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Transcrição:

Instituto do coração eucarístico PADRE CLÓVIS RAMOS COSTA VILLA NOVA *16 /02/ 1909 30 /07/ 2004 Na bela idade de 95 anos faleceu no dia 30 de julho de 2004 o caríssimo irmão P. Clóvis Ramos Costa Villa Nova Sua Família Nasceu em Batatais no dia 16 de fevereiro de 1909. Filho de Miguel Cursino Villa Nova e de Sofia Ramos Costa, o P. Clóvis era de uma família de treze irmãos. Como ele sempre dizia, "meu pai era pernambucano e minha mãe baiana. Meu pai foi para a Bahia, conheceu minha mãe, se casaram e vieram para Porto Ferreira e, depois, para Batatais. Meu pai era médico e minha mãe professora de piano". 1

Sendo o pai do P. Clóvis um médico muito competente, existem ruas em sua homenagem tanto em Batatais como em São Paulo. Nesta última, próximo à Santa Casa, no bairro Santa Cecília. A mãe do P. Clóvis, uma senhora muito piedosa e de missa diária, sempre o levava consigo à igreja dos padres do Verbo Divino. O pai do P. Clóvis morreu quando ele tinha apenas 6 anos. Podemos resumir sua infância na família com o testemunho de sua irmã Maria José: "Quando menino era cumpridor dos deveres escolares. Disponível para ajudar nos trabalhos de uma casa de família, arrumar a lenha, limpar o quintal, cuidar da horta. Tinha espírito de trabalho. Vagaroso, mas chegava lá. Carinhoso com as irmãs e com os irmãos". Sua vocação Como escreveu sua irmã Maria José: "Clóvis era um menino diferente, já parecia escolhido por Deus para uma missão especial na Igreja. Gostava de ajudar missa. Quando os padres iam celebrar nas fazendas, estava sempre pronto para servir". Segundo consta, quando pequeno ele queria ser padre da Congregação do Verbo Divino, mas como ele teria que ir para a Alemanha e abandonar a família o vigário dele o aconselhou a ser salesiano. Assim testemunha sua irmã Maria José, Filha de Maria Auxiliadora: "Quando ele deixou a família, para ser religioso, sofreu muito com a saudade da mãe e dos irmãos. Foi mais uma vitória, pois o desejo de minha mãe era que seus filhos fossem santos". No velório de seu pai, Clóvis já dizia: "Quando eu crescer serei padre e celebrarei a primeira missa pelo meu pai". Assim aconteceu, no dia 7 de dezembro de 1936, na Igreja de Santa Teresinha, no bairro do Chora Menino, onde funcionou o curso de teologia para os salesianos. Sua caminhada formativa e sacerdotal O P. Clóvis entrou no seminário São Manoel de Lavrinhas em 7 de março de 1926. Aí iniciou o noviciado no dia 27 de janeiro de 1927. Emitiu os primeiros votos trienais no dia 28 de janeiro de 1928. De 1928 a 1930 frequentou o curso de filosofia. O tirocínio prático exerceu-o no Colégio de Virgínia de 1930 a 1931 e em Lorena no ano de 1932. Fez o curso teológico no "Instituto Teológico Pio XI", de 1933 a 1936. 2

Recebeu a ordem do presbiterato no dia 6 de dezembro de 1936 na Igreja de Santa Ifigênia, catedral provisória de São Paulo, sendo ordenante Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, bispo coadjutor da Arquidiocese de São Paulo. A partir da ordenação sacerdotal exerceu o ministério sacerdotal em diversas comunidades. De 1937 a 1939 foi conselheiro escolar em Araxá. De 1940 a 1942, no Externato São João, de Campinas, encontramos o P. Clóvis como conselheiro escolar. De 1943 a 1955 trabalhou novamente em Araxá, inicialmente como confessor e nos anos de 1951 a 1953 como diretor. Nesse período iniciou um dos importantes campos de trabalho a que se dedicou: a música. Após esse período como diretor, dedicou-se ao ministério das confissões. O Colégio de Paraguassú o teve como confessor e bibliotecário de 1956 a 1959. Nos anos de 1960 e 1961 o encontramos no Colégio de Belo Horizonte e de Santa Bárbara como confessor. No ano de 1962 trabalhou em Pindamonhangaba. Em 1963 foi pároco em São João Del Rei. De 1964 a 1973 exerceu o ministério das confissões em Santa Bárbara e Ponte Nova. Lavrinhas o teve como confessor e maestro de banda de 1974 a 1992. A obra de São Carlos o teve como confessor e professor de música de 1993 a 1995. A partir de 1996 até a morte esteve em Pindamonhangaba como confessor. Sua vocação para a música Sendo sua mãe professora de piano, desde a infância cultivou os dotes musicais do P. Clóvis. Ao vir para o seminário ampliou seus conhecimentos musicais e ao fazer o tirocínio prático, solicitado a dar aulas de música para alunos internos, tornou-se perito nesse campo. Pela sua dedicação, nas obras em que passou, era requisitado para prestar serviço no campo da música. Foi marcante seu trabalho em Araxá e Lavrinhas. Sabia cativar os alunos da banda através de excursões para o Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Batatais e outras cidades. Seu jeito salesiano de ser 3

Quem conviveu de perto com o P. Clóvis pôde perceber seu jeito simples de ser, puro de coração e de palavra, tranquilo e cheio de bondade, desprendido, disciplinado, preocupado em estar no meio das crianças. Era alegre, criativo e dinâmico. Ele não perdia o bom humor, sempre tinha umas piadinhas ou pegadinhas, tais como: "Qual é o papa que já voou? Papa Gaio." Como bom salesiano, sempre se destacava em sua fala a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora e a São João Bosco. Sua fidelidade ao compromisso religioso sacerdotal P. Clóvis já com 93 anos, todos os dias perguntava se já rezara o breviário. Uma vez que recebia afirmativa escrevia em um papel ou no próprio breviário: hoje diatudo rezado. Ou ainda: " J á rezei missa hoje? Quem vai rezar comigo? Vou lá na frente atender confissões". E alguém dizia: "Padre Clóvis, não precisa". "Como não, eu não me fiz padre para isso?" Quantos testemunhos bonitos de fiéis depois de ouvir as palavras sábias do padre. De modo especial na confissão, quando para concluir ele repetia várias vezes: "Agora em nome de Deus eu estou perdoando todos os seus pecados". Depois de tudo rezado, tanto a missa quanto o breviário e o terço, perguntava: "O que fazer agora? Tudo rezado! Dormir". A partir de 1999, o senhor José Joaquim Diniz Balbino vinha, no período de manhã, atender o P. Clóvis e fazer-lhe companhia, até o dia de seu falecimento. Desse período assim ele se exprimiu: "O P. Clóvis era um homem de Deus. Nunca esquecia de celebrar a Santa Missa, rezar o breviário e o terço. Ficava contente quando rezávamos juntos". Seu carinho para com as crianças e jovens No tempo que ficou em Pindamonhangaba, já com seus 94 anos, P. Clóvis sempre desejava estar no pátio do colégio para poder se encontrar com as crianças. Era muito bonito ver o padre Clóvis sentado na cadeira e várias crianças sentadas no chão ao seu redor. Quantas vezes quando havia alguma comemoração o P. Clóvis ia e na porta distribuía balas. Que alegria a sua e a das crianças. Podemos resumir todo o amor das crianças e dos jovens em um testemunho da aluna Elaine, do Provim: "Tenho muito a falar sobre o P. Clóvis, pois ele foi um padre generoso, legal, que lutou muito para realizar seus sonhos. O P. Clóvis também era 4

muito engraçado, ele sempre nos perguntava, quantas folhas havia em uma árvore. Nós não sabíamos responder, mas ele dizia que era o dobro da metade. P. Clóvis nos ensinou a rir, mesmo quando tínhamos vontade de chorar! O que o deixava mais feliz era ver o próximo feliz. Quando ele via as crianças brincar, se alguém estivesse triste ele sabia a forma de animar. Ele foi para o céu, mas deixou aqui na terra bons exemplos de generosidade, bondade, felicidade e ânimo. Ele não está aqui na terra, mas está guardado no meu coração e na minha mente". Seus últimos anos de vida Após os seus 90 anos, P. Clóvis constantemente usava essa expressão: "Eu já fiz 100 anos com S, com C não sei se vou fazer". Quando perguntavam a ele o que era preciso para viver tantos anos, ele respondia: "É só não morrer!". Quando celebrava a Eucaristia com o povo, sempre falava, no final: "Desejo que vocês sejam muito felizes, e que um dia nos encontremos todos no céu". Pessoalmente, encerrando esta carta, gostaria de exaltar o carinho que toda a Família Salesiana de Pindamonhangaba, e de modo especial a comunidade salesiana, prestou ao querido P. Clóvis, com as palavras do artigo 54 das nossas Constituições e Regulamentos: "A comunidade salesiana ampara com mais intensa caridade e oração o irmão gravemente enfermo. Quando chega a hora de dar sua vida consagrada o remate supremo, os irmãos o ajudam a participar com plenitude da Páscoa de Cristo". Para o salesiano, a morte é iluminada pela esperança de entrar na alegria do seu Senhor. E quando acontece que um salesiano sucumbe trabalhando pelas almas, a Congregação alcançou uma grande vitória. A lembrança dos irmãos falecidos une na "caridade que não passa" os que ainda são peregrinos aos que já repousam em Cristo. Obrigado, P. Clóvis, pelo testemunho de amor à Igreja e à Congregação Salesiana até o último dia de sua vida. E hoje temos certeza que o senhor está com seu Jesus querido. Padre Osmar Hércules Padovan Diretor 5

DADOS PARA O NECROLÓGIO PE. CLÓVIS RAMOS COSTA VILLA NOVA *Batatais (SP), 16 de fevereiro de 1909, Pindamonhangaba (SP), 30 de julho de 2004 com 95 anos de idade, 76 anos de vida religiosa salesiana e 68 anos de sacerdócio. 6