ACIDENTES DE TRABALHO

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TRABALHO DEPENDENTE PENSÕES

Transcrição:

José Alvarez Quintero 22 de maio de 2013 Mod.APS.G.001.V1

101 anos de história

Agenda Um pouco de história Onde nos encontramos Algumas propostas

Primeiras leis para compensar as vitimas de acidentes de trabalho 1884 Alemanha 1898 França 1900 Espanha 1903 Bélgica 1913 Portugal

Primeiras leis do seguro obrigatório automóvel em Europa 1929 Suécia 1930 Reino Unido 1939 Alemanha 1958 França 1968 Espanha 1979 Portugal

1913 Institui a responsabilidade dos empregadores: O acidente sucedido durante a execução do trabalho será considerado, até prova em contrario, como proveniente de essa execução. Transferência facultativa de responsabilidade: As entidades responsáveis pelas pensões e tratamento clínico poderão passar a sua responsabilidade para sociedades mútuas de patrões ou companhias de seguros autorizadas. Estabelece prestações em espécie: a assistência medica até a cura clinica Lei 83 de 24 de Julho

1913 E prestações pecuniárias: Em caso de morte pensões anuais para os cônjuges e filhos. Em caso de incapacidade permanente absoluta: pensão vitalícia de 2/3 do salario. Em caso de incapacidade permanente parcial: pensão vitalícia de valor igual à metade da perda salarial efectiva. Em caso de incapacidade temporária 2/3 do salario diário. Salario indemnizável plafonado Lei 83 de 24 de Julho

1913 Responsabilidade pelo risco. Indemnizações pecuniárias baseadas na perda salarial efectiva. Desincentiva o risco moral: plafonamento de salários e diminuição de rendimentos nas incapacidades laborais temporárias ou permanentes. Lei 83 de 24 de Julho

1919 Institui o seguro social obrigatório contra os desastres de trabalho: O seguro dos assalariados e empregados de todas as profissões é obrigatório para o patrão, abrangendo todos os indivíduos ao seu serviço que recebam salário, ordenado ou remuneração de qualquer ordem O seguro de acidentes de trabalho foi obrigatório em Espanha em 1931 Decreto lei nº 5637 de 19 de Maio de 1919

1936 Cria o conceito da redução da capacidade geral de ganho para indemnizar as incapacidades permanentes parciais: Para o calculo da desvalorização atender-se-á à natureza e gravidade da lesão ou doença, a profissão, salário e idade da vitima, ao grau de possibilidade da sua readaptação à mesma ou outra profissão e a todas as circunstâncias que possam influir na determinação da redução da sua capacidade geral de ganho ( Artigo 22º) Decreto lei nº 1942 de 27 de Julho de 1936

1936 Anuncia a publicação de uma Tabela Nacional de Incapacidades: Enquanto não estiver elaborada a tabela nacional de incapacidades, o calculo da desvalorização dos sinistrados será feita em face da tabela Lucien Mayet, pudendo o tribunal corrigir para menos ou desprezar as desvalorizações que não traduzam incapacidade geral de dano. (Artigo 49º) Institui o regime de remições, desde que estas não excedam de determinado valor Decreto lei nº 1942 de 27 de Julho de 1936 Em 1960, 24 anos depois, foi aprovada a TNI (Decreto nº 43189)

1965 Alarga o âmbito dos acidentes de trabalho aos ocorridos na ida para o local de trabalho ou no regresso deste, quando for utilizado meio de transporte fornecido pela entidade patronal ou quando o acidente seja consequência de particular perigo do percurso normal Amplia o prazo para rever a pensão de cinco para dez anos posteriores à data de fixação da pensão. Aumenta o plafond do salario indemnizável (no Regulamento de 1971) Cria o Fundo de Garantia e Actualização de Pensões Lei nº 2127 de 3 de Agosto de 1965

1981 Transfere as responsabilidades das empresas seguradoras pela reparação dos danos emergentes de doenças profissionais para a Caixa Nacional de Doenças Profissionais Decreto lei 227 de 18 de Julho de 1981

2000 Alargamento do conceito de acidentes de trabalho à cobertura generalizados do risco in itinere. Alargamento do âmbito da lei a todos os trabalhadores independentes. Extingue o conceito de retribuição-base passando as indemnizações a ser calculadas com base na retribuição efectivamente auferida pelo sinistrado. Extingue o plafonamento para as indemnizações dos salários acima do salário mínimo. Lei 100/97 de 13 de Setembro de 1997

2009 Alarga o âmbito prestacional à reabilitação e reintegração profissional. Estabelece que as ajudas técnicas sejam as que correspondam ao estado mais avançado da ciência e da técnica, com independência do seu custo. Alarga sine die o direito à revisão da pensão. Estabelece a responsabilidade das seguradoras nos sinistros por actuação culposa do empregador, embora com direito de regresso sobre ele. Lei 98/2009 de 4 de Setembro de 2009

Aplicabilidade automática do coeficiente de 1.5 aos incapacitados com idade superior a 50 anos TNI anterior a) Sempre que se verifique perda ou diminuição de função os coeficientes de incapacidade são bonificados com uma multiplicação pelo factor 1,5, se a vítima não for reconvertível em relação ao posto de trabalho ou tiver 50 anos ou mais. TNI actual Tabela Nacional de Incapacidades a) Os coeficientes de incapacidade previstos são bonificados pelo factor 1.5, se a vítima não for reconvertível em relação ao posto de trabalho ou tiver 50 anos ou mais quando não tiver beneficiado da aplicação desse fator; Decreto lei nº 352/2007 de 23 de Outubro

Conclusões A fronteira entre um seguro pela responsabilidade do empregador e um seguro de acidentes ficaram diluídos. A maioria das indemnizações por incapacidades permanentes não indemnizam perdas salariais reais, apenas perdas à integridade física sem repercussão na capacidade de ganho. As indemnizações por incapacidades diárias plafonadas foram substituídas por indemnizações que podem ser superiores aos valores pagos no activo. Aumento substancial das responsabilidades das segurdoras

Agenda Um pouco de história Onde nos encontramos Algumas propostas

6.133 6.750 6.666 7.033 6.755 7.092 8.980 9.372 10.706 ACIDENTES DE TRABALHO Evolução do número de sinistros com IPP 12.000 10.000 8.000 75% 6.000 4.000 2.000 0 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: ANSR

Evolução da taxa média praticada nos ATCO 3 3-49% 2 2 1 1 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: ANSR

INDICADORES DA CONTA TÉCNICA (Sobre Prémios Adquiridos, Líquido de Resseguro) 2008.12 2009.12 2010.12 2011.12 2012.12 Rácio Sinistralidade 86,77% 82,14% 83,35% 91,54% 112,85% Rácio Despesas 25,23% 25,41% 25,56% 26,82% 26,84% Rácio Custos Aquisição 19,43% 18,96% 19,03% 19,36% 19,55% Rácio Custos Administrativos 5,80% 6,45% 6,53% 7,46% 7,30% Rácio Combinado AT (s/ PA e Líquidos de Resseguro) 112,00% 107,55% 108,90% 118,36% 139,69% Fonte: ANSR

Agenda Um pouco de história Onde nos encontramos Algumas propostas

Nenhuma companhia isoladamente tem capacidade para ultrapassar os problemas atuais do ramo

Algumas propostas Alterações legislativas Estabelecer critérios comuns para o calculo das responsabilidades de longo prazo. Uma nova relação com as empresas

Alterações legislativas Indemnizações diárias por Incapacidades Temporárias Indemnização diária calculada em função de 1/30 da retribuição normal, dividida por 14 Reduzir para 60% da retribuição de referencia nos primeiros 90 dias Impedimento da possibilidade de prestação ultrapassar a retribuição liquida (bruta deduzida de TSU e IRS)

Alterações legislativas Reparação e revisão das Incapacidades Permanentes Parciais Adoptar o modelo belga para as IPP s <= 10% Limitar o período de revisão das IPP s a 10 anos Eliminar a bonificação automática do grau de IPP para quem tiver 50 anos ou mais

Taxa de sinistralidade comparada (Países com regimes semelhantes)

Alterações legislativas Reparação Incapacidades Permanentes Absolutas Majoração das pensões entre 1,1 e 10 IAS. Aumento dos montantes de prestação suplementar para assistência a 3ª pessoa. Aumento do subsidio por elevada incapacidade

Alterações legislativas Alargamento de Competências, estrutura orgânica e regime de Financiamento do FAT. Recebendo os acordos extrajudiciais que a lei permita sejam celebrados fora dos Tribunais de Trabalho. Monitorização de procedimentos de acompanhamento das pensionistas com afectação grave da funcionalidade. Criando e acompanhando uma base de dados de todos os acidentados

Estabelecer critérios comuns para o calculo das responsabilidades de longo prazo (>10 anos) Alguém consegue calcular quanto poderá custar dentro de 20 anos a prótese mais avançada da ciência e da técnica? Ou prever quais serão os critérios das juntas médicas que avaliaram os atuais pensionistas? Ou quais serão os cuidados médicos e clínicos que a sociedade exigirá para os grandes lesionados?

Uma nova relação com as empresas Alargando a actividade à prevenção, segurança, higiene e saúde no trabalho. Um relacionamento estável (responsabilidades vitalícias são incompatíveis com contratos que vigoram três meses).

101 anos de história

José Alvarez Quintero jose.alvarez.quintero@fidelidade.pt 22 de maio de 2014 Mod.APS.G.001.V1