GRANITO CINZA DE GUIMARÃES

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Transcrição:

GRUPAMENTO DE ESCOLAS FICHA RELATÓRIO GRANITO CINZA DE GUIMARÃES TRABALHO REALIZADO PELAS TURMAS: _ 5º F _ 5º G TRABALHO REALIZADO PELO PROFESSOR: _Raúl Freitas São Torcato, Fevereiro de 2010 Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 1

GRUPAMENTO DE ESCOLAS A. CLASSIFICAÇÃO A1. Categoria principal: Magmática. A2. Categoria subordinada: Plutónica. A3. Classificação científica: Granito Cinza de Guimarães. A4. Outras designações: Azul Guimarães; Cinza S. Torcato; Azul Braga; Azul Gondomar; Cinza Gondomar. B. DESCRIÇÃO EM AMOSTRA DE MÃO B1. Rocha compacta. Textura holocristalina, fanerítica, de grão médio com tendência porfiróide. B2. Cor cinza claro. Predominância de biotite. Apresenta fenocristais de feldspato. Os Minerais presentes e respectivas dimensões: Quartzo (1 a 5 mm), feldspatos (1,5 a 1,8 mm), micas (0,5 a 2 mm) e outros. As percentagens aproximadas são 45%, 45%, 9% e 1% respectivamente. O granito de Gonça é desprovido de minerais máficos e contém bastantes enclaves de mica e xenólitos metassedimentares (Diaz et al., 2002). Figura 1 Amostras de mão do granito cinza. Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 2

GRUPAMENTO DE ESCOLAS C. LOCALIZAÇÃO As duas pedreiras de Gonça ficam situadas na freguesia de Gonça, concelho de Guimarães e distrito de Braga. Ambas as pedreiras estão activas. Na Pedreira Sorte do Mato do Monte das Lagedas (PML) coordenadas 41 30'53.76"N e 8 14'56.34", faz-se principalmente a extracção de agregados graníticos. Na Pedreira Lage do Grão (PLG) coordenadas 41 30'39.35"N e 8 15'31.68"W, faz-se principalmente a extracção e tratamento de pedra para fins ornamentais, nomeadamente para os interiores dos edifícios e calçadas. A freguesia de Gonça pertence ao território educativo da Escola Básica 2,3 de São Torcato, com sede na freguesia de São Torcato. Estas duas freguesias distam aproximadamente 5 Km. Deste modo, os alunos estão bastante familiarizados com as pedreiras. Figura 2 Vista através do Google Earth da E.B 2, 3 de são Torcato e as pedreiras de Gonça. Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 3

GRUPAMENTO DE ESCOLAS PML - PEDREIRA SORTE DO MATO DO MONTE DAS LAGEDAS B A B C D Figura 3 Imagens da frente de pedreira onde se extrai o granito (A) e (B); imagens da transformação do granito em agregados (C) e (D). Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 4

GRUPAMENTO DE ESCOLAS PLG - PEDREIRA LAGE DO GRÃO A B C D E F Figura 4 - Imagem A vista geral da pedreira; imagens B, C, D, E tratamento da pedra; imagem F produto final. Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 5

GRUPAMENTO DE ESCOLAS D. CONTEXTO GEOLÓGICO O distrito de Braga situa-se na Zona Centro - Ibérica da Cadeia Hercínica, estando a região considerada abrangida pela folha 5-D da Carta Geológica de Portugal na escala 1:50 000. Esta zona é dominada por rochas graníticas que se dividem em várias manchas e maciços (Ferreira et al. 1993). O granito de Gonça faz parte do maciço compósito de Braga, com aproximadamente 310 Ma, constituído por: granito de Braga, granito de Gonça e corpos de composição básica a intermédia. Trata-se de um tipo de rocha bastante comum na vasta mancha de granitos calco-alcalinos tardi a post-tectónicos relativamente à terceira fase do orógeno hercínico. E. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA EXPLORAÇÃO 1 As pedreiras da área encontram-se abertas em flanco de encosta. O maciço apresenta uma zona superficial, mais ou menos espessa, de rocha fracturada (com relevo para as fracturas sub-horizontais) e, também alterada, adquirindo por vezes, tonalidade amarelada. 0 padrão de fracturação varia ligeiramente de local para local. Fracturas importantes, como as referentes ao sistema N 75º E a E-W, de inclinação 80º SE ou superior, e a um outro, também representativo e que lhe é praticamente ortogonal, de atitude N-S a N 20º W, 70 a 85 º NE a vertical, são habitualmente observáveis. Além destas, ocorrem diaclases de atitude N 20 a 30º E, 80º SE a verticais, algumas fracturas sub-horizontais de pendor médio 35º NW orientadas para NE e, ainda, outras fracturas de maior dispersão. O aspecto geral da pedra é relativamente homogéneo, mau grado o porfiroidismo esparso que se traduz, em alguns casos, por cristais de tamanho fora do habitual. A adicionar a esse tipo de heterogeneidade, podem referir-se concentrações biotíticas de pequeno tamanho e variações da granularidade para mais fino. Por vezes, são observados filonetes ou filões pegmatíticos, ocasionalmente espessos. Embora, actualmente, as britas e os perpianhos constituam grande parte da produção, são extraídos blocos de dimensões médias, tendo como principal condicionamento o espaçamento das fracturas de atitude N70 a 80º E, facilmente identificáveis em algumas das pedreiras. O corte de placas é realizado, sobretudo, ao "correr" da pedra. A área apresenta reservas elevadas. 1 - Extraído do sítio - http://www.britaminho.com/userfiles/file/brochuras/brochura_blocos.pdf Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 6

GRUPAMENTO DE ESCOLAS F. TIPO DE PAISAGEM Paisagem montanhosa, encostas íngremes e caos de blocos. G. TIPO DE SOLOS, VEGETAÇÃO E ECOSSISTEMA Predomina principalmente manchas de Pinheiros (Pinus Pinaster), Eucaliptos (Eucaliptus Globulus) e Acácias (Acacia dealbata), todas elas espécies exóticas, sendo a última uma espécie invasora de acordo com o Decreto-Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro. H. VALOR PATRIMONIAL É uma rocha comum no contexto da Geologia de Portugal. É a rocha mais frequente nesta região. A obra mais emblemática onde foi utilizada como matéria-prima o granito cinza extraído das pedreiras de Gonça é sem dúvida o mosteiro de São Torcato, onde se presta o culto a São Torcato. Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 7

GRUPAMENTO DE ESCOLAS I. INTERESSE ECONÓMICO É uma rocha utilizada na indústria extractiva para britas e utilizada como rocha ornamental, nos pavimentos de calçadas, ruas ou revestimento de edifícios. J. BIBLIOGRAFIA FERREIRA, N.; DIAS, G.; LETERRIER, J & NUNES, J. (1993). Rochas ígneas hercínicas da região de Braga Vieira do Minho (NW de Portugal): cartografia geológica, tipografia granítica e petrogénese. Museu e Laboratório Minerológico e Geológico, Universidade do Porto, Memória nº 3, p. 45-49. G. Dias; P.P. SirnGesl; N. Ferreira & J. Leterrier (2002). Mantle and Crustal Sources in the Genesis of Late-Hercynian Granitoids (NW Portugal): Geochemical and Sr-Nd Isotopic Constraints. Gondwana Research, V 5, No. 2, pp. 287-305. Sítio da Britaminho - http://www.britaminho.com (acedido em 24 de Fevereiro de 2010) K. AGRADECIMENTOS À Britaminho, especialmente ao senhor Alexandre que nos acompanhou na visita às pedreiras e que sem ele nada disto poderia ser feito. Aos alunos João Relvas e Artur Silva pelo acerbo de rochas que doou à escola. Escola Básica 2,3 Vale de São Torcato Página 8