HC 5538-RN ( ). RELATÓRIO

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Transcrição:

HC 5538-RN (0006637-97.2014.4.05.0000). IMPTTE IMPTDO PACTE ORIGEM RELATOR : DIEGO TOBIAS DE CASTRO BEZERRA. : JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (NATAL). : MARCELO ROBERTO DA SILVEIRA (RéU PRESO). : JUíZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT. RELATÓRIO 1. Cuidam os autos de Habeas Corpus, impetrado em favor de MARCELO ROBERTO DA SILVA, contra ato do Juízo da 2ª Vara Federal da SJ/RN, que deferiu pleito do Departamento Penitenciário Nacional e autorizou a transferência do ora paciente para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN. 2. Pugna a defesa pela decretação de nulidade da decisão que entendeu pela inclusão do paciente em estabelecimento penal federal, ou, alternativamente, pelo envio do paciente MARCELO ROBERTO DA SILVA à unidade prisional estadual, em sua localidade de origem. 3. Se insurge o impetrante contra a transferência do paciente da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN. Defende a ilegalidade da permanência do paciente no sistema penitenciário federal, bem assim a existência de constrangimento ilegal advindo do não encaminhamento, pela Corregedoria da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, dos autos de execução penal para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN, o que impossibilitaria a ciência do paciente quanto ao tempo de pena restante a cumprir. fls. 42/62. 4. Informações da autoridade tida por coatora às 5. No Parecer 10.796/2014 (fls. 64/68), a PRR5 se posiciona pela denegação da ordem de Habeas Corpus. 6. Eis o que havia a relatar. 1

HC 5538-RN (0006637-97.2014.4.05.0000). IMPTTE : DIEGO TOBIAS DE CASTRO BEZERRA. IMPTDO : JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (NATAL). PACTE : MARCELO ROBERTO DA SILVEIRA (RéU PRESO). ORIGEM : JUíZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT. VOTO 1. Exsurge dos autos questionamento acerca da legalidade da inclusão do paciente em sistema penitenciário federal, bem assim acerca da transferência deste do sistema carcerário do Paraná para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN, se atendidos os requisitos previstos na Lei 11.671/2008 (dispõe sobre a transferência e inclusão de presos em estabelecimentos penais federais de segurança máxima e dá outras providências). 2. Em informações, a Corregedoria da Penitenciária Federal em Mossoró registrou o seguinte: (...); Inicialmente, com relação à inclusão mo Sistema Penitenciário Federal, observa-se que o Juízo Corregedor da Penitenciária Federal de Catanduvas/PR apreciou o pedido de inclusão em outubro de 2010, com a participação, na análise do feito, do Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e de advogado particular (arquivos em anexo). A inclusão foi determinada com suporte em argumentação jurídica e dados fáticos, sendo defesa a discussão sobre estes, por meio do remédio heróico. (...). Outrossim, importante destacar que o impetrante erroneamente apontou como autoridade coatora o Juízo da 2a. Vara da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte, que, 2

conforme mencionado, não foi o que proferiu a decisão de inclusão no Sistema Penitenciário Federal. (fls. 42/43). 3. Primeiramente, o que se verifica, das informações registradas acima, é que o impetrante apontou como autoridade coatora Juízo diverso daquele que decidiu pela inclusão do paciente no sistema penitenciário federal. Veja-se que a inclusão do paciente se deu em outubro de 2010, por decisão do Juiz Corregedor da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, em razão de representar risco à segurança dos estabelecimentos penais estaduais e à paz social. 4. De todo modo, o que percebo, dos elementos produzidos no caderno processual (fls. 44/61), é que a decisão de inclusão do paciente observou todos os requisitos necessários ao encaminhamento de preso ao Sistema Penitenciário Federal, fazendo prevalecer o interesse da segurança pública, nos termos do art. 3o., da Lei 11.671/08, não havendo que se falar em qualquer ilegalidade no procedimento. 5. Da mesma forma, a transferência do paciente da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR para a Penitenciária Federal de Mossoró/RN, que ocorreu a pedido do Departamento Penitenciário Federal, como forma de garantir o perfeito funcionamento do sistema, objetivando impedir articulações das organizações criminosas dentro dos estabelecimentos de segurança máxima (fls. 43), tudo em conformidade com o art. 12, do Decreto 6.877/2009, que regulamentou a Lei 11.671/08. 6. Registre-se que o direito do preso de permanecer em local próximo ao seu meio social e familiar não configura em garantia absoluta, podendo ser afastada quando houver conflitos entre os direitos do preso e os interesses da administração da justiça criminal. Precedente: STJ, RHC 19624/MG, Quinta Turma, Relator Ministro Gilson Dipp, DJ de 25/09/2006, p. 281. 3

7. Mais ainda, inexiste constrangimento ilegal advindo do não encaminhamento, pela Corregedoria da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, dos autos de execução penal para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN, o que impossibilitaria a ciência do paciente quanto ao tempo de pena restante a cumprir. 8. Conforme informações da Corregedoria da Penitenciária Federal em Mossoró/RN, o Juiz Corregedor da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, remeteu-lhe a execução penal do paciente, que tramita sob o número 0002230-68.2014.4.05.8400, processo em que resta consignado o tempo de cumprimento de pena do paciente de 25 anos e 10 meses de reclusão pelo cometimento de diversos crimes. 9. Isto posto, denego a ordem pugnada pelo impetrante no presente writ. 10. Eis o meu voto. 4

HC 5538-RN (0006637-97.2014.4.05.0000). IMPTTE : DIEGO TOBIAS DE CASTRO BEZERRA. IMPTDO : JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (NATAL). PACTE : MARCELO ROBERTO DA SILVEIRA (RéU PRESO). ORIGEM : JUíZO DA 2ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT. ACÓRDÃO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CUMPRIMENTO DE PENA. INCLUSÃO NO SISTEMA PENITENCIÁRIO FEDERAL. LEGALIDADE. TRANSFERÊNCIA DA PENITENCIÁRIA FEDERAL DE CATANDUVAS/RN PARA PENITENCIÁRIA FEDERAL DE MOSSORÓ/RN. POSSIBILIDADE. 1. Impetrante que apontou como autoridade coatora Juízo diverso daquele que decidiu pela inclusão do paciente no sistema penitenciário federal. Inclusão do paciente se deu em outubro de 2010, por decisão do Juiz Corregedor da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, em razão do réu representar risco à segurança dos estabelecimentos penais estaduais e à paz social. 2. O que se percebe, dos elementos produzidos no caderno processual, é que a decisão de inclusão do paciente observou todos os requisitos necessários ao encaminhamento de preso ao Sistema Penitenciário Federal, fazendo prevalecer o interesse da segurança pública, nos termos do art. 3o., da Lei 11.671/08, não havendo que se falar em qualquer ilegalidade no procedimento. 3. Da mesma forma, a transferência do paciente da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR para a Penitenciária Federal de Mossoró/RN, que ocorreu a pedido do Departamento Penitenciário Federal, como forma de garantir o perfeito funcionamento do sistema, objetivando impedir articulações das organizações criminosas dentro dos estabelecimentos de segurança máxima, tudo em conformidade com o art. 12, do Decreto 6.877/2009, que regulamentou a Lei 11.671/08. 5

4. O direito do preso de permanecer em local próximo ao seu meio social e familiar não configura em garantia absoluta, podendo ser afastada quando houver conflitos entre os direitos do preso e os interesses da administração da justiça criminal. Precedente: STJ, RHC 19624/MG, Quinta Turma, Relator Ministro Gilson Dipp, DJ de 25/09/2006, p. 281. 5. Inexiste constrangimento ilegal advindo do não encaminhamento, pela Corregedoria da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, dos autos de execução penal para a Penitenciária Federal em Mossoró/RN, o que impossibilitaria a ciência do paciente quanto ao tempo de pena restante a cumprir. 6. Conforme informações da Corregedoria da Penitenciária Federal em Mossoró/RN, o Juiz Corregedor da Penitenciária Federal em Catanduvas/PR remeteu-lhe a execução penal do paciente, que tramita sob o número 0002230-68.2014.4.05.8400, processo em que resta consignado o tempo de cumprimento de pena de 25 anos e 10 meses de reclusão pelo cometimento de diversos crimes. 7. Ordem denegada. Vistos, relatados e discutidos estes autos de HC 5538-RN, em que são partes as acima mencionadas, ACORDAM os Desembargadores Federais da Primeira Turma do TRF da 5a. Região, por unanimidade, em denegar a ordem, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte do presente julgado. Recife, 07 de agosto de 2014. Manoel de Oliveira Erhardt RELATOR 6