RECURSO ESPECIAL Nº 1.491.040 - RJ (2012/0218032-4) RELATOR RECORRENTE ADVOGADOS RECORRIDO ADVOGADO : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO : VALE S/A : ANA TEREZA PALHARES BASÍLIO E OUTRO(S) ANTÔNIO CARLOS FRANCO E OUTRO(S) MÁRCIO HENRIQUE NOTINI E OUTRO(S) : TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA : MARCO VANIN GASPARETTI E OUTRO(S) EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. CONTRATO NÃO ASSINADO PELAS PARTES, CUJA VALIDADE É OBJETO DE ANÁLISE NOS AUTOS DA AÇÃO PRINCIPAL. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. INAPLICABILIDADE. INCIDÊNCIA DA REGRA GERAL CONTIDA NO ART. 94 E 100, IV, "A", DO CPC. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva (Presidente), Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Dr(a). DIEGO HERRERA ALVES DE MORAES, pela parte RECORRIDA: TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA Brasília, 03 de março de 2015. (Data de Julgamento) MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Relator Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 1 de 7
RECURSO ESPECIAL Nº 1.491.040 - RJ (2012/0218032-4) RELATOR : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO RECORRENTE : VALE S/A ADVOGADOS : ANA TEREZA PALHARES BASÍLIO E OUTRO(S) ANTÔNIO CARLOS FRANCO E OUTRO(S) MÁRCIO HENRIQUE NOTINI E OUTRO(S) RECORRIDO : TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA ADVOGADO : MARCO VANIN GASPARETTI E OUTRO(S) (Relator): RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Trata-se de recurso especial interposto por VALE S/A, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 18ª CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO no curso da exceção de incompetência apresentada por TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA. Esta a ementa do acórdão recorrido, verbis (657/680): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, A TÍTULO DE LUCROS CESSANTES. PARTES QUE VÊM CELEBRANDO RECÍPROCOS CONTRATOS DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA ELÉTRICA. INEXISTÊNCIA, PORÉM, NO CASO EM EXAME, DE CONTRATO ESCRITO, CUJA VALIDADE ESTA SENDO DISCUTIDA NOS AUTOS PRINCIPAIS, DESCABENDO A INVOCAÇÃO DE CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO DE CONTRATOS ANTERIORES. REGRA GERAL. ART. 94 C/C ART. 100, IV, A, DO CPC. FORO DO DOMICÍLIO DA RÉ. APLICABILIDADE. DECISÃO QUE NÃO MERECE QUALQUER REPARO. Contrato entre as partes, cuja validade está sendo discutida na ação principal pelo fato de que não houve instrumento de formalização assinado por elas, por isso mesmo não se justificando a invocação de cláusula de eleição de foro de contratos anteriores, já que cada negócio jurídico possui termos e condições próprios. Regra geral do foro do domicílio da ré que deve prevalecer, nos moldes dos arts. 94 c/c art. 100, IV, A, do CPC, determinando-se a remessa dos autos para uma das Varas Cíveis da Comarca de Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 2 de 7
Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO, COM FULCRO NO ART. 557, CAPUT, DO CPC. DECISÃO MANTIDA. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 717/720). No recurso especial, a recorrente alega, inicialmente, violação ao artigo 535, II do Código de Processo Civil, pois o Tribunal a quo não teria se pronunciado "[...] a respeito de dois aspectos relevantes para o correto deslindo da matéria: (i) ainda que não exista contrato formalizado por instrumento escrito e assinado, as partes definiram todos os elementos do contrato de compra e venda de energia elétrica, inclusive na praça de pagamento, no Município do Rio de Janeiro, tal qual em todos os demais contratos entre elas celebrados; e (ii) o Município do Rio de Janeiro, por conseguinte, é sede própria para a reparação do dano das obrigações inadmitidas pela recorrida" (fl. 727). Aponta, também, ofensa ao artigo 100, IV, "d", e V, do Código de Processo Civil, porquanto, no contrato cuja validade busca na ação principal, as partes estabeleceram o município do Rio de Janeiro como local de cumprimento da obrigação da recorrida. Contrarrazões apresentadas às fls. 747/758. Inadmitido o recurso na origem (fls. 760/766), esta Terceira Turma deu provimento ao agravo regimental interposto contra a decisão de fls. 808/812, determinando a rautuação do agravo como recurso especial (fl. 834). É o relatório. Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 3 de 7
RECURSO ESPECIAL Nº 1.491.040 - RJ (2012/0218032-4) VOTO O EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO (Relator): Eminentes colegas. Inicialmente, esclareço tratar-se, na origem, de exceção de incompetência apresentada pela recorrida, Tractebel Energia Comercializadora Ltda., no curso da ação de indenização por danos materiais que lhe move a recorrente, Vale S/A. Na ação indenizatória, ajuizada no juízo da Comarca do Rio de Janeiro - RJ, a recorrente pretende o recebimento de indenização por lucros cessantes, decorrentes da rescisão, que alega sem justa causa, do contrato de compra e venda de energia elétrica que não fora formalmente assinado pelas partes. No acórdão recorrido, o Tribunal a quo manteve a decisão do juízo de primeiro grau que acolhera a exceção de incompetência, fixando a competência do juízo da Comarca de Florianópolis, SC, local da sede da requerida, conforme a regra geral estabelecida no art. 94, combinado com o art. 100, IV, "a", do Código de Processo Civil. A recorrente, por sua vez, invoca a aplicação da cláusula de eleição de foro, prevista em contratos semelhantes que foram anteriormente celebrados entre as partes, e das regras referentes ao local do pagamento, ou seja, a cidade do Rio de Janeiro-RJ. Sem razão a recorrente. Conforme assentado no acórdão recorrido, "a validade do contrato está sendo objeto de apreciação nos autos principais exatamente pelo fato de não ter havido instrumento de formalização assinado pelas partes, o que demandará produção de prova a respeito e a futura definição quanto à sua validade ao ensejo da prolação da sentença". Nessas hipóteses em que se discute a própria validade do contrato, esta Corte Superior de Justiça tem entendido que o foro de eleição não prevalece, conforme se Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 4 de 7
infere das ementas dos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO VISANDO A ANULAÇÃO DE CONTRATO. COMPETÊNCIA. FORO DE ELEIÇÃO. NÃO PREVALÊNCIA. AÇÃO DE NATUREZA PESSOAL. PROPOSITURA NO FORO DO DOMICÍLIO DO RÉU. - Nas ações que têm como objeto o próprio contrato e o fundamento é a sua invalidade, o foro de eleição não prevalece, pois a ação não tem como causa de pedir o contrato, mas fatos ou atos jurídicos externos e até mesmo anteriores ao próprio contrato. - Quando a ação não é oriunda do contrato, nem se está postulando a satisfação de obrigações dele decorrentes, mas a própria invalidade do contrato, a ação é de natureza pessoal e, portanto, deve ser proposta no domicílio do réu, como manda o art. 94 do CPC. Recurso não conhecido. (REsp n.º 773753/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJ 24/10/2005); COMPETÊNCIA. FORO DE ELEIÇÃO. DECLARATÓRIA. VALIDADE DO CONTRATO. A CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO DIZ RESPEITO AOS PROCESSOS ORIUNDOS DO CONTRATO, COMO SE COLHE DA PARTE FINAL DO ART. 111 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, NÃO SE APLICANDO A CAUSA EM QUE SE CONTROVERTE SOBRE A VALIDADE DO PRÓPRIO CONTRATO. PRECEDENTES. CONFLITO CONHECIDO, DECLARANDO-SE A COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITADO. (CC n.º 15134/RJ, Rel. Ministro PAULO COSTA LEITE, DJ 11/12/1995); ANULAÇÃO DE CONTRATO. FORO COMPETENTE. REGRA GERAL. FORO DE ELEIÇÃO. NÃO APLICAÇÃO. NÃO SE COGITANDO DE 'PROCESSOS ORIUNDOS DO CONTRATO', MAS DE SUA ANULAÇÃO, NÃO É DE APLICAR-SE A CLÁUSULA DE FORO DE ELEIÇÃO, MAS SIM AS REGRAS GERAIS SOBRE O FORO COMPETENTE. (REsp n.º 6.237/SP, Rel. Ministro CLÁUDIO SANTOS, Terceira Turma, DJ 25/11/1991); No caso, em que pese a recorrente busque o ressarcimento dos danos decorrentes do não cumprimento do contrato, circunstância que, em tese, faria Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 5 de 7
prevalecer o foro de eleição, há a particularidade de que este contrato não foi assinado pelas partes, de modo que, necessariamente, a sua existência e validade deverá ser perquirida na instrução processual. Correto, destarte, o entendimento do Tribunal a quo, não havendo que se reconhecer violação ao art. 100, IV, "d", e V, do Código de Processo Civil. Por fim, não prospera, ainda, a alegação de violação ao artigo 535, II, do Código de Processo Civil, pois o Tribunal a quo decidiu de modo integral e com fundamentação suficiente a matéria devolvida à sua apreciação, com ponderação expressa de todas as questões suscitadas pela recorrente para a definição da competência. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É o voto. Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 6 de 7
CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA Número Registro: 2012/0218032-4 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.491.040 / RJ Números Origem: 201224504069 4090670420098190001 442992011 608486520118190000 PAUTA: 03/03/2015 JULGADO: 03/03/2015 Relator Exmo. Sr. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS PESSOA LINS Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA RECORRENTE ADVOGADOS RECORRIDO ADVOGADO AUTUAÇÃO : VALE S/A : ANA TEREZA PALHARES BASÍLIO E OUTRO(S) ANTÔNIO CARLOS FRANCO E OUTRO(S) MÁRCIO HENRIQUE NOTINI E OUTRO(S) : TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA : MARCO VANIN GASPARETTI E OUTRO(S) ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Compra e Venda SUSTENTAÇÃO ORAL Dr(a). DIEGO HERRERA ALVES DE MORAES, pela parte RECORRIDA: TRACTEBEL ENERGIA COMERCIALIZADORA LTDA CERTIDÃO Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Terceira Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva (Presidente), Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Documento: 1386340 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 10/03/2015 Página 7 de 7