AULA PRÁTICA 16 - SISTEMA DIGESTÓRIO O sistema digestório consiste de um longo tubo muscular, que se estende da boca até o ânus, e de glândulas associadas ou acessórias (glândulas salivares, pâncreas e fígado) que, embora situadas fora do tubo muscular, enviam suas secreções para o mesmo por um sistema de ductos. A digestão é o processo pelo qual o material alimentar é convertido em substâncias que podem ser absorvidas para a circulação. Os materiais inúteis e tóxicos são eliminados por excreção fecal. Do esôfago ao ânus, a parede do tubo muscular é composta por quatro camadas ou túnicas. A mais interna é a túnica mucosa constituída por um tecido epitelial que repousa sobre uma lâmina basal sustentada por tecido conectivo (lâmina própria). Na maior parte das regiões se faz presente uma camada de músculo liso, a muscular da mucosa. A submucosa situa-se externamente à mucosa e é constituída por tecido conectivo frouxo, contendo vasos sanguíneos, nervos e células ganglionares (plexo submucoso ou de Meissner inervação intrínseca, parte entérica do SN). A terceira camada é a muscular externa constituída por músculo liso na sua maior extensão. No intestino delgado, as disposições das fibras das camadas musculares da parede não são verdadeiramente circulares (interna) ou longitudinais (externa), mas helicoidais, com um passo curto (interna) e com um passo longo (externa). Na parte inicial do esôfago esta camada muscular é estriada esquelética; na parte medial, estriada esquelética e lisa e na parte final (próxima à transição com o estômago) é lisa. Entre as duas camadas há um plexo vascular e um plexo nervoso, com pequenas células ganglionares, denominado plexo de Auerbach ou mioentérico (inervação intrínseca, parte entérica do SN). A camada muscular externa impulsiona o alimento na sua luz. A quarta e a mais externa das camadas é a serosa, constituída por uma delicada faixa de tecido conectivo frouxo, revestido externamente por mesotélio (epitélio simples pavimentoso + tecido conectivo). No esôfago e em algumas áreas expostas do tubo digestório não há cobertura peritoneal e o tecido conectivo se mistura com o tecido conectivo adjacente, formando a adventícia.
LÂMINA Nº 15 / 34 - DENTE (MANDÍBULA DE RATO) - H.E. Com a objetiva panorâmica identifique um dos germes dentários parcialmente envolvido por tecido ósseo primário (já estudado em ossificação intramembranosa). Lembre-se de que tudo o que você estudar, sempre tem que ser feito com as três objetivas. Identifique, desenhe e denomine em 10X. 1 - Geléia do esmalte, com o estrato intermediário 2 - Epitélio adamantino (ameloblastos) - epitélio interno do esmalte 3 - Esmalte (mais escuro) 4 - Dentina (de aspecto poroso ) 5 - Pré-dentina 6 - Odontoblastos 7 - Polpa dentária LÂMINA Nº 35 - LÍNGUA (CORTE LONGITUDINAL) - HE Com a objetiva de 10X, observe em uma das extremidades do fragmento, a mucosa da língua constituída por epitélio e lâmina própria. Esta apresenta saliências entre sulcos formando as papilas filiformes e as folhadas. Focalizando a papila folhada (foliada / foliácea), mude para a objetiva de 40X e identifique em suas laterais os corpúsculos gustativos / calículos gustatórios. Na extremidade oposta ao epitélio da mucosa, existem feixes de fibras musculares estriadas esqueléticas, orientadas em três direções, se entrecruzando em ângulo reto. Entre esses feixes de fibras musculares podemos encontrar grupos de glândulas acessórias pequenas, dos tipos seroso e mucoso. LÂMINA Nº 38 - LÁBIO DE CRIANÇA - HE Neste corte sagital, observe 3 regiões: (1) a superfície externa pele, (2) a borda livre e (3) a superfície mucosa interna do lábio. A superfície externa é recoberta por uma pele fina, contendo folículos pilo-sebáceos e glândulas sudoríparas, sendo o epitélio do tipo estratificado pavimentoso queratinizado. Na borda livre (zona de transição ou borda vermelha), os pêlos e as glândulas desaparecem e as papilas dérmicas são maiores. Como esta área não possui glândulas, ela requer uma umidificação constante por meio da
saliva, a fim de se evitarem rachaduras desta região do lábio. Observe a presença de um grande número de vasos sanguíneos responsáveis pela coloração avermelhada desta região. O epitélio da membrana mucosa da superfície interna é estratificado pavimentoso não queratinizado, sustentado por uma lâmina própria, com papilas altas. No tecido conectivo da lâmina própria podem ser observadas glândulas salivares acessórias do tipo misto. O eixo de sustentação do lábio (região central) é constituído por tecido muscular estriado esquelético (músculo orbicular do lábio) cujas fibras estão cortadas transversalmente, obliquamente e longitudinalmente. LÂMINA Nº 39 - ESÔFAGO - HE Identifique em menor aumento (4X) as camadas (túnicas) que constituem a parede do esôfago. A mais interna, a mucosa, é constituída por um epitélio de revestimento apoiado na lâmina própria (tecido conectivo). A lâmina própria somente possui glândulas nas regiões de transição (porção inicial e final do esôfago). No terço médio não há glândulas na mucosa. Subjacente a lâmina própria e ainda fazendo parte da camada mucosa encontra-se a camada (lâmina) muscular da mucosa predominantemente constituída por músculo liso, aqui fragmentada. Dada a acidofilia do tecido muscular liso e do tecido conectivo esta camada não encontra-se facilmente distinguível. A segunda camada (túnica), a submucosa, é constituída por tecido conectivo rico em vasos sangüíneos. Contêm glândulas exócrinas simples túbulo-acinosas ramificadas e o plexo submucoso. A muscular, terceira camada, apresenta musculatura lisa disposta em duas camadas: circular (mais interna) e longitudinal (mais externa). Entre as duas observa-se a presença do plexo mioentérico (mioentérico Auerback) que será posteriormente estudado. Observação: No homem a túnica muscular é estriada esquelética no terço superior, estriada e lisa (mistura) no terço médio e lisa no terço inferior. A camada (túnica) mais externa, a adventícia, apresenta-se constituída por tecido conectivo com vasos e nervos.
TRICRÔMICO DE GOMORI A constituição histológica deste fragmento segue a mesma descrição da lâmina anterior. O objetivo desta lâmina é facilitar a distinção entre os tecidos conectivo (fibras colágenas coradas em azul) e o tecido muscular (corado em vermelho). Observe camada muscular da mucosa contínua e bem desenvolvida. Algumas glândulas podem ser observadas na submucosa. LÂMINA Nº 40 - CÁRDIA - HE Este corte longitudinal da cárdia ou junção esôfago-gástrica mostra em pequeno aumento, a transição abrupta que sofre a mucosa do trato digestório, passando de epitélio protetor, do tipo estratificado pavimentoso não queratinizado (do esôfago) para epitélio simples cilíndrico e secretor ou mucíparo (do estômago). A muscular da mucosa (fibras musculares lisas) é contínua através desta junção, mas, torna-se mais definida no estômago. Na submucosa da porção terminal do esôfago existem agregados de glândulas mistas (predomínio de secreção mucosa). Também na extremidade esofagiana, a camada muscular apresenta-se como uma espessa camada circular (interna) e outra longitudinal (externa), de fibras musculares lisas. Na área de transição não existe um esfíncter anatômico definido e na extremidade gástrica, a muscular divide-se em três camadas mal definidas: oblíqua (interna), circular (média) e longitudinal (externa). A porção mais externa do esôfago, a adventícia transforma-se gradualmente em serosa (revestimento externo do estômago). Observe com a objetiva de 40X a mucosa da cárdia e note a presença de invaginações denominadas fovéolas (criptas, fossetas) nas quais abrem-se glândulas exócrinas simples tubulares ramificadas (glândulas gástricas). As fovéolas são pouco profundas e as glândulas contém apenas um tipo celular = células mucosas ou mucíparas (em HE). Com impregnação metálica ou imunohistoquímica podem ser observadas células neuroendócrinas (argentafins ou enterocromafins). Os plexos ganglionares submucoso (Meissner) e mioentérico (mientérico) (Auerbach) serão posteriormente estudados bem como a função atribuída aos mesmos.
LÂMINA Nº 41 - FUNDO GÁSTRICO - HE Podemos observar com a objetiva de pequeno aumento, que da porção mais interna para a mais externa, encontramos as seguintes camadas: a - Camada mucosa (pregueada) b - Camada submucosa: tecido conectivo frouxo, rico em vasos sanguíneos e linfáticos c - Camada muscular: oblíqua, circular e longitudinal (a mais externa) d - Camada serosa: a mais delgada de todas constituída por tecido conectivo frouxo e mesotélio (epitélio simples pavimentoso) Aumentando progressivamente as objetivas, vamos observar os detalhes da camada mucosa. A superfície é revestida por células mucosas que se continuam em invaginações para o interior da lâmina própria, sob a forma de depressões microscópicas denominadas de fovéolas (criptas / fossetas) gástricas (pouco profundas), as quais se continuam mais profundamente com glândulas exócrinas simples tubulosas, de trajeto mais ou menos retilíneo, denominadas glândulas gástricas (longas). Estas glândulas podem ser divididas em 3 partes: istmo, colo e base. Em HE, o istmo (região mais próxima das fovéolas), contém predominantemente células mucosas. O colo, além das células mucosas contém predominantemente células parietais (oxínticas). Estas são arredondadas, de citoplasma acidófilo e núcleo oval e central. A base da glândula apresenta, predominantemente, células principais (zimogênicas) de citoplasma basófilo e núcleo oval e para-basal. As fossetas e as glândulas encontram-se imersas no tecido conectivo frouxo intensamente vascularizado denominado lâmina própria. O emprego de técnicas especiais como a impregnação argêntica ou a imunohistoquímica possibilitariam a visualização das células neuroendócrinas (argentafins ou enterocromafins).