Suspeitas por Ton Freitas Registo F.B.N.: 661025 Contato: ton.freitas@hotmail.com
INT. CAPELA - DIA Está ocorrendo um velório. No caixão ao centro está MARIA LUIZA, bonita, jovem. Em volta estão sentadas algumas pessoas, todas aparentando tristeza. Em pé estão,, cabelos compridos, roupa justa,, moreno, jovem e,, magro, alto. Flávio se aproxima do caixão passa a mão no mesmo e começa a chorar. Por que você se foi minha querida? Por que foi inventar isso? Márcio estranha o que ouve e se aproxima de Flávio. O que foi que você disse? Flávio se assusta com a chegada de Márcio. Eu? Nada, estou só lamentando a morte da minha amiga. Flávio começa a chorar sem controle e se afasta do caixão. Márcio fica observando-o. Flávio é acolhido e abraçado por Júlio que tenta conter o choro do mesmo. Calma cara, a vida é assim. Isso vai acontecer com todo mundo. Quem sabe não foi melhor pra ela? Melhor? Como assim melhor? Ela ainda tinha a vida toda pela frente. Flávio olha desconfiadamente para Márcio. (cont.) E o pior é não saber como tudo isso aconteceu. Nem sequer ainda sabemos o que houve com ela. Calma, isso a polícia ainda vai resolver. Flávio e Márcio continuam se encarando.
2. FLASHBACK INT. CASA DE /QUARTO - NOITE Maria Luiza está sentada e abraçada à Flávio em sua cama. O abraço é desfeito e Maria Luiza ameaça chorar. Não, não chore minha querida. Flávio passa a mão no rosto de Maria Luiza e ela sorri para ele. Em seguida volta a ficar triste. Não sei mais o que fazer. Tá muito dificil assim. E o que tá pensando em fazer? Vai terminar com ele? Ai, ainda não sei. Maria Luiza se levanta da cama. (cont.) Vou nessa. Flávio se levanta segurando as mãos de Maria Luiza. Mas já? E você vai onde? Não sei, vou andar por aí. Promete que vai se cuidar? Maria Luiza balança a cabeça positivamente e SAI. Flávio retira um pino de cocaína do bolso e cheira. EXT. RUA - NOITE Maria Luiza está andando por uma rua escura. Um homem está parado, encostado em uma parede, não sabemos quem é. O rosto do homem é revelado, é Márcio. Maria Luiza está passando por Márcio quando é agarrada por ele. (CONTINUA)
CONTINUANDO: 3. Está fugindo de mim? Me solta seu idiota. Só se você me der um beijinho. Sai fora seu babaca. Maria Luiza chuta o saco de Márcio e se desgruda dele. Márcio geme de dor e volta a se encostar na parede. Filha da puta, acha que não sei que você está com outro? Aquele viadinho tá fazendo sua cabeça pra sair com ele não é? Não tô com ninguém, e mesmo se estivesse também não seria da sua conta. Maria Luiza vai se acalmando e ajeitando sua roupa. (cont.) Nós já terminamos, e você sabe muito bem disso. Márcio fica de pé e anda em direção a Maria Luiza que se afasta devagar. Não terminamos porra nenhuma. E eu só quero o nome do filho da puta que tá te comendo. Idiota. Maria Luiza vira as costas e sai andando. Volta aqui sua vadia. Márcio começa a rir. (cont.) Sua puta. Nunca vai achar alguém como eu tá entendendo? Nunca!
4. INT. CASA DE /QUARTO - NOITE Maria Luiza ENTRA, chorando, e se joga na cama. Maria Luiza chora compulsivamente deitada na cama. Maria Luiza olha para a parede e vê porta-retratos com fotos dela e Márcio juntos. Ela se levanta e joga todos no chão pisando e quebrando vários. Maria Luiza se senta no canto do quarto e continua a chorar. SOM de batida à porta. Maria Luiza tenta se recompor e se levanta. Entra. A porta se abre. Júlio ENTRA. Nossa, o que houve com você? Foi aquele babaca de novo? Maria Luiza tenta esconder o rosto se virando de lado. Não, ele não fez nada dessa vez. Júlio puxa Maria Luiza tentando ver seu rosto. Deixa eu ver. Não fez nada mesmo? Não, não, dessa vez a culpa foi minha. Sua? Por quê? Terminei com ele. Júlio abre um largo sorriso. Sério? Ah, não acredito amor. Júlio abraça forte Maria Luiza, que continua com a mesma expressão de choro. O abraço é desfeito e Júlio continua com expressão de contente olhando para Maria Luiza. A expressão de Júlio muda. (CONTINUA)
CONTINUANDO: 5. (cont.) O que houve? Nada. Maria Luiza se senta em sua cama. Júlio também se senta. Como se eu não te conhecesse... O que tá acontecendo? Maria Luiza volta a chorar. Eu não posso te contar agora. Mas não podemos continuar juntos. Como assim não podemos continuar juntos? Logo agora que você fez o que falava ser o mais dificil? Não tô entendendo. Maria Luiza se levanta e abre a porta do quarto. Júlio, sai. O quê? Júlio se levanta. Por favor, sai. Olha, eu não sei o que tá acontecendo. Só sei que você não está bem. Eu tô muito feliz pelo que fez hoje e não vou estragar minha felicidade brigando com a mulher que amo. Maria Luiza vira o rosto de lado tentando conter o choro. Júlio passa a mão no rosto de Maria Luiza e a beija. (cont.) Amanhã eu volto e a gente se fala, ok? Maria Luiza balança a cabeça positivamente. Júlio SAI.
6. INT. CASA DE /QUARTO NOITE Júlio está sentado em sua cama afiando um facão. Você me ilude dessa forma e acha que vai ficar por isso mesmo? FIM DO FLASHBACK INT. CAPELA - DIA Flávio continua chorando abraçado à Júlio. Márcio se aproxima. O que foi que ela fez? O que vocês sabem que eu não sei? Não sabemos de nada. Márcio dá um tapa na cara de Flávio. Júlio intervém. (nervoso) Não minta pra mim sua bicha! Foi você não foi? Foi overdose não foi? Acha que não sei que passava drogas pra ela? Ei cara, calma, isso é um velório. Não me diga o que fazer, eu sei que você era o tal amante dela. Vocês dois estão tentando me enganar. Ninguém aqui tá querendo te enganar não cara. E eu também não sei de nada. Aliás sei o mesmo que você, que ela foi encontrada ontem desacordada em seu quarto. Sim, e você foi o ultimo a falar com ela. Depois disso ninguém sabe o que aconteceu. (CONTINUA)
CONTINUANDO: 7. Júlio encara e se aproxima de Márcio. Mas ela me disse como você a tratou ontem a noite. Tá me acusando de alguma coisa meu chapa? Te acusando cara? Você tá jogando sua culpa pros outros. Culpa? Márcio parte pra cima de Júlio. Parem com isso! Eu sei o que aconteceu. Todos param e olham para Flávio. Flávio retira um papel do bolso. (cont.) Foi isso. Ela tinha AIDS. Como? Deixa eu ver isso. Márcio arranca o exame das mãos de Flávio. Júlio começa a chorar. Ela se suicidou. Márcio começa a chorar, se escorando na parede, senta-se no chão. (cont.) Teve medo de falar com vocês e ver vocês sofrerem, e pior, não iria suportar a idéia de ter infectado vocês. (desesperado) Não acredito nisso. Eu que devia ter me matado ontem à noite. (CONTINUA)
CONTINUANDO: 8. Ela jamais ia querer vê-los mal. Fez isso por amor à vocês. Ela os amava. Não aguentaria viver assim. Júlio sai andando chorando, Márcio permanece sentado no chão desolado e Flávio se abraça ao caixão. FIM.