Em sua peça de bloqueio a 2ª reclamada negou a prestação de serviços, desconhecendo qualquer labor exercido pelo reclamante em suas dependências.

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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO 1ª REGIÃO 12ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro RUA DO LAVRADIO, 132, 2º Andar, CENTRO, RIO DE JANEIRO - RJ - CEP: 20230-070 tel: (21) 23805112 - e.mail: vt12.rj@trt1.jus.br PROCESSO: 0011709-22.2015.5.01.0012 CLASSE: AÇÃO TRABALHISTA - RITO ORDINÁRIO (985) RECLAMANTE: FABIO DE SOUZA OLIVEIRA RECLAMADO: LIDER TELECOM COMERCIO E SERVICOS EM TELECOMUNICACOES LTDA e outros SENTENÇA PJe-JT RELATÓRIO FABIO DE SOUZA OLIVEIRA, devidamente qualificado na inicial, ajuizou reclamação trabalhista em face de LIDER TELECOM COMERCIO E SERVICOS EM TELECOMUNICACOES LTDA e TIM CELULAR S.A. Postulou o pagamento das parcelas constantes da inicial, dando à causa o valor de R$ 32.000,00. Primeira proposta conciliatória rejeitada. Recebidas as defesas da rés com documentos, sendo a da 1ª com preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, ambas as reclamadas requereram a improcedência dos pedidos elencados na inicial. Na audiência realizada foram colhidos os depoimentos pessoais do reclamante e da preposta da 1ª reclamada. Após, foi encerrada a instrução processual, a requerimento das partes, restando infrutífera a última tentativa de conciliação. É o relatório. FUNDAMENTAÇÃO DA ILEGITIMIDADE PASSIVA A legitimidade das partes deve ser aferida de acordo com as assertivas iniciais, conforme a teoria da asserção, pelo que tendo o autor apontado as rés como devedoras dos créditos trabalhistas que disse ser detentor, tem-se que estas são partes legítimas para figurarem no polo passivo, sendo todo o mais questão de fundo a ser solvida no exame meritório. Rejeito. DA RESPONSABLIDADE DA 2ª RECLAMADA Alegou o reclamante que prestava serviços à 2ª ré por intermédio da 1ª, invocando a responsabilidade subsidiária preconizada na Súmula 331 do C.TST. Em sua peça de bloqueio a 2ª reclamada negou a prestação de serviços, desconhecendo qualquer labor exercido pelo reclamante em suas dependências. Neste particular, não cuidou o reclamante de comprovar a efetiva prestação de serviços em favor

da 2ª ré, ônus que lhe competia por se tratar de fato constitutivo do seu direito. Ressalte-se que o simples fato de haver um contrato de prestação de serviços entre as reclamadas não é circunstância que, por si só, enseje o reconhecimento de responsabilidade subsidiária da 2ª reclamada, uma vez que elementos outros necessários ao convencimento do Juízo não foram apresentados aos autos. Por tais fundamentos, julgo improcedente o pedido de condenação subsidiária da 2ª reclamada. DA JUSTA CAUSA/ DAS VERBAS DEVIDAS O autor alegou que sua dispensa foi imotivada, requerendo o pagamento de todas as verbas decorrentes dessa modalidade de dispensa. Em sua defesa, a primeira reclamada aduziu que o reclamante foi dispensado por justa causa, com base no artigo 482 da CLT, por conduta desidiosa, em razão das suas faltas injustificadas ao serviço. Acrescentou, ainda, que o obreiro já havia sido advertido várias vezes e que permaneceu ausente ao serviço por mais de 30 dias sem comunicar a empresa. Com esse argumento a empregadora atraiu para si o ônus da prova, na forma dos artigos 818 da CLT e 333, II do antigo CPC, não se desincumbindo, entretanto, de comprovar suas alegações. Explica-se. Não consta nos autos qualquer advertência ou suspensão aplicada pela primeira ré ao obreiro. Ademais, as faltas injustificadas também não foram provadas durante a instrução processual. Assim, não tendo a 1ª ré se desincumbido do ônus que lhe cabia, por não ter apresentado nenhuma prova robusta que confirmasse suas alegações defensivas e ainda em razão dos princípios basilares do Direito do Trabalho, declara-se a nulidade da justa causa aplicada ao autor, com a consequente reversão em dispensa para sem justa causa em 13/01/2015. Deverá a 1ª ré retificar a data de saída na CTPS do autor para que passe a constar o dia 12/02/2015, em decorrência da projeção do aviso prévio de 30 dias (OJ 82 da SDI-1 do C. TST), no prazo de até 8 dias a contar do trânsito em julgado da presente decisão, devendo a secretaria agir em caso de omissão da parte ré. Deverá, ainda, a 1ª reclamada pagar ao reclamante, com base na sua última remuneração: a)saldo salário de 13 dias; b)aviso prévio indenizado de 30 dias; b)férias proporcionais de 2014/2015 de 7/12 avos com 1/3; c)13º salário proporcional de 2014 no importe de 6/12 avos e de 2015 de 1/12 avos; d)fgts de todo o período laborado, autorizada a dedução dos valores já depositados; e)multa de 40% sobre os depósitos do FGTS; Deverá a 1ª ré efetuar a entrega de guias para saque do FGTS e do Seguro Desemprego no prazo de 8 dias a partir do trânsito em julgado da presente decisão, devendo a secretaria do Juízo

agir em caso de omissão da ré, expedindo os respectivos alvará e ofício aos órgãos competentes, sendo que em relação ao seguro desemprego caberá à DRT a avaliação dos requisitos sobre a concessão ou não do referido beneficio ao empregado. DA MULTA DOS ARTIGOS 477 E 467 DA CLT Por não terem sido quitadas as verbas rescisórias no prazo legal, aplica-se a penalidade contida nos parágrafos 6º e 8º do artigo 477 da CLT. A controvérsia válida sobre a justa causa afasta a aplicação da multa contida no artigo 467 da CLT. Improcede tal pedido. DO DESVIO DE FUNÇÃO E DAS DIFERENÇAS Relatou o autor que não obstante tivesse sido contratado para exercer a função de "Instalador I", sempre desempenhou as atividades inerentes ao cargo de "Técnico", pleiteando, para tanto, as diferenças salariais e integrações decorrentes do piso salarial estipulado na convenção coletiva da categoria. As anotações na CTPS dos empregados gozam de presunção iuris tantum, motivo pelo qual podem ser objeto de prova em contrário, de acordo com o que preconiza a Súmula 12 do C.TST. Assim, para a desconstituição do que está ali anotado, necessário se faz que o conjunto probatório colacionado aos autos seja suficientemente claro e inequívoco para que o convencimento do Juízo se dê de forma satisfatória. Todavia, não foi o que ocorreu. A mera alegação do autor de que desempenhava atividades distintas das quais fora contratado não torna o fato provado. Isso porque novamente não se desincumbiu o reclamante do seu ônus probatório, a teor do artigo 333, I do antigo CPC, não havendo comprovação de que efetivamente estava desviado de sua real função. Há mais. Em sua contestação, a 1ª ré afirmou que as funções de "Técnico" consistiam em "instalação de fibras ópticas passagem e fusão, FTTx, GPON, BONE e infraestrutura de rede estruturada, preparação de cabo para execução de emendas, além de verificação de defeitos e configuração de roteadores, executando manutenções preventivas e corretivas mantendo rede de fibra ópticas disponível com SLA". Ocorre que sem depoimento pessoal o próprio autor informou que "fazia instalações em residencias privadas e em estabelecimentos comerciais; que nunca fez instalação de fibra ótica", evidenciando-se que a função por ele desempenhada não guardava relação com aquela pleiteada. Por tais fundamentos, improcede o pedido de diferenças decorrentes do desvio de função e ainda de retificação da CTPS. De forma subsidiária, pleitou o obreiro as diferenças decorrentes do piso salarial da categoria de "Instalador I" posto que não era respeitado. De acordo com a convenção coletiva colacionada aos autos com vigência de 01/04/2014 a 31/03//2015, apurou-se que o piso da categoria era de R$ 974,14, valor este não respeitado pela empresa ré visto que o salário-base do empregado era pago no importe de R$

854,00, conforme holerites juntados aos autos (id. d5ad392). Defere-se, assim, o pedido sucessivo constante do item "b" da inicial por todo contrato de trabalho bem como suas integrações nas férias + 1/3, trezenos, aviso prévio, adicional de periculosidade e FGTS + 40%. DAS HORAS EXTRAS, FERIADOS E INTERVALOS Relatou o reclamante que laborava de 07:30h às 20:00h de segunda a sábado e em dois domingos por mês, inclusive em todos os feriados legais no mesmo horário, exceto em 25 de dezembro e 1º da janeiro, sem usufruir de 1 hora de intervalo para refeição. A 1ª reclamada informou que o obreiro cumpria a sua jornada de trabalho no horário de 08:00h às 17:00h de segunda a sexta-feira com intervalo de 1 hora para alimentação e de 08:00h às 12:00h aos sábados. Alegou ainda que o reclamante jamais prestou serviços em jornada superior à prevista em Lei e na Constituição sem a devida paga ou compensação, juntando, desta feita, os controles de ponto. Embora o autor tivesse informado que os cartões de ponto não refletiriam a real jornada de trabalho praticada, não fez qualquer prova neste sentido ao longo da instrução processual, ônus que lhe competia. Desta maneira, concluiu o Juízo que os controles de frequência juntados aos autos eram idôneos, uma vez que não continham marcação de horários britânicos, sendo os mesmos válidos como meio de prova. Verificando-se pela análise dos controles de ponto e pelos recibos salariais que o obreiro não laborava em regime de horas extras e que nas ocasiões que laborou em regime extraordinário ou recebeu o pagamento devido ou ocorreu a compensação, julgam-se improcedentes pedidos de pagamento do labor extraordinário, incluindo as horas intervalares e ainda de trabalho aos domingos e feriados não compensados e todas as integrações postuladas. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA Defere-se ao reclamante o benefício da assistência judiciária gratuita, nos termos do artigo 790, 3, da CLT e da Lei n. 1.060/50, ante a declaração contida no documento de id. 67bff94. DOS JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA A incidência de juros deverá obedecer o disposto no artigo 39, parágrafo primeiro da lei 8177/91. Já a atualização monetária deverá ser efetuada nos termos da Súmula 381 do C.TST. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O autor não está assistido pela sua entidade sindical, razão pela qual, a teor do art. 14 da Lei 5584/70 e das Súmulas 219 e 329 do TST, não há falar em pagamento de honorários nesta Especializada. Ausentes os requisitos, improcede o pedido de honorários advocatícios.

DOS DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS E FISCAIS Ficam autorizados os descontos fiscais e previdenciários pertinentes nas parcelas salariais ora deferidas ao autor que deverão ser calculados mês a mês, segundo as alíquotas previstas no artigo 198 do Decreto 3048/99 e observado o limite máximo do salário de contribuição (Súmula 368 do C.TST) Deverá a primeira ré comprovar nos autos o recolhimento da cota previdenciária sobre as parcelas deferidas, nos termos da lei 8620/93. DISPOSITIVO ISTO POSTO, a 12ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro resolve julgar PROCEDENTE EM PARTE a reclamação trabalhista apresentada por FABIO DE SOUZA OLIVEIRA em face de LIDER TELECOM COMERCIO E SERVICOS EM TELECOMUNICACOES LTDA e TIM CELULAR S.A condenar a 1ª ré a pagar ao autor as parcelas contidas na fundamentação supra, que integra este dispositivo, cujos valores deverão ser apurados em liquidação de sentença e julga a demanda IMPROCEDENTE em relação 2ª ré. Em cumprimento ao artigo 832, parágrafo 3o. da CLT, indica-se a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação: Natureza indenizatória - férias indenizadas + 1/3, aviso prévio indenizado, multa do 477 da CLT, FGTS e multa de 40%. Natureza salarial- as outras parcelas que foram objeto de condenação. Custas pela 1ª reclamada, sobre os R$ 6.000,00 arbitrados à condenação, no importe de R$ 120,00. Intimem-se as partes. RIO DE JANEIRO, 5 de Julho de 2016