Doenças Parasitárias



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V e t e r i n a r i a n D o c s Doenças Parasitárias Helmintoses de Eqüinos Parasitas de Estômago -Draschia megastoma -Habronema micróstoma -Habronema muscae Nematódeos -Trichostrongylus axei Parasitas de Intestino Delgado -Parascaris equorum -Strongyloides westeri Nematódeos -Anoplocephala perfoliata -Anoplocephala magna -Paranoplocephala mamillana Cestódeos Parasitas de Intestino Grosso -Strongylus vulgaris -Strongylus equinus -Strongylus edentatus -Triodontophorus spp -Oxyuris equi Grandes Estrongilídeos Pequenos Estrongilídeos Parasitas de Pulmões 1

-Dictyocaulus sp 1-Parasitas de Intestino Delgado 1.1 Parascariose: pertencente à classe Nematoda, ordem Ascaridida, família Ascarididae, e espécie Parascaris equorum. -Localização: intestino delgado -HD: eqüinos Forma imatura tem imigração para o fígado, pulmões, causando inflamação e pneumonia respectivamente. Forma adulta causa obstrução, hipoalbuminemia, enterite e até perfuração (peritonite). -Respiratórios: taquipnéia e dispnéia, tosse -Febre -Anorexia s -Emagrecimento -Diarréias e Cólicas -Pêlos opacos (pela deficiência protéica) -Coproparasitológico pelo método de flutuação. -Necrópsia (pesquisa de indivíduos adultos). -Piperazina: 88mg/kg -Mebendazole: 10mg/kg -Albendazole: 5mg/kg -Ivermectina: 0,2mg/kg 1.2-Estrongiloidose: pertencente à classe Nematoda, ordem Rhabditida, família Strongyloididae, gênero Strongyloides, e espécie Strongyloides westeri. 2

-Localização: intestino delgado -HD: eqüinos *Transmissão cutânea: importante para animais jovens (potros lactentes), infecções moderadas não é patogênico, e infecções severas leva à morte. *Migração pulmonar: causando hemorragias *Transmissão para o potro se dá principalmente pelo leite - Patogenia: -Experimentalmente 100.000 larvas produzem enterite e lesões macroscópicas -Adultos: causam inflamação da mucosa, com atrofia das vilosidades (causando uma diminuição da absorção). : -Diarréia -Enterite -Perda de Peso -Hemorragia pulmonar (migração pulmonar). -Coproparasitológico pelo método de flutuação e técnica de MacMaster (ovo larvado). -Profilaxia tático de éguas antes do parto. E este tratamento também é estratégico, pois diminui a infestação ambiental e a taxa de translação larvária. -Mebendazole: 10mg/kg -Albendazole: 5mg/kg -Pirantel: 6,6mg/kg -Ivermectina: 0,2mg/kg 3

1.3-Anoplocephala magna e A. perfoliata: pertencente à classe Cestoda, ordem Cyclophyllidae, família Anoplocephalidae, gênero Anoplocephala e espécie Anoplocephala magna e Anoplocephala perfoliata: : : -Localização: intestino delgado -HD: eqüinos -HI: ácaros de vida livre -A. perfoliata é a mais comum e a mais patogênica, causando: -Obstrução intestinal -Hematomas na mucosa -Espessamento de mucosa -Perfuração de intestino (peritonite) -Erosão intestinal -Úlceras : -Em animais jovens: retardo do crescimento, perda de peso, pêlos arrepiados e quebradiços. *Em casos crônicos pode-se ter anemia -Em animais adultos: não se observa sinais clínicos, a não ser em infecções maciças e pode-se ter perfuração da parede intestinal (cólicas) : -Coproparasitológico pelo método de flutuação (ovo com aparelho piriforme internamente) : -Necropsia (pesquisa de indivíduos adultos) -Praziquantel: 10mg/kg -Pirantel: 13,2mg/kg -Oxifendazole: 10mg/kg 4

-Mebendazole: 20mg/kg 2-Parasitas de Intestino Grosso 2.1-Estrongiloses: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Strongylidae, gênero Strongylus e espécies Strongylus vulgaris, S. equinus e S. edentatus. -Localização: intestino grosso (ceco e cólon) -HD: eqüinos -L3 é a larva infectante *A diferenciação entre espécies se faz pelo cultivo de larvas -Adultos: são hematófagos e causam hemorragias (anemia), ulcerações, espessamento de mucosa, enterite catarral hemorrágica. -Larvas: -S. vulgaris: migra até artéria mesentérica ou artéria ilíaca (causa arterite, tromboembolismo) -S. equinus: migra para a cavidade peritoneal e fígado -S. edentatus: migra para o fígado e para o ligamento hepático -Pirantel: 6,6mg/kg -Avermectinas (Ivermectina: 0,2mg/kg) -Benzimidazóis (Albendazole: 5mg/kg, Fembendazole: 7,5mg/kg) 2.2-Estrongiloses: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Strongylidae, gênero Triodontophorus e espécie Triodontophorus sp. -Localização: intestino grosso -HD: eqüinos -Pirantel: 6,6mg/kg 5

-Avermectinas (Ivermectina: 0,2mg/kg) -Benzimidazóis (Albendazole: 5mg/kg, Fembendazole: 7,5mg/kg) 2.3-Oxiurose: pertencente à classe Nematoda, ordem Ascaridida, família Oxyuridae e espécie Oxyuris equi. -Localização: intestino grosso (ceco e cólon) -HD: equinos -Transmissão: água, alimentos e instalações -L3 é a larva infectante -Erosão da mucosa intestinal -Prurido intenso (infecção bacteriana secundária) -Perda de pêlos na região perianal -Falta de apetite -Inquuietação *Pequeno número de larvas não são patogênicos e adultos geralmente não são patogênico, apenas infecções maciças por larvas são patogênicas. -Prurido intenso na região perianal. -Fita gomada (ovo elíptio com um opérculo) *pesquisa de ovos em fezes é difícil -Mebendazole: 10mg/kg -Fembendazole: 7,5mg/kg -Pirantel: 6,6mg/kg -Ivermectina: 0,2mg/kg -Moxidectina: 0,4mg/kg 6

3-Parasitas de Estômago 3.1-Habronemose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Habronematidae, gênero Habronema e espécie Habronema microstoma e Draschia megastoma. -Localização: estômago -HD: eqüinos -HI: moscas -Ciclo Biológico É um ciclo indireto; usando como vetores a mosca doméstica (Musca domestica) e a mosca dos estábulos (Stomoxys calcitrans). As larvas (L-1) e ovos da habronema saem junto com as fezes dos eqüinos e as moscas colocam seus ovos sobre essas fezes. As larvas de moscas eclodem e ingerem as L-1 da Habronema. Temos então o desenvolvimento concomitante da mosca e da larva. Cerca de 2 semanas mais tarde temos as L-3 nas moscas adultas. Essas moscas ao pousarem em feridas abertas na pele do eqüino depositam as larvas e temos a denominada habronemose cutânea. Por outro lado estas moscas podem colocar suas larvas na boca ou próximo à boca do animal, neste caso as larvas ou mesmo a própria mosca pode ser deglutida. No tubo digestivo do eqüino há a digestão da mosca e a L3 é liberada no estômago e penetra nas glândulas estomacais sofrendo a muda para L4 e depois voltam à luz, onde fazem a muda para L5 e atingem a maturidade. Após 2 meses temos o verme adulto no estômago ocasionando a habronemose gástrica. Em casos de infestação acentuada podemos ter a habronemose pulmonar. Se o parasita for depositado na cavidade ocular teremos a habronemose conjuntival. -Habronemose cutânea: Evolução errática que ocorre muito nos trópicos (principalmente no verão - por isso é chamada de ferida de verão) onde a mosca pousa em feridas na pele dos eqüinos e as L3 ficam migrando pela pele causando hipersensibilização e com a resposta do hospedeiro, a ocorrência de formação de tecido conjuntivo causando prurido. Tem aspecto tumoral podendo depreciar e até inutilizar o animal. OBS.: Pode ocorrer ainda habronemose pulmonar e até ocular, mas são bem mais raras. -Habronemose gástrica: gastrite catarral crônica (formação de grande quantidade de muco), formação de nódulos ou tumores. 7

-Habronemose pulmonar: nódulos peribronquiais -Habronemose cutânea: migração das larvas (irritação que dificulta a cicatrização), inflamação (prurido), invasão micótica ou bacteriana -Habronemose gástrica: maioria é assintomática, mas podem ocasionar apetite irregular, náuseas, emagrecimento, cólicas -Habronemose cutânea: feridas de coloração castanho-avermelhada, prurido, exsudato, regride no inverno e recidiva no verão -Habronemose gástrica: lavagem gástrica com bicarbonato de sódio à 2%, filtrar e sedimentar. Técnica de Baermann ou Xenodiagnóstico (verificar se há L1 na probóscide da mosca). -Habronemose cutânea: biópsia -Habronemose gástrica e cutânea: -Ivermectina: 0,2mg/kg V.O -Moxidectina: 0,4mgkg V.O -Triclorfon: 20-30mg/kg V.O -Habronemose cutânea: -Triclorfon: 5% tópico -Repelentes e bandagens 3.2-Tricostrongilose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Trichostrongylidae, gênero Trichostrongylus e espécie Trichostrongylus axei. -Localização: estômago -HD: ruminantes e equinos -L3 é a larva infectante *Importante em criações mistas (bovinos e equinos juntos) 8

-Hiperemia de mucosas -Inflamação catarral com necrose -Erosão ou inflamação do epitélio -Espessamento da mucosa : -Cólica -Diarréia escura (sangue) -Desidratação e anemia -Perda de peso -Mebendazole: 10mg/kg -Fembenzadole: 7,5mg/kg -Pirantel: 6,6mg/kg -Ivermectina: 0,2mgkg -Moxidectina: 0,4mg/kg -Coproparasitológico, pelo método de flutuação (técnica de McMaster) 4-Parasitas de Pulmões 4.1-Dictiocaulose: pertencem a classe Nematoda, ordem Strongylida, família Dictyocaulidae e espécie Dictyocaulus arnfield. -Localização: brônquios e bronquíolos -HD: bovinos e eqüinos -Enfisema e atelectasia -Irritação das vias aéreas -Produção de exsudato rico em eosinófilos obstrução e brônquios e bronquíolos 9

-Edema pulmonar -Aspiração dos ovos para os alvéolos e reação inflamatória -Proliferação epitélio alveolar (metaplasia) e formação de membrana hialina -Aguda (jovens) -Principalmente em animais jovens -Tosse, corrimento nasal, dispnéia -Anorexia, emagrecimento, anemia -Morte por anóxia -Crônica (adultos) -Tosse, dispnéia e letargia -Anti-helmínticos dos grupos I (benzimidazóis), II (imidazotiazóis e pirimidinas) e V (avermectinas). Controle 1-Estudos Epidemiológicos: verificar qual o tipo de parasito existente na propriedade e qual o grau de infecção 2-Verificar a eficácia das drogas (resistência): fazendo exame de fezes (OPG > 300), cultivo de larvas antes e pós-tratamento. Fazer o rodízio anual de anti-helmínticos. 3-Higiene de estábulos (retirada das fezes frescas) e desinfecção (fenol 5%) 4-Pastejo alternado (para interromper o ciclo dos parasitos) 5: -Potros: 2 em 2 meses -Adultos: 3 em 3 meses -Fêmeas gestantes: aos 3, 6 e 9 meses de gestação. 10

Helmintoses de Suínos 1-Parasitas de Intestino Delgado 1.1-Ascaridíase: pertencente à classe Nematoda, ordem Ascaridida, família Ascarididae e espécie Ascaris suum. -Localização: intestino delgado -HD: suínos -Ovos com L2 são a forma infectante -Ciclo biológico: animal ingere L2 que perfura o intestino delgado e cai na corrente sanguínea, transformando-se em L3, chega até o fígado (manchas de leite), perfuram o esôfago e são deglutidas. *Não tem infecção transplacentária e/ou transmamária *Pode ocorrer imigração errática *Podem ter ciclo pulmonar -Larva: migração para pulmões (reação inflamatória), para o fígado (lesões no fígado manchas de leite ), para os rins (nefrite) e para o SNC. -Adulto: migração para o estômago (vômitos), irritação da mucosa intestinal e obstrução intestinal. -Perda de peso e apetite -Febre -Ventre aumentado -Epilepsia -Cólicas -Vômito -Pela sintomatologia -Necropsia (pesquisa de parasitas adultos) e manchas de leite no fígado 11

-Coproparasitológico pelo método de flutuação -Piperazina: 75 100mg/kg -Pirantel: 800g/tonelada de alimento -Fembendazole: 3-25mg/kg VO (3 dias) -Ivermectina: 0,3mg/kg SC ou IM -Levamisol: 5 8mg/kg VO *Em casos de pneumonia: Levamisol e Ivermectina -Profilaxia -Administração de anti-helmínticos -Higienização das mães -Boa nutrição dos animais -Piso das pocilgas (em concreto), dentro das normas técnicas para escoamento de dejetos. -Evitar instalações com umidade. 1.2-Estrongiloidose: pertencente à classe Nematoda, ordem Rabditida, família Strongyloididae e espécie Strongyloides ransomi. -Localização: intestino delgado -HD: suínos *Mais comum em animais jovens -Larva: dermatite, congestão local, erosão epitelial, congestão e hemorragia (nos pulmões), febre e pneumonia (em infecções maciças). -Adultos: perturbações gastrointestinais (enterite crônica à hemorrágica). -Eritema e dermatite (local de penetração da larva) -Corrimento nasal, febre e tosse (na migração larval) 12

-Diarréia (mucóide à sanguinolenta), dor abdominal, timpanismo, anorexia, perda de peso (infecção por indivíduos adultos) -Clínico -Coproparasitológico pelo método de flutuação (ovos larvados) -Benzimidazóis -Levamisol -Ivermectina *Ivermectina 4-16 dias antes do parto para evitar a infecção transplacentária. 1.3-Trichinelose: pertencente à classe Nematoda, ordem Enoplida, família Trichinellidae, gênero Trichinella e espécie Trichinella spiralis. -Localização: intestino delgado (adultos) e musculatura (larvas) -HD: todos mamíferos, aves e répteis *HD funciona como HI (hospedeiro completo) *Zoonose -Miosite -Biopsia muscular (triquinoscópio) -Imunodiagnóstico ELISA -Não há tratamento se as larvas já estiverem encistadas nos músculos 1.4-Teníase: pertencente à classe Cestoda, ordem Cyclophyllidea, família Teniidae e espécie Taenia solium. 13

-Localização: intestino delgado (HD) e musculatura e cérebro (HI larvas cisticercos) -HD: homens -HI: suínos e também cães, gatos, ruminantes e eqüinos. *Ingerindo-se a carne infectada se tem o desenvolvimento do animal adulto *Ingerindo-se o ovo tem-se o desenvolvimento da larva (cisticercose) *Suínos se infectam com água e alimentos contaminados com ovos. O cisticerco demora 3 meses para se formar a partir da ingestão da larva. *O homem pode se infectar pela ingestão acidental de ovos de T.solium ou por retroperistaltismo até o estômago (auto-infecção) de oncosferas liberadas após a digestão de proglótide grávida. : -Cisticerco na carcaça (HI) -Teste de ELISA -Não há tratamento eficaz que elimine os cisticercos de suínos, usa-se praziquantel. -Profilaxia -Inspeção de carnes (masseter, língua, coração, diafragma e outras massas musculares) -Carcaças parasitadas devem ser tratadas ou um destino adequado, levando-se em consideração o grau de infecção: pelo frio. pelo calor (carne industrial) -Salga -Educação sanitária: orientar a população para o consumo de carne inspecionada, diminuir consumo de carne crua ou mal passada, esclarecer sobre a importância do destino adequado das excretas. 1.5-Macracanthorhynchus hirudinaceus: pertencente ao filo Acanthocephala, classe Archiacanthocephala, família Oligocanthorhynchidae, gênero Macracanthorhynchus e espécie Macracanthorhynchus hirudinaceus. 14

-Localização: intestino delgado -HD: suínos -HI: besouros -Inflamação da mucosa (pela fixação da probóscide) -Formação de granulomas na parede do intestino delgado -Anorexia -Perda de peso -Dores abdominais -Diarréia -Peritonite -Profilaxia -Necropsia -Coproparasitológico, pelo método de sedimentação -Levamisol -Ivermectina -Anti-helmínticos -Limpeza das pocilgas (retirada de fezes) -Evitar acesso dos besouros aos criadouros. 2- Parasitas de Pulmões: 2.1-Metastrongilose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Metastrongylidae e espécies Metastrongylus apri, M. salmi e M. pudendotectus. : 15

-Localização: traquéia, brônquios e bronquíolos -HD: suínos -HI: minhocas -Nutrição: exsudato inflamatório do trato respiratório -Forma Larval: petéquias nos pulmões -Forma Adulta: pneumonia (obstrução dos pulmões), atelectasia, morte dos parasitos (encapsulamento) -Tosse -Profilaxia: -Corrimento nasal -Perda de peso -Distúrbios respiratórios -Necropsia (presença de parasitas e lesões características) -Coproparasitológico, pelo método de flutuação -Isolamento dos animais parasitados com anti-helmínticos -Desinfecção das pocilgas -Impedir o contato do suínos com o HI (minhoca), mantendo-os confinados e dando destino adequado aos dejetos. -Benzimidazóis (Fembendazole: 20-30mg/kg VO -Levamisol: 7,5mg/kg IM -Ivermectina: 300mcg/kg (0,3mg/kg) 3-Parasitas de Estômago 16

3.1-Hiostrongilose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Trichostrongylidae, gênero Hyostrongylus e espécie Hyostrongylus rubidus. -Localização: estômago -HD: suínos -L3 larva infectante -Ulcerações no tecido glandular -Aumento do ph (maior propensão à infecções secundárias) -Gastrite -Infecção mista -Pele e mucosas pálidas -Diminuição do apetite -Anemia -Vômitos -Dor abdominal -Diarréia com estrias de sangue -Clínico -Coproparasitológico pelo método de flutuação *Diferencial pelo cultivo de larvas -Profilaxia com anti-helmínticos -Exames coproparasitológicos regulares -Higiene nas instalações 3.2-Tricostrongilose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Trichostrongylidae, gênero Trichostrongylus e espécie Trichostrongylus axei. 17

-Localização: estômago -HD: ruminantes e equinos -L3 é a larva infectante *Só aparece em suínos quando se tem contato com ruminantes e/ou equinos na propriedade. *Importante em criações mistas (bovinos e equinos juntos) -Hipermia de mucosas -Inflamação catarral com necrose -Erosão ou inflamação do epitélio -Espessamento da mucosa -Cólica -Diarréia escura (sangue) -Desidratação e anemia -Perda de peso -Mebendazole: 10mg/kg -Fembenzadole: 7,5mg/kg -Pirantel: 6,6mg/kg -Ivermectina: 0,2mgkg -Moxidectina: 0,4mg/kg 4-Parasitas de Intestino Grosso 4.1-Tricuriose: pertencente à classe Nematoda, ordem Enoplida, família Trichuridae, gênero Trichuris e espécie Trichuris suis. -Localização: intestino grosso (ceco e cólon) 18

*Não existe Capillaria sp. em suínos -HD: suínos -Destruição da área intestinal parasitada -Colite (inflamação do intestino grosso) -Tiflite (inflamação do ceco) -Hemorragia (ceco e cólon) -Anemia (pela secreção de substância hemolítica produzida pelas glândulas esofagianas) -Anemia -Diarréia -Anorexia -Profilaxia -Perda de peso -Sintomatologia -Necropsia -Coproparasitológico pelo método de flutuação -Benzimidazóis -Ivermectina -Levamisole -Higiene sanitária -Uso de anti-helmínticos -Boa nutrição dos animais -Piso das pocilgas (em concreto), dentro das normas técnicas pra o escoamento adequado dos dejetos. 19

-Evitar instalações com umidade 4.2-Oesofagostomose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Charbetidae, gênero Oesophagostomum e espécies Oesophagostomum dentatum e O. quadrispenulatum. -Localização: intestino grosso -HD: suínos -Ciclo Biológico: o hospedeiro definitivo ingere a L3 e essa entra na mucosa de qualquer parte do intestino delgado ou grosso e ficam envoltos em nódulos evidentes, onde se dá a muda para L4 e essas emergem para a superfície da mucosa e migram para o cólon e se desenvolvem até adultos. -Ciclo de Vida livre: os ovos são eliminados nas fezes e no meio ambiente, de acordo com condições de umidade e temperatura, irão se desenvolver. No solo o ovo se rompe e a L1 em locais de alta umidade (solo úmido e vegetação densa ) cresce e troca de cutícula indo então a L2, que cresce e ao fazer a muda para L3 essa retém sua cutícula e forma outra, possuindo assim uma cutícula dupla e mais rugosa, e ainda possui uma cauda que oferece uma maior motilidade. Essa L3 então contamina as pastagens e águas próximas. -Enterite -Ação do peristaltismo (nódulos) -Síndrome da má absorção -Diminuição do apetite e do peso -Diarréia (muco e sangue) -Anemia -Identificação dos adultos -Coproparasitológico é difícil (deve-se fazer o cultivo das larvas larva de cauda longa) 20

-Tiabendazole: 50-100mg/kg -Levamisol: 5mg/kg SC ou 8mg/kg VO -Fembendazole: 5mg/kg por 6 dias Tratamento -Após desmame até 10 dias e antes do abate; -Benzimidazóis e ivermectina são altamente efetivos contra adultos e formas imaturas (larvas hipobióticas) de Hyostrongylus ; -Ivermectina tem sido efetiva contra adultos de Ascarops. Helmintoses de Aves -Maior importância em criações extensivas -Em criações intensivas há o impedimento do contato entre as aves e os hospedeiros intermediários 1-Parasitas de Olhos 1.1-Oxispirurose: pertencente à classe Nematoda ordem Spirurida, família Thelaziidae, gênero Oxyspirura e espécie Oxyspirura mansoni. -Localização: saco conjuntival e seios nasais -HD: aves -HI: baratas -Conjuntivite -Cegueira 21

-Lacrimejamento e secreção -Aderência de pálpebras 2-Parasitas de Traquéia 2.1-Singamose: pertencente à classe Nematoda, ordem Strongylida, família Syngamidae, gênero Syngamus e espécie Syngamus trachea. -Localização: traquéia -HD: aves -HI: minhocas -Tosse -Profilaxia -Bico entreaberto e pescoço esticado tentando reter o ar -Dificuldade respiratória -Perda de apetite e emagrecimento -Os pássaros tentam expulsar os parasitos sacudindo muito a cabeça -Morte por sufocação -Separar aves jovens de adultas -Isolar as aves parasitadas -Sacrifício -Combater o hospedeiro intermediário -Uso de anti-helmínticos -Limpeza do galinheiro -Tiabendazole -Fembendazole -Flubendazole 22

-Levamisole 3-Parasitas de Pró-Ventrículo 3.1-Tetrameriose: pertencente à classe Nematoda, ordem Spirurida, família Tetrameridae e espécie Tetrameres confusa. -Localização: pró-ventrículo -HD: aves -HI: gafanhotos, baratas e crustáceos terrestres -Úlceras -Hemorragias -Edema e obstruções -Diarréia -Anemia : -Emagrecimento -Necropsia 4-Parasitas de Esôfago 4.1-Capilariose: pertencente à classe Nematoda, ordem Enoplida, família Capillariidae, gênero Capillaria e espécie Capillaria dujardini e Capillaria annulata. -Localização: Capillaria dujardini (intestino delgado) e Capillaria annulata (inglúvio, papo e esôfago) -HD: pombos, galinhas e perus -HI: minhocas -Diarréia 23

-Emagrecimento -Baixa produção de ovos -Necropsia (raspagem de mucosas) -Coproparasitológico pelo método de flutuação 5-Parasitas de Intestino Delgado (Nematódeos) 5.1-Ascaridiose: pertencente à classe Nematoda, ordem Ascaridida, família Heterakidae e espécie Ascaridia galli e Ascaridia columbae. -Localização: intestino delgado -HD: aves *A. galli não ocorre migração, mas o A. columbae tem migração -Depende da idade, do estado físico e da carga parasitária da ave -Congestão -Hemorragia da mucosa intestinal -Peritonite -Anemia -Perda de peso -Necropsia -Coproparasitológico pelo método de flutuação. 5-Parasitas de Intestino Delgado (Cestódeos) 5.2- Davainea sp: pertencente à classe Cestoda, ordem Cyclophyllidae, família Davaineidae, gênero Davainea e espécies Davainea proglottina. : -Localização: intestino delgado 24

-HD: aves -HI: moluscos gastrópodes *Larva cisticercóide em gastrópodos -Penetram na mucosa e na submucosa (enterite hemorrágica) -Diarréia sanguinolenta -Emagrecimento -Penas arrepiadas -Caquexia -Laboratorial (raspado de mucosa) -Coproparasitológico pelo método de sedimentação (proglótides nas fezes) 5.3-Raillietina sp: pertencem à classe Cestoda, ordem Cyclophyllidae, família Davaineidae, gênero Raillietina e espécies Raillietina tetragona, R. cesticillus e R. echinobothrida. -Localização: intestino delgado -HD: aves -HI: insetos (mosca e formigas) -Ovos com cápsula externa (cápsula ovígera): R. tetrágona possui mais de um ovo dentro da cápsula e a R. cesticillus possui apenas 1 ovo dentro da cápsula. *Larva cisticercóide em insetos -Penetram na mucosa e na submucosa (formação d enódulos) -Diarréia sanguinolenta 25

-Emagrecimento -Penas arrepiadas -Caquexia -Pesquisa se proglótides nas fezes (difícil) -Coproparasitológico pelo método de sedimentação -Praziquantel/Oxybendazole: 10mg/kg dose única -Febantel: 30mg/kg dose única 5.4-Hymenolepis carioca: pertencem à classe Cestoda, ordem Cyclophyllidae, família Hymenolepedidae, gênero Hymenolepis e espécie Hymenolepis carioca e Hymenolepis cantaniana. -Localização: intestino delgado -HD: aves -HI: insetos *Larva cisticercóide nos insetos -Lesões no intestino delgado e enterite -Tristeza -Perda de apetite -Diarréia -Pesquisa de proglótides nas fezes -Coproparasitológico pelo método de sedimentação Geral Cestódeos -Fembendazole: 100ppm durante 4/5 dias no alimento 26

-Flubendazoel: 60ppm durante 7 dais no alimento -Mebendazole: 60ppm durante 7 dais no alimento -Praziquantel: 6mg/kg dose única no alimento -Profilaxia Geral Cestódeos -Controle de hospedeiros intermediários -Inseticidas contra moscas e formigas -Rotação de piquetes para controle de minhocas e besouros (porque são de difícil controle). -Limpeza e desinfecção dos galinheiros (produtos fenólicos como base). 6-Parasitas de Intestino Grosso 6.1-Heterakis gallinarum: pertencente à classe Nematoda, ordem Ascaridida, família Heterakidae e espécie Heterakis gallinarum. -Localização: intestino grosso (ceco) -HD: aves -HP: minhoca *Os ovos podem ser veiculadores do protozoário (Histomonas meleagrides), causador da enterohepatite dos perus. -Pouco patogênica -Com elevada carga parasitária, pode-se ter o espessamento da mucosa e hemorragia petequiais da mucosa -Necropsia -Coproparasitológico pelo método de flutuação Geral -Mebendazole: pássaros e pequenas aves, incorporar à ração na proporção de 0,06% da dieta (1 envelope de 30g em 50kg de ração) e oferecer 10 dias consecutivos. -Piperazina (para ascarídeos) 27

-Levamizole -Profilaxia para Nematódeos -Impedir o acesso aos hospedeiros intermediários (HI) -Impedir a criação diversificada (peru, ganso e galinhas) -Limpeza regular dos galinheiros -Administração de anti-helmínticos Avestruzes e Emas -Profilaxia -São animais mais sensíveis -É aconselhável separar machos de fêmeas -Colheita de fezes (limpeza) -Administração de anti-helmínticos em todas as aves -Indicados: Ivermectina e Fembendazole -Contra-indicados: Tiabendazole (tóxico, afeta SNC), Mebendazole (tóxico), Levamisole (causa problemas gastrointestinais), Piperazina e Pirantel 28

Referências Bibliográficas FORTES, Elinor. Parasitologia Veterinária. 2ªed. Porto Alegre, Sulina, 1993. 29