Redes WDM Este tutorial apresenta as características e as aplicações das Redes WDM. Carlos Eduardo Almeida Freitas Engenheiro de Teleco (FEI/01), tendo atuado especificamente na área de Redes Ópticas, especialmente na área de Transmissão (SDH/DWDM). Ocupou o cargo de Engenheiro de Planejamento de Redes da Pegasus Telecom, onde foi um dos responsáveis pela elaboração do Plano de Sincronismo da Rede de Transmissão Nacional (SDH) da Pegasus. Atualmente ocupa o cargo de Engenheiro de Soluções de Acesso na Telemar São Paulo. Huber Bernal Filho Engenheiro de Teleco (MAUÁ 79), tendo atuado nas áreas de Redes de Dados e Multisserviços, Sistemas Celulares e Sistemas de Supervisão e Controle. Ocupou posições de liderança na Pegasus Telecom (Gerente - Planejamento de Redes), na Compaq (Consultor - Sistemas Antifraude) e na Atech (Coordenador - Projeto Sivam). Atuou também na área de Sistemas de Supervisão e Controle como coordenador de projetos em empresas líderes desse mercado. Tem vasta experiência internacional, tendo trabalhado em projetos de Teleco nos EUA e de Sistemas de Supervisão e Controle na Suécia. Atualmente dedica-se à Teleco e à prestação de serviços de consultoria em telecomunicações. Email: hbernal@teleco.com.br 1
Paschoal Erriquez Engenheiro Eletrônico (FESP 97), MBA (IBMEC 2003), tendo atuado nas áreas de Redes Ópticas e LMDS. Trabalhou com os testes da tecnologia LMDS da Pegasus Telecom e da AGTelecom. Ocupa atualmente o cargo de Coordenador de Soluções Especiais de Acesso da Telemar - São Paulo, tendo atuado anteriormente como Gerente de Planejamento de Redes da Pegasus Telecom S/A. Categorias: Redes Ópticas, Sistemas de Transmissão Nível: Introdutório Enfoque: Técnico Duração: 15 minutos Publicado em: 19/04/2004 2
Redes WDM: O que é Rede WDM é o conjunto de equipamentos e meios físicos que têm a capacidade de otimizar o uso de redes de fibra óptica. Este sistema tem o objetivo de fornecer uma infra-estrutura de meios ópticos que permite a inserção de mais de um sistema de telecomunicações, seja ele para redes de dados e/ou voz, em uma única fibra óptica. Atualmente a Rede WDM é utilizada em muitas empresas que prestam serviços de Telecomunicações, públicos e privados, em todo o mundo. A rede WDM utiliza a tecnologia de Multiplexação Óptica para compartilhar a mesma fibra com diversos sinais ópticos de diferentes comprimentos de onda, que são usualmente denominados de canais com cores distintas. A taxa de transmissão de cada canal pode variar de 2 Mbit/s (E1) até 10 Gbit/s (STM-64), dependendo da aplicação, sendo que a sua maior utilização ocorre nos sistema que necessitam taxas de transmissão acima 155 Mbits/s (maior que STM-1). Sua elevada flexibilidade para transportar diferentes tipos de hierarquias digitais permite oferecer interfaces compatíveis com as diversas aplicações existentes, entre elas as redes de transmissão PDH e SDH, as redes Multisserviços ATM, IP e Frame Relay, e aplicações específicas para redes de dados e de computadores de grande porte (Fast Ethernet, Gbit Ethernet, interfaces ESCON, FICON e Fiber-Channel, entre outras). A tecnologia das redes WDM permite ainda implementar mecanismos ópticos de proteção nos equipamentos ou diretamente nas redes da camada de aplicação, oferecendo serviços com alta disponibilidade e efetiva segurança no transporte de informações. Histórico Os primeiros equipamentos WDM desenvolvidos eram totalmente passivos, permitindo a comunicação de 2 sistemas através de uma única fibra, sendo que um sistema utilizava a 2ª janela de propagação, de comprimento de onda igual a 1310 nm, e o outro sistema utilizava a 3ª janela de propagação, de comprimento de onda 1550 nm. Dependendo da localidade onde o equipamento fosse instalado, ele funcionava como um misturador óptico, para inserir os sinais originidos pelos 2 sistemas, ou como um divisor óptico, para separar os sinais a serem enviados para os 2 sistemas. Tais equipamentos evoluíram, deixando de ser passivos, e as redes WDM passaram a utilizar misturadores mais complexos, transponders e filtros que permitiram colocar um número maior de comprimentos de onda por fibra, utilizando uma mesma janela de propagação. Com o desenvolvimento dos amplificadores ópticos, essas redes passaram a cobrir distâncias cada vez maiores. Para garantia da integridade do tráfego foram incorporados mecanismos de proteção automática nas redes WDM. Além disso, o desenvolvimento dos sistemas ópticos permitiu incorporar a funcionalidade de inserção ou extração de um determinado comprimento de onda em um ponto intermediário de um enlace. Com o desenvolvimento dos sistemas de gerenciamento, tornou-se possível a monitoração à distância dos parâmetros mais importantes para a operação dos equipamentos da rede WDM, e também a configuração remota de rotas e trocas de comprimento de onda em um determinado ponto do enlace. 3
Todo esse avanço tecnológico fez com que os projetos se tornassem cada vez mais complexos, e os requisitos de rede levararm ao desenvolvimento de fibras ópticas com características cada vez melhores. Rede SDH Uma rede WDM é composta por: Rede Física: é o meio de transmissão que interliga os equipamentos WDM, composto pelos cabos de fibra óptica. Equipamentos: são os multiplexadores, transponders, amplificadores e equipamentos de cross conexão de diversas capacidades que executam o transporte de informações. Sistema de Gerência: é o sistema responsável pelo gerenciamento da rede WDM, contendo as funcionalidades de supervisão e controle da rede, e de configuração de equipamentos e provisionamento de facilidades. A figura a seguir apresenta um exemplo de rede WDM. Vantagens e Restrições As redes WDM oferecem vários benefícios, quando comparada com outras tecnologias: Permite utilizar equipamentos de aplicação para redes de transporte e multisserviços sobre a mesma infra-estrutura de meio fisico óptico; Permite o tráfego de qualquer tecnologia, independente do fabricante, através do uso de transponders; Permite a economia de equipamentos de aplicação ao longo das rotas, mediante a instalação destes apenas nos pontos de troca de tráfego; Permite a economia e até mesmo a otimização do uso de fibras ópticas em locais com alta densidade de redes e acessos. Entretanto, a tecnologia WDM apresenta ainda as seguintes desvantagens: O projeto, instalação e operação da rede WDM é complexo e deve ser feito com um planejamento 4
criterioso e detalhado; Não existe padronização de equipamentos e da tecnologia WDM, que impede que sejam usados equipamentos de fabricantes distintos um mesmo enlace da rede. 5
Redes WDM: Características As Redes WDM possuem algumas características importantes que devem ser levadas em consideração quando da elaboração de seus projetos. Abaixo são descritas as mais importantes. Fibra Óptica Atualmente existem vários tipos de fibras ópticas, com características diversas e que foram desenvolvidas conforme as necessidades de sua aplicação. Para todas elas, as duas características mais importantes a serem analisadas são: Atenuação: é a perda da intensidade luminosa ao longo da fibra, causada pelo próprio material da fibra e / ou por eventuais emendas, físicas ou mecânicas, existentes (medida em db/km); Dispersão: é o espalhamento da luz ao longo da fibra, causado pela existência de diferentes comprimentos de onda no feixe de luz (medido em ps/nm.km). As fibras ópticas que vem sendo utilizadas nas redes WDM são: Single Mode (SM - G.652 ITU-T): é o tipo de fibra mais comum encontrada no mercado. Possui algumas limitações quando usada em sistemas WDM com maior concentração de comprimentos de ondas, pois possui elevado fator dispersão cromática. Para compensar essa limitação torna-se necessário o uso de segmentos de fibras especiais para correção da dispersão cromática (DCU). Entretanto, como essa fibra possui um núcleo com área maior do que os outros tipos de fibra óptica, seu uso se adapta bem a sistemas WDM com grande capacidade de comprimentos de onda. Dispersion Shifted (DS - G.653 ITU-T): é o tipo de fibra cuja dispersão é zero. Acreditava-se, em seu lançamento, que seria a fibra ideal para ser usada com sistemas WDM e SDH de alta capacidade. Porém, com a evolução desses sistemas e o conseqüente aumento da quantidade de comprimentos de onda (Lambdas), verificou-se que esta fibra possui limitações no tocante à dispersão cromática, o que diminuiu o seu uso. Non Zero Dispersion (NZD - G.655 ITU-T): é tipo de fibra que foi concebida para corrigir a limitação da fibra tipo DS, e cuja dispersão para a janela de 1550 nm é muito baixa em relação à fibra SM (18 ps.nm/km), porém não é zero (8 ps.nm/km). Para obter esta redução do fator de dispersão cromática, o núcleo da fibra foi alterado para ter menor diâmetro. Sempre se acreditou que estas fibras seriam ideais para sistemas WDM com grande número de comprimentos de onda, porém com o passar do tempo e utilização em sistemas reais, verificou-se que o fato de ter a área de seu núcleo reduzida, impede sua utilização em sistemas de grande quantidade de comprimentos de onda (Lambdas). 6
Low Water Peak (LWP - G.652D ITU-T): é tipo de fibra onde os processos industriais de produção permitem a diminuição ou eliminação do efeito "pico d'água", permitindo que a faixa de 1400 nm seja utilizada para tráfego de sistemas ópticos. Isso otimiza o uso de equipamentos CWDM (descritos adiante), que atuam em toda a faixa, desde 1310nm até 1625nm, compreendendo as bandas O, E, C e L do espectro de luz. Multiplexação Óptica É a característica mais importante a ser definida quando do planejamento de um sistema WDM. De acordo com as necessidades da aplicação, identifica-se o qual tipo de sistema WDM a ser implantado definindo-se o espaçamento entre os canais ópticos, limitando assim a sua capacidade. Este espaçamento, que pode variar de 200 GHz a 12,5 GHz, é padronizado pelas normas G.694.1 (DWDM) e G.694.2 (CWDM) do ITU-T. Os tipos de sistemas WDM mais comuns são: 7
CWDM (Coarse Wave Division Multiplex): sistema cuja multiplexação óptica possui espaçamento de 200 GHz e pode variar a quantidade de canais de 4 a 16 dependendo da fibra óptica adotada no projeto. Sua taxa de transmissão pode variar de E3 (34 Mbit/s) a STM-16 (2,5 Gbit/s). Possui um melhor desempenho com o uso da fibra óptica tipo LWP. DWDM (Dense Wave Division Multiplex): sistema cuja multiplexação óptica possui espaçamento que varia de 100 GHz a 25 GHz, e pode variar a quantidade de canais de 16 a 128. Sua taxa de transmissão pode variar de STM-1 (155 Mbits/s) a STM-64 (10 Gbits/s). Possui um melhor desempenho com o uso a fibra óptica tipo SM. UDWDM (Ultra Dense Wave Division Multiplex): sistema cuja multiplexação óptica possui espaçamento menor que 25 GHz e possui uma quantidade de canais superior a 128. Este sistema atualmente ainda encontra-se em desenvolvimento. Potência Luminosa A energia luminosa presente nos diversos segmentos da rede WDM deve ser criteriosamente projetada, para garantir tanto a qualidade de serviço como a vida útil especificada para o sistema. Desta forma, o cálculo do balanço de potência representa um fator importante para o projeto de redes WDM. Para este cálculo torna-se importante ressaltar 2 conceitos definidos para a rede WDM: "Span", que representa um trecho da rota física entre dois equipamentos WDM adjacentes na rede; Enlace Óptico, que representa uma rota completa da rede WDM. O balanço de potência é calculado levando-se em consideração os seguintes dados de projeto da rede WDM: Capacidade de Transmissão do Enlace Óptico; Número de comprimentos de onda (Lambdas), calculado em função da capacidade de transmissão; Tipo de Fibra Óptica a ser utilizada, considerando suas características de atenuação e dispersão cromática; Número de "span's" para cada Enlace Óptico; Atenuação de cada "span". Como normalmente a capacidade de transmissão do Enlace Óptico, o tipo de fibra óptica e o número de comprimentos de onda (Lambdas) são prioritariamente definidos, cabe ao projetista trabalhar com o número de "span's" e a atenuação de cada "span" para garantir que o balanço de potência, ou seja, a potência óptica disponível no Enlace permita que os diversos sinais transmitidos possam ter a qualidade esperada. Fatores como atenuação e relação sinal /ruído do sinal óptico determinam os tipos de equipamentos WDM a serem usados para amplificar ou regenerar esse sinal. Como as características dos equipamentos são completamente dependentes dos seus fornecedores, não existe uma padronização de projeto para a rede WDM. Os fatores a serem considerados são sempre os mesmos, mas o número de "span's" por enlace pode variar significativamente, dependendo do sistema adotado. 8
Redes WDM: Equipamentos Uma rede WDM possui basicamente 6 tipos de componentes necessários para o seu funcionamento. A descrição desses componentes é apresentada nesta seção. Equipamento Terminal É o equipamento que possibilita a inserção ou retirada de todos os comprimentos de onda do sistema, através das unidades Multiplexadoras/Demultiplexadoras ópticas, constituindo-se assim na porta de entrada e de saída da rede. Nesse equipamento, todos os sinais ópticos são convertidos para sinais elétricos, a fim de permitir sua regeneração. Em um projeto de rede WDM, este tipo de equipamento ficará posicionado no início e no final de cada trecho de rota (enlace óptico), em pontos previamente calculados, que garantam que o número de comprimentos de onda (Lambdas) projetado seja realmente utilizado em campo. Podem possuir placas amplificadoras, chamadas de "boosters", e sub-bastidores de expansão onde são acomodadas as unidades de "transponders". Amplificador de Linha (ILA - "In Line Amplifier") Sua única função é a amplificação óptica do sinal proveniente de um equipamento terminal, tendo como principal característica a amplificação do sinal juntamente com o ruído, justamente por não converter o sinal óptico de entrada para o nível elétrico, impedindo assim a sua regeneração. O uso dos amplificadores de linha é justificado pela necessidade de amplificar o sinal óptico com todos os comprimentos de onda, a um custo menor, porém deve-se sempre levar em consideração a relação sinal / ruído existente. Quando este parâmetro atinge valores que impedem a correta detecção do sinal óptico original, prejudicando assim a qualidade de serviço, torna-se necessário usar outro tipo de equipamento que permita que esse sinal original possa ser regenerado. Multiplexador Óptico (OADM - "Optical Add-Drop Multiplex") Este tipo de equipamento tem função dupla na rede WDM. A primeira é a de permitir a inserção ou retirada de um determinado número de comprimentos de onda, os quais serão regenerados, permitindo assim a comercialização de serviços de telecomunicações nesse ponto da rede. A outra é a de amplificar o sinal total, ou seja, os comprimentos de onda (Lambdas) regenerados, que terão sua relação sinal / ruído corrigida, e os Lambdas passantes, que sofrerão a amplificação tanto do sinal quanto do ruído. Nas redes WDM existem limitações para o uso de OADM s e do número de Lambdas a serem extraídos / inseridos, em virtude das características de cada fabricante. Normalmente, são extraídos / inseridos grupos de Lambdas adjacentes (4, 8 ou até 16, dependendo do espaçamento entre canais), em função das características construtivas do equipamento. Equipamento Óptico de Conexão Cruzada (OXC - "Optical Cross-Connect") 9
Este tipo de equipamento tem a função de realizar o roteamento de Lambdas em nível óptico, permitindo minimizar o número de equipamentos nas redes WDM, diminuir os pontos de possíveis defeitos, além de otimizar o espaço ocupado nas estações. Apesar de ter sido concebido a partir de objetivos importantes para a otimização de redes WDM, devido ao seu alto custo atual este tipo de equipamento ainda não tem aplicação comercial. Unidade Transponder Este tipo de equipamento tem a função de realizar a adequação da freqüência do sinal de entrada para um sinal de saída compatível com o plano de freqüências padronizado pelas normas G.694.1 (DWDM) e G.694.2 (CWDM) do ITU-T. O transponder pode ser utilizado de 2 formas: Como uma unidade instalada diretamente nos equipamentos WDM Terminais, OADM s e OXC s para receber sinais ópticos de equipamentos de aplicação convencionais com Lambdas de 1310 nm ou 1550 nm; Acoplado à própria unidade de agregado (ou de linha) de um equipamento SDH que utiliza a rede WDM como meio físico através da inserção em canais adequados diretamente nos multiplexadores ópticos, sendo esse conjunto então denominado de agregado "colorido". Existem também os chamados transponders regenerativos que têm a finalidade de regenerar o sinal óptico da rede. A regeneração é feita convertendo o sinal de entrada (com comprimento de onda na 2ª ou 3ª janela de propagação) para um sinal elétrico regenerado e sem ruído, e convertendo esse sinal elétrico novamente para um sinal óptico de saída (com comprimento de onda compatível com o plano de freqüência do ITU-T) que tem uma relação sinal / ruído significativamente melhor. Um exemplo típico de uso desse equipamento é a instalação de 2 transponders regenerativos em série, com a finalidade de regenerar o sinal de uma rede SDH que trafega sobre a rede WDM sem a utilização de multiplexadores SDH numa dada estação. O sinal óptico proveniente de um segmento da rede WDM é convertido para um sinal óptico regenerado na 2ª ou 3ª janela de propagação no primeiro transponder. e esse sinal é entregue ao segundo transponder, que o converte novamente para um sinal óptico de saída para o segmento seguinte da rede WDM. Caso o equipamento de um determinado fabricante permita, a troca de sinais entre os transpondes pode ser feita diretamente através dos sinais elétricos, desde que sejam respeitados os limites físicos da inteligação. Unidade Compensadora de Dispersão (DCU - "Dispersion Compensation Unit") Este tipo de equipamento é composto por fibras ópticas com dispersão negativa e tem como objetivo a compensação da dispersão cromática de um trecho da rede de fibra óptica. O DCU pode ser utilizado em qualquer ponto da rede, ou seja, em terminais, ILA's e OADM's. 10
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Redes WDM: Topologia As redes WDM são utilizadas tanto em sistemas que compõem redes de Longa Distância com em rede Metropolitanas. A topologia típica dessas redes e o tipo de proteção utilizada são apresentados a seguir. Redes de Longa Distância As redes de Longa Distância podem ter as seguintes topologias: Ponto a ponto: é composta por enlaces ópticos simples de grande distância, hoje superior a 500 km, divididos em trechos (ou span s) de aproximadamente 100km. Cada enlace é composto por Terminais nas duas pontas e ILA's ou OADM's nas estações intermediárias. Anel: é composta por vários enlaces ponto a ponto, com ou sem a utilização de OADM s, sendo os anéis formados pela camada de aplicação, normalmente com uso de equipamentos SDH. Atualmente existem também alguns fornecedores que já possuem Terminais com a capacidade de realizar o chaveamento óptico do sinal de entrada para duas saídas distintas, permitindo a construção da topologia de rede física em anel usando apenas a rede WDM. Quando as distâncias entre os pontos de interesse de tráfego são muito grandes, existe a necessidade de regeneração de todos os comprimentos de onda (Lambdas) em uma estação intermediária. Desta forma, torna-se necessário aplicar um sistema chamado de duplo terminal, onde uma seção do equipamento finaliza o enlace entrante e a outra seção do equipamento inicia o enlace sainte. Tudo se passa como se fossem colocados dois enlaces WDM ponto a ponto em série, sendo que se não 12
houver a necessidade de troca de tráfego na camada de aplicação nessa estação, não será necessário instalar nenhum equipamento para extração / inserção de Lambdas, sendo possível utilizar somente os transponders regenerativos. Redes Metropolitanas As redes Metropolitanas odem ter as seguintes topologias: Ponto a ponto: é composta por enlaces simples de curta distância, geralmente sem a necessidade de uso de amplificadores entre equipamentos terminais. Normalmente esta topologia é utilizada em situações onde há falta de fibras ópticas e excesso de enlaces entre os dois pontos em questão. A proteção, quando existe, é realizada pela camada de aplicação. Anel: Podem ser constituídos de duas formas: A mais antiga foi a utilização de equipamentos "Long Haul" com amplificadores de menor potência em vários enlaces ponto a ponto, sendo os anéis formados pela camada de aplicação, normalmente com uso de equipamentos SDH. A segunda forma utiliza equipamentos mais modernos projetados para esta finalidade, que permitem proteção através da própria rede WDM, sendo flexíveis quanto a permissão para que um determinado comprimento de onda não seja extraído em uma estação, minimizando de forma substancial o número de equipamentos envolvidos, e conseqüentemente o investimento aplicado. 13
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Redes WDM: Aplicações As redes WDM, em seus diversos tipos, possuem aplicações tanto nas redes de Longa Distância, como nas redes Metropolitanas, conforme apresentado nos exemplos a seguir. Longa Distância ("Long Haul") As redes WDM de Longa Distância (LH) são usadas para interligar cidades, grupos de cidades (regiões) ou estados, ao longo de um mesmo país, ou para interligar países, por terra ou mar. Elas são utilizadas nos seguintes tipos de aplicações: Meio físico para redes de Transporte, baseadas nas tecnologias PDH e SDH; Meio físico para redes Multisserviço, baseadas nas tecnologias ATM, Frame Relay e IP; Meio físico para interligação de Centrais Telefônicas para serviços de Voz de Longa Distância; Meio físico para interligação de equipamentos "Cross-connect" para redes de Transporte com alto grau de proteção automática. Essas redes WDM possuem as seguintes características: Grandes distâncias físicas entre equipamentos, demandando cabeças ópticas de maior potência ("Long Haul") e / ou amplificadores ópticos (ILA) / elétricos (Terminais) para regenerar o sinal transmitido; Uso de equipamentos de derivação óptica (OADM), para extrair ou inserir poucos comprimentos de onda para tráfego local para uma determinada cidade ou região; Uso de proteção na camada de aplicação, através dos mecanismos existentes nas redes de transporte ou multisserviço e, mais recentemente, com opção de proteção na camada óptica (WDM). 15
Metropolitanas ("Metro") As redes WDM Metro são utilizadas para interligar Pontos de Presença (PoP's) concentradores de operadoras de serviços de Telecomunicações em uma determinada região metropolitana. Elas são usadas nos seguintes tipos de aplicações: Meio físico para redes de Transporte Metro, baseadas nas tecnologias PDH e SDH; Meio físico para redes Multisserviço Metro, baseadas nas tecnologias ATM, Frame Relay e IP; Meio físico para interligação de Centrais Telefônicas para serviços de Voz Local; Meio físico para interligação de equipamentos "Cross-connect" para redes de Transporte Metro com alto grau de proteção automática; Meio físico para interligação de CPD's, em conexões dedicadas ou compartilhadas, com interfaces dos tipos ESCON, FICON, Fast Ethernet, Gigabit Ethernet e Fiber Channel, entre outras. Essas redes WDM possuem as seguintes características: Pequenas distâncias físicas entre equipamentos, demandando amplificadores ópticos de baixa potência. Para os equipamentos de nova geração a camada de aplicação passa a ser inserida no próprio WDM através do uso de transponders que possuem interfaces dedicadas para esse tipo de serviço. Hoje existem transponders com interfaces Fast Ethermet, Gbit Ethermet, ESCON, FICON, Fiber Channel, e 16
outros com interface óptica variável (STM-1 a STM-16), com a configuração de banda da porta executada de forma remota a partir do sistema de gerência. Uso de equipamentos de derivação óptica, para extrair ou inserir poucos Lambdas (comprimentos de onda) definindo segmentos de rede com maior concentração de tráfego entre origem e destino. Uso de proteção na camada de aplicação, através dos mecanismos existentes nas redes de transporte ou multisserviço e, mais recentemente, com opção de proteção na camada óptica (WDM). 17
Redes WDM : Considerações finais No futuro as redes WDM tendem a ter uma participação maior na camada de serviços, deixando de ser redes puramente dedicadas a transporte de outras tecnologias e passando a fazer parte do acesso, interferindo diretamente na receita da empresa. Esta tendência deve ser reforçada pela necessidade do aproveitamento das redes ópticas já implantadas, e pelo desenvolvimento de interfaces cada vez mais sofisticadas, quem permitirão fornecer serviços plenamente integrados com os sistemas de aplicação dos Clientes, sem a necessidade de equipamentos de acesso dedicados. Para ter sucesso, os projetos envolvendo redes WDM devem ser especificados com base no planejamento de venda e de ocupação do mercado pela operadora de serviços de telecomunicações, uma vez que o custo inicial desses projetos é muito maior do que os projetos de redes de transporte convencionais, utilizando tecnologia SDH. Apesar de haver excesso de fibras ópticas implantadas no Brasil e no mundo, e da rede WDM ter um comportamento de fibra virtual, sua utilização em redes de alta capacidade, principalmente de Longa Distância, sempre será vantajosa, uma vez que as ampliações das redes da camada de aplicação terão sempre um custo menor, pois os equipamentos adicionais podem ser implantados somente nos pontos de troca de tráfego e não mais em todos os pontos do enlace. Desta forma o investimento de longo prazo sempre será menor, promovendo uma maior relação custo benefício para a rede como um todo. Referências Teleco Tutorial WDM Tutorial DWDM Internacional ITU The International Telecommunication Union, órgão europeu responsável pelo desenvolvimento de padronização para telecomunicações. 18
Redes WDM: Teste seu entendimento 1. Qual componente faz parte de uma rede WDM: Equipamentos multiplexadores ópticos Sistema de Gerência Equipamentos terminais ópticos Todas as anteriores 2. A adequação do sinal óptico convencional para o plano de freqüências do ITU-T para o WDM é feito através do: DCU OXC Transponder ILA 3. Quais aplicações apresentadas fazem uso das redes WDM: Redes de Transporte (PDH, SDH) Redes Multisserviço (ATM, IP, FR) Interligação de CPD s Todas as anteriores 19