PROGRAMA PARA CONTROLAR A ASMA PRIMEIRA PARTE



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Transcrição:

PROGRAMA PARA CONTROLAR A ASMA PRIMEIRA PARTE O cuidado apropriado com a asma pode ajudar o paciente a prevenir a maior parte das crises, a ficar livre de sintomas problemáticos diurnos e noturnos e a manter-se fisicamente ativo. Os objetivos para o manejo bem sucedido da asma são: Ausência de sintomas ou pouca freqüência deles, incluindo os noturnos; Apresentar crises mínimas ou episódicas; Não ter necessidade de consultas de emergência ou hospitalização; Necessitar o mínimo possível de medicação de alívio; Não ter limitações nas atividades físicas e nos exercícios; Ter função pulmonar quase normal; Não ter efeitos indesejáveis da medicação ou apresentá-los em níveis baixos. Parte 1: EDUCAR OS PACIENTES A DESENVOLVER UMA PARCERIA NO CUIDADO COM A ASMA. Com a sua ajuda e com a de outros profissionais de saúde, os pacientes podem envolver-se ativamente no manejo de sua asma, de forma a prevenir a ocorrência de problemas e a viver produtivamente, levando uma vida fisicamente ativa. Os pacientes podem aprender a: Evitar fatores de risco; Tomar corretamente a medicação; Compreender a diferença entre medicação de controle e de alívio; Monitorar seu estado usando os sintomas e, se possível, o PFE; Reconhecer os sinais de piora da asma e agir; Procurar ajuda médica quando necessário. Trabalhando juntos, você e seu paciente devem preparar um esquema pessoal de manejo da asma que seja medicamente apropriado e prático. Um plano de manejo da asma deve cobrir: Passos preventivos para controle a longo prazo: Quais fatores de risco para a asma devem ser evitados. Qual a medicação diária a ser tomada. Ações para acabar com as crises: Como reconhecer que a asma está piorando. Liste os indicadores de piora, tais como aumento da tosse, opressão torácica, sibilos, respiração difícil, distúrbios do sono, ou PFE abaixo do melhor valor pessoal, apesar do aumento da medicação. Como tratar a piora da asma. Liste nomes e doses dos remédios de alívio e dos comprimidos de corticosteróides e especifique quando usá-los.

Como e quando buscar ajuda médica. Liste indicadores, tais como crise de início súbito, falta de ar quando está descansado ou falando poucas palavras, sentindo pânico, PFE abaixo de um determinado valor, ou história de crises graves. Anote nome do médico, endereço e número do telefone do consultório médico, da clínica ou do hospital. Os métodos educacionais devem ser apropriados para seus pacientes. Usar diferentes métodos - discussões (com o médico, a enfermeira, o educador, ou com outros), demonstrações, material escrito, reuniões de grupo, vídeos ou áudios, dramatização, grupos de apoio - ajuda a reforçar a educação. A educação permanente, usada em cada consulta, é a chave do sucesso em todos os aspectos do manejo da asma. Exemplos de planos de automanejo podem ser encontrados em diversas páginas da Internet, como por exemplo: http://www.sbpt.org.br; http://www.asthma.org.uk; http://www.asthmanz.co.nz http://www.nhlbisupport.com/asthma/index.html; Parte 2: AVALIAR E MONITORAR A GRAVIDADE O controle da asma requer cuidado continuado a longo prazo e acompanhamento. Acompanhar inclui a revisão dos sintomas e, tanto quanto possível, a medida da função pulmonar. Medir o PFE em todas as consultas médicas (a espirometria é preferível), junto com a revisão dos sintomas, ajuda a avaliar a resposta do paciente aos sintomas e a ajustar o tratamento de acordo. O PFE consistentemente maior que 80% do melhor valor pessoal sugere bom controle. Monitoramento domiciliar do PFE pode ajudar os pacientes a reconhecer os sinais iniciais da piora da asma (PFE menor que 80% do melhor valor pessoal) antes que os sintomas apareçam. Os pacientes podem agir rapidamente de acordo com seu plano pessoal de manejo para evitar crises graves. O monitoramento domiciliar do PFE nem sempre é prático, mas para pacientes que não conseguem perceber os sintomas e para aqueles que já foram hospitalizados, o monitoramento domiciliar do PFE tem grande prioridade. Consultas regulares (com 1 a 6 meses de intervalo, conforme apropriado) são essenciais, mesmo depois que o controle da asma esteja estabelecido. Em cada consulta, revise as perguntas do quadro 3. _ A adesão aos planos de manejo da asma é maior quando os pacientes têm a oportunidade de falar sobre suas preocupações, medos e expectativas relacionados à sua asma.

Quadro 3 Perguntas para monitorar os cuidados com a asma O PLANO DE CONTROLE DA ASMA ESTÁ ATINGINDO OS OBJETIVOS ESPERADOS? Pergunte ao paciente: Você tem acordado à noite por causa da asma? Você tem necessitado usar a medicação de alívio mais que o habitual? Você tem precisado ir ao Pronto-Socorro? Seu valor de PFE tem ficado abaixo do seu melhor valor pessoal? Você está fazendo suas atividades físicas habituais? Considere as ações: Ajustar a medicação e o plano de manejo como necessário (passe a anterior). Mas antes avalie a adesão. O PACIENTE ESTÁ USANDO O INALADOR, ESPAÇADOR OU MEDIDOR DE PFE CORRETAMENTE? Peça ao paciente: Por favor, mostre como está tomando seu remédio. Demonstre a técnica correta. Faça o paciente demonstrar de novo. O PACIENTE ESTÁ TOMANDO A MEDICAÇÃO E EVITANDO OS FATORES DE RISCO DE ACORDO COM SEU PLANO DE MANEJO DA ASMA? Pergunte ao paciente, por exemplo: Para que possamos planejar seu tratamento, por favor me diga com que freqüência você realmente está tomando seus remédios? Que dificuldades você tem tido para seguir o plano de manejo ou para tomar seus remédios? Durante o último mês, você parou de tomar seus remédios porque estava se sentindo melhor? Ajuste o plano para ele ser mais prático. Resolva os problemas com o paciente para que ele supere as barreiras para seguir o plano. O PACIENTE TEM ALGUMA PREOCUPAÇÃO? Pergunte ao paciente: Que preocupações você teria com sua asma, com os remédios ou com seu plano de manejo? Providenciar educação adicional para aliviar as preocupações e discutir as barreiras.

PARTE 3: EVITAR EXPOSIÇÃO A FATORES DE RISCO. Para melhorar o controle da asma e reduzir a necessidade de medicação, os pacientes devem evitar exposição aos fatores de risco (alérgenos e irritantes que fazem a asma piorar). Quadro 4 Fatores habituais de risco para a asma e medidas para reduzir a exposição FATOR DE RISCO AÇÃO Alérgeno de ácaro doméstico - Lave os lençóis e cobertores semanalmente com (tão pequenos que não são visíveis a olho nu) água quente e seque-os com ar quente ou ao sol. - Cubra travesseiros e colchões com forros adequados. - Troque carpetes e tapetes por piso de madeira ou cerâmica, especialmente nos quartos. - Use móveis de madeira, vinil ou couro em vez de forros de tecidos. Fumaça de tabaco (se o paciente fuma ou respira a fumaça do cigarro alheio) Alérgenos de animais com pelo Alérgeno de barata Polens e mofo externo Mofo doméstico Atividade física Remédios - Se possível, use aspirador com filtro. - Fique longe da fumaça do tabaco. Pacientes e seus familiares não devem fumar. - Remova os animais da casa ou pelo menos dos quartos. - Limpe bem a casa e com regularidade. Use sprays pesticidas, mas tenha certeza de que o paciente não esteja em casa na hora em que for usá-los. - Feche as janelas e portas e fique dentro de casa na época em que os polens são comuns. - Reduza a umidade na casa; limpe as áreas úmidas frequentemente. - Não evite a atividade física. Sintomas podem ser prevenidos pelo uso de broncodilatadores de ação rápida, cromonas ou antileucotrienos antes do exercício vigoroso. - Não tome beta-bloqueadores ou aspirina ou antiinflamatórios não esteróides se esses medicamentos lhe causarem sintomas da asma. IMUNOTERAPIA ESPECÍFICA (VACINA ANTIALÉRGICA) direcionada ao tratamento de uma alergia subjacente à gramínea ou a outro pólen, ácaros domésticos, epitélio animal, ou Alternaria (fungo-do-ar) pode ser considerada quando a prevenção do alérgeno não for possível ou a medicação apropriada falhar no controle dos sintomas asmáticos. Imunoterapia específica só pode ser realizada por profissionais de saúde capacitados em seu uso.

Prevenção primária da asma ainda não é possível, mas pesquisas promissoras estão sendo conduzidas. Há evidências de que a exposição ambiental à fumaça do tabaco, tanto pré-natal como pós-natal, tenha influência adversa no desenvolvimento de doenças sibilantes. O texto acima é parte do MANUAL DE BOLSO PARA MANEJO E PREVENÇÃO DA ASMA publicada pela GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA (GINA). Para maiores informações acesse o website da GINA em www.ginasthma.org AS DÚVIDAS E PERGUNTAS DEVERÃO SER LEVADAS AO SEU ALERGISTA PARA ESCLARECIMENTO. IMPORTANTE As informações disponíveis no site www.alergiarespiratoria.com.br possui caráter informativo e educativo. No caso de consulta procurar seu médico de confiança para diagnóstico e tratamento. Dr. Luiz Carlos Bertoni Alergista - Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI) Membro - World Allergy Organization (WAO) CRM-PR 5779