MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 1 - RESPOSTA A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA PALETA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA - Referência: RDC Eletrônico nº 04/2016 I - RELATÓRIO: A Universidade Federal do Amapá publicou edital para a realização de licitação na modalidade RDC Eletrônico, registrado sob o nº 04/2016, cujo objeto é a Construção de um Prédio e urbanização do entorno que irá comportar o Laboratório de Engenharia da Universidade Federal do Amapá, campus Marco Zero. Publicado o edital, a empresa PALETA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA encaminhou impugnação, via e-mail, com vistas à alteração do instrumento convocatório. A impugnação apresentada pela supracitada empresa encontra-se à disposição dos interessados, para consulta, nos autos do processo, no sítio www.comprasgovernamentais.gov.br e, também, no sítio da Universidade Federal do Amapá. O Presidente Substituto da Comissão Permanente de Licitação do Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC da UNIFAP, com auxílio técnico da
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 2 Assessoria Especial de Engenharia responde à impugnação apresentada, nos termos legais e conforme os fundamentos a seguir. Preliminarmente, reconhece o Presidente a tempestividade da impugnação, nos termos da alínea b, inciso I do artigo 45 da Lei nº. 12.462/2011 e do edital do RDC em referência. Insurge-se a impugnante em especial quanto à composição do BDI constante no edital em epígrafe. A licitante alega que nas composições do BDI e dos encargos sociais referentes ao RDC nº. 04/2016 que a administração não lançou a contribuição previdenciária correta. Alega ainda que, além da ausência da adequada alíquota previdenciária para composição dos custos, a planilha orçamentária elaborada pela administração padece de vício que repercute em todo o valor da obra. A empresa impugnante cita o caso do item 1.2.2.2 - Mobilização de Materiais e Equipamentos (Anexo II), em que, na análise exposta na impugnação, alega que a administração equivocou-se no cálculo da composição, tendo em vista que na planilha o custo de mão de obra apresentado é de R$ 556,12, encargos sociais de R$ 657,04 e custo total de mão de obra de R$ 1.213,15, existindo erro que reduziria significativamente o preço em 84,64%, ou R$ 1.026,81. II - FUNDAMENTAÇÃO:
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 3 Sobre o item 1.1 do Pedido de Impugnação: Na elaboração da Planilha Orçamentária foi utilizada a Tabela SINAPI Desonerado, não cabendo assim incluir a alíquota de 20% nos Encargos Sociais. No entanto no que se refere à alíquota de 4,5% da CPRB, na composição do BDI, informamos que a composição do BDI é um modelo utilizado como referência da Administração, devendo cada licitante atender o disposto no subitem 61.3.2 do referido certame. Vejamos o que diz o subitem 61.3.2 do Edital do RDC nº 04/2016 - UNIFAP: "61.3.2. O valor de BDI constante na planilha de Referência trata-se apenas de uma estimativa realizada pela Administração. Cada licitante deverá preencher a sua própria planilha de composição analítica do BDI, de acordo com os seus custos próprios, de modo a demonstrar analiticamente a composição do BDI utilizado na formação do preço total da sua proposta". Citamos também o descrito no item 104.3.1 do RDC supracitado: 104.3.1 No cálculo do valor da proposta, poderão ser utilizados custos unitários diferentes daqueles previstos nos 3o, 4o ou 6o do art. 8o da Lei no 12.462, de 2011, desde que o valor global da proposta e o valor de cada etapa prevista no cronograma físico-financeiro seja igual ou inferior ao valor calculado a partir do sistema de referência utilizado. Assim, o BDI de referencia da Administração não tem por objetivo limitar o BDI das propostas de preços das empresas licitantes, já que os valores do BDI podem oscilar de empresa para empresa, de acordo com as suas características particulares, tais como: remuneração desejável, situação econômico-financeira, localização e porte da empresa, estrutura administrativa, número de obras em execução, nível de competitividade do mercado etc, o que se pretendeu foi somente
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 4 estimar um preço global do que a Administração está disposta a pagar pela execução do objeto em licitação. Senão, vejamos o que nos diz o Acórdão 2622/2013-Plenário-TCU: 24. Ao estabelecer um BDI referencial, portanto, não se alvitra, simplesmente, fixar um valor limite para o contratado. A utilização de um valor médio, em associação a outros custos do empreendimento, propicia a percepção de um preço esperado da obra aceitável, harmônico entre os interesses da Administração e do particular. (Grifos nosso no mesmo sentido vide o Acórdão 1.923/2011-TCU-Plenário) Ainda, Informamos que a composição do BDI utilizado pela Administração Publica está dentro dos limites recomendáveis pelo Acórdão 2622/2013. Contudo o próprio Acórdão supracitado estabelece que: 406. No entanto, sendo o BDI parte integrante do preço final de uma obra, a análise a ser realizada deve considerar o preço total da obra, composto por custos diretos mais taxa de BDI, está sendo praticado de forma compatíveis com os valores de mercado. Essa análise deve ser feita por meio do confronto entre preço orçado/contratado e preço de mercado, conforme ilustrado a seguir: a) Preço orçado/cont ratado <= Preço de mercado; ou b) Custo orçado/cont ratado + BDI orçado/contratado <= Custo paradigma + BDI paradigma 407. Nesse sentido, a análise isolada de apenas um dos componentes do preço (custo direto ou BDI) não é suficiente para imputação de sobrepreço. A análise de preços deve se dar sempre mediante a comparação de preço contratado/orçado com o preço de mercado (ou paradigma), visto que uma taxa de BDI elevada pode ser compensada por custos diretos inferiores aos do orçamento paradigma, desde que o preço total contratado esteja abaixo do preço de mercado. Continua relatando o referido Acórdão, o que segue: 410. Igualmente, a análise dos orçamentos de obras em execução também deve sempre ser realizada por meio da comparação dos preços contratados em relação aos preços adotados como paradigma de mercado. A jurisprudência do TCU é pacífica nesse sentido, podendo-se citar os Acórdãos 424/2003, 1.658/2003, 285/2007,
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 5 1.551/2008, 1.053/2009, 1.913/2011, 1.923/2011 e 3.061/2011, todos do Plenário. O Sumário do Acórdão 1.551/2008-TCU-Plenário assim dispôs: Não se admite a impugnação da taxa de BDI consagrada em processo licitatório plenamente válido sem que esteja cabalmente demonstrado que os demais componentes dos preços finais estejam superestimados, resultando em preços unitários completamente dissociados do padrão de mercado. Na avaliação financeira de contratos de obras públicas, o controle deve incidir sobre o preço unitário final e não sobre cada uma de suas parcelas individualmente. Em suma, quis o Pleno daquela distinta Corte de Contas dizer que a análise para aferição de sobrepreço (ou o contrário, no nosso caso), não pode se pautar somente pela análise isolada da taxa de BDI ou dos custos diretos utilizados para estimativa do preço global do empreendimento pleiteado, mas que há necessidade de um exame macro da realidade mercadológica, a fim de comparar se os preços utilizados na obra estão dentro dos parâmetros utilizados mercado local. Neste ensejo, a administração reintera em manter a composição de seu BDI de referencia, haja vista que o preço do custo por m² (metro quadrado) do objeto Construção de um Prédio de Engenharia e Urbanização do Entorno, estimado em R$ 3.729,54 (três mil, setecentos e vinte e nove reais e cinquenta e quatro centavos), está bem acima do custo por m² construído do mercado local, estimado em R$ 1.012,88 (mil e doze reais e oitenta e oito centavos), conforme publicação do IBGE, na Tabela de Custos Médio e Índices Segundo as Áreas Geográficas de setembro de 2016 (parte integrante do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil SINAPI), disponível no sitio eletrônico: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/sinapi/sinapi_201609_ 1.shtm. Sobre o item 1.2 do Pedido de Impugnação: Com relação às composições, informamos que o SINAPI já publica os insumos contemplando os Encargos Sociais, ou seja, os valores informados pela
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ RDC ELETRÔNICO Nº. 04/2016-UNIFAP RESPOSTA I M P U G N A Ç Ã O 6 Licitante como corretos (com o percentual de 84,64%) acarretaria Encargos em duplicidade. Desta forma, como os custos utilizados para precificação são os constantes na tabela SINAPI, não há necessidade de se acrescentar o percentual de 84,64% reclamado pela requerente. IV - DECISÃO: Pelo exposto, decide a Comissão Permanente de Licitação do Regime Diferenciado de Contratações Públicas- RDC da Universidade Federal do Amapá NEGAR PROVIMENTO à impugnação apresentada pela empresa PALETA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA nos termos expostos acima. Macapá, 07 de Outubro de 2016. Luiz Otávio Pereira do Carmo Jr Presidente da Comissão de RDC/UNIFAP Substituto Portaria nº. 2.125/2015 Erick Franck Nogueira da Paixão Membro da Comissão de RDC/UNIFAP Portaria nº. 2.125/2015 Cairo Cardoso Madureira Membro da Comissão de RDC/UNIFAP Portaria nº. 2.125/2015