: Desafios e Oportunidades José da Silva e Silva 1 Rafael Lopes 2 1 Universidade Federal do Maranhão UFMA 2 Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão CEFET/MA
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livre hoje é realidade no setor de TI das empresas; Como o modelo atual de software proprietário irá conviver com o novo modelo de software livre, e qual o impacto que esta divergência de tecnologia pode causar no sistema de informações de empresas e governos? Pesquisa FIESP realizada com 100 grandes e médias empresas em 2004 constata que 53% delas utilizavam Linux em 2003; O governo do Paraná já gerou uma economia de R$ 127,3 milhões através de seu programa de software livre, implantado em 2003; Muito se especula sobre software livre... Mas o que é software livre? Ele seria o Santo Graal da informática?
Modelos de Distribuição de Proprietário uso condicionado a pagamento prévio (compra); Shareware uso liberado para avaliação, o registro é pago; Demo uso limitado, normalmente para avaliação; Adware uso condicionado a exibição de propagandas e anúncios; Freeware uso gratuito; Domínio Público sem direitos autorais; Aberto possui direitos autorais, mas o código-fonte é distribuído com o programa; o software pode ser utilizado livremente. Seus usuários podem ter acesso aos códigos-fontes e até alterá-los. O software é livre, que é diferente de software gratuito!. Outros modelos de distribuição podem ser encontrados em: http://www.gnu.org/philosophy/categories.html
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O que é? livre se refere à liberdade dos usuários. Devem ser providos quatro tipos de liberdade, para os usuários do software: 1 a Liberdade: A liberdade de executar, para qualquer uso; 2 a Liberdade: A liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades; 3 a Liberdade: A liberdade de redistribuir cópias; 4 a Liberdade: A liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas, de modo que todos se beneficiem das melhorias. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
O que é? Quando se fala de software livre, uma dúvida freqüente é de pensar que o software deve ser gratuito; O software livre não precisa ser gratuito, embora na maioria das vezes seja distribuído sem grandes custos e até mesmo gratuitamente; Portanto, você pode ter pago para receber cópias de softwares livres, ou você pode ter obtido cópias sem nenhum custo. Mas independente de como você obteve a sua cópia, você sempre tem a liberdade de copiar e modificar o software, ou mesmo de vender cópias.
Por que usar software livre? Poder utilizar o software para qualquer finalidade; Ter acesso ao código fonte e poder modificá-lo, sem quaisquer restrições; Poder copiá-lo e executá-lo em quantas máquinas desejar; Poder distribuí-lo, sem violar, é claro, essas liberdades a que todos têm direito; Ter o seu computador equipado com software de qualidade a um custo baixo ou nulo; Não ficar preso às restrições impostas pelas licenças de softwares proprietários;
Por que usar software livre? Não ficar dependente de novas versões com preços abusivos que eventualmente apresentam incompatibilidades com versões antigas; Não ficar dependente de um fornecedor; Ficar livre da pirataria; Incentivar o desenvolvimento de tecnologia local; Interagir e compartilhar soluções com sua comunidade, seja física ou virtual; Lutar contra o monopólio de grandes corporações que tentam se apropriar do conhecimento intelectual coletivo para benefício próprio.
Evolução dos tipos de projetos de software livre Década de 70: demos, jogos; Década 80: ferramentas para Internet; Década 90: S.O. (atualmente com atividades de desenvolvimento para drivers de dispositivos e extensões); Agora + futuro: aplicações para não-técnicos em Informática. Ex: GIMP, um pacote tipo Photoshop com GUI amigável; Medida de intensidade de interesse: número de submissões / anúncios de novas releases em www.freshmeat.net.
Exemplos de s s existentes atualmente Sistemas Operacionais (GNU/Linux, OpenBSD, FreeBSD, NetBSD); Browsers (Firefox, Opera, Konqueror); Suíte de Escritório (Open Office, Koffice); Editores (Emacs, Vi, Kate, Kedit); Gráficos (Gimp); IDE s (Eclipse, Quanta, Blue Fish); Multimídia (Xine, XMMS); Servidores (Apache, Tomcat); SGBD (MySQL, Postgresql).
x Proprietário SL aloca mais recursos a um problema do que SP; Recursos de SL mais motivados - são voluntários (gerente tem que motivar pessoal de SP); SP com prazos e consumo de orçamento críticos; Comunidade SL prospera na glória / reputação (gift culture): Não se menospreza contribuição; escolhe-se a melhor; Contraste com a academia onde a fama é alcançada às vezes, com exposição de deficiências em trabalhos dos outros ; Você alcança reputação através de reconhecimento dos outros; Comunidade SP prospera com dinheiro (cultura comercial).
Um pouco de história... A idéia de liberdade no software nasceu com Richard Stallman, considerado o pai do software livre; Stallman passou a defender essa idéia de liberdade a partir de um problema que teve com uma impressora Xerox; Em 1983 deixou seu serviço no MIT e iniciou o projeto GNU (GNU is not Unix); O objetivo do projeto GNU era desenvolver um sistema operacional completo e totalmente livre. Esse sistema seria compatível com o UNIX mas ao mesmo tempo diferente; Primeiro aplicativo desenvolvido no contexto do projeto GNU GNU Emacs; Em 1985, para dar continuidade ao projeto GNU e ao desenvolvimento de softwares livres, Stallman fundou a Free Foundation (FSF) [http://www.fsf.org/home.pt.html].
Um pouco de história... No ano de 1991 faltava apenas desenvolver o kernel do sistema operacional; Neste mesmo ano, em um trabalho paralelo e desvinculado ao da FSF, Linus Benedict Torvalds, inspirado pelo seu interesse no Minix (um pequeno sistema UNIX desenvolvido por Andrew S. Tanenbaum), desenvolveu um kernel para computadores AT-386; Ele limitou-se a criar, nas suas próprias palavras, um Minix melhor que o Minix ( a better Minix than Minix ); O kernel desenvolvido foi batizado com o nome de Linux (Linux = Linus + Unix); Linus disponibilizou o Linux (e seu código-fonte) na Internet. Assim, diversos programadores puderam combinar o Linux com o resto do sistema GNU para fazer um sistema operacional livre, o GNU/Linux.
Vantagens na adoção de software livre Pode ser copiado de outro usuário, descarregado da Internet ou comprado de uma empresa que montou um pacote; Diminuição da burocracia sobre as licenças; Preço: baixo custo custo (ou ausência dele) na aquisição; Disponibilidade de código-fonte acoplado à permissão de efetuar modificações; Acesso ao código-fonte por parte da comunidade de desenvolvimento, permitindo melhorias contínuas no código; Normalmente desenvolvidos utilizando padrões abertos, tornando o produto de software interoperável com outros padrões abertos.
Desvantagens na adoção de software livre se um terceiro declarar que o licenciado está utilizando código que o terceiro desenvolvel, o licenciado não tem ninguém para pagar suas taxas legais e danos (ex: SCO vs IBM); Não há manutenção e suporte (a menos que seja contratado separadamente); Não há garantias relativas a mídias, vírus e desempenho; A equipe de trabalho deve ser experiente; Termos de licenças NÃO são padronizadas: assim é importante prestar atenção aos termos da licença do software adquirido.
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GNU GPL Para validar o sistema desenvolvido pelo projeto GNU, era necessária uma base legal. Essa base legal era a GNU GPL (GNU General Public Licence): http://www.magnux.org/doc/gpl-pt_br.txt; http://creativecommons.org/licenses/gpl/2.0/; A GNU GPL determina as condições de distribuição que garantem liberdades ao utilizador. Um programa protegido pela GPL é livre, mas impõe que todo trabalho derivado desse software seja livre; Algumas informações sobre a GPL: Garante a liberdade do usuário em distribuir e/ou modificar; Requer que o código-fonte original e modificado estejam sempre disponíveis sob os termos da licença original; Deve reter as informações de direitos autorais e negação de garantias; Não inclui a concessão de licenças da patente.
Copyright x Copyleft Para o grupo do software proprietário, o esquema de proteção das cópias funciona sob copyrights: para usar qualquer programa, você tem de pagar; Já o copyleft é utilizado para proteger as liberdades do software livre legalmente para todos: Um software que obedece à copyleft é um software livre cujos termos de distribuição não permitem aos redistribuidores adicionar novas restrições sobre a redistribuição ou modificação do software. Isto significa que todas as cópias do software, mesmo que sejam modificadas, devem ser livres.
Classificação Compatíveis com a GPL; Incompatíveis com a GPL; Não-. Mais informações sobre esta classificação e suas licenças podem ser encontradas em: http://www.gnu.org/licenses/license-list.html
Compatíveis com a GPL GPL (GNU General Public License): licença de software livre e de copyleft; LGPL (GNU Lesser General Public License): licença de software livre, mas que não contém uma licença de copyleft forte, uma vez que permite que sejam ligados ao software original, módulos não-livres; Public Domain: não é exatamente uma licença, uma vez que significa que o material não contém direitos autorais. Um software ser de domínio público equivale a ele ter uma licença totalmente permissiva e sem copyleft; Outras licenças: License of Guile, Expat License, CeCILL version 2, Cryptix General License, Modified BSD license, FreeBSD license, License of ZLib, W3C Notice and License, Berkeley Database License, OpenLDAP License, License of Perl, License of Python, License of Netscape Javascript, etc.
Incompatíveis com a GPL XFree86 1.1 License: esta é uma licença simples, sem copyleft, incompatível com a GPL por causa dos requisitos que se aplicam à documentação do software; Original BSD license: esta é uma licença simples, permissiva e sem copyleft. Nesta licença os direitos autorais pertencem ao autor código-fonte. Permite modificações e redistribuição de código-fonte/binário, mas mantém algumas limitações como a ausência completa de garantias; Outras licenças: Academic Free License, Open License, Apache License, Zope Public License, IBM Public License, Common Public License, Eclipse Public License, LaTeX Project Public, Mozilla Public License (MPL), Sun Public License, etc.
Não- Todas as licenças de softwares que não são livres, ou seja, que sigam outros modelos de distribuição que não o livre; Open Public License: requer que todas as versões modificadas de um software sejam enviadas para o desenvolvedor inicial; University of Utah Public License: não permite a redistribuição comercial dos softwares; License of Qmail: esta licença proibe terminantemente a distribuição de versões modificadas do software Qmail; Outros exemplos: Artistic License, Reciprocal Public License, NASA Open Source Agreement, Sun Community Source License, Sun Solaris Source Code License, Aladdin Free Public License, AT&T Public License, Microsoft s Shared Source CLI, C#, And Jscript License, etc.
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Decisão de compra influenciada pela percepção futura de (continuidade de) prestação de serviços; A indústria de software é de serviços; Serviços em software livre: instalação, treinamento, melhorias (upgrades), suporte técnico e projetos complementares. Ex: Linux;
Tendências nos negócios com software Segundo Tim O Reilly existem três tendências principais no mercado de software, independente do software ser livre ou proprietário: Comoditização; como serviço; Trabalho colaborativo em rede; Artigo original: Open Source Paradigm Shift by Tim O Reilly http://tim.oreilly.com/articles/paradigmshift_0504.html
Comoditização Segundo o Wikipedia: O termo commodity aplica-se àquelas mercadorias cujo preço é determinado em bolsas de mercadorias. São produtos de qualidade uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. O aço e o petróleo são exemplos de commodities. Padronização (HW/comunicações Internet); Compartilhar protocolos, interfaces HTTP, HTML, SMTP...(tanto faz ser Open Source-OS ou proprietário); Open Source mantém honestamente os padrões; Proprietário vive da quebra de padrões versão do Office;
como serviço Caso ERP (inversão do custo de licenças e serviços); O software faz parte do pacote da solução, assim como a consultoria, treinamento, personalização, manutenção, etc.; Qual o valor do Google, Yahoo se as informações e os serviços não mudarem?
Trabalho colaborativo em rede A complexidade dos problemas a serem resolvidos e a infra-estrutura de telecomunicações está possibilitando a explosão do trabalho em rede; É muito dificil que uma única empresa tenha a solução completa para um cliente; História da Internet como esforço de colaboração: Unix e universidades; Bind; Amazon - dicas de compras e resenhas de clientes; Wikipedia; Google Page Rank; Atualmente, com os recursos da Internet e softwares colaborativos, é possível você trabalhar com equipes multidisciplinares e localizadas em diferentes regiões do planeta (vide o sucesso da India).
Tendências nos negócios com software O software livre ganhou esta visibilidade atual à partir destas três tendências. E por que? 1 O software livre precisa ser comoditizado, portanto depende de padronização. O software proprietário vive da venda de novas versões e por isto normalmente quebra padrões; 2 O software livre permite alavancar negócios, pois partimos de trabalho de desenvolvimento de software já realizado e podemos utilizar o conhecimento acumulado pela comunidade. Ex: caso Google; 3 O software livre tem no seu DNA o mundo Unix que surgiu do trabalho colaborativo de universidades e empresas. Sua arquitetura é feita para o trabalho distribuído e colaborativo. Por que não adianta abrir o código Microsoft?
Como ganhar $ com software livre? No final da década de 90, algumas fornecedoras de GNU/Linux: Red Hat, VA Linux, Slackware,... Apesar de vendas de ações bem sucedidas, maioria fechou por falta de receitas suficientes para suportar operações (exceto RedHat) Linux é bom no servidor, para desenvolvimento web, mas não tão bom no desktop hoje essa realidade começa a mudar!!!
software livre Clientes corporativos acostumados com facilidades características de software proprietário (vs. $); Modelos de negócios com software livre oferecem conveniência e/ou agregam valor esperados pelo mercado para geração de receitas
Negócios possíveis com software livre Distribuição (cópias binárias, já compiladas para certas plataformas): Walnut Creek: CD-ROM com binários de SL em domínio público ou freeware ; Downloads da web reduziu interesse no CD; Integração: : Núcleo SO + drivers + utilitários interessantes + BD +... CD é atraente para guardar backup, re-instalar, etc; Red Hat, Sleepy Cat (Berkeley DB); Hardware: SO + BD + Aplicações já no servidor: IBM com Linux em toda a sua linha de hardware (U$1.5B em 2002).
Negócios possíveis com software livre Suporte: Linha-de-frente é suportado por uma retaguarda (engenharia); Se fornecedor não controlar software que suporta pode não ter como consertar defeitos (inexistência de engenharia); Documentação: Livros, manuais, tutoriais; Ex.: O Reilly Associates Treinamento: Cursos presenciais, EaD, Conferências.
Negócios possíveis com software livre Outsourcing: Contratos de desenvolvimento de software (com software livre como base); Contratos podem ser exclusivos ou permitir contribuição para o código-fonte do software livre base ou (re-)distribuição: Base com GPL e se produto contrato for para venda, fontes devem ser disponibilizados; Venda de pacotes (bundling): Linux (que continua livre) + Aplicações pagas. Ex: Red Hat; Venda de Extensões de software livre: Extensões em termos de desempenho, capacidade, segurança, etc.
Oportunidades... livre pode acelerar a criação de negócios Perfil técnico de autores polarizam ofertas de software livre para software básico (SO, BD, ferramentas,...) Ex: Linux, PostgreSQL, Jakarta Tomcat (Web/app server); Oportunidades em substituição de máquinas Unix-RISC por Linux-Intel; Oportunidades em aplicações.
... e ameaças livre torna a barreira de entrada (concorrência) no novo negócio criado, mais baixa; Restrições legais / contratuais da licença: Cuidado para código protegido por propriedade intelectual não acabar dentro do código-fonte do software livre. Ex: SCO x Linux (2003).
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s caros + monopólio da Microsoft Conseqüência: exclusão digital dos sem $$; Alternativa: software livre! Impacto atual do SL: empresas (maior), usuários domésticos (menor). http://news.netcraft.com/archives/web_server_survey.html
livre é uma alternativa barata e maleável para as empresas; A filosofia do software livre permite que o mesmo seja continuamente evoluído; Permite variadas formas de lucros; Atua como um forte gerador e impulsionador de negócios; Relatório do Grupo Gartner:... o software livre moveu-se da periferia para o fluxo principal....
Dúvidas e Contato Dúvidas? José da Silva e Silva (fssilva@deinf.ufma.br) Rafael Lopes (rafaelf@cefet-ma.br) A escolha certa é ser livre. Leve em conta que só com liberdade podemos fazer uma escolha pessoal e segura.