ALIMENTOS IMPACTOS DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.

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Transcrição:

ALIMENTOS IMPACTOS DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Hamilton Teixeira 1 O Códex Processual de 2015 trouxe nova roupagem às relações jurídicas, buscando afastar certa cultura enraizada do litígio e longas demandas processuais, colocando em foco os chamados meios alternativos de resolução de conflitos. Muito se atribuiu ao Direito de Família, neste novo momento, como direito de transição, interdisciplinar, que busca sempre meio consensual para compor suas lides, afastando a litigiosidade. Sobre o tema, palavras do Defensor Público do Estado de São Paulo Dr. Renato Campos Pinto de Vitto, em artigo intitulado O uso dos meios alternativos de resolução de conflitos e a atuação interprofissional na Defensoria Pública: o novo enfoque do acesso à justiça na LC 132/2009, inserido na obra UMA NOVA DEFENSORIA PÚBLICA PEDE PASSAGEM : Todo processo colaborativo de resolução do conflito agrega um potencial didático e transformador para as partes nele envolvidas, além de ter condições mais propícias para a sua pacificação do que um sistema rígido e formalista em que a resposta é adjudicada unilateralmente pelo Estado- Juiz. Ademais, a superação de uma postura adversarial, que é privilegiada no sistema formal de Justiça, muito pode colaborar na construção de uma cultura de paz que se busca para o terceiro milênio. (2011, p. 222). Torna-se objetivo claro do legislador, a busca por alternativas ao já engessado, moroso e ineficiente judiciário brasileiro, contando com mais de 100 milhões de ações em curso 2, tem-se a cotidiana certeza que o sistema não da conta da 1 Acadêmico do 3 ano do curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso UFMT/FD, campus Cuiabá. 2 http://www.conjur.com.br/2015-set-15/brasil-atinge-marca-100-milhoes-processos-tramitacao

realidade. Os interesses tutelados pela norma, em sua fria literalidade, muitas vezes extravasam as linhas do texto legal, materializando em lides complexas, momento onde há necessária presença de um julgador equilibrado, preparado, e que agora, mais do que nunca, uma figura disposta a cooperar ativamente com o deslinde da relação processual, visando o menor desgaste possível dos envolvidos. A sensibilidade exigida se faz ainda mais impreterível no âmbito do conteúdo abordado, seja pelas características tão especificas e vitais que envolvem os alimentos, seja porque raramente existem circunstâncias serenas em tais momentos. Passadas noções introdutórias, o âmbito de delimitação do presente artigo se restringe à temática das obrigações alimentares no Novo Código de Processo Civil. Se uma palavra poderia definir os novos impactos trazidos pela alteração legislativa, o vocábulo correto seria: rigorosidade. Sabe-se que os alimentos não possuem finalidade exclusivamente patrimonial, sendo obrigação necessária para satisfação de necessidades, e para o provimento de mínimas condições de dignidade aos reclamantes. que: Forte na lição de Orlando Gomes, Carlos Roberto Gonçalves, assevera Alimentos, segundo a precisa definição de ORLANDO GOMES, são prestações para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. Têm por finalidade fornecer a um parente, cônjuge ou companheiro o necessário à sua subsistência. O vocábulo alimentos tem, todavia, conotação muito mais ampla do que na linguagem comum, não se limitando ao necessário para o sustento de uma pessoa. Nele se compreende não só a obrigação de prestá-los, como também o conteúdo da obrigação a ser prestada. A aludida expressão tem, no campo do direito, uma acepção técnica de larga abrangência, compreendendo não só o indispensável ao sustento, como também o necessário à manutenção da condição social e moral do alimentando. 3. 3 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro Direito de Família. 9 ed. São Paulo : Saraiva, 2012. p. 433.

Conclui-se da citação indigitada que a expressão alimentos, desmembra-se em muitas outras demandas pertinentes a subsistência do alimentando, tal como moradia, assistência e acesso à saúde, educação, lazer, dentre outras urgências imprescindíveis. Quantos aos gravames que acometem o devedor de alimentos desde a sexta-feira de 18.03.2015 podem ser assim sistematizados: 1. Prisão Civil Regime Fechado. Não é novidade o regime de cumprimento da prisão civil (inscrita na CRFB/88 em seu art, 5, LXVII), porém o código passar a dispor expressamente sobre questão cotidiana da praxe forense, onde no texto sancionado há inclusão do regime fechado no comando. Mantidos os entendimentos de que a prisão não afasta o débito alimentar, e que após sua quitação, o juiz deverá suspender o cumprimento da ordem de prisão. CPC/1973 Art. 733. Na execução de sentença ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 1.º Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. 2.º O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. 3.º Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. CPC/2015 Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 1 o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. 2 o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. 3 o Se o executado não pagar ou se a justificativa

apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do 1 o, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. 4 o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns. 5 o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. 6 o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. 2. INCORPORAÇÃO DA SÚMULA 309/STJ COMO DISPOSITIVO PRISÃO RELATIVA ÀS TRES ÚLTIMAS PARCELAS VENCIDAS. O preceituado na súmula 309/STJ era de que a prisão civil apenas se daria em função das 03 (três) últimas parcelas, que sejam anteriores ao momento de ajuizamento da execução, bem como as que vencerem no curso do processo. Há apenas inclusão da expressão literal do que regula a súmula, tendo previsão no art. 528, 7. CPC/1973 Sem correspondente CPC/2015 7 o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. 3. PROTESTO DA DECISÃO JUDICIAL NÃO ADIMPLIDA. Inovação de bom alvitre trazida ao NCPC/2015 no 1 do art. 528 é a possibilidade de decretação do protesto da decisão não cumprida, como medida anterior à prisão civil. É indiferente ao procedimento se os alimentos forem fixados de forma definitiva ou provisória. A possibilidade é aberta pelo dispositivo retromencionado, nos moldes do art. 517, que também não possui correspondência no Código derradeiro,

sendo notória inovação. Pondera-se ainda que qualquer decisão transitada em julgado poderá ser passível de protesto. Ainda quanto aos alimentos, necessária estabelecer 2 (duas) exceções: 1) a decisão de alimentos provisórios ou definitivos não necessita do trânsito em julgado para ser protestada; 2) não é necessário requerimento da parte alimentanda, sendo medida de ofício determinada pelo juiz. CPC/1973 Sem correspondência CPC/2015 Art. 517. A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523. 1 o Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de teor da decisão. 2 o A certidão de teor da decisão deverá ser fornecida no prazo de 3 (três) dias e indicará o nome e a qualificação do exequente e do executado, o número do processo, o valor da dívida e a data de decurso do prazo para pagamento voluntário. 3 o O executado que tiver proposto ação rescisória para impugnar a decisão exequenda pode requerer, a suas expensas e sob sua responsabilidade, a anotação da propositura da ação à margem do título protestado. 4 o A requerimento do executado, o protesto será cancelado por determinação do juiz, mediante ofício a ser expedido ao cartório, no prazo de 3 (três) dias, contado da data de protocolo do requerimento, desde que comprovada a satisfação integral da obrigação. Art. 528 (...) 1 o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará

protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. O novo mecanismo de coerção do devedor de alimentos possibilita alternativa louvável, pois devido à alta utilização do crédito para o consumo, um nome sujo ou negativado pode ocasionar grandes dificuldades para a vida financeira do alimentante. 4. POSSIBILIDADE DE DESCONTO EM FOLHO ATÉ 50% DOS RENDIMENTOS PARCELAS VINSCENDAS E VENCIDAS. Em adição ao que já preceituava o artigo 724 do código anterior, o novo Diploma Processual possibilitou o desconto dos vencimentos do devedor (assalariado, pensionistas ou aposentado), em até 50% dos seus vencimentos. CPC/1973 Art. 734. Quando o devedor for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o juiz mandará descontar em folha de pagamento a importância da prestação alimentícia. Parágrafo único. A comunicação será feita à autoridade, à empresa ou ao empregador por ofício, de que constarão os nomes do credor, do devedor, a importância da prestação e o tempo de sua duração. CPC/2015 Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia. 1 o Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. 2 o O ofício conterá o nome e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, o tempo de sua duração e a conta na qual deve ser feito o depósito. 3 o Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito objeto de execução pode ser

descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos. Exemplificando, se um devedor percebe salário de R$2.000,00 (dois mil reais), poderá além do desconto em folha das parcelas mensais (ex.: 30% = 600 reais), sofrer desconto adicional das parcelas atrasadas, vencidas (ex.: 20% = 400 reais), devidas ao alimentando. Ressalta-se que o montante descontado pode variar, não havendo fixação prévia dos valores demonstrados (ex.: 35/15; 40/10; 25/25, etc...), desde que NUNCA ultrapassados 50% dos rendimentos líquidos. 5. PROCEDIMENTOS CABÍVEIS EM CASO DE INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR. Constava no Diploma Processual de 1973, um regime duplo do trâmite da execução de alimentos, sendo o art. 732 (penhora) ou do art. 733 (prisão civil). Mudança impactante foi trazida com a Lei 11.232/05, que criou o cumprimento de sentença, onde se pacificou posteriormente, que o procedimento do art. 732 se daria por cumprimento de sentença, e do art. 733 por execução autônoma. O NCPC instaura 4 possibilidades para execução da verba alimentar, sendo distintas pelo tipo de título (judicial ou extrajudicial) e tempo de débito (pretérito ou recente). 1 cumprimento de sentença título executivo judicial sob pena de prisão (arts. 528, 533 NCPC/2015); (INOVAÇÃO) 2 cumprimento de sentença título executivo judicial sob pena de penhora (art. 528, 8 ); (INOVAÇÃO PREVISÃO AGORA EXPRESSA) 3 execução de alimentos título executivo extrajudicial sob pena de prisão (arts. 911, 912);

4 execução de alimentos título executivo extrajudicial sob pena de penhora (art. 913). (TRANQUILA A FIXAÇÃO DE ALIMENTOS E PRISÃO CIVIL DECORRENTE DE ACORDO EXTRAJUDICIAL). CPC/1973 Art. 733. Na execução de sentença ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 1 o Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. 2 º O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas ou vincendas; mas o juiz não lhe imporá segunda pena, ainda que haja inadimplemento posterior. 2 o O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. 3 o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. CPC/2015 Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 1 o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. 2 o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. 3 o Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do 1 o, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. 4 o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns. 5 o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. 6 o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. 7 o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da

Art. 475-Q. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, o juiz, quanto a esta parte, poderá ordenar ao devedor constituição de capital, cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 1 o Este capital, representado por imóveis, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do devedor. 2 o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do beneficiário da prestação em folha de pagamento de entidade de direito público ou de empresa de direito privado de notória capacidade econômica, ou, a requerimento do devedor, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 3 o Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação. 4 o Os alimentos podem ser fixados tomando por base o salário-mínimo. execução e as que se vencerem no curso do processo. 8 o O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. 9 o Além das opções previstas no art. 516, parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio. Art. 533. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 1 o O capital a que se refere o caput, representado por imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do executado, além de constituir-se em patrimônio de afetação. 2 o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 3 o Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação. 4 o A prestação alimentícia poderá ser fixada

5 o Cessada a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas. Sem correspondência tomando por base o salário-mínimo. 5 o Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas. Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo. Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os 2 o a 7 o do art. 528. Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento de pessoal da importância da prestação alimentícia. 1 o Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. 2 o O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, a conta na qual deve ser feito o depósito e, se for o caso, o tempo de sua duração. Art. 913. Não requerida a execução nos termos deste Capítulo, observar-se-á o disposto no art. 824 e seguintes, com a ressalva de que, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação.

Percebe-se certa maturidade nas inovações trazidas pelo NCPC/2015, tendo regulado temas muito debatidos, tanto na doutrina quanto nos tribunais, e inserido inovações que buscam ser mais efetivas ao alimentando na busca de seu direito. Entretanto, o problema social que circunda a temática nos levar a reforçar os olhares sobre os dispositivos abordados. O assunto deve ser tratado com a seriedade que o circunda, por conta das características peculiares e vitais que envolvem a verba alimentar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro Direito de Família. 9 ed. São Paulo : Saraiva, 2012. DIDIER JR., Fredie. Novo Código de Processo Civil: comparativo com o código de 1973. Salvador: Ed. JusPodivm, 2016.