Processo nº: 2081/2013 Interessado: Departamento de Recursos Humanos Assunto: Incorporação de Gratificação de Representação Servidores Públicos. Incorporação da Gratificação de representação. Quesito acerca da exegese da Lei Complementar Estadual 813/96. Parecer A.J nº 331/2014 1. Tratam os autos sobre consulta formulada pelo Departamento de Recursos Humanos da Instituição acerca da aplicação da Lei Complementar nº 813/96, que regulamenta a incorporação da Gratificação de Representação GR. 2. Às fls. 09/23 consta o Parece AJ nº 86/2014, elaborado por esta Assessoria Jurídica, que cuidou de analisar os questionamentos inicialmente feitos pelo DRH. 3. Ocorre que foi suscitada nova questão pelo DRH referente à possibilidade de manutenção da gratificação de representação percebida por servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão quando houver interrupção do vínculo jurídico mantido com a Administração em decorrência de exoneração naquele cargo e posterior nomeação em outro cargo comissionado. 1
4. É o relatório. 5. Inicialmente, cumpre salientar que o aparato normativo que regulamenta a incorporação da gratificação de representação já foi devidamente analisado no bojo do Parecer AJ nº 86/2014 (fls. 09/23), cabendo invocá-lo como fundamento para embasar a nova consulta formulada pelo DRH. 6. Conforme se observa da manifestação constante às fls. 76, o DRH traz o seguinte questionamento: Havendo a interrupção do vínculo em decorrência da exoneração do cargo em comissão e a posterior nomeação em outro cargo, a Gratificação de Representação percebida no cargo anterior deverá ser computada para efeitos previstos no Parecer AJ 86/2014? 7. Trata-se de dúvida surgida quando da elaboração dos cálculos das gratificações de representação percebidas por servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, ou seja, sem vínculo efetivo com a Administração Pública, tendo sido mencionado o seguinte exemplo: servidor que ocupou cargo em comissão no período de janeiro de 2007 a janeiro de 2012, e a partir de 1º de fevereiro de 2012 foi nomeado para outro cargo em comissão. Assim, questionou-se se ele teria direito à incorporação da gratificação de representação percebida durante o período em que esteve no cargo anterior. 8. Inicialmente, cabe salientar que o tema não é pacífico, havendo dois posicionamentos distintos, os quais podem ser extraídos do Parecer PA-3 nº 159/98 elaborado pela Procuradoria Geral do Estado, cuja cópia segue anexa. 9. Uma primeira corrente entende que a verba de representação incorporada nos termos da Lei Complementar 813/96 constitui vantagem pessoal que integra o 2
patrimônio jurídico do servidor público, logo, ainda que este seja exonerado do antigo cargo em que se deu a incorporação, terá direito ao restabelecimento da verba caso seja posteriormente nomeado para outro cargo ou função pública. 10. No entanto, em razão da natureza acessória da gratificação de representação, tem-se que a sua incorporação está condicionada à percepção de outros vencimentos, razão pela qual o servidor somente terá direito ao benefício enquanto estiver ocupando cargo público. 11. De acordo esse entendimento, sendo a incorporação da gratificação de representação uma vantagem pessoal adquirida pelo servidor, o regramento jurídico a ela aplicável deve ser o mesmo adotado para as demais verbas de caráter pessoal, como o adicional por tempo de serviço, o qual pode ser transportado pelo servidor para o novo cargo por ele ocupado ainda que tenha havido a interrupção do vínculo jurídico mantido com a Administração Pública (artigo 127 da Lei nº 10.261/68). 12. Todavia, há posicionamento em sentido contrário que defende a impossibilidade de manutenção no novo cargo da verba de representação incorporada no cargo anterior do qual o servidor tenha sido exonerado. 13. Isso porque, em se tratando de servidor não efetivo, ou seja, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, a partir do momento em que é exonerado do cargo, há o rompimento do vinculo jurídico mantido com a Administração Pública e consequentemente a desconstituição dos direitos em decorrência dele adquiridos. 14. Assim, mesmo que o servidor tenha permanecido no cargo em comissão anterior pelo período de 05 (cinco) anos, o ato de exoneração romperia o vínculo funcional, ocasionando a perda das vantagens obtidas até aquele momento, como é o caso da incorporação da gratificação a que se refere o artigo 135, III, da Lei 10.261/68. 3
15. Analisando os argumentos acima aduzidos, entendemos que a razão está com a segunda corrente, posto que a extinção da relação jurídica anteriormente existente acarreta a perda de todos os direitos dela decorrentes, somente admitindo-se a manutenção de tais direitos quando expressamente previstos em lei, como é o caso do adicional por tempo de serviço, que encontra amparo legal no artigo 127 da Lei nº 10.261/68. 16. Ocorre que no caso da incorporação da gratificação de representação não há qualquer previsão legal sobre a possibilidade de se transportar o benefício percebido em cargo anterior para o novo cargo ocupado pelo servidor, quando ocorrer a interrupção do vínculo laboral, razão pela qual o direito deverá ser extinto. 17. Ademais, cabe salientar que a finalidade do legislador ao prever a incorporação da gratificação de representação era assegurar o direito à irredutibilidade salarial daquele servidor que mantém o mesmo vínculo funcional com a Administração, embora a função por ele exercida tenha sido alterada. 18. Ocorre que, conforme dito acima, nos casos em que o servidor ocupante de cargo em comissão puro é exonerado, verifica-se a extinção do vínculo laboral mantido com o Estado, logo, ainda que posteriormente este servidor retorne ao serviço público, a nova relação constituída com a Administração ensejará o surgimento de obrigações e de remuneração diversas, não havendo que se falar em redução salarial. 19. Nesse sentido, vem se manifestando o E. Tribunal de Justiça, conforme se observa dos julgados abaixo colacionados: SERVIDOR ESTADUAL. Piracicaba. LE n 10.261/68, art. 135. LE nº 813/96. Gratificação de representação. Incorporação. Exoneração e posse em outro cargo. A gratificação do art. 135 Dl da LE nº 10.261/68 se vincula ao cargo exercido e se extingue com a exoneração e o rompimento do vinculo com a 4
administração. Inexistência de direito à incorporação do período anterior ao novo cargo ou função. Incorporação erradamente averbada e bem revista pela administração. Improcedência. Recurso da autora desprovido. (TJSP. Apelação nº 9250076-13.2008.8.26.0000; 10ª Câmara de Direito Público; Rel. Des. Torres de Carvalho. Data de julgamento 21/12/2009). MAGISTÉRIO. Gratificação de representação. Incorporação aos vencimentos do impetrante quando ele era titular do cargo de Professor III. Posteriores exoneração e posse no cargo de Diretor de Escola. Vínculo funcional anterior extinto. Vantagem pessoal que não pode ser transportada para o novo cargo, pois integrava o patrimônio funcional que o impetrante ostentava quando titular do cargo anterior. Suspensão do pagamento. Inexistência de violação de direito adquirido ou infração ao princípio da irredutibilidade de vencimentos. Legalidade do ato. Sentença que denegou a ordem. Recurso desprovido. (TJSP. Apelação nº 9076714-43.2003.8.26.0000; 10ª Câmara de Direito Público; Rel. Des. Antônio Carlos Villen. Data de julgamento 31/07/2006). SERVIDOR PÚBLICO - Indenização - Gratificação - Pretensa incorporação - Impossibilidade - Servidor que se exonerou para tomar posse em outro cargo - Gratificação transitória - Sentença de improcedência da ação confirmada Apelo não provido. (TJSP. Apelação nº 9069389-80.2004.8.26.0000; 12ª Câmara de Direito Público; Rel. Des. Osvaldo de Oliveira. Data de julgamento 04/06/2008). 20. Por outro lado, cumpre esclarecer que o encerramento do vínculo funcional anterior e a constituição de uma nova relação jurídica com a Administração fazem com que o lapso temporal de 05 (cinco) anos, exigido pelo artigo 1º, inciso I, da Lei nº 813/96, para 5
que o servidor possa fazer jus à incorporação da gratificação de representação, seja interrompido e comece a fluir novamente. 21. Dessa forma, entendemos que o rompimento de vinculo funcional, por qualquer razão, torna inviável a continuidade do percebimento da gratificação a que se refere o artigo 135, inciso III, da Lei 10.261/68, ainda quando tenha sido anteriormente incorporada pelo servidor, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 406/85. 22. É o parecer, sub censura. São Paulo, 22 de julho de 2014. Bruna Gonçalves Loureiro de Andrade Barros Defensora Pública Assessora 6