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INQUÉRITO POLICIAL. Todos os testes possuem explicação sobre a resposta correta. a) O inquérito policial é a peça inicial da ação penal.

Transcrição:

DIREITO PROCESSUAL PENAL I. Fontes e Princípios Aplicáveis ao Direito Processual Penal... 002 II. Lei Processual Penal e Sistemas do Processo Penal... 005 III. Inquérito Policial... 006 IV. Processo e Procedimento... 015 V. Juizados Especiais Criminais... 025 VI. Ação Penal... 028 VII. Ação Civil... 034 VIII. Jurisdição e Competência... 034 IX. Questões e Processos Incidentes... 039 X. Prova... 049 XI. Sujeitos Processuais... 057 XII. Prisão e Liberdade Provisória... 069 XIII. Citações e Intimações... 096 XIV. Sentença e Coisa Julgada... 100 XV. Prazos... 103 XVI. Nulidades... 105 XVII. Habeas corpus e Mandado de Segurança... 110 XVIII. Procedimentos Especiais... 113 XIX. Legislação Especial... 114 1

DIREITO PROCESSUAL PENAL (...) III. INQUÉRITO POLICIAL 1. CONCEITO DE INQUÉRITO POLICIAL Inquérito policial é procedimento administrativo informativo de caráter investigatório, que visa auferir elementos (autoria e materialidade da infração penal) para que o titular da ação penal possa propô-la. Por simplesmente informar, não está submetido às garantias processuais do contraditório e da ampla defesa e, portanto, qualquer vício apresentado não acarreta nulidade a posterior ação penal. 2. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO PENAL As principais características do inquérito policial são a dispensabilidade, a forma escrita, o sigilo, a indisponibilidade e a forma inquisitorial: a) Dispensabilidade: o inquérito policial por ter o caráter informativo e auxiliar na formação da opinio delicti do titular da ação penal é importante, mas não imprescindível. Se o autor da ação já possui os elementos suficiente para denunciar ou prestar queixa-crime pode dispensar o inquérito policial. Porém, se ação penal for baseada no inquérito policial, este deve fazer parte do processo (art. 12 CPP). Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. b) Forma escrita (art. 9º, CPP): O inquérito policial objetiva a averiguação de elementos para amparar a propositura de ação penal e por isso não se admite a forma oral. Nos termos do Código, as peças devem ser, portanto, escritas de próprio punho, ou datilografadas (atualmente leia-se digitadas). Neste caso, impõe-se a rubrica da autoridade. 2

Art. 9º. Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. c) Sigilo (art. 20, CPP): a autoridade policial deve assegurar o sigilo necessário à apuração dos fatos ou exigido pelo interesse da sociedade. A restrição a publicidade não se aplica ao juiz e ao Ministério Público, já que aquele é quem analisa a legalidade dos atos em última análise e este, na ação penal pública. Já o advogado pode examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de IP, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos (art. 7º, XIV da lei nº 8.096/94). Se o advogado for impedido, poderá impetrar mandado de segurança. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. d) Indisponibilidade (art. 17, CPP): o inquérito policial não pode ser arquivado pela autoridade policial. Encerrada as investigações, deve encaminhar os autos ao juiz. O arquivamento, inclusive, é atribuição do juiz, após manifestação do titular da ação penal. Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. e) Forma inquisitorial: o inquérito policial tem natureza inquisitiva, ou seja, o procedimento se concentra nas mãos de uma só autoridade. Não é passível de contraditório e ampla e defesa, mas o ofendido e o indiciado podem requerer diligências (art. 14 CPP). Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Nos termos do art. 4º, CPP, e do art. 144, 4º, CF, compete à Polícia Civil, chefiada por delegados de carreira, a apuração das infrações penais e de sua autoria. No âmbito federal, tal incumbência é da Polícia Federal (art. 144, 1º, CF). A despeito de não haver contraditório, podem o ofendido e o indiciado requerer diligências (art. 14, CPP), que, por sua vez, podem ser indeferidas pela autoridade policial, salvo o exame de corpo de delito (art. 184, CPP). Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. 3

3. NOTITIA CRIMINIS. Consiste no conhecimento, espontâneo ou provocado, por parte da autoridade policial, de fato que aparenta ser criminoso. A doutrina classifica-a em: a) de cognição direta ou imediata: o delegado de polícia toma conhecimento do delito por meio do exercício de suas atribuições. Nela se insere a denúncia anônima, também denominada apócrifa ou notitia criminis inqualificada; b) de cognição indireta ou mediata: a autoridade policial toma conhecimento através de algum ato jurídico, como comunicação de terceiro (art. 5º, 3º, CPP delatio criminis), requisição do juiz ou do Ministério Público (art. 5º, II, CPP), requisição do Ministro da Justiça, representação do ofendido (art. 5º, 4º, CPP); c) de cognição coercitiva: ocorre nos casos de prisão em flagrante (art. 8º, CPP). Art. 5º. Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício; II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. 1º. O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível: a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. 2º. Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. 3º. Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. 4º. O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. 5º. Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. Art. 8º. Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. 4. FORMAS DE INÍCIO O CPP determina que o inquérito policial pode iniciar: a) De ofício (art. 5º, I, CPP) a peça investigativa é instaurada por iniciativa exclusiva da autoridade. Deve fazer isso quando tomar conhecimento da prática de alguma infração penal, seja no desenvolver se duas atividades, seja através da comunicação de 4

alguém. O ato pelo qual o delegado de polícia instaura o inquérito policial é chamado de portaria. b) Por requisição do juiz ou do Ministério Público (art. 5º, II, CPP) - Se for requisitada a instauração por juiz ou membro do Ministério Público, está o delegado obrigado a atender porque assim a lei determina a instauração nessas hipóteses. c) Por requerimento do ofendido (art. 5º, II, CPP, e 4º e art. 19) a vítima solicita formalmente da autoridade a instauração do inquérito policial. Em crime de ação pública o inquérito policial pode ser instaurado de ofício ou a requerimento da vítima. Contudo, na ação privada o requerimento é necessário para a instauração tendo em vista que ação fica à disposição da vontade da própria vítima. O delegado de polícia poderá indeferir o pedido, cabendo, neste caso, recurso ao Chefe de Polícia (Secretário de Segurança Pública ou Delegado Geral de Polícia, conforme entendimentos existentes). d) Por representação do ofendido (art. 5º, 4º, CPP) nos delitos que exigem representação para o início da ação penal é imprescindível que esta ocorra para que o inquérito policial seja instaurado. e) Pelo auto de prisão em flagrante (art. 8º, CPP) trata-se de instauração compulsória. Quando alguém é preso em flagrante, lavrado o auto respectivo, considera-se instaurado o inquérito policial. 5. PROVIDÊNCIAS (ART. 6º, 11, 13 E 15 DO CPP). Instaurado o inquérito policial, o delegado de polícia deve: a) Dirigir-se ao local dos fatos, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais. Trata-se da preservação do local do crime para que não haja interferência que possa prejudicar a perícia. b) Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. Tais objetos devem acompanhar o inquérito policial enquanto interessarem à perícia (art. 11, CPP). c) Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias. É a permissão legislativa para a produção de provas lícitas, a fim de apurar o delito, como requisitar documentos e ouvir tantas testemunhas quantas sejam necessárias para a investigação. 5

d) Ouvir o ofendido porque a vítima, muitas vezes, pode trazer elementos importantes para a apuração do delito. e) Indiciamento: trata-se da imputação a alguém, da prática de um ilícito penal, por haver razoáveis indícios de sua autoria. Art. 6º. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV - representar acerca da prisão preventiva. Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial. 6