Pensão por Morte Prof. Danilo Ripoli
Definição: A pensão por morte é o benefício da previdência social devido aos dependentes do segurado em função da morte deste. Será devido ao conjunto de dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não. Lei nº. 8.213/91 arts. 74 à 79. O segurado tem que manter a qualidade de segurado no momento do óbito. Exceção: art. 102 da Lei nº. 8.213/91 (se o segurado preencheu os requisitos para a obtenção da aposentadoria, seus dependentes têm direito à pensão por morte, mesmo que o falecido tenha perdido a qualidade de segurado).
Valor do benefício: 100% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data do óbito. A RMI da aposentadoria por invalidez é de 100% do salário de benefício. Com o advento da MP 664/14, adotou-se nova regra de renda mensal, válida a partir de março de 2.015: renda mensal de 50% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento, acrescido de tantas cotas individuais de 10% do valor da mesma aposentadoria, quantos forem os dependentes até o máximo de 5.
Tal alteração introduzida pela MP 664/14, não foi convertida em lei. Havendo mais de um dependente, a renda mensal da pensão por morte é rateada em partes iguais (art. 77 do PBPS). Cada cota do benefício pode ter valor inferior ao salário mínimo. No entanto, o valor da renda mensal da pensão, que é igual à soma das cotas-partes, não pode ser inferior ao salário mínimo.
Na medida em que cessa o direito de um dos dependentes à pensão por morte, sua parte reverte em favor dos demais. DEPENDENTES: Tem direito à pensão por morte os dependentes do segurado falecido, obedecida a hierarquia entre as classes previstas no art. 16 da Lei nº. 8.213/91.
A concessão de pensão por morte não será protelada pela falta de habilitação de outro possível dependente. Qualquer habilitação posterior que importe em exclusão ou inclusão de dependentes somente produzirá efeito a contar da data da habilitação. Assim, se o segurado falecer, deixando companheira e excônjuge com pensão alimentícia, ambas terão direito ao benefício. Entretanto, não é necessário que se espere todas solicitarem o benefício, podendo ser concedido na integralidade para a primeira a solicitá-lo e realizando-se a divisão por ocasião da apresentação da segunda beneficiária.
DEPENDENTE INVÁLIDO: somente será devida a pensão por morte, se for comprovada por perícia médica a existência de invalidez na data do óbito. EXCEÇÃO: INVALIDEZ POSTERIOR AO ÓBITO, DESDE QUE OCORRA ANTES DO FILHO OU IRMÃO COMPLETAR 21 ANOS. CUMULAÇÃO DE APOSENTADORIA E PENSÃO: possível.
PENSIONISTA INVÁLIDO: OBRIGAÇÃO DE SUBMETER-SE A EXAME MÉDICO, A PROCESSO DE REABILITAÇÃO PROFISSIONAL, EXCETO O CIRÚRGICO E A TRANSFUSÃO DE SANGUE (SOB PENA DE SUSPENSÃO). CÔNJUGE AUSENTE (consorte que se afasta do convívio conjugal por longo período, sem nenhum vínculo e sem receber pensão. Tecnicamente casado): fará jus ao benefício a partir da data de sua habilitação e mediante prova de dependência, não excluindo o direito a(o) companheira(o).
CÔNJUGE DIVORCIADO, SEPARADO JUDICIALMENTE OU DE FATO, QUE RECEBIA PENSÃO ALIMENTÍCIA, receberá a pensão em igualdade de condições com os demais dependentes preferenciais. Súmula 336 do STJ: A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente. Se o segurado casa e convive com a esposa, mas mantém dois relacionamentos, não tem direito a concubina a pensão por morte, diante do fato que se trata de relação adulterina. Há decisões contrárias. Caso o segurado esteja separado de fato e viva com a mulher, no falecimento do primeiro a segunda faz jus à pensão por morte.
Morte presumida: concessão provisória, cessando com o reaparecimento. CESSAÇÃO DO PAGAMENTO DA COTA INDIVIDUAL: A) pela morte do pensionista; B) para o pensionista inválido (filho ou irmão inválido) pela cessação da invalidez; Imposição de perícia médica periódica e processo de reabilitação. Desnecessidade de perícia médica após completar 60 anos.
C) para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; D) para cônjuge, companheiro ou companheira: 1) se inválido(a) ou com deficiência: pela cessação da invalidez ou pelo afastamento da deficiência. A pensão, é em regra, vitalícia para o cônjuge ou companheiro inválido ou com deficiência. Porém, cessada a invalidez ou afastada a deficiência, o pagamento do benefício deverá cessar apenas quando decorrido o respectivo prazo de duração.
2) em 4 (quatro) meses, se o óbito ocorrer sem que o segurado tenha vertido 18 contribuições mensais OU se o casamento ou a união estável tiverem menos de 2 anos na data do óbito do segurado (requisitos alternativos). 3) transcorridos os seguintes períodos, estabelecidos de acordo com a idade do beneficiário na data do óbito do segurado, se o óbito ocorrer depois de vertidas 18 contribuições mensais E pelo menos 2 anos após o início do casamento ou da união estável.
18 contribuições mensais e 2 anos de casamento ou união estável na data do óbito Idade do cônjuge ou companheiro(a) beneficiário(a) Duração do benefício Menos de 21 anos 3 anos Entre 21 e 26 anos 6 anos Entre 27 e 29 anos 10 anos Entre 30 e 40 anos 15 anos Entre 41 e 43 anos 20 anos 44 anos ou mais VITALÍCIO
Art. 74, parágrafo 2ºB 2 o -B. Após o transcurso de pelo menos 3 (três) anos e desde que nesse período se verifique o incremento mínimo de um ano inteiro na média nacional única, para ambos os sexos, correspondente à expectativa de sobrevida da população brasileira ao nascer, poderão ser fixadas, em números inteiros, novas idades para os fins previstos na alínea c do inciso V do 2 o, em ato do Ministro de Estado da Previdência Social, limitado o acréscimo na comparação com as idades anteriores ao referido incremento.
Quando o óbito do segurado instituidor da pensão decorrer de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, independentemente do recolhimento de 18 contribuições mensais ou de comprovação de 2 anos de casamento ou de união estável, também deverão ser respeitados os prazos previstos nos itens 1 e 3, da letra D, supra.
Se o óbito decorrer de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, mesmo que não haja 2 anos de casamento ou união estável ou não tenham sido recolhidas 18 (dezoito) contribuições mensais pelo segurado até o dia da morte, a pensão terá a seguinte duração, sendo vitalícia apenas se o pensionista tiver 44 anos de idade no dia da morte: 1) 3 (três) anos, com menos de 21 (vinte e um) anos de idade; 2) 6 (seis) anos, entre 21 (vinte e um) e 26 (vinte e seis) anos de idade; 3) 10 (dez) anos, entre 27
(vinte e sete) e 29 (vinte e nove) anos de idade; 4) 15 (quinze) anos, entre 30 (trinta) e 40 (quarenta) anos de idade; 5) 20 (vinte) anos, entre 41 (quarenta e um) e 43 (quarenta e três) anos de idade; 6) vitalícia, com 44 (quarenta e quatro) ou mais anos de idade. Logo, neste caso especial, a pensão não durará apenas 4 meses (regra especial).
O NOVO CASAMENTO DA PENSIONISTA NÃO GERA PERDA DA PENSÃO. EX-CÔNJUGE QUE COMPROVE DEPENDÊNCIA ECÔNOMICA terá direito ao benefício, ainda, que já tenha contraído novas núpcias antes do óbito do segurado.
Com a extinção da cota do último pensionista, a pensão por morte será encerrada, não trazendo direito à concessão da pensão aos dependentes excluídos à época do óbito. Ex.: falecimento do cônjuge dependente, não existindo outro dependente preferencial, os pais do segurado falecido não irão conseguir a pensão. JUSTIÇA FEDERAL: competente para apreciar feito em que companheiro(a) ingressa em juízo, mesmo havendo dúvidas sobre a existência da união estável.
CARÊNCIA: não se exige carência. Antes da Lei nº. 8.213/91, exigia-se 12 contribuições mensais, no entanto, não era exigida a manutenção da condição de segurado na data do óbito. MP 664/14:? CAUSAS DE PERDA DO DIREITO À PENSÃO POR MORTE Lei 13.135/15 indignidade: a lei veda a concessão do benefício ao dependente condenado por decisão transitada em julgado pela prática de crime qual tenha dolosamente resultado na morte do segurado.
Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou a formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, apuradas em processo judicial no qual será assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa (art. 74, 2º).