constante do seu site. Art. 5º Do requerimento inicial deverá constar, no mínimo: I os nomes completos, a qualificação e os endereços das partes; e II o objeto do litígio, com a exposição das razões que fundamentam a pretensão; III a estimativa do valor atribuído pelo requerente ao litígio. Parágrafo único. Caso detectado no curso do processo que a estimativa não corresponde ao real valor do bem envolvido no conflito, as custas serão recalculadas, devendo as partes efetuar o recolhimento da diferença no prazo de 7 (sete) dias a partir do recebimento do comunicado. CAPÍTULO II DA DESIGNAÇÃO DO ÁRBITRO Art. 6º A CAMES designará o árbitro dentre aqueles constantes do seu corpo permanente de profissionais, segundo critérios que garantam sua imparcialidade e experiência para arbitrar o conflito. Art. 7º É possível a constituição de tribunal arbitral, composto por três árbitros designados pela CAMES, quando a natureza e complexidade do conflito o recomendar, a critério da CAMES. 2

Art. 8º Designado o árbitro, as partes serão comunicadas para se manifestar, no prazo de cinco dias, quanto à existência de impedimento ou suspeição. 1º Arguida sua suspeição ou impedimento, o árbitro terá o prazo de cinco dias para se manifestar. 2º A CAMES poderá afastar a qualquer tempo o árbitro em situação de impedimento ou suspeição, ou que não observar, em sua atuação, os princípios da arbitragem e o inteiro teor deste regulamento. 3º A pessoa designada como árbitro tem o dever de revelar à partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar dúvida justificada em relação à sua imparcialidade e independência. Art. 9º O árbitro deverá assinar Termo de Aceitação e Declaração de Independência, antes de iniciar suas atividades. Parágrafo único. Não poderá atuar como árbitro aquele que houver atuado como mediador em conflito relativo à mesma controvérsia. CAPÍTULO III DA ARBITRAGEM Art. 10. As partes que se submeterem à arbitragem da CAMES deverão: I - observar este regulamento e proceder com lealdade e boa fé em todos os atos do processo; II - expor os fatos conforme a verdade; III - evitar formular pretensões ou alegar defesa com a ciência de que são destituídas de fundamento; e IV - evitar produzir provas ou praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito. Art. 11. O árbitro ou o tribunal arbitral deverá definir prazos e procedimentos específicos para a instrução do feito, adequados à complexidade do caso, comunicandoos às partes. 3

Parágrafo único. Caberá ao próprio árbitro ou tribunal arbitral decidir sobre a existência, validade e eficácia da cláusula compromissória ou compromisso arbitral. Art. 12. Terminando o litígio por acordo entre as partes, os honorários corresponderão a 50% (cinquenta por cento) do valor previsto na respectiva tabela. Art. 13. Poderá ser determinada, a qualquer tempo, a comunicação dos interessados a fim de complementar a instrução do procedimento, designando prazo para o atendimento, até o máximo de 30 (trinta) dias. Art. 14. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Art. 15. Quando necessário, será designada data, horário e local para colheita de prova oral, determinando-se a comunicação dos interessados, que se responsabilizarão pela presença das testemunhas eventualmente arroladas. Art. 16. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias. Parágrafo único. As despesas serão suportadas pela parte que requereu a providência, ou rateadas pelas partes, igualmente, se decorrentes de providências requeridas pelo árbitro. Art. 17. Concluída a instrução, o árbitro determinará a comunicação das partes a fim de apresentarem suas alegações finais, no prazo de 10 (dez) dias, as quais poderão ser substituídas por memoriais apresentados em audiência. Art. 18. As partes não poderão, durante o processo de arbitragem, utilizar em seu favor qualquer acontecimento registrado durante procedimento de mediação, em especial: I declaração, opinião, sugestão, promessa ou proposta formulada por uma parte à outra na busca de entendimento para o conflito; II reconhecimento de fato por qualquer das partes no curso do procedimento de mediação; 4

e III manifestação de aceitação de proposta de acordo apresentada pelo mediador; IV documento preparado unicamente para os fins do procedimento de mediação. Art. 19. A sentença arbitral deverá ser proferida no prazo de 6 (seis) meses contados da assinatura do Termo de Aceitação pelo árbitro, podendo este prazo ser prorrogado por acordo entre as partes. Parágrafo único. O prazo de que trata este artigo ficará suspenso na hipótese de arguição de suspeição ou impedimento do árbitro, reiniciando sua contagem em caso de substituição do árbitro. Art. 20. A sentença arbitral proferida deverá ser fundamentada e produzirá os efeitos previstos no art. 31 da Lei nº 9.307, de 1996. 1º A sentença arbitral conterá, obrigatoriamente: I - o relatório, com os nomes das partes e o resumo do litígio; II os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade; III o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para cumprimento da decisão, se for o caso; e IV - a data e o local em que tenha sido proferida. 2º Poderá fazer parte também da sentença arbitral o laudo elaborado por perito que for adotado como fundamento da decisão. 3º As partes e seus sucessores são obrigados ao cumprimento da sentença arbitral. 4º Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria, podendo, o árbitro que divergir, declarar o seu voto em separado. 5

5º A sentença arbitral apenas será entregue às partes após o pagamento integral das custas e honorários, ficando facultado a uma das partes antecipar o pagamento das custas e honorários devidos por outra, sem prejuízo do disposto 6º deste artigo. 6º A sentença arbitral definirá a responsabilidade da parte vencida de ressarcir a parte vencedora quanto às custas e honorários suportados na arbitragem, exceto disposição em contrário de cláusula compromissória ou compromisso arbitral. Art. 21. Na hipótese de ausência ou insuficiência de provas o árbitro ou o tribunal arbitral decidirá por equidade. Art. 22. Da sentença arbitral caberá pedido de esclarecimentos, no prazo de 5 (cinco) dias a contar do recebimento da comunicação ou da ciência pessoal do interessado, nos termos do art. 30 da Lei nº 9.307, de 1996. Parágrafo único. O árbitro poderá corrigir, de ofício ou a requerimento das partes interessadas, quaisquer inexatidões materiais verificadas na sentença. CAPÍTULO IV DA ARBITRAGEM SUMÁRIA Art. 23. Nas causas de valor estimado em até R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) o processo de arbitragem deverá ser concluído em até dois meses contados da assinatura do Termo de Aceitação, prorrogáveis por acordo entre as partes. Art. 24. Na hipótese de que trata este artigo todas as provas deverão ser préconstituídas e apresentadas na primeira oportunidade de manifestação das partes, inclusive as de natureza pericial. Art. 25. O árbitro poderá determinar às partes a complementação da documentação, fixando prazo máximo de até 15 (quinze) dias para o atendimento. Art. 26. A colheita de prova oral será realizada apenas quando considerada imprescindível pelo árbitro, devendo as alegações finais ser apresentadas durante a audiência. Parágrafo único. Designada audiência pelo árbitro, cada parte poderá arrolar até o máximo de duas testemunhas. 6

CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 27. Estando já instituída a arbitragem, poderá ser solicitada medida cautelar ou de urgência diretamente ao árbitro ou tribunal arbitral. Parágrafo único. Caberá ao árbitro manter, modificar ou revogar medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário, relativa ao conflito submetido à arbitragem. Art. 28. A CAMES poderá publicar extrato das sentenças arbitrais proferidas, o qual não conterá a identificação das partes. Art. 29. A ocorrência de qualquer circunstância que possa afetar o processo de arbitragem deve ser imediatamente comunicada ao árbitro pelas partes. Art. 30. As comunicações serão feitas por meio eletrônico, através do sistema disponibilizado pela CAMES, considerando-se intimados os envolvidos a partir da inserção da informação no sistema. Art. 31. As partes serão responsáveis por todas as informações prestadas à CAMES, devendo ser informada qualquer alteração de endereço eletrônico ou para correspondência postal, número de telefone e demais dados de contato. Art. 32. Os casos omissos serão dirimidos pela CAMES, por provocação do árbitro ou das partes. Art. 33. Aplicam-se subsidiariamente a este regulamento as regras da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, da Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006, e do Código de Processo Civil. 7