Mariologia Prof. Thiago Onofre Quando Deus formou o mundo Olhou a Virgem Maria Que, por mistério profundo, Antes de criá-la a via... Nela pôs a formosura Da mais bela criatura Que por desígnio plasmou, E no ventre imaculado Por tempo determinado Como Pessoa habitou! (Thiago)
Maria no Novo Testamento Alguns textos no NT testamento fazem referência direta à Virgem Maria. A leitura da Igreja dá a justa compreensão da importância da Virgem Maria no Mistério de Cristo, Redentor do mundo. A Igreja Primitiva logo compreendeu que sendo Mãe de Jesus, Segunda Pessoa da Indivisa Trindade, Maria é também Mãe de Deus.
1. Maria no Evangelho de Marcos Para Marcos, Maria tem uma função definida, sua personalidade desaparece ante a posição de Jesus (Mc 3,33). Não é ele o Filho de Maria? (Mc 6, 3). Esta referência é única e soa muito estranha. A pergunta deixa a impressão de que Jesus é conhecido pela maternidade.
1. Maria no Evangelho de Marcos Se compararmos com os outros evangelhos ver-se-á que: Filho de José (Lc 3,23; 4,22; Jo 1,45; 6,42). A teologia de Marcos sobre a figura da Mãe de Jesus ainda não está clara. Ele começa a sua tarefa do nada, ao passo que os outros autores já têm algumas referência. É por isso que aqui (em Mc) a função de Maria é meramente biológica.
2. Maria no Evangelho de Mateus A preocupação de Mateus é diferente. Apesar de seu se circunscrever a meios judaico-cristãos, entende-se, a partir da genealogia que o autor apresenta Maria como a Mãe de Jesus, o Messias. (Mt 1,1-17), Mateus cita cinco mulheres: 1)Tamar (Gn 38,15), a falsa prostituta; 2)Betsabéia (II Sam 11,11), com quem Davi adulterará; 3)Raab (Jos 2,1ss), a prostituta estrangeira (Js 2); 4)Rute (Rt 4), a estrangeira que casou com o velho Booz; 5)Maria, a suprema irregularidade: a virgem que se torna mãe.
2. Maria no Evangelho de Mateus As dinastias : De Abraão a Davi Davi ao Exílio da Babilônia Exílio à Cristo (42 gerações). Abraão é o Pai dos crentes; Davi o fundador da dinastia real e Jesus é o filho da história humana e da promessa divina. Ora, isso dá a Jesus a condição de herdeiro do trono de Davi, por isso faz sentido chamá-lo Messias.
2. Maria no Evangelho de Mateus Mateus quer sublinhar que a História da Salvação é conduzida pela soberania de Deus. Por isso, Maria aparece na história como ruptura da genealogia comum. A concepção virginal diz respeito ao Filho, em primeiro lugar, e depois à Mãe. A maternidade de Maria é obra divina (do ES) e não humana (de José).
2.1 Reconhecimento da divindade em MT Mateus concentra-se na questão da concepção virginal do Messias no seio de Maria. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel. O foco central não é mariológico mais cristológico. (Mt 1,18-25.) A preocupação é mostrar a divindade de Cristo, por isso seu nascimento envolto em mistérios.
2.2 Jesus é divino No contexto da visita dos Magos: (Mt 2,1-12), Maria aparece como a Nova Jerusalém e o novo Templo. Onde está o rei dos judeus, recém nascido? v.2. Viram o menino com Maria, sua mãe. v.11. Onde encontrar Jesus? Lá onde está Maria. É Ela agora a sede ou o trono do novo Rei. Ela é o novo templo, onde habita Deus e onde é adorado. Os Magos encontram o menino e sua mãe.
2.3 Maria e Cristo Em Mt, vê-se a Mãe unida ao Filho, participando dos seus mistérios. Diferentemente do que se observa em Mc, onde se vê Maria apenas como mãe clânica ou biológica. Maria é inteiramente cristocêntrica porque é toda de e para Cristo. Por isso, tem prerrogativas: Novo Templo, arca da Nova Aliança...
3. Maria no Evangelho de Lucas Maria é uma mulher fiel por excelência, precede a todos os filhos de Deus. É a Mãe do Messias. Aceita espontaneamente ser Mãe do Filho de Deus. A partir da sua resposta dada na fé, torna-se a referência primordial entre os filhos de Israel. Modelo da comunidade dos que creem, como se depreende em Atos.
3. Maria no Evangelho de Lucas Anunciação (Lc 1,26-38): Maria é a perfeição dos que confiam no Senhor e nas suas promessas. É a figura da liberdade humana que responde ao chamado de Deus, confiando (com fé). Abre-se ao amor, com esperança nas promessas que Deus havia feito ao povo eleito. Mostra ao mundo aquele que o universo não pôde conter...
3. Maria no Evangelho de Lucas Visitação (Lc 1,39-45): a iniciativa de Maria é sempre autônoma e voluntária; Agora ela age no amor seja pelo Filho que está em seu ventre, seja pelo serviço à Isabel, símbolo dos que necessitam seu auxílio; Revela-se sua identidade: feliz aquela que acreditou, porque nela encarnou-se o Filho de Deus.
3. Maria no Evangelho de Lucas Magnificat (Lc 1,46-55): é um canto de liberdade do que são felizes por acreditarem. Proclama Deus e as maravilhas que realizou nela, no mundo (natureza) e no seu povo; Ação divina em Maria, mensagem pessoal; ação divina na Humanidade, mensagem social; ação divina no Povo de Israel, mensagem étnica.
4. Maria no Evangelho de São João Maria é mediadora da fé dos discípulos: (Cana Jo 2,1-12); Maria é mãe da Comunidade (sob a Cruz Jo 19,25-27); Maria é figura da Igreja e da Nova Criação (Ap 12). Para a comunidade de Jo, Maria é muito mais que uma simples personagem: representa a humanidade salva, o mundo redimido por Cristo.
4.Maria no Evangelho de São João No entendimento dos primeiros cristãos, Maria é a nova Eva, como Cristo o novo Adão (São Justino e Irineu). É a mãe carnal de Jesus e a mãe espiritual dos discípulos, é a mãe da Igreja, da comunidade de fé. Ela torna-se o ícone-simbólicoteológico que supera a realidade da Maria histórica, a Virgem de Nazaré.