REVELIA (ART. 319 A 322)

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Transcrição:

REVELIA (ART. 319 A 322) Ocorre quando o réu, regularmente citado, deixa de responder à demanda. O CPC regulou esse instituto, considerando revel o réu que deixa de oferecer contestação após regularmente citado. Importa ressaltar que o réu não tem o dever de responder ao processo, mas tem um ônus de fazê-lo, pois em caso de inexistência de resposta, o mesmo será tratado como ausente no processo, tendo algumas consequências jurídicas particularizadas para esta situação. Quando se fala em revelia, a principal consequência são os efeitos decorrentes, que devem ser analisados. EFEITOS Material: Presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor (art. 319, CPC): Este efeito deverá ser visto de forma relativizada, pois nesse caso a lei não quis simplesmente punir o réu revel. Dessa forma, o magistrado, caso não se sinta convencido, poderá determinar ao autor que produza outras provas para caracterização de seu direito. Processual: Desnecessidade de intimação dos atos processuais posteriores (art. 322, CPC): Nesse caso os prazos processuais correrão independentemente de intimação. Contudo, de acordo com o parágrafo único do art. 322, mesmo que o réu seja revel, este poderá intervir no processo a qualquer hora, recebendo-o no estado em que se encontra. Devido ao princípio da preclusão não poderá o revel praticar atos processuais que já tenham precluido, mas poderá participar de todos os atos processuais vindouros devendo ser intimado de qualquer dos atos. Julgamento antecipado da lide (art. 330, CPC): Na revelia, como os fatos articulados pelo autor são considerados verdadeiros diante da inércia do réu, e o juiz entender que não há controvérsia de fato a ser comprovada pelo autor, poderá haver o julgamento antecipado da lide, com a prolação de sentença de forma antecipada no tempo. Contudo, importante a ressalva: o julgamento antecipado da lide não implica em procedência do pedido do autor, pois ainda que o magistrado não tenha requerido mais 1

nenhuma providência de ordem probatória, a sua convicção sobre o direito pleiteado pode não ser pelo ganho de causa ao autor. HIPÓTESES DE NÃO CARACTERIZAÇÃO DA REVELIA Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente: I - se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II - se o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público, que a lei considere indispensável à prova do ato. Para entender o disposto no inciso I, deve-se recordar o que é litisconsórcio, ou seja, a pluralidade de partes num processo seja no pólo ativo ou passivo. Quando ocorre litisconsórcio, normalmente, cada parte é considerada parte distinta nos termos do art. 48 do CPC. Contudo, admite-se em alguns casos que os atos de um litisconsorte seja aproveitado pelos outros. Um exemplo clássico é exatamente esta hipótese em que, havendo litisconsórcio passivo, caso um dos réus conteste a demanda, não ocorre a revelia e não serão considerados verdadeiros os fatos alegados pelo autor em relação ao réu que não contestou, não podendo o juiz julgar antecipadamente a lide. O inciso II trata da hipótese dos direitos indisponíveis, como a própria nomenclatura induz, são aqueles os quais as partes não podem dispor. Neste caso, mesmo que a revelia se caracterize, é impossível que os seus efeitos sejam aplicados, pois, de certa forma, estaria comparado à confissão, que segundo a legislação processual vigente não é válida quando se trata de direitos indisponíveis (art. 351, CPC). O inciso III trata das hipóteses em que há a necessidade de instrumento público. Algumas ações exigem como prova indispensável um documento público, sendo imprescindível sua juntada à petição inicial. Por isso, com a falta desse documento o fato não fica provado devendo o autor produzir a prova. REVELIA x ALTERAÇÃO DO PEDIDO E CAUSA DE PEDIR 321 do CPC. Outro aspecto que deve ser ressaltado no que se refere à revelia é o preceito do art. 2

Art. 321. Ainda que ocorra revelia, o autor não poderá alterar o pedido, ou a causa de pedir, nem demandar declaração incidente, salvo promovendo nova citação do réu, a quem será assegurado o direito de responder no prazo de 15 (quinze) dias. Mesmo sendo constatada a revelia, é proibida a alteração do pedido ou causa de pedir pelo autor. Isso porque o limite processual para qualquer alteração dessa natureza é a citação (art. 294 do CPC), e não a contestação. Dessa forma, ainda que o réu seja considerado revel, não pode o autor alterar o pedido ou causa de pedir. Tal alteração, sem anuência ou concordância do réu, somente será permitida caso o autor promova nova citação, com prazo de resposta de 15 (quinze) dias conforme determina o art. 320, segunda parte do CPC. Nessa hipótese, a revelia, antes constatada, perde temporariamente seus efeitos em função da nova citação. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES Decorrido o prazo da resposta do réu, tenha ela sido oferecida ou não, deverá o julgador verificar se há necessidade de se tomar alguma das medidas que o CPC denominou providências preliminares. São tais providências em número de três, e vêm reguladas nos arts. 324 a 328 do CPC. São elas: RÉPLICA É preciso se afirmar desde logo que o CPC não emprega o termo réplica para designar o ato processual que será examinado neste passo. É certo, também, que nenhuma outra denominação foi empregada pelo Código, que simplesmente não deu nome a este ato processual. Réplica é a resposta do autor à contestação do réu. Toda vez que o demandado, em sua contestação, tiver suscitado alguma questão nova, deverá ser aberta oportunidade para que o autor se manifeste sobre a mesma, o que vem previsto nos arts. 326 e 327 do CPC. É de se notar que haverá espaço para a réplica apenas e tão-somente nas hipóteses em que o 3

demandado tenha suscitado alguma questão nova em sua defesa. Assim é que, limitando-se o réu a negar o fato constitutivo do direito do autor, não haverá réplica, por absoluta desnecessidade. Art. 326. Se o réu, reconhecendo o fato em que se fundou a ação, outro lhe opuser impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de 10 (dez) dias, facultandolhe o juiz a produção de prova documental. Art. 327. Se o réu alegar qualquer das matérias enumeradas no art. 301, o juiz mandará ouvir o autor no prazo de 10 (dez) dias, permitindo-lhe a produção de prova documental. Verificando a existência de irregularidades ou de nulidades sanáveis, o juiz mandará supri-las, fixando à parte prazo nunca superior a 30 (trinta) dias. Nos termos dos arts. 326 e 327 do CPC haverá réplica nas hipóteses em que o réu, em sua contestação, tiver alegado alguma questão preliminar (art. 301 do CPC), ou se tiver apresentado algum fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor. Não se pode deixar de afirmar que o prazo para o autor falar em réplica é de dez dias, qualquer que seja o tipo de alegação apresentada pelo réu e que tenha dado causa a este ato processual. Por fim, é de se dizer que o autor não poderá, na réplica, alegar fatos novos, mas tão-somente impugnar as alegações feitas pelo demandado. Isto porque, em se assegurando ao autor uma segunda oportunidade para formular alegações (tendo a primeira oportunidade sido a própria petição inicial), ter-se-ia que assegurar tratamento isonômico ao demandado, que passaria a ter o direito a uma segunda oportunidade para formular alegações (além da oportunidade que já teve, na contestação). ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS A segunda espécie de providência preliminar a ser aqui considerada é esta que consideramos especificação de provas. Determina o art. 324 do CPC que, em sendo revel o réu, numa das hipóteses em que a revelia não produz efeitos (o que se dá, por exemplo, nas hipóteses do art. 320 do CPC), deve o juiz determinar ao autor que especifique as provas que pretende produzir na audiência de instrução e julgamento. Tal providência preliminar se justifica pelo fato de se estar aqui diante de uma hipótese em que a revelia do demandado não tem como consequência a presunção da 4

veracidade dos fatos alegados pelo demandante, o que faz com que se mantenha com o autor o ônus de provar a veracidade de suas alegações. Assim, cabe ao juiz determinar ao autor que informe que meios de prova pretende utilizar para contribuir para a formação do convencimento do juiz acerca da veracidade de suas assertivas. DECLARAÇÃO INCIDENTE Como já sabemos, pode acontecer de surgir no processo controvérsia quanto a um tipo de questão, prévia ao exame de mérito, e cuja resolução irá influenciar a resolução do objeto do processo. São questões prejudiciais. Esta é conceituada como relação jurídica controvertida, logicamente antecedente, que subordina e condiciona a resolução da lide em andamento, dita principal, e apta, em tese, a ser objeto de uma ação principal autônoma. A ação declaratória incidental é uma nova demanda no processo em andamento. É um novo pedido feito pelo autor para transformar a questão prejudicial em questão principal, através da qual se constata uma cumulação de pedido ulterior. O intuito é fazer incidir os efeitos da coisa julgada sobre a questão incidental que se transformou em principal com a insurgência da ação declaratória incidental. O art. 325 confere ao autor um prazo de dez dias para demandar a declaração incidente quando a controvérsia acerca da prejudicial tiver surgido na contestação do demandado. O prazo, para o réu, é o da sua contestação (15 dias, no procedimento comum ordinário). Art. 325. Contestando o réu o direito que constitui fundamento do pedido, o autor poderá requerer, no prazo de 10 (dez) dias, que sobre ele o juiz profira sentença incidente, se da declaração da existência ou da inexistência do direito depender, no todo ou em parte, o julgamento da lide (art. 5º). 5