EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.188.608 - RS (2011/0037312-8) RELATOR EMBARGANTE ADVOGADO EMBARGADO INTERES. : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA : RODOVIÁRIA VENÂNCIO AIRES LTDA - MICROEMPRESA : EVELISE CARLA DO NASCIMENTO E OUTRO(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL : DEPARTAMENTO AUTÔNOMO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - DAER/RS EMENTA ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONTRATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DIVERGÊNCIA SUPERADA. SÚMULA 168/STJ. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A Primeira Seção consolidou o entendimento de que o ato administrativo de prorrogação do contrato de concessão protrai seus efeitos no tempo, razão pela qual o termo inicial da prescrição de nulidade do referido ato ocorre com o encerramento do próprio contrato. Precedente: EREsp 1.0791.126/RS, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 6/5/11. 2. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ). 3. Embargos de divergência não conhecidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer dos embargos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciados os Srs. Ministros Francisco Falcão e Napoleão Nunes Maia Filho. Brasília/DF, 24 de agosto de 2011(Data do Julgamento) MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 1 de 6
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.188.608 - RS (2011/0037312-8) RELATOR EMBARGANTE ADVOGADO EMBARGADO INTERES. : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA : RODOVIÁRIA VENÂNCIO AIRES LTDA - MICROEMPRESA : EVELISE CARLA DO NASCIMENTO E OUTRO(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL : DEPARTAMENTO AUTÔNOMO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - DAER/RS RELATÓRIO MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA: Trata-se de embargos de divergência opostos por RODOVIÁRIA VENÂNCIO AIRES LTDA MICROEMPRESA contra acórdão da Segunda Turma desta Corte que negou provimento ao recurso especial assim ementado (fls. 881/882e): PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRORROGAÇÃO DE CONTRATO DE CONCESSÃO SEM PRÉVIO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. TERMO INICIAL NÃO CONFIGURADO. 1. Trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público contra o DAER/RS em que se pretendeu anular ato administrativo que, em 1994, prorrogara por 20 (vinte) anos o contrato de concessão relativo à Estação Rodoviária de Venâncio Aires, sem a realização de procedimento licitatório. 2. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Lei Maior. Isso não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. Neste sentido, existem diversos precedentes desta Corte. 3. O STJ firmou entendimento no sentido de que as alegações de malversação do ato jurídico perfeito, do direito adquirido e da coisa julgada têm natureza constitucional, uma vez que a matriz desses institutos é o art. 5º, XXXVI, da CF/88, e não a LICC. 4. Esta Turma já proferiu entendimento, em situação análoga, determinando que o prazo prescricional para anular prorrogação de contratação irregular só tem início com o encerramento do contrato, a ver: "o ato administrativo de prorrogação do contrato de concessão por 20 anos protrai seus efeitos no tempo, ou seja, suas consequências e resultados sucedem por toda sua duração de maneira que seu término deve ser estabelecido como o marco inicial da prescrição da ação civil pública" (REsp 1.114.094/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma). 5. Recurso especial não provido. (Rel. Min. MAURO CAMPBELL, DJe de 14/10/2010) Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 922/925e). Sustenta a embargante que o aresto embargado está em dissonância com julgados oriundos da Primeira Turma. Aponta como paradigmas os acórdãos resultantes dos Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 2 de 6
julgamentos dos REsps 1.084.916/RS e 1.089.206/RS, que decidiram em sentido contrário, qual seja, que, na ausência de previsão legal, deve ser estabelecido o prazo de prescricional de 5 anos para ações que visam obter indenização por danos causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público e privado prestadores de serviço público, para o ajuizamento de ação civil pública (fls. 933/1.009e). Requer, assim, o acolhimento dos embargos para que seja reformado o acórdão embargado, prevalecendo a tese dos arestos paradigmas. É o relatório. Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 3 de 6
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.188.608 - RS (2011/0037312-8) EMENTA ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONTRATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DIVERGÊNCIA SUPERADA. SÚMULA 168/STJ. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A Primeira Seção consolidou o entendimento de que o ato administrativo de prorrogação do contrato de concessão protrai seus efeitos no tempo, razão pela qual o termo inicial da prescrição de nulidade do referido ato ocorre com o encerramento do próprio contrato. Precedente: EREsp 1.0791.126/RS, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 6/5/11. 2. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ). 3. Embargos de divergência não conhecidos. VOTO MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA(Relator): Conforme relatado, requer a embargante o acolhimento dos embargos para que seja reformado o acórdão embargado, prevalecendo a tese dos arestos paradigmas, no sentido de que, na ausência de previsão legal, deve ser estabelecido o prazo de prescricional de cinco anos para ações que visam a obter indenização por danos causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público e privado prestadores de serviço público, para o ajuizamento de ação civil pública (fls. 933/1.009e). Sem razão, entretanto. No julgamento do EREsp 1.0791.126/RS, da relatoria do Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 6/5/11, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que o ato administrativo de prorrogação do contrato de concessão protrai seus efeitos no tempo, razão pela qual o termo inicial da prescrição de nulidade do referido ato ocorre com o encerramento do próprio contrato. O julgado foi assim ementado: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONTRATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 4 de 6
DE SERVIÇO PÚBLICO. PRORROGAÇÃO SEM LICITAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. O termo inicial da prescrição da nulidade do ato administrativo de prorrogação ilegal do contrato de concessão se constitui no encerramento do tempo contratual. 2. Embargos de divergência rejeitados. Desse modo, deve subsistir o entendimento firmado no acórdão embargado por refletir o entendimento majoritário da Primeira Seção, incidindo, à espécie, o verbete sumular 168/STJ, in verbis: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". Ante o exposto, não conheço dos embargos de divergência. É como voto. Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 5 de 6
CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA SEÇÃO Número Registro: 2011/0037312-8 PROCESSO ELETRÔNICO EREsp 1.188.608 / RS Números Origem: 10500036543 201000590800 70029096278 70031456304 PAUTA: 24/08/2011 JULGADO: 24/08/2011 Relator Exmo. Sr. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro CASTRO MEIRA Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. WALLACE DE OLIVEIRA BASTOS Secretária Bela. Carolina Véras EMBARGANTE ADVOGADO EMBARGADO INTERES. AUTUAÇÃO : RODOVIÁRIA VENÂNCIO AIRES LTDA - MICROEMPRESA : EVELISE CARLA DO NASCIMENTO E OUTRO(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL : DEPARTAMENTO AUTÔNOMO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - DAER/RS ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO - Serviços - Concessão / Permissão / Autorização CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "A Seção, por unanimidade, não conheceu dos embargos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciados os Srs. Ministros Francisco Falcão e Napoleão Nunes Maia Filho. Documento: 1084270 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 06/09/2011 Página 6 de 6