Convenção de Istambul

Documentos relacionados
PROPOSTA DE RESOLUÇÃO

CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA AS MULHERES RECOMENDAÇÃO GERAL N.º 19 (VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES)

PROJETO DE LEI N.º 659/XII/4.ª

PROJETO DE LEI N.º 515/XII

CRIMES EM ESPECIAL TUTELA DA PESSOA E VIOLÊNCIA DE GÉNERO 2.º Semestre do Ano Lectivo de 2014/2015

DECLARAÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 48/104, de de 20 de Dezembro de 1993.

Apêndice I 23 ações programáticas relativas à população LGBT, previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3)

Primado do Direito e Julgamento Justo

DR. AUGUSTO POMBAL CENTRO POLIVALENTE DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO MAPTSS 26 DE JUNHO DE 2015

Os direitos da criança - No contexto internacional. Director do ILPI Njal Hostmaelingen MJDH, workshop interno, Luanda, 27 de Junho 2016

VIOLÊNCIA SEXUAL. Entenda e ajude a combater SECRETARIA NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES SECRETARIA DE GOVERNO

Centro de Direitos Humanos Faculdade de Direito Universidade de Coimbra. Direito ao Trabalho. Federal Ministry for Foreign Affairs of Austria

POLÍTICA DE DIREITOS HUMANOS

Senhora Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA, Catarina Furtado

PROGRAMA DE ACÇÃO SAÚDE. - Advocacia junto ao Ministério da Saúde para criação de mais centros de testagem voluntária.

SUMÁRIO 2. COMENTÁRIOS À LEI /2006 ARTIGO POR ARTIGO LEI , DE 7 DE AGOSTO DE 2006

Conferência Internacional do Trabalho

IGUALDADE NÃO É (SÓ) QUESTÃO DE MULHERES

A questão de gênero nas decisões dos tribunais penais internacionais. Professora Camila Lippi (LADIH- UFRJ) Curso Universitários Pela Paz

Joana Salazar Gomes O SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA E AS NOVAS FORMAS DE GUARDA

LEI MARIA DA PENHA. o Processo Penal no caminho da efetividade. Valéria Diez Scarance Fernandes. Abordagem jurídica e multidisciplinar

Direito Penal. Lei nº /2006. Violência doméstica e Familiar contra a Mulher. Parte 1. Prof.ª Maria Cristina

Ana Teresa Pinto Leal Procuradora da República

CAPACIDADE JURÍDICA E O EXERCÍCIO DE DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS. Andrea Parra

MECANISMO DE ARTICULAÇÃO PARA A ATENÇÃO A MULHERES EM SITUAÇÃO DE TRÁFICO INTERNACIONAL

Liberdade de expressão e liberdade dos meios de informação

Direitos das Minorias

ESTADO DE SANTA CATARINA CÂMARA MUNICIPAL DE BALNEÁRIO PIÇARRAS CNPJ: /

Direitos Humanos em Conflito Armado

Transcrição:

CONVENÇÃO DO CONSELHO DA EUROPA PARA A PREVENÇÃO E O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Convenção de Istambul LIVRE DO MEDO LIVRE DA VIOLÊNCIA

QUAL É O OBJETIVO DA CONVENÇÃO? A nova Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica é o tratado internacional de maior alcance para fazer face a esta grave violação de direitos humanos. O seu objetivo é a tolerância zero para com tal violência e constitui um importante passo em frente para melhor garantir a segurança das mulheres na Europa e mais além. A prevenção da violência, a proteção das vítimas e o processamento judicial dos agressores são as pedras angulares da convenção. Ela procura também mudar o coração e a mente dos indivíduos, apelando a todos os membros da sociedade, em particular os homens e rapazes, para que mudem as suas atitudes. A convenção é, em essência, um apelo renovado para uma maior igualdade entre mulheres e homens, porque a violência contra as mulheres encontra-se profundamente enraizada na desigualdade entre mulheres e homens na sociedade e é perpetuada por uma cultura de tolerância e negação. ASPETOS INOVADORES DA CONVENÇÃO A convenção reconhece a violência contra as mulheres como uma violação de direitos humanos e uma forma de discriminação. Isto significa que os Estados serão responsabilizados se não responderem adequadamente a essa violência. Este é o primeiro tratado internacional que contém uma definição de género. Isto significa que se reconhece agora que mulheres e homens não são apenas biologicamente femininos ou masculinos existe também uma categoria de género socialmente construída e que atribui às mulheres e aos homens os seus papéis e comportamentos específicos. Estudos revelaram que certos papéis e comportamentos podem contribuir para tornar a violência contra as mulheres aceitável. A convenção estabelece infrações penais, tais como a mutilação genital feminina, o casamento forçado, a perseguição, o aborto forçado e a esterilização forçada. Os Estados serão portanto obrigados, pela primeira vez, a introduzir estes graves crimes nos seus sistemas jurídicos. Ela apela ainda ao envolvimento de todas as agências e serviços estatais relevantes, para que a violência contra as mulheres e a violência doméstica sejam combatidas de uma forma coordenada. Isto significa que as agências e as ONG não devem agir isoladamente, mas sim criar protocolos de cooperação.

O QUE EXIGE A CONVENÇÃO DOS ESTADOS? PREVENÇÃO 33mudar as atitudes, os papéis de cada género e os estereótipos que tornam a violência contra as mulheres aceitável; 33formar os profissionais que trabalham com as vítimas; 33sensibilizar para as diversas formas de violência e a sua natureza traumatizante; 33incluir material de ensino sobre questões de igualdade no currículo a todos os níveis de ensino; 33cooperar com as ONG, os meios de comunicação social e o setor privado para chegar até ao público. PROTEÇÃO 33assegurar que as necessidades e a segurança das vítimas são colocadas no centro de todas as medidas; 33estabelecer serviços de apoio especializados para oferecer assistência médica, assim como aconselhamento psicológico e legal, às vítimas e aos seus filhos; 33estabelecer abrigos em número suficiente e introduzir linhas telefónicas de ajuda permanentes e gratuitas. PROCESSAMENTO JUDICIAL 33assegurar a criminalização e a devida punição da violência contra as mulheres; 33assegurar a inaceitabilidade de justificações para qualquer ato de violência com base na cultura, tradições, religião ou a chamada honra ; 33assegurar que as vítimas têm acesso a medidas de proteção especiais durante a investigação e a ação judicial; 33assegurar que os serviços responsáveis pela aplicação da lei respondem imediatamente aos apelos de ajuda e gerem adequadamente as situações perigosas. POLÍTICAS INTEGRADAS 33assegurar que todas as medidas acima se inserem num conjunto de políticas abrangentes e coordenadas e oferecem uma resposta global à violência contra as mulheres e à violência doméstica.

QUEM É ABRANGIDO PELA CONVENÇÃO? A convenção abrange todas as mulheres e raparigas, de qualquer meio, idade, raça, religião, origem social, estatuto de migração ou orientação sexual. A convenção reconhece que existem grupos de mulheres e raparigas que se encontram frequentemente em maior risco de sofrer violência e os Estados devem garantir que as suas necessidades específicas são tomadas em consideração. Os Estados são também encorajados a aplicar a convenção a outras vítimas de violência doméstica, tais como os homens, as crianças e os idosos. QUE INFRAÇÕES PENAIS SÃO ABRANGIDAS PELA CONVENÇÃO? A convenção exige aos Estados partes que instituam como infração penal ou outra os seguintes comportamentos: 33a violência doméstica (violência física, sexual, psicológica ou económica); 33perseguição; 33violência sexual, incluindo violação; 33assédio sexual; 33casamento forçado; 33mutilação genital feminina; 33aborto forçado e esterilização forçada. Isto transmite a clara mensagem de que a violência contra as mulheres e a violência doméstica não são questões privadas. Pelo contrário: para realçar o efeito particularmente traumatizante dos crimes contra a família, pode ser imposta uma pena mais pesada ao agressor quando a vítima é o cônjuge, o parceiro ou um familiar.

COMO É MONITORIZADA A IMPLEMENTAÇÃO DA CONVENÇÃO? A Convenção estabelece um mecanismo de monitorização para determinar em que medida estas disposições são aplicadas. O mecanismo de monitorização assenta em dois pilares: O Grupo de peritos sobre o combate à violência contra as mulheres e a violência doméstica (GREVIO), um órgão de peritos independentes, e o Comité das Partes, um órgão político composto por representantes oficiais dos Estados partes da Convenção. As suas conclusões e recomendações ajudarão a assegurar o respeito da Convenção pelos Estados, a fim de garantir a sua eficácia a longo prazo.

www.coe.int/conventionviolence conventionviolence@coe.int Prems 096816 POR www.coe.int O Conselho da Europa é a principal organização de defesa dos direitos humanos no continente. Integra 47 Estados-membros, 28 dos quais são também membros da União Europeia. Todos os Estados-membros do Conselho da Europa assinaram a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, um tratado que visa proteger os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem controla a implementação da Convenção nos Estados-membros.