Introdução a Televisão Digital

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Transcrição:

Introdução a Televisão Digital Luciano Leonel Mendes 1, Sandro Adriano Fasolo 2 Resumo O objetivo deste artigo é apresentar uma análise sobre os fundamentos e padrões utilizados para radiodifusão da Televisão Digital. É feita uma breve comparação entre os sistemas existentes, abordando os principais aspectos que afetam na decisão do padrão a ser adotado, passando por uma análise técnica e de mercado nos principais países detentores de tecnologia de Televisão Digital da atualidade. Abstract The main purpose of this paper is to show an analysis about the fundaments and standards used in Digital Television broadcasting. This analysis is realized comparing the developed systems, approaching the main aspects which affects the decision about the standard to be adopted. The aspects analyzed in this paper involve a technical approach and also the market in the countries that develope the Digital Television technology. Palavras-chaves ATSC, DVB-T, ISDB-T, TV Digital. I. INTRODUÇÃO Desde seu advento, em meados da década de 2, a televisão faz parte do cotidiano da sociedade, tendo uma alta penetração em todas as camadas da população. Especialmente no caso do Brasil, onde a penetração chega a 9% dos lares [1], a televisão é um fator de formação de opinião muito importante. Além disso, seja por razões culturais ou financeiras, a televisão é uma das principais formas de entretenimento da maior parte da população. A criação da Televisão Digital trouxe grandes vantagens com relação a televisão analógica, como qualidade de imagem e som, interatividade dos telespectadores e diversidade de programação. Porém, é importante salientar que o processo de migração do padrão analógico para o padrão digital não pode afetar nenhuma camada da população, pois a televisão funciona como um fator de integração nacional, fazendo com que todas as regiões do país possuam interesses em comum e atuem em conjunto. Desta forma, é importante levar em consideração os diversos fatores que influenciam na decisão de qual padrão deve ser adotado. Caso haja uma análise errônea ou a omissão de algum desses fatores, pode ocorrer que a Televisão Digital não alcance o mesmo sucesso que sua antecessora atingiu. A seguir é apresentado os aspectos que serão analisados neste artigo: Qualidade técnica do sistema; Aceitação no mercado; Relacionamento com o(s país(es detentor(es da tecnologia; Necessidade da comunidade; Efeitos na balança comercial. Neste artigo também será apresentado algumas definições e fundamentos sobre os padrões de Televisão Digital. II. TELEVISÃO DIGITAL No início da década de 8, o Japão apresentou um sistema analógico de alta definição denominado de MUSE. Este sistema, embora complexo e dispendioso, foi comercialmente implementado e obteve algum sucesso no Japão, mas apenas para transmissão via satélite. A largura de banda requerida por este sistema inviabilizava a transmissão terrestre do sinal analógico de alta definição. As principais características deste padrão estão apresentadas na Tabela 1. Tabela 1: s do sistema MUSE. Valor Largura de Banda 3MHz Número de Linhas 1125 Número de Linhas Ativas 135 Varredura Vertical 6Hz Relação de Aspecto 16:9 Devido ao grande ganho na qualidade da imagem com relação aos padrões convencionais de TV (NTSC - National Television System Committee -, PAL - Phase Alternation by Line - e SECAM - Sequential Couleur Avec Memoire, houve um grande interesse no padrão de Televisão de Alta Definição (HDTV - High Definition Television, mas as dificuldades em realizar a radiodifusão terrestre do sinal HDTV limitou o acesso a esta tecnologia. No início da década de 9, os principais centros tecnológicos mundiais, como EUA, Europa e Japão, já estavam pesquisando padrões digitais para radiodifusão terrestre de televisão. No ano de 1993, a Grande Aliança, formada por empresas do ramo, apresentou o padrão que foi adotado pelo Comitê de Sistemas de Televisão Avançados (ATSC Advanced Television Systems Committee, nos EUA. Neste mesmo ano, um grupo de estudo europeu denominado de ELG (European Lauching Group definiu o padrão de Televisão Digital a ser utilizado na Europa. Esse padrão foi chamado de DVB-T (Digital Video Broadcasting Terrestrial. Em 1999, o grupo japonês denomiado de ADTV-LAB (Advanced Digital Television Laboratory apresentou o padrão ISDB-T (Integrated Services of Digital Broadcasting Terrestrial, que é o padrão adotado no Japão [2]. Todos os padrões apresentados possuem o mesmo objetivo, que é melhorar a qualidade de imagem e som, utilizando a mesma largura de faixa dos canais de TV Analógica. Uma análise mais detalhada sobre cada padrão é feita mais adiante. 1 Luciano Leonel Mendes, INATEL, Av. João de Camargo, 51, 3754-, Santa Rita do Sapucaí, MG, Brazil, lucianol@inatel.br 2 Sandro Adriano Fasolo, INATEL, Av. João de Camargo, 51, 3754-, Santa Rita do Sapucaí, MG, Brazil, sandro.fasolo@inatel.br 1

III. RESOLUÇÕES NA TELEVISÃO DIGITAL Um dos parâmetros que mais motivou o estudo e desenvolvimento da Televisão Digital foi o ganho na definição de imagem. Com as técnicas de modulações digitais associadas com as técnicas de compressão de vídeo, é possível transmitir um sinal digital de alta definição dentro da largura de faixa destinada para a televisão analógica. Essa largura de faixa do canal varia em função do padrão analógico utilizado em cada país. No Brasil, Japão e EUA utiliza-se o canal de 6MHz, mas na Europa e Ásia existem países que adotam canais de 7MHz e 8MHz [3]. Outra razão para investir na Televisão Digital é a possibilidade de aumentar a diversidade da programação. Por este motivo, previu-se três possíveis resoluções, conforme mostrado na Tabela 2. Tabela 2 : Resoluções da TV Digital. Linhas Pontos por linha Relação de Aspecto SDTV 48 64 4:3 EDTV 72 128 16:9 HDTV 18 192 16:9 O formado SDTV (Standard Definition Television possui uma definição praticamente igual a definição obtida nos padrões analógicos. Assim, o formato SDTV requer uma menor parcela do espectro. O formato EDTV (Enhanced Definition Television é uma opção intermediária entre o formato SDTV e HDTV, ou seja, possui uma melhor definição, mas ainda não ocupa toda a banda disponível. Utilizando uma combinação dos diferentes formatos, é possível fazer um melhor uso do espectro, conforme mostrado na Figura 1. HDTV EDTV SDTV SDTV SDTV SDTV SDTV D D D Figura 1: Combinação de Resoluções. O campo D apresentado na Figura 1 representa uma parcela do espectro de sinais destinada para a transmissão de dados para o usuário. Pode-se utilizar estes dados para permitir interatividade do telespectador ou para permitir o acesso a Internet através do receptor de Televisão Digital. Neste caso, o canal reverso (canal de uplink é feito através da linha telefônica convencional. A Tabela 3 mostra uma comparação entre o número de linhas dos principais sistemas analógicos e os formatos existentes para Televisão Digital. Tabela 3 : Comparação entre TV Analógica e Digital. Sistema Resolução Linhas Ativas PAL-M 525 linhas 32 linhas PAL 625 linhas 33 linhas SECAM 625 linhas 33 linhas NTSC 625 linhas 33 linhas SDTV 48 linhas 48 linhas EDTV 72 linhas 72 linhas HDTV 18 linhas 18 linhas Segundo a Tabela 3, mesmo no modo SDTV há um ganho de resolução quando comparado com os padrões analógicos. Há uma diferença entre o número de linhas total e o número de linhas ativas nos sistemas analógicos, pois as primeiras e últimas linhas do quadro não podem ser usadas, devido ao apagamento vertical. Outro fator que degrada a resolução da televisão analógica é o fato da mesma utilizar o intrelaçamento de dois campos para formar um quadro. Isso faz com que se tenha uma sobreposição das linhas, reduzindo a resolução útil na recepção. IV. PADRÕES DIGITAIS Conforme apresentado anteriormente, foram desenvolvidos três padrões de Televisão Digital até o momento: o ATSC nos EUA, o DVB na Europa e o ISDB no Japão. Nesta sessão, será apresentado uma relação das principais características destes padrões. A Tabela 4 apresenta as principais características do padrão ATSC [4]. Modulação Sistema de áudio Largura de Faixa Formatos sustentados Taxa de símbolos Taxa de bits útil Tabela 4: Padrão ATSC. 8-VSB (Vestigial Side Band DOLBY/AC-3 (padrão proprietário 6MHz SDTV, EDTV e HDTV 1,76. 1 6 símbolos/segundo 19,28. 1 6 bps O padrão ATSC foi desenvolvido principalmente para atender as necessidades do formato HDTV. A técnica 8-VSB é baseada na modulação AM/VSB utilizada para transmissão de sinais analógicos. Na modulação 8- VSB, existem oito níveis possíveis, onde cada nível carrega três bits. Desta forma, a taxa de bits total no canal chega a 32,28 Mbps. A diferença entre a taxa total e a taxa útil do sistema ocorre devido ao uso de redundâncias necessárias ao sistema, como por exemplo, códigos corretores de erro e sinais de sincronismo. Algumas das principais características do padrão DVB-T são apresentadas na Tabela 5. Tabela 5: Padrão DVB-T. Modulação COFDM Modulação das sub-portadoras QPSK, 16QAM ou 64QAM Sistema de áudio MPEG2 Largura de Faixa 6MHz, 7MHz ou 8MHz Formatos sustentados SDTV, EDTV e HDTV Taxas de bits [Mbps] Mínima: 4,98 - Máxima: 31,67 A modulação COFDM (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplexing [5] utilizada no DVB-T é um sistema multiportadora, onde cada portadora é ortogonal com relação as demais. Cada sub-portadora pode ser modulada utilizando QPSK, 16QAM ou 64 QAM, dependendo das condições de transmissão e da taxa de bits requerida. O uso da modulação OFDM garante uma grande robustez do sistema em canais com multipercursos, pois no OFDM existe um tempo de guarda, que permite a sobreposição temporal entre símbolos OFDM adjacentes, sem perdas de informação. Para isso, no entanto, é necessário que o tempo de guarda do sinal OFDM seja maior 2

do que a dispersão temporal introduzida pelo canal. No DVB-T, é previsto tempos de guarda de 1/4, 1/8, 1/16 e 1/32 do tempo de símbolo OFDM. Quanto maior o tempo de guarda, maior será a robustez ao múltiplos percursos, porém há redução na taxa de transmissão. A Tabela 6 apresenta as principais características do padrão ISDB-T. Tabela 6: Padrão ISDB-T. Modulação COFDM Modulação das sub-portadoras QPSK, DQPSK, 16QAM ou 64QAM Sistema de áudio MPEG2 Largura de Faixa 6MHz Formatos sustentados SDTV, EDTV e HDTV Taxas de bits [Mbps] Mínima: 4,98 Máxima: 31,67 O padrão ISDB-T foi baseado no padrão europeu (DVB-T, com algumas mudanças para permitir maior mobilidade do receptor. V. CANAL DE TRANSMISSÃO Em um sistema de transmissão sem fio, o canal de transmissão introduz diversas interferências e ruídos no sinal desejado, limitando a capacidade do sistema. Para o sucesso de um dado padrão, é fundamental que o mesmo apresente contra-medidas adequadas para que a transmissão seja viável. A seguir será apresentado uma breve descrição sobre a influência dos dois principais fatores que degradam a qualidade de um sistema de transmissão sem fio. Ruído Branco O ruído branco aditivo com distribuição gaussiana (AWGN - Aditive White Gaussian Noise está presente em todo o espectro de freqüências e não pode ser evitado. A Figura 2 apresenta um modelo para canais AWGN. s(t + r(t n(t Figura 2: Canal AWGN. Através da Figura 2, pode-se definir o sinal recebido, r(t, como r ( t = s( t + n( t (1 onde s(t é o sinal transmitido e n(t é o ruído AWGN introduzido pelo canal. Na transmissão analógica, o ruído branco provoca queda na qualidade do sinal recebido, causando o aparecimento de chuviscos na imagem. Essa queda na qualidade da imagem ocorre gradualmente, ou seja, a medida em que a relação entre a potência do sinal e a potência do ruído presente na banda de interesse diminui, ocorre uma diminuição na qualidade da imagem. Nos sistemas de Televisão Digital, a informação transmitida no canal está na forma digital. A queda na relação entre a potência do sinal e a potência do ruído causa um aumento da probabilidade de erro de bit. Todos os padrões apresentados utilizam códigos corretores de erro, que são capazes de corrigir os erros introduzidos pelo canal, até certo limiar. Se a taxa de erro estiver abaixo deste limiar, o código corretor é capaz de corrigir todos os erros introduzidos pelo canal e não há percepção na queda da qualidade da imagem. Mas se a relação sinal/ruído for baixa a ponto da taxa de erro ultrapassar a capacidade de correção do código, então decodificador passa a introduzir erros ao invés de corrigir, de modo que a recepção se torna inviável e não há reprodução da imagem. Desta forma, na Televisão Digital, ou tem-se uma imagem de excelente qualidade ou não se tem imagem alguma. Isto pode causar problemas de cobertura em áreas de sombra ou que estão localizadas muito longe do transmissor, caso o sistema não esteja bem dimensionado. Multipercurso Nas transmissões de radiodifusão, é comum que várias versões do sinal transmitido cheguem na antena de recepção de um dado usuário, através de diferentes percursos. Cada um destes percursos apresenta atenuação e atraso diferente dos demais percursos, o que faz com que o sinal recebido seja formado pela sobreposição das versões de vários símbolos provenientes dos diferentes caminhos. A Figura 3 mostra o modelo de um canal com multipercursos. Transmissor α s(t+τ α 2 s(t-τ 2 α 1 s(t-τ 1 Receptor Figura 3: Modelo de um canal com multipercurso Através da Figura 3 pode-se determinar o expressão para o sinal recebido r f (t como r ( t = f N 1 i= α s( t τ (2 i i 3

onde α i e τ i são, respectivamente, a atenuação e o atraso sofridos pelo i-ésimo percurso e N é o número de multipercursos existentes no canal. Na TV Analógica, os canais com multipercursos criam a sobreposição da imagem, causando os chamados fantasmas, o que prejudica a qualidade de recepção. Já na TV Digital, os canais com multipercursos introduzem a Interferência Intersimbólica (ISI, que é a sobreposição entre os bits transmitidos devido a dispersão temporal do canal. A Figura 4 ilustra a ocorrência da ISI. Amplitude 1.1 1..9.8.7.6.5.4.3.2.1 -.1.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6 6.5 7 7.5 Tempo (s Figura 4: Sobreposição dos Bits Transmitidos. A ISI causa aumento na taxa de erro de bits, diminuindo o desempenho do sistema [6]. Se nenhuma contramedida é tomada, a ISI pode inviabilizar a recepção. O padrão ATSC utiliza equalizadores no domínio do tempo para eliminar a interferência intersimbólica do sinal recebido [4]. O desempenho destes equalizadores é fundamental para que o sistema funcione de maneira adequada. Caso o número de percursos existentes seja maior do que a capacidade de atuação do equalizador, a taxa de erro se torna elevada a ponto de colocar o sistema fora de operação. Na modulação COFDM, utilizada nos padrões DVB- T e ISDB-T, há um tempo de guarda entre os símbolos OFDM, o que torna o sistema robusto a ISI. Se o atraso médio dos percursos existentes for menor do que o tempo de guarda, não há perda de informação. Assim, a modulação COFDM não requer equalizadores complexos para que se tenha sucesso na recepção em canais com multipercursos. Os equalizadores utilizados no sistema COFDM atuam no domínio da freqüência que utilizam portadoras de referência para minimizar as distorções introduzidas pelo canal, através de uma interpolação linear [5]. VI. ASPECTOS REGULATÓRIOS A implantação do sistema de TV Digital deve ocorrer de maneira organizada, para que a comunidade em geral não seja prejudicada e para que as operadoras não tenham prejuízos. Inicialmente, somente as classes A e B da população terão recursos para adquirir televisores digitais. As demais camadas da população irá fazer uso de conversores (Set Boxes ou continuará utilizando os receptores analógico. Os Set Boxes são conversores que recebem sinais de TV Digital de um dado padrão e o convertem para um padrão analógico (NTSC, PAL ou SECAM, de modo que o usuário ainda possa utilizar um televisor analógico para assistir os programas transmitidos no padrão digital. O uso dos Set Boxes será fundamental para o início da migração do sistema analógico para o sistema digital. Sendo assim, será necessário que o padrão digital adotado coexista com o padrão analógico durante a fase de migração, que deve durar entre 1 a 15 anos após o início das operações do sistema digital. Para que ocorra esta coexistência, as emissoras deverão transmitir suas programações em ambos os padrões (analógico e digital, em canais distintos. Isto implica que cada emissora terá que duplicar sua infra-estrutura de transmissão, uma vez que a tecnologia para transmissão de sinais analógicos não pode ser empregada para transmitir sinais digitais. Os órgãos reguladores terão que conceder um canal extra de 6MHz para cada operadora para viabilizar a habilitação do sistema digital, de modo que os serviços já alocados não sejam interrompidos [3]. Esses órgãos também serão responsáveis pela fiscalização para certificar que as emissoras utilizem equipamentos homologados e que obedeçam as limitações impostas para o bom funcionamento tanto do padrão digital quanto do padrão analógico. Além da alocação e fiscalização do espectro de freqüências, é importante estimular o mercado interno para que o mesmo passe a gerar a tecnologia necessária para sustentar o desenvolvimento do sistema. Outro fator de grande importância é determinar metas para o aumento progressivo da programação digital por parte das emissoras e definir metas para completar a migração, para permitir o desligamento dos canais analógicos. VII. TV DIGITAL NO BRASIL Em 1994, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT e a Sociedade Brasileira de Engenharia da Televisão (SET iniciaram o estudo para definir a migração da TV Analógica para a TV Digital no Brasil. Em 1998, a ANATEL iniciou os estudos sobre o padrão a ser adotado. Para fundamentar a escolha, decidiu-se realizar testes com os três sistemas, que foram implementados em 2. Os padrões ATSC, DVB-T e ISDB-T foram submetidos as seguintes testes: Interferência entre sinais analógicos e digitais: tem o objetivo de determinar qual é a tolerância do sistema digital a interferências provocadas pelos canais analógicos. Cobertura do sinal transmitido: visa determinar a área de cobertura de cada padrão, utilizando a mesma potência de transmissão. Também analisa o desempenho dos receptores em áreas de sombras e nas fronteiras de cobertura. Condições domésticas de recepção: analisa a qualidade de recepção em diversos ambientes domésticos, utilizando antenas internas e externas, determinando o desempenho do receptor em canais normalmente encontrados pelo receptor. Qualidade de recepção móvel: determina a viabilidade e a tolerância do sistema a mobilidade do receptor. Os resultados dos testes apresentaram que os padrões que utilizam a modulação COFDM obtiveram um bom desempenho nas mais diversas condições de recepção, utilizando tanto antena interna quanto antena externa. O 4

padrão ISDB-T apresentou melhor desempenho que o sistema DVB-T, pois possui maior robustez e flexibilidade quanto a mobilidade do receptor. O padrão ATSC apresentou baixo desempenho para a recepção doméstica utilizando antena interna, ou seja, canais com multipercursos onde não existe um percurso predo minante (visada direta. Outro problema apresentado pelo padrão ATSC foi o baixo desempenho apresentado em áreas de sombra. É importante salientar que alguns pesquisadores descordam dos procedimentos utilizados nestes testes. VIII. FATORES MERCADOLÓGICOS A adoção do padrão não depende apenas do desempenho técnico. Outro fator de grande importância é o comportamento do mercado nos países detentores da tecnologia. Se existir uma grande aceitação do padrão, os preços dos receptores irão recuar, tornando-se acessíveis para as camadas A e B no início da implementação e, posteriormente, também a camada C da população [2]. Nos EUA, a cobertura do padrão ATSC já atinge cerca de 64% dos lares. Embora o preço dos televisores digitais ainda esteja elevado (em torno de $1.,, há uma crescente procura pela nova tecnologia. O padrão ATSC apresentou problemas para a transmissão em radiodifusão, pois a modulação 8-VSB se mostrou muito susceptível ao multipercursos. Algumas empresas chegaram a cogitar o uso do COFDM nos EUA para a radiodifusão, mas o FCC (Federal Communications Commission, que é o órgão do governo americano responsável pela legislação das telecomunicações, não aprovou esta iniciativa. Outro fator importante a ser analisado é que a maior parte da população americana recebe sinais de televisão via cabo. Neste meio, os problemas com a ISI são minimizados. A Figura 5 mostra essa distribuição. 1 9 8 7 6 5 4 3 2 1 Satélite Terrestre Cabo Figura 5: Percentual da TV Analógica nos EUA. Na Europa, o país que possui maior tradição em TV Digital é a Inglaterra. Embora apenas o formato SDTV esteja sendo utilizado, o interesse das pessoas por televisores digitais de tela grande (acima de 29 vem crescendo continuamente ao longo dos anos, provando que este mercado é muito promissor para a indústria eletrônica e para as operadoras de televisão. O DVB-T vem sendo utilizado na transmissão do formato SDTV. Mas segundo pesquisas realizadas, o grande fator motivador para o telespectador aderir ao sistema de TV Digital é a alta definição. Sendo assim, o formato HDTV será vinculado em breve. Na Europa, a distribuição de recepção vária muito entre os diferentes países. Por exemplo, na Holanda, mais de 9% da população recebe sinais de televisão via cabo, enquanto que na Espanha, mais de 9% da população utiliza recepção terrestre, através de antenas internas ou externas. A Figura 6 mostra a média desta distribuição entre os países europeus. Devido a este perfil, o sistema DVB-T foi desenvolvido para atender as situações típicas em praticamente toda a Europa. 1 9 8 7 6 5 4 3 2 1 Satélite Terrestre Cabo Figura 6: Percentual da TV Analógica na Europa. O padrão ISDB-T ainda não está disponível comercialmente e foi adotado apenas pelo Japão, onde foi desenvolvido. A flexibilidade deste padrão para a mobilidade do receptor, permite que este padrão possa ser usado não só para a radiodifusão de televisão, mas também para outras aplicações multimídia de banda larga. A Figura 7 mostra a distribuição da recepção de sinais de televisão no Japão. 1 9 8 7 6 5 4 3 2 1 Satélite Terrestre Cabo Figura 7: Percentual da TV Analógica no Japão. No Brasil, a recepção de sinais terrestre abrange mais de 65% da população. O percentual que utiliza antenas 5

internas é, na média, de 2%. Por este motivo, o padrão a ser adotado deve apresentar bom desempenho com este tipo de recepção. A Figura 8 mostra a distribuição em cada região do Brasil. 1 9 8 7 6 5 4 3 2 1 Sudeste Centro Oeste Sul Nordeste Norte Legenda Assinatura Aberta Via Satélite Aberta Antena Interna Aberta Antena Externa Figura 8: Penetração da TV Analógica no Brasil. A adoção do padrão a ser adotado ainda depende de dois importantes fatores: Existem, atualmente, três padrões estabelecidos: o ATSC (EUA, o DVB-T (Europa e o ISDB-T (Japão. Para a adoção de um destes padrões, é necessário realizar uma análise minuciosa sobre os aspectos técnicos e mercadológicos de cada sistema, afim de garantir o melhor atendimento a população. X. REFERÊNCIAS [1] PNAD99, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1999. [2] Cunha, J, M, TV Digital: Desafio ou Oportunidade, Reltório BNDES, novembro/22. [3] Pires, J, C, Políticas Regulatórias no Setor de Telecomunicações, Relatório BNDES, setembro/1999. [4] ATSC Document A-54, Guide to the Use of the ATSC Digital Television Standard, 1995. [5] Bahai, R; Sattzberg, B, R, Multi-Carrier Digital Communications: Theory and Applications of OFDM, Kluwer Academic, New York, 1999. [6] Sklar, B, Digital Communications Fundamentals and Applications, Prentice Hall, New Jersey, 1988. Relação com os países detentores da tecnologia. Investimentos e a Balança Comercial. É importante ter boas relações comerciais com os países detentores da tecnologia adotada, para que o fornecimento de componentes e equipamentos necessários a implantação do sistema seja facilitada, permitindo o desenvolvimento interno através da transferência de recursos e tecnologia. Além disso, é fundamental possuir participação nas mudanças e adaptações que sejam realizadas no sistema adotado. Os investimentos iniciais para a implantação do padrão será muito alto, devido a duplicação da infra-estrutura de transmissão e duplicação dos enlaces de RF. Como não há produção interna dos equipamentos necessários para a transmissão e recepção, os mesmos terão que ser importados. Isso irá causar um desequilíbrio na balança comercial. Para minimizar este efeito, deve-se analisar qual padrão irá causar menor impacto na balança comercial. O maior investimento será realizado pelos telespectadores, que será a aquisição dos televisores digitais. No caso dos receptores, o déficit causado pelos três padrões é praticamente o mesmo, pois o componente de maior valor que é a tela de plasma, é utilizado na fabricação dos televisores dos três padrões. Portanto, é necessário investir no desenvolvimento deste componente, para que o mesmo seja produzido pelo mercado interno, podendo até mesmo ser exportado para outros mercados. IX. CONCLUSÕES A Televisão Digital já é uma realidade e está cada vez mais presente no dia a dia dos países desenvolvidos. A melhora na definição da imagem e na qualidade do som são os grande motivadores para a migração para um sistema digital de televisão. Mas esta migração deve ser realizada com acompanhamento, pois os investimentos devem ser feitos a medida com que o mercado para a TV Digital se expande. 6