PAGINA 1 BÍBLIA PASSO A PASSO NOVO TESTAMENTO 8. Comprendendo o Novo Testamento Transmissão e Tradução do Novo Testamento Manuscrito do Novo Testamento: Os cristãos primitivos usavam papiro, um material de escrita extraído de uma planta. Era muito durável em clima seco, e sobreviveu a séculos de estocagem em cavernas. Em virtude das Igreja não terem condições de utilizar materiais de escrita melhores, usavam véu, couro de bezerro, pergaminho ou pele de carneiro. Os primeiros manuscritos do Novo Testamento foram escritos em letras maiúsculas ou unciais, com pouca pontuação e indicação de parágrafos. Os manuscritos posteriores aparecem em letras cursivas. Divisão em capítulos e versículos passaram a ser usadas após as edições impressas da Bíblia tornarem-se mais comuns no século 16. Versões em português do Novo Testamento: Em 1280 e 1400, surgiram os primeiros extratos da Bíblia em português. Levando em conta que todas as versões aqui demonstradas usaram a Septuaginta, versão bíblica usada por Jesus Cristo e pelos apóstolos. As versões surgem para facilitar a compreensão face à modernização da linguagem. A primeira delas, realizada por João Ferreira de Almeida, foi publicada pela primeira vez em 1681. Depois disso, as próximas edições progrediram muito na tradição, e na facilitação da compreensão dos leitores. Depois desta, foi lançada a Versão Revista e Corrigida em 1954, a Versão Revista e Atualizada em 1968, a Versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje em 1973, e a mais nova, em termos internacionais a Nova Versão Internacional em 1993. Todas estas versões tiveram o objetivo de facilitar o entendimento da Versão João Ferreira de Almeida. É muito importante saber que o original do Novo Testamento foi escrito em grego, e os estudiosos têm feito grande progresso na compreensão dos princípios da tradução grega. O Novo Testamento é muito mais fiel ao original, porque a tradução grega é mais fácil do que traduções do Aramaico e do Hebraico. Personagens do Novo Testamento 1. Mateus que se chamava Levi, de cultura judaica, de profissão coletor de impostos, sua atividade foi de apóstolo de Jesus, e escritor do evangelho de Mateus.
PAGINA 2 2. Marcos conhecido como João Marcos, de cultura judaica, sua profissão era missionário, foi discípulo de Pedro e escreveu o evangelho de Marcos pelas informações de Pedro. 3. Lucas, de cultura grega, sua profissão era médico, contratado pelo historiador Teófilo para saber quem foi Jesus, se converteu e escreveu o evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos. 4. João, de cultura judaica, sua profissão pescador, escreveu o evangelho de João, três epístolas, e quando foi preso na Ilha de Patmos escreveu o Apocalipse. 5. Paulo, de cultura judaica, sua profissão pequeno empresário que atuava na fabricação de tendas, escreveu as cartas de Romanos a Filemom. 6. Tiago, de cultura judaica, sua profissão era carpinteiro, ele era irmão de Jesus e escreveu a epístola que leva seu nome. 7. Pedro conhecido como Simão Pedro, de cultura judaica, sua profissão era pescador, escreveu duas epístolas que levam seu nome. 8. Judas, de cultura judaica, sua profissão de carpinteiro, também irmão do Senhor Jesus, escreveu a epístola de Judas. 9. Herodes, o Grande, de cultura induméia, Rei de Judá, Governador da Judéia no ano do nascimento de Jesus Cristo. 10. Caifás, de cultura judaica, Sumo Sacerdote, presidia o Tribunal Judaico conhecido como Senédrio. 11. Pôncio Pilatos, de cultura romana, Procurador ou governador da Judéia, Presidia o Tribunal Romano. 12. Maria, de cultura judaica, sua profissão dona de casa, foi a mãe de Jesus. 13. Timóteo, de cultura Greco-judaica, sua profissão foi de missionário, foi o grande companheiro de Paulo, e escreveu duas epístolas que levam seu nome. Os Escritores do Novo Testamento: Pelo menos nove pessoas trabalharam como escritores dos vários livros do Novo Testamento. A tabela acima inclui a maioria dos nomes. Oito dos escritores costumam ser identificados. A autoria de Hebreus é incerta. Alguns sugerem Paulo, mas a maioria dos estudiosos mais modernos do Novo Testamento não considera Paulo o autor, pelo estilo de sua escrita. Paulo escreveu treze livros, João
PAGINA 3 cinco, Lucas e Pedro produziram dois cada um, e Mateus, Marcos, Tiago, Judas e o autor de Hebreus redigiram um cada um deles. Conteúdo e Interpretação do Novo Testamento. Conteúdo do Novo Testamento: Os livros do Novo Testamento podem ser agrupados, pelo menos em duas formas diferentes: (1) Conteúdo segundo a Autoria dos Livros: a) Livros Históricos: Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos. (b) Epístolas de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom. (c) Epístolas Gerais: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas. (d) Outros: Apocalipse. (2) Conteúdo segundo a Data dos Acontecimentos Relatados nos livros: (a) 6 a.c 29 d.c. Mateus, Marcos Lucas e João. (b) 29.d.C 63 d.c. Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Filemom e Tiago. (c) 63 d.c 96.d.C. 1 e 2 Timóteo, Tito, Hebreus, 1 e 2 Pedro, 1,2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Interpretando o Novo Testamento: Alguns versículos do Novo testamento são facilmente coopreendidos sem necessidade de discussão e debate. Podemos entender o que Paulo tinha em mente quando disse: Sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo (Ef 4.32). É facil interpretar este versículo, embora aplicá-lo possa ser dificil, pois nem sempre gostamos de perdoar às pessoas que abusam de nós ou nos ofendem. Entretanto, muitos outros versículos do Novo Testamento exigem estudo, meditação, discussão e oração antes de conseguirmos ententê-los e aplicá-los. Muitas vezes precisamos usar a exegese. (Exegese: aplicar ao texto bíblico o contexto cultural da época, e desse texto extrair os princípios morais e culturais para o tempo presente). Por exemplo, o que Paulo tinha em mente ao dizer: Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo (2Co 13.12). Por quanto tempo Paulo queria que a Igreja orasse quando disse: Orai sem cessar (1Ts 5.17). Muitos textos, para poder entendê-los temos que buscar a exegese, isto é, o contexto cultural da época. Ósculo santo na época de Paulo, é o mesmo que o apertos de mão nos dias de hoje. Necessitamos de diretrizes para dirigir-nos ao tentarmos compreender e aplicar as Escrituras. Usar tais diretrizes exigirá sabedoria divina e julgamento humano coerente. Vamos estudar alguns princípios de interpretação bíblica:
PAGINA 4 Regras Normais de Gramática: Em primeiro lugar, precisamos interpretar a Bíblia de acordo com as regras normais de significado das palavras e da gramática. Chamamos este tipo de interpretação de Interpretação literal da Bíblia. O uso da interpretação literal da gramática nos ajuda a ver a morte e a ressurreição de Jesus como acontecimento verdadeiro na história e não como uma estória, ou como uma interpretação política de Jesus contra Roma. (veja a diferença entre história e estória). História: conhecimento de fatos passados, advindo através da ciência, pesquisa e investigação do passado. Estória: Neologismo proposto na lingua portuguesa a partir de 1919 para designar campo de folclore, narrativa popular ou conto tradicional. Interpretação Literal e Figurativa: O perigo da interpretação literal é que muitas passagens terão elementos figurativos. O salmista usou uma linguagem figurativa e poética para descrever Deus quando ele disse: O Senhor te cobre com suas penas, debaixo de suas asas encontrarás refugio (Sl 91.4). O salmista não considerava Deus como uma espécie de pássaro. Reconhecemos que está descrevendo o zelo terno e amoroso de Deus ao compará-lo com o zelo de uma ave que cuida de seus filhotes. Há tipos de literatura na Bíblia, que se revestiram de poesia, conterão mais elementos simbólicos e figurativos do que os Evangelhos e Atos. As divisões são as seguintes: Na Bíblia existem textos a) Sentido literal. Exemplo: Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo (Ef 6.1). b) Sentido Figurativo: Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor (Jo. 15.1). c) Sentido Poético: O Senhor te cobre com suas penas, debaixo de suas asas encontrarás refugio (Sl 91.4). d) Sentido Simbólico: Este é o mistério das sete estrelas que você viu em minha mão direita e dos sete candelabros: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas (Ap 1.20). Limites da Revelação: Um terceiro princípio de interpretação é aceitar os limites da revelação de Deus. Deus não revelou uma resposta para cada pergunta espiritual que podemos fazer. Devemos lembrar disso e não correr o perigo de sermos precisos e exatos demais nas interpretações que fazemos. Em questões relacionadas à tragédia e à dificuldade pessoal, pode ser tolice espiritual usar as Escrituras para provar o motivo pelo qual Deus permitiu a dificuldade. Às vezes, é melhor admitir a ignorância do propósito completo de Deus e clamar por Sua graça diante de nossa fraqueza. Paulo praticou isso quando enfrentou o espinho que tinha na carne (2Co 12.7-10).
PAGINA 5 Interpretação e Aplicação: Um quarto princípio é distinguir a interpretação da aplicação. Uma passagem da escritura tem apenas um único significado. Se certa passagem pudesse ter diversos significados, todos os sistemas opostos de teologia poderiam estar corretos. Por exemplo, não pode ser verdade que somos salvos tanto pela fé em Cristo quanto por nossas obras pessoais. Uma das declarações está errada. Quando a Bíblia fala que somos salvos pela fé, não dá vasão para outra interpretação. Ainda que determinada passagem possa ter apenas um significado, podemos com o auxilio do Espírito Santo extrair dela muitas lições morais ou aplicações para a vida espiritual. Todas essas aplicações provém de um único significado. O apelo de Paulo a conceder o perdão aos outros, em Efésios 4.32, encoraja-nos a ter compaixão e a perdoar os nossos irmãos, pois Deus nos tratou dessa forma. A secretária pode aplicar esse ensinamento a um colega de trabalho impaciente. O pai ou a mãe pode utilizá-lo ao lidar com um filho rebelde, etc. As Passagens mais Claras dominam: Uma quinta diretriz para interpretar a passagem dificil é buscar ajuda de uma passagem mais clara. Algumas passagens são tão resumidas que se tornam obscuras. Exigem muito estudo e reflexão antes de ser aplicada. Com relação a tais passagens, procure uma afirmação detalhada a partir de passagens mais claras das Escrituras. Quando Jesus disse: E tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis (Mt 21.22), Ele não estava ensinando que podemos pedir qualquer coisa que desejamos, se tão somente tivermos fé. Pelo contrário, Jesus estava indicando que a fé é o canal pelo qual entramos em parceria com Deus para fazer sua obra aqui na terra. Outras passagens ajudam a interpretar este versículo. Lemos em 1 João 3.22, o seguinte: e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada, isto é, que receberemos tudo o que pedimos, se obedecermos aos seus mandamentos, e se buscarmos realizar a sua Santa vontade aqui na terra. Também aprendemos em 1 João 5.14-15 o seguinte: Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos isto é, que receberemos quando pedirmos segundo a vontade de Deus. Apesar de Jesus dizer que tudo que pedirdes em oração recebereis, existem mais ingredientes para entender esta frase. O pensamento de Jesus, quando falou esta frase, não estava pensando em nosso interesse próprio, mas na vontade do Pai Celestial.
PAGINA 6 Para interpretação da Bíblia existem cinco princípios: 1. Interprete a Bíblia literalmente, usando a linguagem literal, figurativa, poética ou simbólica. 2. Interprete a Escritura de acordo com o ambiente em que foi escrita (Exegese). 3. Aceite os limites da revelação de Deus. 4. Diferencie a interpretação da aplicação. 5. Interprete textos difíceis com a ajuda de textos mais claros.