Fundamentos sobre áudio 18 de julho de 2008, por Gilson Nascimento Resolvi começar a escrever estas matérias visando auxiliar o pessoal que está começando, fazendo shows com suas bandas ou pensando em utilizar estúdios para fazer seus trabalhos de ensaio, gravação, pré-produção e afins. Fundamentos Básicos Sobre o Áudio - I Desde a época das cavernas os seres humanos tiveram que achar uma forma de se comunicar, sendo através da fala, grito, gestos ou através de batidas em tocos ou árvores. Nos casos da fala ou nas batidas em tocos, estas formas geram a propagação do som. Nestes casos, a fonte sonora consegue atingir apenas uma pequena parte da propagação, isto é fazer com que o som seja enviado até uma certa distância, visto a pouca potência aplicada. Vamos pensar um pouco: O que vem a ser o tal do SOM??? Para tentar explicar este fenômeno, vou utilizar uma frase que ouvi em uma palestra sobre sonorização. Há uma questão clássica utilizada pela comunidade do áudio, que é a seguinte Se uma árvore cair em uma floresta e não houver ninguém para ouvir, haverá som?. Esta frase ilustra o DUPLO SENTIDO da palavra SOM. Para esta pergunta existem duas possíveis respostas, SIM e NÃO. A resposta seria positiva se considerarmos que SOM é o resultado físico da pressão das ondas sonoras através do ar, terra e etc. Mas se considerarmos que SOM é uma sensação criada por nosso processo auditivo (ouvido), a resposta certamente seria NÃO. Para aumentarmos a distância, fazendo com que o som chegue o mais longe possível, criamos uma forma de amplificar este sinal sonoro, que consiste em: FONTE SONORA, CAPTADOR, PROCESSADOR, AMPLIFICADOR e REPRODUTOR SONORO. Este é o básico de um sistema de sonorização. Trazendo isto para os equipamentos teremos: Sound Waves: FONTE SONORA: Voz, Instrumento, ou qualquer coisa que seja uma fonte sonora. Microphone: CAPTADOR: Microfone, capaz de converter um sinal acústico em sinal elétrico. Mixer: PROCESSADOR: (mais conhecida como mesa de som), capaz de processar (tratar) o sinal elétrico. Amplifier: AMPLIFICADOR: Sistema capaz de receber um sinal elétrico e amplificar (aumentar) o nível do sinal elétrico. Loudspeaker: REPRODUTOR SONORO: Sistema capaz de transformar o sinal elétrico em acústico.
Teremos então: CAPTADOR - Microfone. PROCESSADOR - Mixer (mais conhecido como mesa), Equalizadores, Processadores de Efeito, Compressores, Gate, Expander, e afins. AMPLIFICADOR - Amplificadores, potências. REPRODUTOR SONORO -Alto Falante, Caixas de Som. Bem, conhecendo esta seqüência básica, vamos entender algumas notações que encontramos nos equipamentos: IN quer dizer entrada e OUT quer dizer saída. Entendendo estas duas palavras em inglês, as coisas começam a fazer mais sentido. O sinal gerado pela voz ou instrumento, captado por um microfone, que transforma o sinal acústico em elétrico, que por meio de um cabo, leva este sinal até a mesa (Mixer) ao conector IN (entrada). Já na mesa, este sinal pode ser modelado com equalizações, ganho, volume, efeitos. Da saída master (OUT) da mesa, o sinal poderá ir para um equalizador (IN), onde será feita a equalização das caixas acústicas para que tenham boa sonoridade. Do equalizador (OUT), irá para o amplificar de potência (IN) que, basicamente, possui a função de amplificar este sinal. Depois de amplificado, este sinal é enviado para as caixas acústicas que transformam o sinal eletro-mecânico em acústico, e por fim através do ar, chega aos nossos ouvidos. UFA!!! Cabos, Conectores e AC. Claro que, todos estes equipamentos não irão funcionar sem: Cabos, Conectores e a Energia Elétrica (AC).A energia elétrica é a comida de todos estes equipamentos, se ela estiver suja, eles ficarão engasgados, por isso tenha sempre uma comida bem limpinha, principalmente para equipamentos que trabalham com (AD/DA) Conversões Analógica/Digitais. O que eu quis dizer com suja, numa rede elétrica que não atinge os níveis aceitáveis para alimentar um equipamento.normalmente todos os equipamentos trabalham basicamente com uma voltagem em 127v, mas nós sabemos que a rede elétrica atual é falha, podendo baixar ou subir, causando instabilidade em alguns equipamentos.um filtro de linha ou um estabilizador pode resolver um pouco do problema. Um ponto em que todo mundo adora tocar é: Vou arrancar este pino a mais que está sobrando neste plug, mais conhecido por tomada de três pinos (2P+T), que significa, dois condutores e um TERRA. Este mesmo pino que estamos acostumados a arrancar, aquele maiorzinho e arredondado, muitas vezes é quem vai salvar agente de tomar um choque ou que, em caso de descarga elétrica, ajuda o equipamento para que não seja danificado. Cabos e Conectores, todo mundo faz a maior confusão neste ponto. Cada equipamento trabalha com especificações necessárias para o melhor desempenho. Existem diversos tipos de Conectores e diversos tipos de cabos, com bitola apropriada para cada necessidade. Nos conectores encontramos: XLR: Utilizado para entradas e saídas balanceadas. Mais utilizado também para cabeamento de microfone. É composto de 3 (Três) condutores, onde o pino 1 é o
TERRA, pois é ele faz parte daquele mesmo que arrancamos lembra??, O pino 2 que é o HOT (Quente) e o pino 3 que conduz o sinal COLD (Frio). No caso dos pinos 2 e 3 eles conduzem o mesmo sinal, mas com suas polaridades invertidas, enquanto um sinal é positivo, o outro é negativo. Este processo evita que os ruídos vindos pela rede elétrica, por exemplo, seja também amplificado, pois os mixers tendem a cancelar estes ruídos na sua entrada. TS, TRS ou ¼ JACK: (FIGURA A) Estes são conhecidos erroneamente como BANANA, que no caso é o famoso P10, mais utilizado para entradas e saídas de áudio, cabos de guitarra, fones de ouvido e etc. Podendo ser do tipo MONO (TS) ou ESTÉREO (TRS), balanceado ou não balanceado.os conectores BANANA, em alguns sistemas são utilizados em caixas acústicas e seu formato é diferenciado.os mesmos modelos TS e TRS também são encontrados em 3,5mm, mais conhecidos como P2 e utilizados basicamente em fones de ouvido, placas de áudio para computadores. RCA: Utilizado geralmente em entradas e saídas para Tape-Deck, MDs, CDs, Vídeo- Cassete e etc. Para equipamentos com entradas e saídas digitais, encontramos os modelos SPDIF, que são conectores RCA de 75Ohms. Via de regra devemos pensar que: JACK é denominado FEMEA e PLUG denominado MACHO.Existem ainda outros tipos de conectores, mas não tratarei neste momento para não deixar uma lista enorme e cansativa. No cabeamento também encontramos diversos modelos sendo, balanceados ou não, com malha, e específicos para microfones, guitarras, cabos para serem utilizado sobre Baixa impedância e Alta impedância, Coaxial, Fibra Óptica e afins.o cabeamento também é algo que requer um tópico especifico e estarei escrevendo posteriormente. Neste momento, lembro de um cabo que montei quando não tinha muito conhecimento sobre áudio e que, quando fui testar adivinhe??? Virou uma antena perfeita, isto porque eu fiz um cabo muito, muito longo, não-balanceado, pois estava usando PLUG do tipo TS (Mono) e que não tinha malha, com a impedância errada e não blindado, logo estas combinações criaram uma antena que conduzia um sinal sujo (um ruído) que, ao entrar no MIXER e ser AMPLIFICADO, tocou uma freqüência da rádio AM local. Acredito que ninguém quer que apareça um Goooooolllll bem naquela hora de silêncio né! Tomar cuidado com o cabeamento pode melhorar muito no som a ser executado ou gravado. Microfones e Algumas Formas de Captação O que aconteceria se você entra-se em uma loja de equipamentos de som e manda-se a seguinte frase para o vendedor: Olá, Eu gostaria de testar e comprar um Transdutor! Dependendo do vendedor, ele mandaria você procurar em outra loja!!! Os microfones, mais conhecidos no meio do áudio também transdutores, por transformarem energia acústica em elétrica, é uma das formas captar o famoso SOM e enviar o sinal até o MIXER. Existem diversos modelos de microfones com seus diagramas polares diferenciados. Diagrama polar, o que é isto heim?!?!?. Bem um diagrama polar define os ângulos de captação e suas variações conforme a freqüência que nele é aplicado. Ok, vamos aos desenhos dos modelos básicos para facilitar o entendimento:
CARDIOIDE: Capaz de captar o som na parte frontal, este tipo de microfone tem maior sensibilidade em seu eixo central, e menor sensibilidade em sua parte traseira. Tipo: Unidirecional SUPERCARDIOIDE: Este tipo de microfone é mais direcional, pois possuem maior rejeição ao sons vindos das laterais traseiras. Tipo: Bidirecional HYPERCARDIOIDE: Este tipo de microfone é mais direcional, pois possuem maior rejeição ao sons vindos das laterais traseiras, assim como um SuperCardioide, porém sua abertura segue um desenho mais oval.tipo: Bidirecional
FIGURA 8: São microfones bi-direcionais, capaz de captar o som na parte frontal e traseira com a mesma intensidade, rejeitando os sons laterais. Tipo: Bidirecional OMNIDIRECIONAL: Estes microfones tem capacidade de captar os sons em todas as direções, com a mesma intensidade.tipo: OMINIDirecional DINÂMICO e CONDENSADOR: Dinâmico é um microfone composto por um diafragma que move uma bobina dentro de um campo magnético, gerando um sinal elétrico, não requer força elétrica e é considerado robusto e resistente. Grande parte dos microfones utilizados para vocal, percussão, guitarras, e afins são deste tipo.
Condensador é um microfone que necessita de energia elétrica, que normalmente é suprida por uma fonte anexa ao microfone, através do próprio cabo balanceado ou uma pilha, no corpo do microfone. É um microfone muito mais sensível, devido às suas características e capta mais detalhes que os outros tipos de microfones, muito utilizados para gravação, porém muito frágil.atualmente existem modelos com maior resistência, e normalmente são utilizados para vocal, metais, pianos, instrumentos acústicos. Agora quando você for comprar um microfone, vai entender um pouco porque alguns trazem aqueles desenhos engraçados na caixa ou nas especificações. Formas de Captação Existem diversas técnicas de microfonação, sempre baseada no tipo do microfone, diagrama polar, e finalidade.vou mostrar um exemplo de captação e microfonação para Bateria: A) Legenda: B) Condensador ou dinâmico (OMNIdirecional) - Vermelho C) Direcional (dinâmico) - Rosa D) Direcional (dinâmico) - Verde E) Direcional (dinâmico) - Amarelo F) Direcional (dinâmico) - Laranja G) Condensador (UNI) ou dinâmico (OMNI) - Azul Agora apresento uma sugestão de modelos para a utilizando as linhas Performance Gear (PG) ou SM da SHURE. A) EXEMPLO DE MODELOS B) PG81 ou SM94 OverHead para os Pratos C) PG56 ou SM57 - Caixa D) PG52 ou BETA52 - Bumbo E) PG56 ou SM57 - Tons F) PG56 ou SM57 - Surdo G) PG81 ou SM94 - Chimbal
A seqüência que considero ideal para microfonar uma bateria: Primeiro deve-se montar a bateria (Lógico né!!!), onde o baterista deverá estar confortável, procurando manter os pratos um pouco mais distantes dos tambores, para evitar vazamento. Depois devemos posicionar os microfones à bateria, procurando manter uma distância de 1 ou 2 dedos entre o tambor o microfone. No caso do microfone de Bumbo, pode-se utilizar 2 formas: Colocar o microfone dentro do Bumbo, caso a pele seja furada ou coloca-lo à frente do Bumbo a uma distância de 5cm. Para o Bumbo, vale ressaltar que a utilização de um compressor neste canal vai ajudar a corrigir a pegada, os níveis para não saturar e melhorar o timbre do instrumento. COMPRESSOR, não aqueles que encontramos nas borracharias para encher o pneu de ar, mas para expandir ou comprimir o sinal elétrico, vou falar sobre ele em breve. Para os microfones de OVERHEAD, estes devem estar posicionados acima da cabeça do baterista, vistando os pratos e também a ambiência da bateria como um todo. Um cuidado especial deve ser levado em consideração, nunca deixe o pedestal encostar em qualquer parte do tambor ou do rack/estante, isto porque, caso este pedestal receba alguma batida, o microfone que estiver nele vai receber este impacto ou vibração, e vai transformá-lo em sinal sonoro, que vai ser processado pelo MIXER e, e, e... AMPLIFICADO!!! Existem outras formas de microfonação de Bateria, mas este exemplo acima é o mais básico. Para aqueles que gostam de pesquisar, use estas dicas: 1) Coloque mais um microfone na parte de baixo da caixa, pegando a pele de resposta, mas neste caso deve-se inverter a fase do canal. 2) Coloque mais um microfone próximo da pele batederia do Bumbo, e conforme a equalização no canal, você poderá tirar aquele som de Kick da pele, definindo o som. 3) Coloque um microfone bem por baixo do prato de condução, próximo a cúpula, você terá um timbre de condução bem limpo, principalmente nos ataques na cúpula (ou BELL). 4) Coloque os microfones de OverHead a uma distância aproximadamente 1 metro das costas do baterista, virados para frente, na altura de suas orelhas e perceba o timbre você vai ouvir de toda a bateria. Estas são apenas algumas das possibilidades. Dúvidas postem no FÓRUM do site Batera. Até mais, Gilson Nascimento é Baterista, Tecladista, Produtor, Técnico em Sonorização e proprietário do Estúdio Gdrum, na cidade de Santo André-SP. Cursou nas empresas SABRASOM-SP, DGC Áudio-MG, e palestras da JBL Sound System Design-Brasil e AES (Audio Engennier System).