CIÊNCIA E RELIGIÃO: COMO (RE)CONCILIÁ-LAS

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Transcrição:

CIÊNCIA E RELIGIÃO: COMO (RE)CONCILIÁ-LAS Enézio E. de Almeida Filho MSc História da Ciência PUC-SP 2008 Sociedade Brasileira do Design Inteligente Campinas, SP neddybr@gmail.com

ESTRUTURA DA PALESTRA INTRODUÇÃO I Conflito II Independência III Diálogo IV Integração V Considerações parciais VI Posfácio nada sério

Esta instituição será baseada na liberdade ilimitada da mente humana. Pois aqui nós não temos medo de seguir a verdade aonde ela for dar, nem tolerar qualquer erro enquanto a razão for livre para combatê-lo. Thomas Jefferson (1743-1826), ao fundar a Universidade da Virgínia.

O grande inimigo da verdade, muito frequentemente, não é a mentira deliberada, elaborada e desonesta mas o mito persistente, persuasivo e repetido. Presidente John F. Kennedy (1917-1963), discurso de formatura na Universidade Yale, em 11 de junho de 1962.

O grande conflito do século 21 será entre a civilização moderna e os antimodernistas; entre aqueles que acreditam na ciência, razão e lógica e aqueles que creem que a verdade é revelada através das Escrituras e do dogma religioso. Robert B. Reich, ex-secretário de Trabalho de Bill Clinton, in The American Prospect, julho de 2004.

O maior de todos os mitos na história da ciência e religião afirma que elas têm estado em um estado de conflito constante. Ronald L. Numbers, Galileo Goes to Jail: And Other Myths About Science and Religion (Harvard Univ. Press, 2009), p. 1.

INTRODUÇÃO Existe conflito entre a ciência e a religião? Somente a ciência é a única forma de conhecimento? A religião não teria nenhuma validade em suas afirmações sobre o universo e a vida? E o que motiva essa guerra cultural entre a ciência e religião? Ian Barbour (1923-2013), professor emérito do Carleton College (Northfield, Minnesota), foi professor de Física e Religião. Apesar de não ser o único acadêmico a lidar com a controvérsia ciência vs religião, seus estudos servem de marco fundamental nas pesquisas desta área acadêmica importante. Esta palestra é baseada en passant na sua linha mestra de pesquisas: a tipologia quádrupla do binômio ciência e religião Conflito, Independência, Diálogo e Integração.

1965 1997 Ian G. Barbour 1923-2013 1974 2004

I CONFLITO

O primeiro modelo de Barbour é o que é mais comumente observado e reportado na Grande Mídia e nas redes sociais como o Facebook: conflito. O modelo postula, a priori, o conflito entre a ciência e a religião, em que ou a ciência, ou a religião é verdadeira e a outra, necessariamente, é falsa. Na área das origens do universo e da vida, especialmente a evolução e criação, este modelo é empregado pelos lados mais vocais alguns criacionistas dizem que a ciência deve ser falsa porque ela não concorda com a leitura deles da Bíblia, e a maioria dos evolucionistas diz ser a Bíblia falsa porque a ciência da evolução é verdadeira. Há danos colaterais nesta guerra cultural: ninguém com integridade intelectual pode ser teísta e cientista.

Tipologia do Conflito ou Tese Draper-White John William Draper 05/05 de 1811-04/01/1882 Andrew Dickson White 07/11/1832 04/11/1918 Codificada no fim do século 19 por Draper e White. Usa dados seletivos para promover a tese de que a ciência e a religião são mutuamente exclusivas, mas não representativas da maioria dos exemplos culturais que usaram. Afirma que a ciência e a religião fazem declarações literais rivais sobre o mesmo domínio, e as pessoas precisam escolher entre elas. Os dois lados concordam que uma pessoa não pode crer em Deus e na evolução. Usa a retórica de guerra. A Grande Mídia promove esta tipologia.

II INDEPENDÊNCIA

O segundo modelo é o de independência (contraste, para alguns), que afirma que tanto a ciência como a religião podem ser verdadeiras, desde que se mantenham nos seus respectivos domínios. Novamente na área da evolução e criação, este modelo é relativamente comum na mídia e é o favorito dos religiosos acomodacionistas que também aceitam a ciência por detrás da evolução. A ciência diz COMO (processos evolutivos) e a religião nos diz POR QUE (Deus, agente por detrás da criação) e quaisquer outros usos das duas seriam inapropriados.

A ciência e a religião podem ser distinguidas pelas perguntas que fazem, os domínios que elas se referem, e os métodos que elas empregam. Cada modo de inquirição é seletivo e tem suas limitações. A compartmentalização é motivada não simplesmente pelo desejo de evitar conflitos desnecessários, mas também pelo desejo de ser fiel ao caráter distintivo de cada área de vida e pensamento.

Quem propôs o NOMA (Nonoverlapping magisteria Magistérios não interferentes) na Academia foi Stephen Jay Gould (10 de setembro de 1941 20 de maio de 2002), paleontólogo da Universidade de Harvard, co-autor com Niles Eldredge, da teoria do equilíbrio pontuado. http://www.colorado.edu/physics/phys3000/phys3000_fa11/stevenjgoulldnoma.pdf

III DIÁLOGO

O terceiro modelo proposto por Barbour é o de interação da ciência e religião o diálogo. Neste modelo, a ciência e a religião são interlocutoras nas áreas mencionadas acima, e para os quais as duas afirmam conhecimento. Este modelo não é tão comum na Grande Mídia, embora seja aquela que alguns cientistas e religiosos estão promovendo na área de estudos especializados de ciência e religião. Ex.: 1 st World Congress on Logic and Religion Joao Pessoa, PB. April 1-5, 2015 http://www.uni-log.org/logic-and-religion-1.html

Embora este modelo pareça realmente muito bom, ele não é fácil de ser posto em prática porque, no mínimo, exige respeito mútuo entre cientistas e teólogos, e no máximo, exige treinamento acadêmico para que haja diálogo entre ciência e religião, e há muito poucas pessoas versadas adequamente nas duas áreas. Alguns consideram este modelo melhor do que os de conflito e independência, porque dá respeito à ciência e à religião, e considera a verdade como holística e englobando as duas visões e estilos disciplinários.

IV INTEGRAÇÃO

O quarto modelo é o da integração. Este modelo considera o diálogo e a conversação muito além e afirma que a verdade da ciência e da religião pode ser integrada em um todo muito mais completo. Este modelo pode ser exemplificado pela obra de Pierre Teilhard de Chardin que tentou integrar a evolução e a fé cristã, pelo menos algumas partes como a redenção e a perfeição consideradas pelo seu Ponto Ômega. 1881-1955

Novamente o debate de criação e evolução, este modelo é também muito comum na Grande Mídia, e é o favorito dos cristãos acomodacionistas que aceitam a Bíblia e também aceitam a ciência por detrás da evolução. Deus é o Criador e o POR QUE por detrás da natureza, e a evolução é o COMO. EXEMPLO RECENTE: O TESTE DA FÉ ED. ULTIMATO Dra. Ruth Bancewicz

V CONSIDERAÇÕES FINAIS Pela visão de Barbour da interação da ciência e religião, nós temos quatro modelos: conflito, independência, diálogo, e integração. Qual deles é o mais apropriado? Você já tinha pensado a respeito disso? Você considera que identificar e discutir esses modelos seja a maneira mais apropriada de se discutir as questões entre a ciência e a religião? É possível (re)conciliar a ciência e a religião? Como (re)conciliar a ciência e a religião? Tarefa para os dois lados se sentar e buscar esses caminhos

VI - POSFÁCIO NADA SÉRIO

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA BARBOUR, Ian G. Quando a Ciência Encontra a Religião: inimigas, estranhas ou parceiras? São Paulo: Cultrix, 2004. BEHE, Michael J. A caixa preta de Darwin - O desafio da bioquímica à teoria da evolução. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997. JOHNSON, Phillip E. Darwin no banco dos réus. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. McGRATH, Alister E. Fundamentos do diálogo entre ciência e religião. Trad. Jaci Maraschin. São Paulo: Loyola, 2005. PEARCEY, Nancy r. e THAXTON, Charles B. A alma da ciência Fé cristã e filosofia natural. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. PEARCEY, Nancy R. Verdade Absoluta: libertando o Cristianismo de seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

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