TELHADO VERDE Tonet, Jordi Arnon 1 ; Beber, José Carlos 2 ; May, Pedro Antonio Comandoli 3 ; Fünfgelt, Karla 4 Instituto Federal Catarinense, Rio do Sul/SC INTRODUÇÃO O telhado verde é uma técnica de bioconstrução que consiste em plantar em telhados. Trata-se de uma cobertura vegetal implantada sobre o telhado ou cobertura impermeabilizada, podendo ser instalado em qualquer edificação. Esse tipo de telhado possui vários benefícios como aumento da biodiversidade, climatização do ambiente interno da edificação, diminuindo o gasto com energia para aquecimento ou resfriamento do ambiente, absorção de água das chuvas e estética. (OLIVEIRA. 29). Sendo útil tanto em locais urbanizados, quanto em áreas rurais, podendo ser considerado uma medida sustentável onde quer que seja instalado. A instalação deste tipo de telhado é simples, exigindo somente uma estrutura adequada que suporte o peso da cobertura vegetal. Os telhados verdes são classificados em dois tipos, as coberturas extensivas e intensivas. Segundo Santos(213), os telhados verdes extensivos são praticamente auto sustentáveis, ou seja, necessitam apenas o mínimo de manutenção, como por exemplo, irrigações e pouco ou nada de uso de fertilizantes; por outro lado os telhados intensivos necessitam de uma razoável profundidade de solo, devido ao grande crescimento das plantas e por isso tem uma demanda de manejo bem maior que o extensivo. Para o experimento foi escolhida a espécie vegetal conhecida como Rosa de Pedra (Echeveria Elegans).Originária do México, faz parte da família Crassulaceae. Podemos encontrar Echeverias de tamanho pequeno, em torno de cm e outras grandes até uns 2 cm de altura e diâmetro, floresce principalmente nos meses mais quentes, sua propagação é por 1 Aluno Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agroecologia 2 Aluno Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agroecologia 3 Aluno Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agroecologia 4 Professor Orientador
meio de enraizamento de folhas e por brotos que nascem em torno da planta mãe. Seus atributos, resistência ao sol, à falta de água, crescimento rápido e pouco manejo, são perfeitos para planta de cobertura. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi conduzido no Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul (SC), no setor Zoo I em um espaço aberto, usando quatro protótipos em alvenaria de tijolos furados com dimensão de 1, m de largura x 1,m de comprimento e altura de 1,m, cobertos com telhas de fibro cimento. Os protótipos estão alinhados, sendo a escolha dos protótipos feita de maneira alternada, dois com a cobertura vegetal e dois sem cobertura. Nos protótipos que receberam a cobertura vegetal, foram utilizadas setenta e oito garrafas PET de uma mesma marca e dimensão como base, sendo colocadas já previamente cortadas ao meio no sentido longitudinal e perfuradas na base, possibilitando a drenagem da água das chuvas. Encaixadas pelo bico, em um semicírculo feito no fundo da garrafa, as garrafas foram fixadas umas nas outras, a seguir, receberam uma camada drenante de brita e uma camada de substrato composto por % de solo, 3% de casca de arroz queimado e 2% de cama de aviário. A seguir foram plantadas as mudas de Rosa de Pedra. A temperatura e umidade foram medidas usando o termo-higrômetro Max. e Min. da marca Incoterm. Para formar um padrão de medição da temperatura ambiente, máximo, mínima e umidade foi feita uma marcação dentro dos protótipos de tal maneira que o termo higrômetro ficasse sempre ao centro. Também foi feita uma marcação determinado a instalação do termômetro a uma mesma altura dentro do protótipo, cerca de 3 cm do piso. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para provar a estabilização proporcionada pelo telhado verde, foram efetuadas medições de hora em hora em um dia, por seis horas (6: hs ás 12: hs), padronizando as medições para que as condições sejam as mesmas para ambos. Estas medições foram feitas em um dia nublado, com temperatura máxima de 16, C e mínima de 14 C. Podendo ser verificado o resultado no gráfico abaixo. 2
Variação ( C) 1,6 1,4 1,2 1,8,6,4,2 6: 7: 8: 9: 1: 11: 12: Figura 1: gráfico da variação de temperatura dos protótipos. A partir desses dados podemos observar que, a média de variação de temperatura do telhado verde foi menor que a da testemunha, provando assim que o telhado verde proporciona a estabilização da temperatura no ambiente interno. Em medições realizadas em dias com temperatura maior, a diferença de variação entre o telhado e a sua testemunha foram maiores, pois o telhado proporciona uma maior estabilização em dias mais quentes. Foram efetuadas medições em dez dias não consecutivos para demostrar a variação de temperatura e estabilização da temperatura acarretada pelo uso do telhado verde. Essas medições foram feitas em dois períodos do dia (12: hs e 18:hs) e então somadas obtendo uma média dos dez dias e também somado as temperaturas da testemunha formando uma média dos mesmos dez dias. 2,16 2,16 2,1 2,1 2,14 2,14 2,13 Variação das médias da temperatura 1 2 Figura 2: gráfico da média de variações de temperatura. 3
Percentual de Umidade (%) Temperatura ( C) A partir desse gráfico podemos perceber que a variação de temperatura da testemunha foi bem maior que a do telhado verde, isso porque a cobertura vegetal proporciona uma maior estabilização da temperatura em dias quentes. Os resultados presentes na figura 3 são decorrentes de medições feitas em dias quentes (acima de 2 C) com intuito de mostrar a diminuição da temperatura interna dos protótipos. Diminuição da Temperatura 6 4 3 2 1 1 2 3 4 Médias Figura 3: gráfico de diminuição da temperatura em dias quentes. Podemos notar que houve uma maior diminuição da temperatura feita pelo telhado verde, enquanto a testemunha diminuiu uma média de 3,1 C o telhado verde diminuiu a temperatura em 4 C. Apesar de não ser objetivo principal do trabalho, foi observada a umidade dentro dos protótipos. Usando cinco diferentes medições em dias não consecutivos montamos um gráfico que mostra o aumento da diminuição tanto nos protótipos com telhado verde como nas testemunhas. 2 2 1 Aumento da Umidade 1 1 2 3 4 Medições Figura 4: gráfico de aumento da umidade, com dados em medições. 4
Os dados do gráfico mostram que os protótipos, onde o telhado verde se faz presente, a umidade teve um maior aumento. CONCLUSÕES Através desse projeto foi possível observar que o emprego do telhado verde tem vários benefícios, dentre eles: estabilização da temperatura em dias de grande amplitude térmica; diminuição da temperatura em dias quentes; aumento da umidade sendo que a umidade ideal para o ser humano é cerca de 7%. Entendemos então que o telhado verde pode ser uma boa opção como meio alternativo para uma melhora no conforto térmico em moradias bem como em instalações rurais. REFERÊNCIAS HENEINE, Maria Cristina Almeida de Souza. Monografia: Cobertura verde. MG: Escola de Engenharia UFMG, 29. 49 pg. JUNIOR, A. A. M.; SILVA, S. A.O; LEITE, R. R. Montagem de um telhado verde com a utilização de materiais de baixo custo. MG: SENEPT, 21. 1 pg. KREBS, Lisandra Fachinello. Coberturas Vivas Extensivas: Análise da utilização em projetos na região metropolitana de porto alegre e serra gaúcha. RS: 2. Pg 21-4. LENGEN, Johan Van. Manual do Arquiteto Descalço. São Paulo: Empório do Livro, 28, pg 448-479. LIMA, Igor Grecco de; BARROCA, Bruna Barbosa; D OLIVEIRA, Pérsio Sandir. Influência do telhado ecológico com plantas verdes no conforto ambiental. PR: EPCC, 29. 4 pg. OLIVEIRA, Eric Watson Netto de. Telhados verdes para habitações de interesse social: retenção das águas pluviais e conforto térmico. Rj: Universidade do Estado de Rio de Janeiro, 29. 87 pg. SANTOS, Pedro Tyaquiçã da silva et al. Telhado verde: desempenho do sistema construtivo na redução do escoamento superficial. RS: Revista Ambiente Construído, 213. 14 pg.