CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS ADVERBIAIS Causais Introduzem uma ideia de CAUSA. É fundamental relatar que aqui se inicia a relação causa-efeito. Toda causa representa o fato anterior. Já o efeito, o fato posterior. Aí é onde se difere da ideia de explicação. Lá não há relação causa-efeito, e sim apenas uma justificativa para uma declaração, uma ordem, solicitação ou conselho. Também se torna importante frisar que os conectores são os mesmos, daí a dificuldade de observar a diferença. Ex.: "Alegres vinham todos, porque crêem..." (Camões). -> A conjunção PORQUE confere à oração em que ocorre uma ideia de causa, já a outra oração encerra valor de consequência.
Concessivas Introduzem uma oração cujo fato ocorrente não altera o fato da outra oração. As conjunções são: EMBORA, MESMO QUE, AINDA QUE, CONQUANTO, MALGRADO, SE BEM QUE, POR MAIS QUE, POR MENOS QUE, POSTO QUE. Ex.: Embora fosse tarde, ainda saí de casa. -> Observe que a conjunção EMBORA introduz uma oração que não muda o fato da outra oração. O fato de ser tarde não impede o fato de eu sair.
Obs.: É importante também chamar a atenção do candidato para o fato de que as conjunções concessivas podem indicar um fato concreto ou hipotético. Ex: Ainda que eu volte cansado do trabalho, irei à boate. -> A primeira oração indica um fato hipotético (não sei se estarei cansado ou não) que não altera o desfecho. Ex.:Embora eu esteja cansado, irei à boate. -> A primeira oração indica um fato concreto (eu estou cansado) que não altera o desfecho.
Condicionais Introduzem uma ideia de condição. Esta ideia é exatamente oposta à da concessão. Um fato sempre vai depender do outro. As conjunções são SE, CASO, A NÃO SER QUE, A MENOS QUE, DESDE QUE, CONTANTO QUE. Ex.: Contanto que não chova, vou à praia. -> Observe que a conjunção CONTANTO QUE introduz uma condição (não chover) para eu ir à praia.
Ex.: Caso haja uma solução, tentarei até o fim. -> A conjunção CASO sugere a condição que poderá gerar o efeito de eu tentar até o fim: se não houver solução, não tentarei até o fim. Obs.: Várias organizadoras de concursos têm elaborado questões em que é solicitada a relação causa-efeito. E, em muitas dessas situações, a causa é representada por conectores condicionais. Tal é possível, pois há uma proximidade significativa entre as duas ideias. Ambas representam os fatos anteriores e geram uma consequência, distinguindo-se apenas pelo fato de a causa ser fato prévio concreto, e a condição, fato prévio hipotético.
Temporais Indicam uma marcação de tempo. As conjunções mais comuns são: QUANDO, MAL, LOGO QUE, APENAS (sinônimo de quando), DESDE QUE, NO MOMENTO QUE, ENQUANTO. Ex.: "Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver..." (Milton Nascimento). -> A conjunção QUANDO indica o momento em que o fato da segunda oração teve início. Ex.:Apenas ele chegou, todos saíram. -> A conjunção APENAS designa somente a hora em que todos saíram. Ex.:"Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala". (Fernando Sabino). -> A conjunção MAL explicita que, logo após a ação do pai, ocorreu a ação do menino.
Obs.: Vale a pena analisar a conjunção DESDE QUE nas frases a seguir. Ex.: Desde que economizemos, compraremos tudo. -> A locução conjuncional DESDE QUE introduz uma condição para que possamos comprar tudo, portanto a locução conjuncional é subordinativa condicional. Desde que voltou, nossos problemas começaram. -> A locução conjuncional DESDE QUE indica apenas o momento em que se iniciaram os problemas, não sendo a volta da pessoa necessariamente a causa.
Consecutivas Introduzem uma ideia de consequência. Normalmente na oração principal aparecerá um elemento de intensificação (tão, tal, tamanho, tanto). A conjunção mais comum é QUE. Ex.: "Abraçou-me com tal ímpeto, que não pude evitá-lo" (Machado de Assis). Ex.: "... e era tão linda, morena e dourada pelo sol, que eu ia, no silêncio do ar, atirar-lhe um beijo..." (Eça de Queirós). -> Observe, nas duas frases, que apareceu a expressão de intensidade (TAL, TÃO) na oração principal e a conjunção QUE introduzindo valor de consequência, na primeira frase (não pude evitá-lo) e na segunda (eu ia, no silêncio do ar, atirar-lhe um beijo...).
Finais Introduzem uma ideia de finalidade, objetivo. É interessante citar que a conjunção PORQUE pode significar PARA QUE, A FIM DE QUE, COM OBJETIVO DE QUE, DE TAL SORTE QUE... Ex.: Vim aqui para que (com o objetivo de que) pudesse analisar o problema. Ex.: João deve estudar a fim de que (com o objetivo de que) tenha a sua vaga assegurada no concurso. Obs.: Você deve ficar atento ao fato de que as bancas têm relacionado, principalmente em questões de interpretação de textos, a ideia de finalidade à de consequência. Tal é efetivamente cabível visto que ambas representam fatos posteriores.
Proporcionais Introduzem uma ideia de proporção. As conjunções mais comuns são: À MEDIDA QUE, À PROPORÇÃO QUE, AO PASSO QUE, QUANTO. Ex.: Quanto mais como, mais engordo. -> A conjunção QUANTO introduz a proporção entre comer e engordar. Se comer pouco, engorda-se pouco; se comer muito, engorda-se muito. Ex.: "À medida, porém, que as horas se passavam, sentiam-me cair num estado de perplexidade e covardia" (Graciliano Ramos). -> A conjunção À MEDIDA QUE introduz a proporção entre as horas se passarem e a pessoa sentir-se cair num estado de perplexidade e covardia. Quanto mais as horas foram se passando, mais ele se sentia perplexo.
Conformativas Introduzem uma ideia de conformidade, de estar de acordo. As conjunções mais comuns são: DE ACORDO COM QUE, CONFORME, COMO, SEGUNDO, CONSOANTE, EM CONSONÂNCIA COM QUE. Ex.: Agi conforme me foi ordenado. -> A conjunção CONFORME introduz a conformidade da ação com o que foi ordenado. Ex.: Fez a obra como manda a lei. -> A conjunção COMO introduz a conformidade da realização da obra com o que manda a lei.