Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Mandaguari Departamento de Informática APOSTILA DA DISCIPLINA INFORMÁTICA Profa. Camilla Brandel Martins Mandaguari, 2003
Ementa da Disciplina Estudo e utilização dos aplicativos contábeis como ferramenta para registro, controle, análise e avaliação das operações das entidades. Introdução à utilização de programas básicos para utilização da informática, referente ao sistema operacional, editor de texto, planilha de cálculo e Internet. Objetivos: Preparar o profissional de contabilidade apto a entender e utilizar a informática como uma ferramenta de trabalho em dois pontos, o primeiro diz respeito à utilização de sistemas desenvolvidos para atender as necessidades da área contábil e o segundo no que se refere ao uso da informática como ferramenta de produtividade e apoio nas várias atividades existentes na profissão contábil; Demonstrar como a informática pode tornar o trabalho do profissional mais produtivo, utilizando-se de recursos da computação, como planilhas de cálculo, editores de texto, sistemas operacionais, enfocando-se através de softwares mais utilizados no mercado. Conteúdo: 1. Introdução à Informática 1.1. Visão geral de um sistema de computação 1.2. Conceitos Básicos (hardware, software, peopleware) 1.3. Unidades de medida representação da informação (bit, byte,...) 2. Apresentação dos Computadores 2.1. Histórico: evolução no tempo 2.2. Tipos de computadores quanto ao porte e ao uso 3. Estrutura dos Computadores 3.1. Unidade Central de Processamento 3.2. Periféricos de entrada e suas características 3.3. Periféricos de saída e suas características 3.4. Periféricos de armazenamento e suas características 4. Software 4.1. Conceito de sistema 4.2. Sistema operacional 4.3. Aplicativos comerciais 4.4. Ferramentas de programação 4.5. Software de editoração 4.6. Softwares de apoio 4.7. Outros softwares 5. Organização dos computadores (diretórios, arquivos, registros, endereço, dado) 6. Tipos de processamento 6.1. A nível de hardware 6.2. A nível de software 7. Comunicações e Redes de Computadores 7.1. Rede local 7.2. Internet 7.3. Intranet
8. Segurança 8.1. Instalações físicas 8.2. Software Original 8.3. Backup cópias de segurança 8.4. Senhas de acesso 8.5. Vírus/hackers 9. Tópicos Gerais 9.1. Noções de Análise de Sistemas 9.1.1. Conceito de análise de sistemas 9.1.2. Etapas/ciclos de vida de um sistema 9.2. Planejamento de informática 9.3. Ergonomia na informática 9.4. Aspecto legal do software 9.5. Profissionais de informática e a ética na profissão 9.6. Utilização de softwares aplicativos, técnicas e recursos computacionais na área contábil e fiscal 10. Noções básicas e práticas de operação de computadores 10.1. Sistema Operacional (Windows/DOS) 10.2. Editor de Texto (Word) 10.3. Planilha de cálculo (Excel) 10.4. Internet navegadores e correio eletrônico (Explorer e Netscape) Avaliação: 1 o. Bimestre Uma prova escrita ou prática valendo 10,0 2 o. Bimestre Uma prova escrita ou prática valendo 10,0 3 o. Bimestre Uma prova escrita ou prática valendo 10,0 4 o. Bimestre Uma prova escrita ou prática valendo 10,0
2 Introdução à Informática 2.1 Visão geral Quando se estuda informática, geralmente o estudo se divide em duas partes: a parte física e a parte lógica. A parte física é estudada para que se tenha um conhecimento básico do modo como o computador funciona internamente e também para que se tenha conhecimento sobre as partes que formam um computador. A parte lógica é estudada para que se aprenda a utilizar o computador. Assim, antes de se iniciar o estudo é importante deixar claro alguns conceitos e nomenclaturas próprios da área. 2.2 Conceitos Básicos Inicialmente, é importante entender a diferença entre hardware e software. Hardware Se refere à parte física do computador. Tudo o que se pode tocar é chamado de hardware, por exemplo o monitor, o mouse, o teclado, etc. Software Se refere à parte lógica do computador. Na prática, compreende os programas que fazem o computador funcionar. Ou como diria o ditado popular: hardware é a parte que você chuta, software é a parte que você xinga. 2.3 Unidades de medida A menor unidade para se medir o volume de informações armazenados em um computador é o bit. O bit pode ter apenas dois valores: 0 e 1. Bit Abreviatura de BInary DigiT. Byte Conjunto de oito bits. 0 1 0 0 0 1 0 1 Como cada bit pode ter dois valores (0 ou 1), esse conjunto de 8 bits pode armazenar 256 valores diferentes, de 0 até 255. Ou seja: 2 8 = 256. Por exemplo, os números e 1 a 5 são representados em código binária da seguinte forma: 1 00000001 2-00000010 3-00000011 4 00000100 5-00000101 KB (kilobyte ou kbyte) Conjunto de 1024 bytes. Essa unidade costuma ser utilizada para medir o tamanho de arquivos pequenos. Se você utilizar o programa Windows Explorer, verá que é a medida utilizada para medir o tamanho dos arquivos. Embora o natural pareça escolher 1000, o número 1024 foi utilizado porque sua representação binária é mais simples. 1000 1111101000 1024-1000000000
MB (megabyte) Conjunto de 1.048.576 bytes (ou 1.024 kbytes). Geralmente utilizada para medir o tamanho de arquivos maiores. GB (gigabyte) Conjunto de 1024 MB, ou aproximadamente um bilhão de bytes. Essa unidade é utilizada para medir o tamanho de HDs. Quando você senta em frente a um computador, em geral identifica quatro componentes básicos: o monitor, o teclado, o mouse e a CPU (Unidade Central de Processamento). Na verdade, o computador propriamente dito é composto apenas pela CPU, enquanto o monitor, o teclado e o mouse são chamados de periféricos. Todos os componentes que não estão dentro do gabinete são chamados de periféricos.
3 Apresentação dos Computadores 3.1 Histórico: Evolução no Tempo A palavra computar significa calcular. Portanto, de alguma forma computadores já existem há bastante tempo. O primeiro dispositivo de cálculo de que se tem notícia é o ábaco, cuja invenção data de 3000 a.c. Em 1642, o matemático, físico e filósofo francês Blaire Pascal inventou a primeira calculadora mecânica. Era basicamente um conjunto de rodas dentadas que realizava adições e subtrações automaticamente. Em 1671, o filósofo e matemático alemão Gottfried Liebniz construiu um calculador mecânico que realizava as quatro operações básicas da aritmética (adição, subtração, multiplicação e divisão). Em 1822 Charles Babbage criou o modelo de uma máquina capaz de fazer cálculos para elaborar uma tabela de logaritmos. Juntamente com Ada Lovelace, Babbage projetou uma máquina para calcular funções matemáticas complexas. No começo do século 20, as calculadoras mecânicas e elétricas se tornaram comuns. Até mais ou menos a década de 30, as elétricas eram fabricadas utilizando um pequeno dispositivo elétrico chamado relé. Em meados da década de 30 surgiram os computadores com válvulas. As válvulas eletrônicas eram semelhantes a relés. A vantagem é que eram muito mais rápidas e a desvantagem é que duravam pouco tempo, pois depois de algum tempo de uso queimavam, de forma semelhante às lâmpadas de hoje. A Primeira Geração (1943-1955) Em 1946 ficou pronto o que se costuma chamar de o primeiro computador. A data do início de sua construção (1943) foi estabelecida como um marco da computação. Batizado de Eniac (Electronic Numeric Integrator and Calculator), era um computador composto por 18.000 válvulas, que podia fazer aproximadamente 5000 cálculos por segundo. Foi último, por exemplo, para calcular o ângulo e trajetória de bombas. A partir de 1951, começaram a surgir empresas especializadas no comércio de computadores. Figura 1 - Computador ENIAC
A Segunda Geração (1955-1964) Ainda na década de 50 surgiram os transistores, componentes eletrônicos que substituíram as válvulas e possuíam várias vantagens. Primeiro, eram bem menores. Computadores que antes ocupavam uma sala agora ficavam do tamanho de uma estante. Além disso, consumiam menos corrente elétrica e duravam bem mais. Os transistores possibilitaram a produção de computadores menores, mais rápidos, mais confiáveis e mais baratos. Conseqüentemente, passaram a ser fabricados em série. A Figura 2 mostra o minicomputador PDP-8, considerado o primeiro computador com preço acessível. Foi nesse tipo de computador que o sistema operacional UNIX começou a ser desenvolvido por Ken Thompson e Dennis Ritchie. Figura 2 - Minicomputador PDP-8 A Terceira Geração (1964-1975) Na década de 60, o mundo estava em plena corrida espacial. Com isso, surgiu a necessidade de construir computadores leves e poderosos, que pudessem ser embarcados nos foguetes. A NASA gastou bilhões de dólares com seu programa espacial na contratação de empresas fabricantes de transistores para que realizassem uma miniaturização ainda maior. Assim foram criados os primeiros circuitos integrados, também chamados de chips. Basicamente, um chip é um componente eletrônico composto por centenas ou milhares de transistores.
Em 1975 começaram as vendas do kit do primeiro microcomputador, chamado de Altair 8800 1, que utilizava o chip 8080 da Intel. Figura 3 - Altair 8800, o primeiro microcomputador A Quarta Geração (após 1975) Nas últimas décadas, os chips só evoluíram em número de transistores. Os chips dos anos 60 tinham em seu interior centenas ou milhares de transistores. Enquanto isso, na década de 90, o chip do processador Pentium possuía 3.500.000 transistores. Por volta da década de 80 os computadores sofreram um novo tipo de evolução. Enquanto os computadores anteriores só processavam 8 bits ao mesmo tempo, o IBM PC conseguia processar 16 bits. O processador utilizado era o 8088. Pouco tempo depois, a IBM lançou o PC XT (Extended Technology), que possuía mais memória RAM e espaço em disco. Os computadores prosseguiram evoluindo, se tornando cada vez mais rápidos e com capacidade cada vez maior de armazenamento. A Tabela 1 mostra um pouco dessa evolução. Ano de Processador Velocidade Avanço lançamento 1972 8008 200 KHz 1974 8080 2 Mhz 1978 8088 5 Mhz 8088-2 8 MHz 60% mais rápido que o 8088 8088-1 10 MHz 2 vezes mais rápido que o 8088 1982 80286-8 8 MHz 6 vezes mais rápido que o 8088 80286-10 10 MHz 7,5 vezes mais rápido 80286-12 12 MHz 9 vezes mais rápido que o 8088 80286-16 16 MHz 12 vezes mais rápido 1 O nome Altair é uma homenagem ao planeta onde se passa o filme O Planeta Probido, de 1956, onde aparece o robot Robbie.
80286-20 20 MHz 15 vezes mais rápido 80286-25 25 MHz 18 vezes mais rápido 1985 80386DX-16 16 MHz 17 vezes mais rápido 1989 80486DX-25 25 MHz 54 vezes mais rápido 1992 80486DX2 50MHz 1994 80486DX4 100 MHz 200 vezes mais rápido 1993 Pentium-60 60 MHz 240 vezes mais rápido 1994 Pentium-75 75Mhz Pentium-100 100 MHz 400 vezes mais rápido Tabela 1 - Evolução dos processadores Depois do Pentium, tivemos ainda diversos avanços, como mostra a tabela abaixo: Ano de Lançamento Processador Velocidade 1995 Pentium Pro 133 a 200Mhz 1996 K6 166 a 300Mhz 1997 Pentium MMX 133 a 300Mhz 1997 Pentium II 233 a 1300Mhz 1998 Pentium Celeron 266 a 1300Mhz 1998 AMD K6 II 200 a 1000Mhz 1998 AMD K6 III 400 a 500Mhz 1999 Pentium III 450 a 1400Mhz 1999 AMD Athlon (K7) 500 a 1400Mhz 2000 AMD Duron 600 a 1300 Mhz 2000 Pentium IV 1400 a 2200 Mhz 2001? AMD Athlon XP 1400 a 3000 Mhz Tabela 2 - Processadores recentes No site da Intel, um gráfico similar ao abaixo mostra o tempo de processamento de uma aplicação que manipula música digital. Com processadores Pentium III, demorava-se mais de 4 minutos para realizar uma certa tarefa, enquanto com os mais novos processadores Pentium IV, demora-se menos de meio minuto.
3.06 Ghz 2.8 Ghz 2.53 Ghz 2.26 Ghz 2 Ghz 1 Ghz 500 Mhz 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 minutos E afinal, o que é Mhz? MegaHertz é a velocidade na qual o processador opera. Mega é a notação internacional para milhões e Hertz é a notação da física para ciclos por segundo. Ou seja, um processador que executa a 300Mhz executa 300.000.000 de ciclos por segundo. 3.2 Tipos de Computadores quanto ao Porte e ao Uso Existem diversas terminologias para classificar computadores. A seguir descrevemos o significado de termos comuns. 3.2.1 Microcomputador (ou computador pessoal) O termo microcomputador se refere ao porte do computador, indicando aqueles que normalmente utilizamos em casa, no trabalho, nas universidades, etc. São também chamados de computadores pessoais devido ao termo PC (Personal Computer), criado pela IBM para nomear uma família de computadores. Os computadores portáteis estão incluídos nesta categoria. Inicialmente foram chamados de laptops, devido à palavra lap (colo), já que, devido ao seu tamanho, poderiam ser colocados no colo de seus usuários. Os laptops são tão funcionais quanto computadores de mesa. Outro tipo de computadores portáteis são os notebooks, ainda menores, do tamanho de um caderno (daí a palavra notebook, que em inglês significa caderno). Hoje, os termos são utilizados praticamente sem distinção, para identificar computadores portáteis. Existe ainda outro tipo de computador portátil: os chamados PDAs (Personal Digital Assistants). São também chamados de palmtops, por caberem na palma da mão. No entanto, não são tão funcionais quanto os outros computadores, sendo utilizados para fins específicos, como uma agenda avançada. Alguns possuem canetas eletrônicas, que permitem que seus usuários escrevam ou apontem para algum ponto diretamente na tela. 3.2.2 Estações de Trabalho As chamadas estações de trabalho são computadores semelhantes aos computadores pessoais. No entanto, utilizam uma arquitetura interna diferente dos computadores pessoais, que resulta em um processamento mais rápido. São também mais caros e, portanto, geralmente utilizados em universidades ou centros de pesquisa. Outra
característica é que, em geral, utilizam algum sistema operacional Unix ou uma variação dele. 3.2.3 Supercomputador Esse termo é utilizado apenas para designar os computadores mais potentes de uma determinada época. São extremamente caros e consomem muita energia, sendo utilizados para modelar ou simular processos extremamente complexos, tais como a fissão nuclear. 3.2.4 Mainframes O termo mainframe designa computadores de grande porte, em relação ao seu tamanho. Esses computadores têm a capacidade de manipular quantidades imensas de informações.