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Transcrição:

Rodada #1 Legislação Especial Professor Leandro Igrejas Assuntos da Rodada LEGISLAÇÃO ESPECIAL: 4. Lei nº 11.343/2006: institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD); prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências (apenas aspectos penais e processuais penais). 5 Lei nº 4.898/1965: direito de representação e processo de responsabilidade administrativa civil e penal, nos casos de abuso de autoridade (apenas aspectos penais e processuais penais). 6 Lei nº 9.455/1997: define os crimes de tortura e dá outras providências (apenas aspectos penais e processuais penais). 7 Lei nº 8.069/1990: Estatuto da Criança e do Adolescente (apenas aspectos penais e processuais penais). 8 Lei nº 10.826/2003: Estatuto do Desarmamento (apenas aspectos penais e processuais penais). 9 Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais (apenas aspectos penais e processuais penais). 10. Lei nº 10.446/2002: infrações penais de repercussão interestadual ou internacional que exigem repressão uniforme.

a. Teoria em Tópicos No edital do último concurso para Agente da Polícia Federal 1, que é a base do nosso curso, foram exigidos apenas os aspectos penais e processuais penais do Estatuto do Desarmamento. Contudo, para que possamos compreender melhor tais aspectos, precisaremos, antes, estudar alguns pontos da parte administrativa da Lei n.º 10.826/03. Vamos lá! SINARM O Estatuto do Desarmamento (Lei n.º 10.826/03) instituiu o SINARM - Sistema Nacional de Armas, no âmbito da Polícia Federal (Ministério da Justiça), responsável por ATENÇÃO! O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das chamadas armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, etc.). exercer o controle das armas de fogo em poder da população. Dentre as competências do SINARM, encontramos: Art. 2 o Ao SINARM compete: I identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante cadastro; (...) III cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações expedidas pela Polícia Federal; IV cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e de transporte de valores; V identificar as modificações que alterem as características ou o funcionamento de arma de fogo; 1 EDITAL Nº 55/2014 DGP/DPF, DE 25 DE SETEMBRO DE 2014, disponível em: < http://www.cespe.unb.br/concursos/dpf_14_agente/arquivos/edital_n 55 ABERTURA.PDF> 2

REGISTRO DE ARMA DE FOGO Uma vez adquirida a arma de fogo, o proprietário deverá efetuar o seu registro no órgão competente (art.3º): Art. 3 o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente. Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei. (...) Art. 5 o O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. 1 o O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de autorização do SINARM. O órgão de registro será definido em função da natureza da arma: Natureza da arma 2 Uso PERMITIDO Uso RESTRITO Órgão competente para o registro (Lei n.º 10.826/03) POLÍCIA FEDERAL (art.5º, 1 o ) Comando do EXERCITO (art.3º, parágrafo único) Perceba que o certificado de Registro de Arma de Fogo - CRA (art.5º) autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo somente nos seguintes locais: 2 Os conceitos de arma de uso permitido e restrito constam do Decreto n.º 5.123/04 (regulamento da Lei n.º 10.826/03), que não foi incluído no último edital do concurso para APF (2014). 3

No interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses; e No seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. Certificado de REGISTRO, então, é o documento que autoriza o proprietário da arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua RESIDÊNCIA ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu LOCAL DE TRABALHO, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. PORTE DE ARMA DE FOGO Basicamente, o PORTE de arma é o documento que autoriza alguém a trazer consigo a arma de fogo FORA de sua residência/domicílio ou local de trabalho, onde seja o titular ou responsável (art.5º). Como regra, o art.6º do Estatuto proíbe o porte de arma. Todavia, estabelece exceções em seu próprio texto, como, por exemplo, para os integrantes das Forças Armadas, das Polícias Federal e Rodoviária Federal, etc. Além disso, a proibição ao porte de arma também encontra exceções na legislação própria de algumas carreiras, como é o caso de Juízes e Promotores de Justiça. As exceções à proibição não precisam ser memorizadas para nossa prova, que, conforme o último edital, estaria limitada aos aspectos penais e processuais penais. Em resumo, para que o proprietário da arma de fogo possa trazê-la consigo, fora dos locais acima indicados, será necessário que tenha autorização para o PORTE de arma de fogo (art.6º). 4

CRIMES EM ESPÉCIE A partir deste ponto, entraremos, efetivamente, na parte da matéria mais importante para nossa prova! O Estatuto criminalizou as seguintes condutas: POSSE irregular de arma (art.12) PORTE ilegal de arma (art.14) de uso PERMITIDO. POSSE ilegal de arma PORTE ilegal de arma de uso RESTRITO (art.16). Omissão de CAUTELA (art.13) DISPARO de arma de fogo (art.15) COMÉRCIO ilegal de arma de fogo (art.17) TRÁFICO internacional de arma de fogo (art.18) Passemos à análise individualizada dos tipos penais. POSSE irregular de arma de fogo de uso PERMITIDO Posse irregular de arma de fogo de uso permitido Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 5

O sujeito ativo (aquele que comete o crime) poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de crime comum 3. O objeto material deste tipo penal é a arma de fogo, o acessório ou a munição de uso permitido. Se a arma de fogo, o acessório ou a munição forem de uso restrito, então o crime será o previsto no art.16, e não o do art.12. Conforme já visto acima (art.5º), o registro da arma no órgão competente autoriza seu proprietário a mantê-la - exclusivamente - no interior de sua residência, domicílio ou dependência, ou, ainda, no seu local de trabalho. Neste segundo caso (local de trabalho), ele deve ser o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. ATENÇÃO! Para que possa levar a arma consigo para outros locais, inclusive vias públicas, residências de outras pessoas, ou mesmo para seu próprio local de trabalho, quando não for o titular ou o responsável legal, será necessário obter o PORTE de arma. Pois bem. A conduta tipificada neste art.12 é justamente a de possuir ou manter a arma/acessório/munição, de uso permitido, nos locais indicados acima, de forma irregular. Ou seja, o legislador quis evitar a manutenção de arma/acessório/munição SEM o devido registro, ou com o registro vencido 4 (não renovado). Note que, no caso do local de trabalho, a posse irregular (art.12) somente irá se configurar caso o agente seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou 3 Crime comum é aquele que não exige uma qualidade especial do sujeito ativo. Em outras palavras, é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa. Exemplo: homicídio. 4 O registro deve ser renovado periodicamente. Veja: art. 5 o 2 o Os requisitos de que tratam os incisos I, II e III do art. 4 o deverão ser comprovados periodicamente, em período não inferior a 3 (três) anos, na conformidade do estabelecido no regulamento desta Lei, para a renovação do Certificado de Registro de Arma de Fogo. 6

empresa. Do contrário, (ou seja, se o agente não for o titular ou o responsável legal), então o crime será o previsto no art.14 (porte ilegal, a ser estudado adiante). Exemplo: vendedor de loja situada em local perigoso, mantém em seu local de trabalho uma arma de uso permitido para sua defesa pessoal. Nesse caso, por não ser ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento, estará cometendo, (caso não tenha autorização para porte da arma), o crime do art.14 do Estatuto (porte ilegal). Em resumo, podemos dizer que o crime de POSSE irregular (art.12) somente se caracteriza quando a arma/acessório/munição (de uso permitido) estiver guardada, irregularmente: na residência do agente; ou em seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento. PEGADINHA! A tendência do aluno é focar a atenção apenas na arma de fogo, esquecendo-se dos demais objetos materiais do tipo penal. A banca examinadora pode explorar essa característica. Portanto, fique atento: um indivíduo que mantenha somente munição ou acessório sob sua guarda, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência, cometerá o crime previsto no art.12 do Estatuto. JURISPRUDÊNCIA Segundo entendimento do STJ*, o caminhão não é considerado extensão da residência, nem local de trabalho do caminhoneiro, mas sim instrumento de trabalho. A partir desse entendimento, a arma de fogo, se mantida sem autorização nesse local, não configura o crime do art.12 da Lei n.º 10.826/03 (posse irregular), mas sim o porte ilegal (art.14). *HABEAS CORPUS Nº 172.525 - MG (2010 0087118-0). Julgamento: 12/06/2012. 7

Veja como foi cobrado! CESPE/2015 TRE/MT - Analista Judiciário (adaptada) Com base no disposto na legislação penal especial, julgue o item a seguir. Indivíduo que guarda, em sua residência, arma de fogo de uso restrito comete o crime de posse irregular de arma de fogo. Gabarito: Errado Comentário: Essa questão serve pra medir o nível de atenção do candidato. Você reparou que o enunciado se refere à arma de uso restrito e não a permitido? O crime de posse irregular abarca apenas a arma de fogo de uso permitido (art.12). No caso, o crime cometido foi o do art. 16, a ser estudado a seguir (Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito). Omissão de cautela Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade: Pena detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se, novamente, de crime comum. Perceba que o tipo penal não exige, para configuração do crime, que haja relação de parentesco entre o menor de 18 (dezoito) anos/pessoa portadora de deficiência mental e o sujeito ativo. Logo, haverá o crime do pai que deixa a arma ao alcance do filho 8

menor, ou ao alcance do amigo do filho menor, com o qual não tem nenhuma relação de parentesco. O objeto material deste tipo penal é APENAS arma de fogo (Repare que o caput não faz referência ao acessório e munição, ok?). Trata-se de conduta culposa, onde o agente deixa de adotar os cuidados (cautelas) a fim de evitar o apoderamento da arma. Por se tratar de crime culposo, não se admite a tentativa. O crime é material. Ou seja: para sua consumação, não basta a falta de cuidado do agente em relação à guarda da arma. É indispensável que o menor/deficiente mental efetivamente se apodere da mesma. Exemplo: Pai chega em casa e deixa arma em cima da mesa, sem nenhuma proteção e vai dormir. O filho menor de 18 anos chega em casa e vê a arma. Contudo, sequer a toca, já que sempre fora orientado acerca do perigo que tal objeto representa. Nessa situação, o crime não se consumou, já que não houve o apoderamento de arma de fogo pelo menor. O fato, portanto, será atípico. Art. 13. (...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato. 9

Este crime, diferentemente do previsto no caput do art.13, é próprio 5. Ou seja, somente quem for proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores é que poderá cometê-lo. Logo, não cabe, por exemplo, ao vigilante que extraviar uma arma, a obrigação de comunicar o fato à Polícia Federal. A consumação se dá com o decurso do prazo de 24 horas após a ciência, pelos potenciais sujeitos passivos, da ocorrência do fato (crime a prazo 6 ). Preste atenção ao detalhe: No caput, o objeto do crime é apenas a arma de fogo. No parágrafo único, a arma de fogo, acessório ou munição. Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12) e de omissão de cautela (art.13) são cominadas penas de detenção. A TODOS os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena cominada é reclusão. PORTE ilegal de arma de fogo de uso PERMITIDO Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 5 Ao contrário do crime comum, o crime próprio exige que o sujeito ativo tenha uma determinada qualidade ou característica. 6 Nesse tipo de crime, a lei prevê o decurso de determinado prazo para que, só então, ocorra a consumação. 10

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se, mais uma vez, de crime comum. Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6 o, 7 o e 8 o desta Lei. O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido (se forem de uso restrito, então o crime será o previsto no art.16, a ser estudado adiante). Trata-se do mesmo objeto material do crime do art.12. A consumação se dá com a prática de uma ou mais das condutas típicas. Por se tratar de crime de múltiplas condutas (veja que o tipo descreve 13 verbos típicos), a prática de mais de uma delas, pelo mesmo agente, desde que dentro do mesmo contexto fático, configurará o cometimento de crime único (ou seja, o agente não responderá pelo concurso de crimes). Exemplo: Alguém adquire arma de fogo de uso permitido em uma loja, sem possuir a necessária autorização, e a transporta até sua residência. Temos aí duas condutas típicas (adquirir e transportar) que, no entanto, configurarão único delito, tendo em vista o mesmo contexto fático em que foram realizadas. Tome cuidado para não confundir os locais onde se consumam os crimes previstos no art.12 e 14 do Estatuto do Desarmamento: Crime Lugar do Crime POSSE IRREGULAR (uso permitido, art.12) Casa e local de trabalho, desde que o agente seja o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento. PORTE ILEGAL (uso permitido, art.14) Fora dos locais e condições acima indicados. 11

Vejamos agora a jurisprudência sobre o assunto: JURISPRUDÊNCIA ARMA DE FOGO DESMUNICIADA OU DESMONTADA Conforme entendimento do STF, o porte de arma de fogo, mesmo DESMUNICIADA ou DESMONTADA, configura o crime previsto no art.14. Veja: PENAL. ARTIGO 14 DA LEI 10.826/03. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. ARMA DESMUNICIADA. TIPICIDADE DA CONDUTA. O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de perigo abstrato, consumando-se independentemente da ocorrência de efetivo prejuízo para a sociedade, sendo que a probabilidade de vir a ocorrer algum dano é presumida pelo tipo penal. (...) (continuação) É irrelevante para a tipificação do art. 14 da Lei 10.826/03 o fato de estar a arma de fogo municiada (...). HC 107.447/ES, rel. Min. Cármen Lúcia, 1ª Turma, DJe: 03.06.2011 No mesmo sentido, o STJ: PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. CRIME ABSTRATO. ARMA DESMUNICIADA E DESMONTADA. IRRELEVÂNCIA. A jurisprudência atual desta Corte adota o entendimento de que o crime de porte ilegal de arma de fogo é de perigo abstrato, sendo desnecessária a aferição do capacidade lesiva ou o fato de estar ou não desmontada ou municiada. TJ - AgRg no AREsp 456466 SP 2013/0419112-2 (STJ). Dje: 29/05/2014. 12

JURISPRUDÊNCIA NULIDADE OU AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL Em regra, é necessária a realização de exame pericial para que se possa demonstrar a capacidade da arma, do acessório, ou da munição em expor a perigo a sociedade. O STJ, contudo, entende que a nulidade ou a ausência de laudo pericial não impede a caracterização do crime previsto no art.14 do Estatuto do Desarmamento, já que este é de perigo abstrato. Veja: PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. (...). PLEITO DE RECONHECIMENTO DA ATIPICIDADE EM RAZÃO DE A ARMA SE ENCONTRAR DESMUNICIADA E DESMONTADA. EXAME PERICIAL. NULIDADE OU AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. (...) (continuação) 2. Este Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência pacificada no sentido de que o porte ilegal de arma de fogo desmuniciada ou desmontada configura hipótese de perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de levar consigo para a consumação do delito. Dessa forma, eventual nulidade do laudo pericial, ou até mesmo a sua ausência, não impede o enquadramento da conduta. 03/04/2014. STJ - AgRg no REsp: 1390999 SP 2013/0220681-8, Rel: Ministra LAURITA VAZ. DJe 13

JURISPRUDÊNCIA PORTE ILEGAL DE UMA MUNIÇÃO CONFIGURA O CRIME DO ART.14 (Não se aplica o princípio da insignificância) O Juízo da Vara Criminal da Comarca de Araruama/RJ, no processo nº (...), entendeu que o porte de uma munição CBC seria conduta atípica, considerada a inexistência de perigo concreto a bem jurídico. Contudo, a Primeira Turma do STF, ao julgar o habeas corpus, entendeu que a conduta narrada (porte de uma munição) é típica, uma vez que o art. 14, caput, da Lei 10.826/2003 não depende do tipo ou da quantidade da munição portada pelo agente. Turma) HC 131771/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, 18.10.2016. (HC-131771) (Informativo 844, 1ª VEJA COMO FOI COBRADO! CESPE/2016 TRE/PI - Analista Judiciário Judiciária (adaptada) A nulidade do exame pericial na arma de fogo descaracteriza o crime de porte ilegal, mesmo diante de conjunto probatório idôneo, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. Gabarito: Errado (continuação) Comentário: A jurisprudência do STF e do STJ é no sentido que o exame pericial não é imprescindível (ou seja, é dispensável) para caracterização do porte ilegal de arma de fogo, por se tratar de crime de perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de levar consigo para a consumação do delito. 14

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido Art. 14. (...) Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1) O parágrafo único do art.14 foi declarado inconstitucional pelo STF. Em consequência, este crime passou a ser afiançável. O mesmo aconteceu com o art.15, a ser estudado adiante. Disparo de arma de fogo Disparo de arma de fogo Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de crime comum. Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6 o, 7 o e 8 o desta Lei (voltaremos a este ponto adiante). O objeto material deste tipo penal é arma de fogo e a munição. 15

A consumação se dá com o efetivo disparo da arma de fogo ou com o acionamento da munição. Ainda que tenha sido praticada mais de uma conduta (disparos ou acionamentos), no mesmo contexto fático, haverá o cometimento de único crime. Perceba que esse crime é subsidiário. Veja a redação do tipo: (...) desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime.. Isso significa que o crime do art.15 somente estará caracterizado caso o disparo/acionamento não tenha por finalidade a prática de outro crime. Caso o disparo/acionamento tenha por finalidade a prática de outro crime, aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo do art.15) absorvido pelo de maior gravidade. Exemplo: A, desejando matar B, efetua contra este disparo certeiro de arma de fogo, consumando o homicídio. Nessa situação, A responderá apenas pelo homicídio. O disparo de arma de fogo (crime menos grave) será absorvido pelo homicídio. Pelo mesmo raciocínio, o crime do art.15 (disparo, mais grave) absorverá o crime de porte ilegal (art.14, menos grave). Afinal, o porte é um meio para que se possa disparar a arma (crime-fim). Nessa situação, teríamos: PORTEE DISPAROE HOMICÍDIOE 16

Veja a didática decisão a seguir: JURISPRUDÊNCIA PORTE ILEGAL x DISPARO DE ARMA DE FOGO PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E DISPARO DE ARMA DE FOGO - PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (...). Para se efetuar disparo de arma de fogo em local habitado, primeiro é necessário portar a arma, constituindo-se, assim, o porte, crime-meio para o disparo e, sendo este crime mais grave, deve absorver aquele, delito menos grave, em observância ao princípio da consunção. TJ-MG - APR: 10629140007127001 MG, Rel: Júlio César Lorens. Pub:16/03/2016. Disparo de arma de fogo Art. 15. (...) Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin 3.112-1) O parágrafo único do art.15 também foi declarado inconstitucional pelo STF, assim como o parágrafo único do art.14. Em consequência, o crime passou a ser afiançável. POSSE ou PORTE ilegal de arma de fogo de uso RESTRITO 17

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de crime comum. Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6 o, 7 o e 8 o desta Lei (voltaremos a este ponto adiante). O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição de uso RESTRITO (se forem de uso permitido, então o crime poderá ser o previsto no art.12 ou 14, a depender da conduta). Perceba que a pena cominada para este crime é maior do que aquelas previstas para os art.12 e 14. Isso se dá, naturalmente, por conta do maior potencial lesivo que as armas de uso restrito possuem, em comparação com as de uso permitido. A consumação se dá com a prática de uma ou mais das condutas típicas. Este tipo também descreve múltiplas condutas (13 verbos típicos), de modo que a prática de mais de uma delas, pelo mesmo agente, dentro do mesmo contexto fático, configurará o cometimento de um único crime (ou seja, o agente não responderá pelo 18

concurso de crimes). ATENÇÃO! Aplicam-se ao art.16 os mesmos posicionamentos jurisprudenciais acerca da arma desmuniciada, desmontada e da nulidade ou ausência de laudo pericial para fins de caracterização do crime, que foram estudados no art.14. A seguir, estudaremos as condutas equiparadas ao crime do caput art.16 do Estatuto, que são aquelas descritas nos incisos I a VI de seu parágrafo único. Antes de prosseguirmos, porém, é preciso que você saiba que a doutrina majoritária entende que os incisos do parágrafo único do art.16 são tipos penais autônomos em relação ao caput. Ok, mas, o que isso quer dizer? Quer dizer que os incisos se referem não apenas às armas de uso RESTRITO, mas também às de uso PERMITIDO. Veja a jurisprudência sobre este tema: JURISPRUDÊNCIA PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA. CRIME DO ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV, DA LEI Nº 10.826/03. ARMA DE USO PERMITIDO, RESTRITO OU PROIBIDO. IRRELEVÂNCIA. 1. Apesar de o caput do art. 16 da Lei nº 10.826/03 referir-se a armas de fogo, munições ou acessórios de uso proibido ou restrito, o parágrafo único, ao incriminar a conduta de porta arma de fogo modificada, refere-se a qualquer arma, sendo irrelevante o fato de ela ser de uso permitido, proibido ou restrito. REsp 918.867/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe 18/10/2010 19

Feita essa ressalva, passemos ao estudo das condutas equiparadas: Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. (...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: I suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; Vimos que o art.2º do Estatuto do Desarmamento atribui ao SINARM a tarefa de identificação das características das armas de fogo, mediante cadastro. Pois bem! O que se pretende com este art.16, parágrafo único, I, é, justamente, garantir a fidedignidade das informações constantes deste cadastro. Note que o sujeito ativo deste crime é aquele que suprimir ou alterar o sinal de identificação. Assim sendo, aquele que possuir ou portar arma/artefato já adulterados não cometerá este crime, mas sim aquele previsto no inciso IV, que será visto adiante. II modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; Não é qualquer modificação de característica da arma de fogo que configurará esta conduta típica, mas apenas as que tenham por objetivo (dolo específico do agente) agregar maior potencial lesivo à arma (torná-la de uso proibido ou restrito) OU que visem embaraçar a atuação das autoridades. A consumação se dá com a efetiva modificação da característica da arma de 20

fogo. Logo, será irrelevante que a alteração tenha tido sucesso em induzir as autoridades a erro. III possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; Aqui, você precisa notar que o objeto material (artefato explosivo ou incendiário) é distinto do resto da Lei (arma de fogo, acessório ou munição). Veremos que o inciso V, a seguir, também tem por objeto o explosivo. ATENÇÃO! A banca examinadora pode explorar esse detalhe. Assim sendo, eventual questão no sentido de que a Lei n.º 10.826/2003 tipifica a utilização irregular de artefato explosivo ou incendiário estaria, em princípio, correta. IV portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; Este crime deve ser cotejado com o do inciso I. Naquele, o sujeito ativo é quem suprime ou altera o sinal de identificação da arma de fogo. Já o inciso IV tipifica conduta posterior à supressão ou adulteração. Repare que o agente que for surpreendido portando arma com numeração raspada, (mesmo que alegue que já a comprou nessa situação), terá praticado o crime previsto no inciso IV do art.16. 21

V vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente. Este crime é doloso. O agente, de forma livre e consciente, faz chegar às mãos de criança ou adolescente a arma de fogo, o acessório, a munição ou o explosivo, mesmo que gratuitamente. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criança é pessoa até doze anos de idade incompletos. Já o adolescente é a pessoa entre doze e dezoito anos de idade 7. ATENÇÃO! O crime do art.16, V não se confunde com o crime previsto no caput do art.13 (omissão de cautela). Neste último, a arma de fogo chega às mãos de pessoa menor de 18 (dezoito) anos por descuido do agente (crime culposo). PEGADINHA! A doutrina aponta que o inciso V do art.16 do Estatuto do Desarmamento derrogou (revogou parcialmente) o art.242 da Lei 8.069/90 (ECA), que tem a seguinte redação: Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo: Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos Como o inciso V do art.16 trata apenas de arma de fogo, considera-se que somente a entrega de armas brancas (facas, machados, canivetes, etc.) à criança ou adolescente é que, atualmente, configuraria o crime do art.242 do ECA. Estudaremos o ECA nas próximas rodadas. 7 Art.2º da Lei n.º 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) que será estudada em rodadas a frente. 22

VI produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo. Este crime não oferece maiores dificuldades. Note, apenas, que as condutas estão relacionadas, exclusivamente, à munição e a explosivos. Comércio ilegal de arma de fogo Comércio ilegal de arma de fogo Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no. exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.. O sujeito ativo deste crime é aquele que exerce atividade comercial, industrial ou conduta equiparada (parágrafo único). Trata-se, portanto, de crime próprio. Perceba que a atividade não precisa estar formalmente regularizada, podendo, inclusive, ser o caso de negócio clandestino. Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6 o, 7 o e 8 o desta Lei (voltaremos a este ponto adiante). 23

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição, tanto de uso permitido como restrito (repare que o tipo penal não faz qualquer restrição!). ATENÇÃO! Caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou restrito, a pena será aumentada da metade (art.19). A consumação se dá com a prática de qualquer uma das condutas típicas, independentemente da efetiva obtenção do proveito alheio ou próprio. Este tipo também descreve múltiplas condutas (14 verbos típicos), de modo que a prática de mais de uma delas, pelo mesmo agente, dentro do mesmo contexto fático, configurará o cometimento de um único crime (ou seja, o agente não responderá pelo concurso de crimes). Tráfico internacional de arma de fogo Tráfico internacional de arma de fogo Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente: Pena reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de crime comum. Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6 o, 7 o e 8 o desta Lei (voltaremos a este ponto adiante). O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição, seja 24

de uso permitido ou restrito (o tipo penal não faz qualquer restrição). ATENÇÃO! Caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou restrito, a pena será aumentada da metade (art.19). Perceba que entre as condutas típicas encontra-se o verbo favorecer. Logo, aquele que favorecer a entrada ou saída do objeto material no território nacional não responderá pelo crime na qualidade de partícipe 8, mas sim como autor do crime. A consumação se dá com a prática de qualquer das condutas típicas. No caso do favorecimento, a conduta será punível independentemente da efetiva entrada ou saída do material do território nacional. Basta que tenha sido praticado qualquer ato que configure o favorecimento. Não há necessidade de que a importação ou a exportação ocorram no exercício de atividade comercial ou industrial, tal como previsto no art.17. Basta único ato de importação ou exportação, sem a devida autorização da autoridade competente, para que o crime esteja caracterizado. Causas de aumento de pena Os art.19 e 20 do Estatuto estabelecem causas de aumento de pena. Basicamente, as causas de aumento são circunstâncias que, se presentes, fazem com que incidam índices de soma ou multiplicação sobre a pena. 8 No concurso de pessoas, o agente que não comete nenhuma das condutas típicas, mas que concorre, de alguma forma, para que estas sejam praticadas, responderá pelo crime na qualidade de partícipe (art.29 do CP). Contudo, no caso do art.18 do Estatuto do Desarmamento, o legislador tipificou também o favorecimento. Por essa razão, aquele que favorecer a entrada ou saída responderá como autor do crime, e não apenas como mero partícipe. 25

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da METADE se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da METADE se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei. Os órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º do Estatuto são: I Forças armadas; II as polícias federais (Federal, Rodoviária federal, Ferroviária federal) e estaduais (Civil, Militar), além dos corpos de bombeiros militares. III e IV Guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes. V Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. VI Polícias do Senado e da Câmara dos Deputados. VII Guardas prisionais, escoltas de presos e guardas portuárias. VIII as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas. IX entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo. X - Receita Federal do Brasil (Auditor-Fiscal e Analista Tributário), além dos Auditores-Fiscais do Trabalho. Estados. XI - Tribunais do Poder Judiciário e os Ministérios Públicos da União e dos 26

Para facilitar a memorização das causas de aumento de pena, observe o esquema abaixo: CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO Arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito. Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. 1/2 Crimes praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6º, 7º e 8º desta Lei (*). Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. + Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Disparo de arma de fogo. Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 1/2 (*) Nessa causa de aumento de pena, ficam de fora apenas os crimes do art.12 (posse ilegal) e art.13 (omissão de cautela). Fiança e Liberdade Provisória Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. (Vide Adin 3.112-1) 27

Este dispositivo foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento da ADIn 3.112-1, sob argumento que o legislador não poderia vedar, de antemão, a concessão de liberdade provisória, sob pena de violação dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ok, entendi. Mas o que devo guardar para nossa prova? Com a declaração de inconstitucionalidade do art.21, e também dos parágrafos únicos dos art.14 e 15 (já comentados anteriormente), todos os crimes previstos na Lei n.º 10.826/03 passaram a ser suscetíveis de liberdade provisória, com ou sem fiança. RESUMINDO! Em todos os crimes do Estatuto do Desarmamento, cabe fiança e liberdade provisória. Isso, por óbvio, desde que atendidos os requisitos do Código de Processo Penal. Abolitio Criminis temporária Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso PERMITIDO ainda não registrada deverão solicitar seu registro até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de documento de identificação pessoal e comprovante de residência fixa, acompanhados de nota fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova admitidos em direito, ou declaração firmada na qual constem as características da arma e a sua condição de proprietário, ficando este dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento das demais exigências constantes dos incisos I a III do caput do art. 4º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) 28

(continuação) Art. 32. Os possuidores e proprietários de arma de fogo poderão entregá-la, espontaneamente, mediante recibo, e, presumindo-se de boa-fé, serão indenizados, na forma do regulamento, ficando extinta a punibilidade de eventual POSSE IRREGULAR da referida arma. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) De acordo com a redação original do art.30, os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas deveriam, no prazo de 180 dias após a publicação da Lei, solicitar o seu registro. Em 2008, a Lei n.º 11.706 deu a esse dispositivo a redação atual, que passou a contemplar apenas armas de fogo de uso permitido. E, finalmente, o prazo foi prorrogado para 31/12/2009 pela Lei n.º 11.922/09. Durante esse período, a Lei estabeleceu uma abolitio criminis 9 que, por ser limitada no tempo, foi chamada de temporária. Com essa medida o legislador pretendeu facilitar a regularização das armas de uso permitido, sem que os seus proprietários e possuidores fossem incriminados. art.16). ATENÇÃO! A abolitio criminis não se aplicou para os crimes de porte (art.14 e Por fim, especificamente em relação à arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspados, suprimidos ou adulterados, o STJ firmou o seguinte entendimento: 9 Ocorre quando uma nova lei descriminaliza uma conduta que, até então, era prevista como crime. Veja o que dispõe o Art. 2º do Código Penal: Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. 29

JURISPRUDÊNCIA! Súmula 513/STJ - A 'abolitio criminis' temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de POSSE de arma de fogo de uso PERMITIDO com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005. Esquematizando: Abolitio criminis temporária (alcance) Até 23/10/2005 24/10/2005 até 2009 Posse de arma de uso permitido (art.12) Posse de arma de uso proibido (art.16). Posse de arma de uso permitido (art.12), exceto identificação raspada. Os crimes de PORTE (art.14 e art.16) nunca foram alcançados pela Abolitio criminis temporária. VEJA COMO FOI COBRADO! CESPE/2009 PC/PB - Agente de Investigação e Agente de Polícia (adaptada) Acerca do Estatuto do Desarmamento, julgue o item a seguir: As condutas delituosas relacionadas ao porte e à posse de arma de fogo foram abarcadas pela denominada abolitio criminis temporária, prevista na Lei n.º 10.826/2003. Gabarito: Errado Comentário: A abolitio criminis temporária prevista no Estatuto do Desarmamento, em período algum, contemplou a conduta de porte. 30

b. Revisão 1 (questões) 1. CESPE/2016 TRT/8ª Região - Analista Judiciário (adaptada) O crime de porte ilegal de arma de fogo, classificado como delito de perigo abstrato, não dispensa a prova pericial para estabelecer a sua eficiência na realização de disparos, necessária para demonstrar o risco potencial à incolumidade física das pessoas. 2. CESPE/2016 PC/PE Delegado de Polícia (adaptada) Lucas, delegado de polícia de determinado estado da Federação, em dia de folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em um sinal de trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um disparo para o alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por autoridade policial que estava próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas poderá ser enquadrada como crime, com possibilidade de aumento de pena, devido ao fato de ele ser delegado de polícia. 3. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) Júlio, detentor de porte de arma e proprietário de arma de fogo devidamente registrada, vendeu para Tiago, de quatorze anos de idade, uma arma, devidamente municiada, acompanhada do seu documento de registro. Nessa situação, ao permitir que o adolescente se apoderasse da arma de fogo, Júlio praticou o delito de omissão de cautela, previsto no Estatuto do Desarmamento. 31

4. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) Carlos foi preso em flagrante, durante o período de vigência da Lei n.º 10.826/2003 prorrogada pela Lei n.º 11.922/2009, devido ao fato de a polícia ter encontrado, em um armário de sua residência, uma arma de fogo de uso restrito. Nessa situação, a conduta de Carlos caracterizou-se como atípica em razão da incidência de abolitio criminis temporária. 5. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) André guardou em sua residência, de janeiro de 2015 até sua prisão em flagrante, na presente data, uma arma de fogo de uso permitido, devidamente municiada, mas com numeração de série suprimida. Nessa situação, André praticou o crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e, por isso, deve ser punido com pena de detenção. 6. CESPE/2015 STJ - Analista Judiciário Área Administrativa O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um acessório de uso restrito, sem autorização, no exercício de atividade comercial constitui crime de comércio ilegal de arma de fogo, com a pena aumentada pela metade. 7. CESPE/2015 - MPU - Técnico do MPU - Segurança Institucional e Transporte Se uma pessoa for flagrada portando um punhal que tenha mais de 12 cm e dois gumes, ela poderá responder pelo crime de porte ilegal de arma, previsto no Estatuto do Desarmamento. 32

8. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo (adaptada) O agente que atirar com um revólver em via pública no intuito de matar alguém não responderá pelo crime de disparo de arma de fogo, mas tão somente pelo crime que ele pretendia praticar, ou seja, crime doloso contra a vida. 9. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados Analista Legislativo pertencem. As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no órgão a que 10. CESPE/2014 Polícia Federal Agente Administrativo Considere que, em uma briga de trânsito, Joaquim tenha sacado uma arma de fogo e efetuado vários disparos contra Gilmar, com a intenção de matá-lo, e que nenhum dos tiros tenha atingido o alvo. Nessa situação, Joaquim responderá tão somente pela prática do crime de disparo de arma de fogo. 11. CESPE/2014 Câmara dos Deputados Analista Legislativo Se um indivíduo que não possua porte de arma de fogo transportar, a pedido de um amigo que possua o referido porte, munição de uma arma de fogo e, estando sozinho nessas circunstâncias, for encontrado pela polícia, tal fato configurará crime previsto em lei. 33

12. CESPE/2013 PC/DF - Agente de Polícia A conduta de uma pessoa que disparar arma de fogo, devidamente registrada e com porte, em local ermo e desabitado será considerada atípica. 13. CESPE/2013 PC/DPE Defensor Público (adaptada) Suponha que Lucas, maior, capaz, empregado de uma pedreira, seja abordado por policiais militares, no trajeto para sua residência após o trabalho, sendo encontrado em sua mochila um artefato explosivo conhecido como dinamite, sem a devida autorização. Nesse caso, a conduta é atípica, uma vez que o estatuto prevê apenas punição para o emprego de artefato explosivo sem autorização. 14. CESPE/2013 TRF/5ª Região Juiz Federal (adaptada) Aquele que exerce a função de frentista em posto de combustíveis durante o período noturno e possui certificado de registro de arma de fogo da qual é o legítimo proprietário pode, sem incorrer em crime, mantê-la em seu local de trabalho, para defesa pessoal. 15. CESPE/2013 TRF/5ª Região Juiz Federal (adaptada) Modificar as características de uma arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso restrito, constitui, por equiparação, crime de comércio irregular de arma de fogo. 34

16. CESPE/2013 Defensoria Pública/RR Defensor Público (adaptada) Constitui crime a omissão de cautela necessária para impedir o acesso de menor ou deficiente mental a arma de fogo que esteja na posse ou propriedade do agente. Incidirá agravante se a omissão for imputada a integrante das Forças Armadas, das polícias ou a empregado de empresa de segurança privada. 17. CESPE/2012 MPE/PI Promotor de Justiça O agente de segurança cuja arma seja furtada dentro do banco privado onde trabalhe e que não registre ocorrência policial no prazo de vinte quatro horas estará incurso no crime de omissão de cautela, previsto na Lei n. o 10.826/2003. 18. CESPE/2012 Polícia Federal Agente de Polícia Federal Responderá pelo delito de omissão de cautela o proprietário ou o diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal, nas primeiras vinte e quatro horas depois de ocorrido o fato, a perda de munição que esteja sob sua guarda. 19. CESPE/2011 PC/ES - Escrivão de Polícia De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de portar arma de fogo de uso permitido com numeração raspada viola o previsto no art. 16, da Lei n.º 10.826/2003, por se tratar de delito de mera conduta ou de perigo abstrato, cujo objeto imediato é a segurança coletiva. 35

20. FUNCAB/2016 PC/PA Delegado (adaptada) Entende-se como posse de arma de fogo a conduta de possuir ou manter arma em casa ou local de trabalho, qualquer que seja ele, em desacordo com determinação legal ou regulamentar. 36

c. Revisão 2 (questões) 21. FUNCAB/2016 CODESA Guarda Portuário (adaptada) Há norma penal no Estatuto do Desarmamento tratando dos artefatos explosivos, mas não dos incendiários. 22. IESES/2016 TJ/PA Titular de Serviços de Notas e Registros A lei 10.826/03 (Lei do desarmamento), passou a tipificar a conduta consistente em vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, derrogando disposição semelhante prevista na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 23. VUNESP/2015 PC/CE - Escrivão de Polícia Civil É cominada pena de detenção aos seguintes crimes da Lei n.º 10.826/03: a) posse de arma de fogo de uso permitido e posse de arma de fogo de uso restrito. b) disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido c) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e omissão de cautela. e) disparo de arma de fogo e omissão de cautela. 24. VUNESP/2015 PC/CE - Escrivão de Polícia Civil 37

O Estatuto do Desarmamento não pune o porte ou a posse de acessório ou munição para armas de fogo. 25. FUNIVERSA/2015 PC/DF Perito Criminal Quem vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, segundo o Estatuto do Desarmamento, incide nas penas do crime de: a) disparo de arma de fogo. b) omissão de cautela. c) porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido. e) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 26. FUNCAB/2015 PC/AC Perito Criminal O agente que importa ou exporta arma de fogo de uso permitido, sem autorização da autoridade competente, comete o delito de contrabando. 27. UFPR/2014 DPE/PR Defensor Público (adaptada) O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou proprietário deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 14 (quatorze) anos se apodere de arma de fogo. 38

28. FUNCAB/2014 PC/RO Delegado de Polícia De acordo com a Lei n 10.826/2003, Estatuto do Desarmamento, aquele que, em via pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração suprimida responde: a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 14 do referido Estatuto. b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disposto no artigo 16 do referido estatuto. c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 12 do referido Estatuto. d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15 do referido Estatuto. e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do referido Estatuto. 29. FCC/2014 TRF/4ª Região Técnico Judiciário Em 2003, foi sancionado o Estatuto do Desarmamento que trouxe importantes modificações na tipificação dos crimes relacionados com armas de fogo. Analisando-se os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, em havendo a utilização de armas de fogo, acessórios ou munições de uso proibido ou restrito, terá a pena aumentada da metade o crime de a) suprimir ou alterar marca, numeração de arma de fogo. b) omissão de cautela. c) comércio ilegal de arma de fogo. 39

d) disparo de arma de fogo. e) recarregar, sem autorização legal, de qualquer forma, munição ou explosivo. 30. IBFC/2013 PC/RJ Oficial de Cartório (adaptada) O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime inafiançável, salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente. 40

d. Revisão 3 (mapas mentais) O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das chamadas armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, etc.). Certificado de REGISTRO, então, é o documento que autoriza o proprietário da arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua RESIDÊNCIA ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu LOCAL DE TRABALHO, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. Crime Lugar do Crime POSSE IRREGULAR (uso permitido, art.12) Casa e local de trabalho, desde que o agente seja o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento. PORTE ILEGAL (uso permitido, art.14) Fora dos locais e condições acima indicados O crime do art.16, V não se confunde com o crime previsto no caput do art.13 (omissão de cautela). Neste último, a arma de fogo chega às mãos de pessoa menor de 18 (dezoito) anos por descuido do agente (crime culposo). CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO Arma de fogo, acessório ou munição 41

de uso proibido ou restrito. Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. 1/2 Crimes praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6º, 7º e 8º desta Lei (*). Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. + Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Disparo de arma de fogo. Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 1/2 Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12) e de omissão de cautela (art.13) são cominadas penas de detenção. A TODOS os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena cominada é reclusão. Abolitio criminis temporária (alcance) Até 23/10/2005 24/10/2005 até 2009 Posse de arma de uso permitido (art.12) Posse de arma de uso proibido (art.16). Posse de arma de uso permitido (art.12), exceto identificação raspada. Os crimes de PORTE (art.14 e art.16) nunca foram alcançados pela Abolitio criminis temporária. 42

e. Normas utilizadas (Lei n.º 10.826/03) DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS Art. 1o O Sistema Nacional de Armas Sinarm, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, tem circunscrição em todo o território nacional. Art. 2o Ao Sinarm compete: mediante cadastro; I identificar as características e a propriedade de armas de fogo, II cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no País; III cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações expedidas pela Polícia Federal; IV cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e de transporte de valores; V identificar as modificações que alterem as características ou o funcionamento de arma de fogo; VI integrar no cadastro os acervos policiais já existentes; VII cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais; VIII cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade; IX cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas, varejistas, 43

exportadores e importadores autorizados de armas de fogo, acessórios e munições; X cadastrar a identificação do cano da arma, as características das impressões de raiamento e de microestriamento de projétil disparado, conforme marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo fabricante; XI informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal os registros e autorizações de porte de armas de fogo nos respectivos territórios, bem como manter o cadastro atualizado para consulta. Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares, bem como as demais que constem dos seus registros próprios. DO REGISTRO Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente. Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei. Art. 5o O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. 1o O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de autorização do Sinarm. DO PORTE Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para: 44

I os integrantes das Forças Armadas; Constituição Federal; II os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da III os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei; IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinqüenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço; V os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; VI os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52, XIII, da Constituição Federal; VII os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias; VIII as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas, nos termos desta Lei; IX para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a legislação ambiental. X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário. 45

XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos da União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que efetivamente estejam no exercício de funções de segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP. Art. 7o (...). 1o O proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança privada e de transporte de valores responderá pelo crime previsto no parágrafo único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais sanções administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato. DOS CRIMES E DAS PENAS Posse irregular de arma de fogo de uso permitido Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Omissão de cautela Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade: 46

Pena detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato. Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1) Disparo de arma de fogo Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 3.112-1) Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 47

transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: I suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; III possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; IV portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; V vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e VI produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo. Comércio ilegal de arma de fogo Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 48

comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência. Tráfico internacional de arma de fogo Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente: Pena reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. (Vide Adin 3.112-1) Art. 27. Caberá ao Comando do Exército autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso restrito. 49

f. Gabarito 1 2 3 4 5 E C E E E 6 7 8 9 10 C E C E E 11 12 13 14 15 C C E E E 16 17 18 19 20 E E C C E 21 22 23 24 25 E C Letra D E Letra E 26 27 28 29 30 E E Letra B Letra C E 50

g. Breves comentários às questões: 1. CESPE/2016 TRT/8ª Região - Analista Judiciário (adaptada) O crime de porte ilegal de arma de fogo, classificado como delito de perigo abstrato, não dispensa a prova pericial para estabelecer a sua eficiência na realização de disparos, necessária para demonstrar o risco potencial à incolumidade física das pessoas. Comentário: A jurisprudência do STF e do STJ é no sentido que o exame pericial não é imprescindível (logo, é dispensável) para caracterização do porte ilegal de arma de fogo (art.14), justamente por se tratar de crime de perigo abstrato. Basta apenas a prática do ato de levar a arma consigo para a consumação do delito. Não há necessidade de prova do risco, já que este é presumido. Gabarito: Errado 2. CESPE/2016 PC/PE Delegado de Polícia (adaptada) Lucas, delegado de polícia de determinado estado da Federação, em dia de folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em um sinal de trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um disparo para o alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por autoridade policial que estava próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas poderá ser enquadrada como crime, com possibilidade de aumento de pena, devido ao fato de ele ser delegado de polícia. Comentário: 51

Questão simples, mas que exigiu visão de jogo do candidato! A conduta praticada pelo delegado está prevista no art.15 do Estatuto do Desarmamento (disparo de arma de fogo, em via pública). O aumento de pena está previsto no art.20: Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei. Já o art.20 faz referência ao art.6º: Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para: (...) II os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da Constituição Federal; Por fim, o art.20 faz referência à Constituição da República: Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. Gabarito: Certo 52

3. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) Júlio, detentor de porte de arma e proprietário de arma de fogo devidamente registrada, vendeu para Tiago, de quatorze anos de idade, uma arma, devidamente municiada, acompanhada do seu documento de registro. Nessa situação, ao permitir que o adolescente se apoderasse da arma de fogo, Júlio praticou o delito de omissão de cautela, previsto no Estatuto do Desarmamento. Comentário: Trata-se do crime previsto no inciso V do parágrafo único do art.16 do Estatuto: vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente. Neste, o agente, de forma livre e consciente, faz chegar às mãos de criança ou adolescente o objeto material do crime (arma de fogo, acessório, munição ou explosivo). Não se confunde com o crime previsto no art.13 do Estatuto do Desarmamento (omissão de cautela), posto que lá o objeto chega às mãos de pessoa menor de 18 (dezoito) anos por descuido do agente (crime culposo). Não foi esse o caso narrado no enunciado. Gabarito: Errado 4. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) Carlos foi preso em flagrante, durante o período de vigência da Lei n.º 10.826/2003 prorrogada pela Lei n.º 11.922/2009, devido ao fato de a polícia ter encontrado, em um armário de sua residência, uma arma de fogo de uso restrito. Nessa situação, a conduta de Carlos caracterizou-se como atípica em razão da incidência de abolitio criminis temporária. 53

Comentário: Parece difícil,...mas não é! Notou o tipo de arma de fogo? A abolitio criminis temporária, durante o período de vigência prorrogada pela Lei n.º 11.922/2009 (até 31/12/2009), alcançou apenas o crime de posse de arma de uso permitido (art.12), exceto quando com a identificação raspada. Note que o enunciado da questão faz referência à arma de fogo de uso restrito, o que a torna errada. Gabarito: Errado 5. CESPE/2015 TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada) André guardou em sua residência, de janeiro de 2015 até sua prisão em flagrante, na presente data, uma arma de fogo de uso permitido, devidamente municiada, mas com numeração de série suprimida. Nessa situação, André praticou o crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e, por isso, deve ser punido com pena de detenção. Comentário: A arma estava com a numeração de série suprimida. Logo, o crime cometido é o previsto no art.16, IV, do Estatuto, bem mais grave que o do art.12 (posse irregular de arma de fogo de uso permitido). Gabarito: Errado 6. CESPE/2015 STJ - Analista Judiciário Área Administrativa O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um acessório de 54

uso restrito, sem autorização, no exercício de atividade comercial constitui crime de comércio ilegal de arma de fogo, com a pena aumentada pela metade. Comentário: O art.17 do Estatuto do Desarmamento assim dispõe: Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Perceba que, entre os verbos típicos, encontram-se montar e desmontar, narrados no enunciado. Também consta do enunciado que a arma de fogo/munição/acessório seria de uso restrito. pena: Pois bem. O art.17 do Estatuto do Desarmamento estabelece causas de aumento de Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. Conjugando-se os art.17 e 19, conclui-se que, de fato, a montagem ou desmontagem de arma de fogo/munição/acessório, sem autorização, no exercício de atividade comercial, constitui crime de comércio ilegal, cuja pena será aumentada pela metade. Gabarito: Certo 7. CESPE/2015 - MPU - Técnico do MPU - Segurança Institucional e Transporte 55

Se uma pessoa for flagrada portando um punhal que tenha mais de 12 cm e dois gumes, ela poderá responder pelo crime de porte ilegal de arma, previsto no Estatuto do Desarmamento. Comentário: O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das chamadas armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, punhais, etc.). Gabarito: Errado 8. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo (adaptada) O agente que atirar com um revólver em via pública no intuito de matar alguém não responderá pelo crime de disparo de arma de fogo, mas tão somente pelo crime que ele pretendia praticar, ou seja, crime doloso contra a vida. Comentário: O crime de disparo de arma de fogo (art.15) é subsidiário (veja a redação do tipo: (...) desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime. ). Isso significa que o crime do art.15 somente estará caracterizado caso o disparo/acionamento não tenha por finalidade a prática de outro crime. Do contrário, aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo do art.15) absorvido pelo de maior gravidade. Na hipótese narrada no enunciado, o disparo teve por finalidade cometer um homicídio. Logo, o disparo será absorvido por esse. Gabarito: Certo 9. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados Analista Legislativo 56

pertencem. As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no órgão a que Comentário: As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no Comando do Exército, e não no órgão a que pertençam (art.3º do Estatuto). Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente. Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei. (...) Gabarito: Errado 10. CESPE/2014 Polícia Federal Agente Administrativo Considere que, em uma briga de trânsito, Joaquim tenha sacado uma arma de fogo e efetuado vários disparos contra Gilmar, com a intenção de matá-lo, e que nenhum dos tiros tenha atingido o alvo. Nessa situação, Joaquim responderá tão somente pela prática do crime de disparo de arma de fogo. Comentário: No caso, o disparo de arma de fogo teve por finalidade a prática de outro crime (homicídio). Logo, aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo do art.15) absorvido pelo de maior gravidade, o homicídio, na modalidade tentada (art.121 do CP). Gabarito: Errado 11. CESPE/2014 Câmara dos Deputados Analista Legislativo 57

Se um indivíduo que não possua porte de arma de fogo transportar, a pedido de um amigo que possua o referido porte, munição de uma arma de fogo e, estando sozinho nessas circunstâncias, for encontrado pela polícia, tal fato configurará crime previsto em lei. Comentário: O porte de arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização, configura o crime do art.14 do Estatuto. Gabarito: Certo 12. CESPE/2013 PC/DF - Agente de Polícia A conduta de uma pessoa que disparar arma de fogo, devidamente registrada e com porte, em local ermo e desabitado será considerada atípica. Comentário: De acordo com o art. 15 do Estatuto do Desarmamento, disparar arma de fogo é fato típico se efetuado em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela. E mesmo assim, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime. No caso, o disparo foi efetuado em local ermo e desabitado, o que afasta a tipicidade. Perceba que o examinador foi cuidadoso ao informar que se tratava de arma de foto registrada e com porte. Do contrário, poder-se-ia argumentar que a conduta seria típica em razão do porte ilegal (art.14 ou art.16). Gabarito: Certo. 58

13. CESPE/2013 PC/DPE Defensor Público (adaptada) Suponha que Lucas, maior, capaz, empregado de uma pedreira, seja abordado por policiais militares, no trajeto para sua residência após o trabalho, sendo encontrado em sua mochila um artefato explosivo conhecido como dinamite, sem a devida autorização. Nesse caso, a conduta é atípica, uma vez que o estatuto prevê apenas punição para o emprego de artefato explosivo sem autorização. Comentário: A questão está errada porque não apenas o emprego, mas também a posse do artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, configuram crime previsto no Estatuto (art.16, parágrafo único, III). Gabarito: Errado. 14. CESPE/2013 TRF/5ª Região Juiz Federal (adaptada) Aquele que exerce a função de frentista em posto de combustíveis durante o período noturno e possui certificado de registro de arma de fogo da qual é o legítimo proprietário pode, sem incorrer em crime, mantê-la em seu local de trabalho, para defesa pessoal. Comentário: O Certificado de registro autoriza o proprietário da arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu LOCAL DE TRABALHO, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. Não é o caso do frentista do posto. Gabarito: Errado. 59

15. CESPE/2013 TRF/5ª Região Juiz Federal (adaptada) Modificar as características de uma arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso restrito, constitui, por equiparação, crime de comércio irregular de arma de fogo. Comentário: A modificação descrita no enunciado constitui, por equiparação, crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art.16, parágrafo único, II). Veja: Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: (...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...) II modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; Gabarito: Errado. 16. CESPE/2013 Defensoria Pública/RR Defensor Público (adaptada) Constitui crime a omissão de cautela necessária para impedir o acesso de menor ou deficiente mental a arma de fogo que esteja na posse ou propriedade do agente. 60

Incidirá agravante se a omissão for imputada a integrante das Forças Armadas, das polícias ou a empregado de empresa de segurança privada. Comentário: O erro do enunciado está no agravante. Lembre-se que o crime de omissão de cautela (art.13) não está contemplado no rol do art.20. Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8º desta Lei. Gabarito: Errado. 17. CESPE/2012 MPE/PI Promotor de Justiça O agente de segurança cuja arma seja furtada dentro do banco privado onde trabalhe e que não registre ocorrência policial no prazo de vinte quatro horas estará incurso no crime de omissão de cautela, previsto na Lei n. o 10.826/2003. Comentário: Essa até poderia gerar alguma dúvida. Note bem: a responsabilidade pela comunicação não é do agente de segurança, mas sim do proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança (art. 13, parágrafo, único, do Estatuto). Gabarito: Errado. 18. CESPE/2012 Polícia Federal Agente de Polícia Federal Responderá pelo delito de omissão de cautela o proprietário ou o diretor 61

responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal, nas primeiras vinte e quatro horas depois de ocorrido o fato, a perda de munição que esteja sob sua guarda. Comentário: Estatuto: Questão bem simples. Aplicação direta do art.7º 1º, combinado com o art.13 do Art. 7o 1o O proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança privada e de transporte de valores responderá pelo crime previsto no parágrafo único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais sanções administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato. Gabarito: Certo. 19. CESPE/2011 PC/ES - Escrivão de Polícia De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de portar arma de fogo de uso permitido com numeração raspada viola o previsto no art. 16, da Lei n.º 10.826/2003, por se tratar de delito de mera conduta ou de perigo abstrato, cujo objeto imediato é a segurança coletiva. Comentário: No caso, a violação se dá ao inciso IV do parágrafo único do art.16. Trata-se de crime de perigo presumido ou abstrato. 62

A dúvida que a questão poderia provocar reside no fato que o enunciado se refere à arma de uso permitido. Contudo, vimos que a doutrina majoritária (e a jurisprudência dos tribunais superiores), entende que os incisos do parágrafo único do art.16 são tipos penais autônomos em relação ao caput. Por esta razão, os incisos se referem não apenas às armas de uso restrito, mas também às de uso PERMITIDO, como é o caso da questão. Gabarito: Certo. 20. FUNCAB/2016 PC/PA Delegado (adaptada) Entende-se como posse de arma de fogo a conduta de possuir ou manter arma em casa ou local de trabalho, qualquer que seja ele, em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Comentário: O enunciado está incompleto. Conforme já visto acima (art.5º), o registro da arma no órgão competente autoriza seu proprietário a mantê-la no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. Gabarito: Errado 21. FUNCAB/2016 CODESA Guarda Portuário (adaptada) Há norma penal no Estatuto do Desarmamento tratando dos artefatos explosivos, mas não dos incendiários. Comentário: O Estatuto trata dos artefatos incendiários como conduta equiparada ( nas mesmas 63

penas incorre quem ) ao crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art.16, parágrafo único, III). Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...) III possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; Gabarito: Errado 22. IESES/2016 TJ/PA Titular de Serviços de Notas e Registros A lei 10.826/03 (Lei do desarmamento), passou a tipificar a conduta consistente em vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, derrogando disposição semelhante prevista na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Comentário: O art.16, V, do Estatuto do Desarmamento derrogou (revogou parcialmente) o art.242 da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA). Veja os dispositivos: Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito 64

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...) V vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e ECA Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo: Gabarito: Certo 23. VUNESP/2015 PC/CE - Escrivão de Polícia Civil É cominada pena de detenção aos seguintes crimes da Lei n.º 10.826/03: a) posse de arma de fogo de uso permitido e posse de arma de fogo de uso restrito. b) disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido c) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e omissão de cautela. e) disparo de arma de fogo e omissão de cautela. Comentário: 65

Essa questão exige memorização do candidato. Contudo, tal tarefa pode ser facilitada se notarmos que, dentre os crimes tipificados no Estatuto, não é difícil visualizar que a posse irregular de arma permitida (art.12) e a omissão de cautela (art.13, caput e a conduta equiparada prevista em seu parágrafo único) parecem ser os de menor potencial lesivo. Daí a cominação de pena mais branda que, no caso, é a detenção. Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12) e de omissão de cautela (art.13, caput e parágrafo único) são cominadas penas de detenção. A todos os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena cominada é reclusão. Gabarito: D 24. VUNESP/2015 PC/CE - Escrivão de Polícia Civil O Estatuto do Desarmamento não pune o porte ou a posse de acessório ou munição para armas de fogo. Comentário: O porte ou a posse de acessório ou munição são objeto de crimes previstos no Estatuto (art.12, 14 e 16). Gabarito: Errado 66

25. FUNIVERSA/2015 PC/DF Perito Criminal Quem vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, segundo o Estatuto do Desarmamento, incide nas penas do crime de: a) disparo de arma de fogo. b) omissão de cautela. c) porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido. e) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Comentário: Art.16, V do Estatuto. Lembre-se que esta é uma conduta equiparada ao crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Neste crime, o agente, de forma livre e consciente, faz chegar às mãos de criança ou adolescente a arma de fogo, o acessório, a munição ou o explosivo, mesmo que gratuitamente. Gabarito: Letra E 26. FUNCAB/2015 PC/AC Perito Criminal O agente que importa ou exporta arma de fogo de uso permitido, sem autorização da autoridade competente, comete o delito de contrabando. Comentário: 67

Quem importa ou exporta arma de fogo (seja de uso permitido ou restrito), acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente, pratica tráfico internacional de arma de fogo (art.18), e não contrabando. Lembrar: caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou restrito, a pena será aumentada da metade (art.19). Gabarito: Errado 27. UFPR/2014 DPE/PR Defensor Público (adaptada) O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou proprietário deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 14 (quatorze) anos se apodere de arma de fogo. Comentário: Art.13 do Estatuto: Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade Gabarito: Errado 28. FUNCAB/2014 PC/RO Delegado de Polícia De acordo com a Lei n 10.826/2003, Estatuto do Desarmamento, aquele que, em via pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração suprimida responde: 68

a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 14 do referido Estatuto. b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disposto no artigo 16 do referido estatuto. c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, disposto no artigo 12 do referido Estatuto. d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15 do referido Estatuto. e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do referido Estatuto. Comentário: A conduta narrada no enunciado, que está prevista no art.16, IV do Estatuto, é equiparada ao crime previsto no caput do mesmo artigo: Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: IV portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, 69

suprimido ou adulterado; Gabarito: Letra B 29. FCC/2014 TRF/4ª Região Técnico Judiciário Em 2003, foi sancionado o Estatuto do Desarmamento que trouxe importantes modificações na tipificação dos crimes relacionados com armas de fogo. Analisando-se os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, em havendo a utilização de armas de fogo, acessórios ou munições de uso proibido ou restrito, terá a pena aumentada da metade o crime de: a) suprimir ou alterar marca, numeração de arma de fogo. b) omissão de cautela. c) comércio ilegal de arma de fogo. d) disparo de arma de fogo. e) recarregar, sem autorização legal, de qualquer forma, munição ou explosivo. Comentário: Lembre-se no nosso esquema: CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO Arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito. Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. 1/2 70

Crimes praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos art. 6º, 7º e 8º desta Lei (*). Comércio ilegal de arma de fogo. Tráfico internacional de arma de fogo. + Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Disparo de arma de fogo. Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 1/2 Gabarito: Letra C 30. IBFC/2013 PC/RJ Oficial de Cartório (adaptada) O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime inafiançável, salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente. Comentário: Com a declaração de inconstitucionalidade do art.21, e também dos parágrafos únicos dos art.14 e 15, todos os crimes previstos na Lei n.º 10.826/03 passaram a ser suscetíveis de fiança. Gabarito: Errado 71