CAPÍTULO 2: OSTEOLOGIA GERAL O termo esqueleto é aplicado para a armação de estruturas duras que suporta e protege os tecidos moles dos animais. O esqueleto pode ser dividido inicialmente em três partes: (1) axial, (2) apendicular e (3) esplâncnico. O esqueleto axial compreende a coluna vertebral, as costelas, o esterno e o crânio. O esqueleto apendicular inclui os ossos dos membros torácicos e pélvicos. O esqueleto esplâncnico ou visceral consiste de certos ossos desenvolvidos na substância de algumas vísceras ou órgãos moles, como por exemplo, o osso hióide (base da língua), o osso do pênis do cão e o osso do coração do boi e carneiro. O número de ossos do esqueleto de um animal varia em função da espécie, idade (fusão dos ossos durante o crescimento), e dentro da mesma espécie. No animal adulto ocorrem variações numéricas constantes, por exemplo, o tarso do cavalo pode consistir de seis ou sete ossos e o carpo de sete ou oito; em todos os mamíferos domésticos, o número de vértebras caudais (coccígeas), varia consideravelmente. Os ossos são comumente divididos em quatros classes de acordo com sua forma e função. Esta classificação não é satisfatória; alguns ossos, por exemplo, as costelas e o esterno, não são claramente classificados, e outros podem ser invariavelmente classificados. Ossos longos: são tipicamente de forma cilíndrica com extremidades alargadas. Eles são encontrados nos membros, onde atuam como colunas de suporte e como alavancas. A parte cilíndrica (diáfise) é tubular e limita a cavidade medular que contém a medula óssea vermelha/amarela; as extremidades são chamadas de epífises. Subs. esponjosa Canal medular Subs. compacta Subs. esponjosa Figura 2.1 Forame nutrício Ossos planos: são expandidos e proporcionam suporte para a inserção de músculos, também protegem os órgãos que cobrem. Ex: escápula e muitos ossos do crânio. Consistem de duas lâminas de osso compacto com osso esponjoso e medula óssea vermelha/amarela interpostos. A cavidade esponjosa nos ossos do crânio é designada diploë. Ossos curtos: são aqueles que apresentam dimensões similares no comprimento, largura e espessura. Ex: carpo, tarso e sesamóides. Sua principal função parece aquela de difusão da concussão, pois diminuem a fricção ou mudam a direção dos tendões ou aumentam a força da alavancagem para os músculos e tendões. Ossos remanescentes ou irregulares: Este grupo inclui ossos de forma irregular, como as vértebras e os ossos da base do crânio, que são medianos e ímpares. Suas funções são várias e não tão especializadas como aquelas classes de ossos anteriores (sustentação, proteção...). 4
ESTRUTURA DOS OSSOS O osso é uma estrutura viva com vasos sangüíneos, linfáticos e nervos. Por isso cresce, está sujeito a doenças e quando quebrado cicatriza. Torna-se mais delgado e mais fraco com o desuso e hipertrofia-se para suportar aumento de peso. São constituídos por tecido orgânico e substâncias minerais. Os ossos funcionam como uma armação do corpo e como alavancas para os músculos e inserções de músculos, proporcionam proteção para algumas vísceras (coração, encéfalo, pulmões e medula espinhal), contem a medula óssea (formação das células sangüíneas) e constitui uma reserva mineral (fósforo, cálcio). A arquitetura do osso pode ser estudada por meio de cortes longitudinais e transversos do mesmo. O osso consiste de uma camada externa de substância compacta densa, na qual está a substância esponjosa mais frouxamente arranjada. Nos ossos longos típicos, a diáfise está escavada para formar a cavidade medular. A substância compacta difere grandemente em espessura em várias situações, ou seja, de acordo com as pressões e tensões aos quais o osso está sujeito. Nos ossos longos ela é mais espessa próximo à diáfise e mais delgada nas extremidades. Espessamentos circunscritos são encontrados em pontos que estão sujeitos à pressão ou tração especiais. DESCRIÇÃO HISTOLÓGICA DO OSSO O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso, suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular. Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de íons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, tecido adiposo também vai se acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali existia previamente. A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se estes tipos celulares típicos: Osteócitos: estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras lacunas, tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação entre os osteócitos. Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção da integridade da matriz óssea. Osteoblastos: sintetizam a parte orgânica da matriz óssea, composta por colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Também concentram fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Durante a alta atividade sintética, os osteoblastos destacam-se por apresentar muita basofilia. Possuem sistema de 5
comunicação intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos inclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos completamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se menos basófilo. Osteoclastos: participam dos processos de absorção e remodelação do tecido ósseo. São células gigantes e multinucleadas, extensamente ramificadas, derivadas da fusão de monócitos que atravessam os capilares sangüíneos. Nos osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma leve basofilia que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula, até que o citoplasma finalmente se torna acidófilo. Dilatações dos osteoclastos, através da sua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressões conhecidas como lacunas de Howship. Matriz óssea: é composta por uma parte orgânica (já mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A matriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I). A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes de tecido ósseo: o tecido ósseo primário e o tecido ósseo secundário, também chamado de tecido ósseo haversiano ou lacunar. VASOS E NERVOS São ricamente supridos por vasos sangüíneos. Reconhecem-se dois grupos de artérias: as periósticas e as medulares. As periósticas ramificam-se no perióstio. A grande artéria nutrícia ou medular (especialmente nos ossos longos) entre no chamado forame nutricio, passa no canal através da substância compacta e ramifica-se na medula óssea. Os vasos metafísários e epifisários que provem das artérias articulares suprem o osso esponjoso e a medula óssea nas extremidades do osso. As veias maiores do osso esponjoso, em geral, não acompanham a s artérias, mas emergem principalmente próximas às superfícies articulares. Os vasos linfáticos existem como canais perivasculares no periósteo e nos canais de Harvers da substância compacta. As fibras nervosas acompanham os vasos sanguíneos do osso. Algumas são vasomotoras e outras são sensitivas para o periósteo. 6
ESQUELETO DE BOVINO VISTA LATERAL Fonte: Coleção Sala de Anatomia DZ- UFC 7
ESQUELETO DE SUÍNO VISTA LATERAL 8