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WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR» Cacildo Baptista Palhares Júnior Advogado em Araçatuba (SP) Questões comentadas de Direitos Difusos e Coletivos da prova objetiva do concurso de 2010 para Defensor de São Paulo 49. O boletim Brasil-Transgênicos, nº 477, de 12.02.2010, da AS-PTA (Associação pela Agricultura Familiar e Agroecologia) e o portal www.fetecsp.org.br, em 11.02.2010, publicaram a seguinte nota: O Ministro Sérgio Rezende referendou o nome de Edilson Paiva para presidir a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança CTNBio durante os próximos dois anos. Paiva é tão defensor dos alimentos transgênicos que tempos atrás disse aos jornais que uma das vantagens da soja da Monsanto é que as pessoas podem até beber o veneno nela aplicado que não irão morrer. Ele também é contra a rotulagem de transgênicos nas embalagens dos produtos e considera que o princípio da prevenção é na verdade um princípio da obstrução. No âmbito do sistema tutelar do consumidor, as declarações do novo presidente da CTNBio ferem qual direito básico dos consumidores? (A) Presunção de vulnerabilidade do consumidor. (B) Proteção contra os riscos e informações claras sobre os produtos. (C) Direito de acesso aos órgãos administrativos e judiciários. (D) Proteção contra publicidade enganosa. (E) Direito à segurança e ampla defesa. (A) Incorreta. O princípio da vulnerabilidade do consumidor estabelece que o sistema jurídico deve levar em conta a qualidade do agente mais fraco nas relações de consumo. As declarações referidas na nota não contrariam esse princípio.

(B) Correta. Deve haver proteção contra riscos. As informações sobre os produtos devem ser prestadas pelo fornecedor. Assim dispõem os artigos 6º, I, e 8º, caput, do Código de Defesa do Consumidor: (C) Incorreta. Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; Art. 8º Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito. (D) Incorreta. Não se trata de publicidade enganosa porque nesse caso se aplicaria, por exemplo, o disposto no artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor: Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. (E) Incorreta. Não se trata de lesão à ampla defesa. Alternativa b. 50. Uma grande plantação de soja transgênica é pulverizada, sistematicamente, com herbicida, à base de glifosato, através de aviões pulverizadores. Dispersos no ar, os elementos químicos do agrotóxico

atingem fonte d água que abastece um vilarejo rural, localizado a 5 km, contaminando inúmeras pessoas que ali residem, causando vômitos, convulsões, desmaios, perda de visão, incapacidade laborativa, mortandade de plantas e animais, dentre outros eventos. A Defensoria Pública ajuíza, em prol dos moradores pobres do lugar, ação civil pública, visando indenização pelos danos resultantes, sustentando a demanda em dispositivos encontrados no sistema tutelar dos direitos dos consumidores. O juiz, para o qual a ação fora distribuída, indefere a inicial, alegando a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor por não caracterização das vítimas como consumidores. Essa decisão está (A) correta, posto que a responsabilidade, no caso, é regida pelo sistema de proteção ambiental. (B) correta, posto que a responsabilidade, no caso, é regida pelos dispositivos civilistas que regem a culpa subjetiva. (C) incorreta, pois sejam quais forem os sistemas, a responsabilidade, no caso, é sempre subjetiva. (D) incorreta, pois há caracterização das vítimas como consumidores por interferência direta na relação de consumo. (E) incorreta, pois há caracterização das vítimas como consumidores por equiparação. (A) Incorreta. No caso não se trata de dano ao meio ambiente, mas sim à saúde dos moradores pobres. (B) Incorreta. Vide resposta à alternativa c. (C) Incorreta. Diz o artigo 12, caput, do Código de Defesa do Consumidor que a responsabilidade do produtor é objetiva: Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou

acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. Assim também ocorre no direito ambiental. (D) Incorreta. O dano à saúde não decorreu do consumo do produto. (E) Correta. Dispõe o artigo 6º, I, do Código de Defesa do Consumidor que a proteção da saúde é direito do consumidor: Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; O produtor responde pela reparação dos danos causados aos consumidores, conforme artigo 12, caput, do Código de Defesa do Consumidor: Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. Na mesma seção do Código de Defesa do Consumidor, o artigo 17 estabelece que as vítimas do evento equiparam-se a consumidores: Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento. Alternativa e.

51. Um Defensor Público da Defensoria Regional de Presidente Prudente ajuíza, na capital do Estado, ação civil pública em face do Estado de São Paulo, visando a supressão de lista de espera de centenas de pessoas com deficiência que, há 10 anos, aguardam, em lista do SUS, distribuição de cadeiras de rodas, próteses e órteses, veiculando pleito de imediato fornecimento desses equipamentos de inclusão social. As pessoas, que há anos esperam o fornecimento administrativo desses equipamentos, estão espalhadas por 30 cidades que integram a referida regional. Sob o aspecto da competência, o ajuizamento dessa ação civil pública está (A) correto em vista do âmbito regional dos danos. (B) correto, pois é na capital o foro de domicilio do ente demandado. (C) incorreto, pois a ação coletiva deveria ter sido distribuída na comarca sede da Defensoria Regional. (D) incorreto, pois deveriam ser ajuizadas uma ação civil pública em cada cidade da região. (E) correto, posto tratar-se de competências concorrentes. Diz o artigo 2º, caput, da Lei 7.347/85: Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer dano, cujo Juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. O artigo 93 do Código de Defesa do Consumidor dispõe que, no caso de danos de âmbito regional, a ação deve ser proposta no foro da capital do Estado: Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a causa a justiça local: I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito local;

II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente. Assim, é correta a propositura da ação no foro da capital do Estado. Alternativa a. 52. Uma comunidade carente, vitimada pela perda de suas moradias e mobiliários por força de enchentes sucessivas em seu bairro, caracteriza, para fins de tutela metaindividual, qual categoria de direitos? (A) Direitos transindividuais, de natureza indivisível, com titulares de direitos determinados, ligados com a parte contrária por circunstância de fato. (B) Direitos transindividuais, de natureza indivisível, com titulares indetermináveis, ligadas por circunstância de fato. (C) Direitos coletivos, com titulares indetermináveis, ligados entre si por relação jurídica base. (D) Direitos individuais homogêneos, com titulares determinados, ligados entre si por relação jurídica base. (E) Direitos individuais homogêneos, com titulares determinados, ligados entre si por circunstância de fato. Dispõe o artigo 81 do Código de Defesa do Consumidor: Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em Juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste Código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que

sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste Código, os transindividuais de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica-base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. No caso, os direitos têm natureza divisível e origem comum, os titulares são determináveis e ligados entre si por circunstância de fato. São, pois, direitos individuais homogêneos. Alternativa e. 53. Preceitua o item 15 da Declaração do Rio de Janeiro Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92): Para que o ambiente seja protegido, será aplicada pelos Estados, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas. Onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes em termos de custo para evitar a degradação ambiental. Esse texto traz em si a gênese do princípio, em matéria ambiental, (A) do desenvolvimento sustentável. (B) da precaução. (C) da tutela estatal. (D) da incerteza científica. (E) da inevitabilidade ambiental. Trata-se do princípio da precaução. A Declaração de Wingspread aborda esse princípio da seguinte maneira: Quando uma atividade representa ameaças de danos ao meio ambiente ou à saúde humana, medidas de precaução devem ser tomadas, mesmo se algumas relações de causa e

efeito não forem plenamente estabelecidos cientificamente. (www.fgaia.org.br/texts/t-precau, tradução de Lúcia A. Melin). Alternativa b. 54. Das categorias de unidades de conservação abaixo, NÃO se caracteriza como Unidade de Proteção Integral: (A) Área de Proteção Ambiental (APA). (B) Estação Ecológica. (C) Reserva Biológica. (D) Parque Nacional. (E) Refúgio da Vida Silvestre. Dispõem os seguintes artigos da Lei 9.985/00: Art. 7º As unidades de conservação integrantes do SNUC dividem-se em dois grupos, com características específicas: I - Unidades de Proteção Integral; II - Unidades de Uso Sustentável. 1º O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. 2º O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Art. 8º O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I - Estação Ecológica;

II - Reserva Biológica; III - Parque Nacional; IV - Monumento Natural; V - Refúgio de Vida Silvestre. (...) Art. 14. Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes categorias de unidade de conservação: I - Área de Proteção Ambiental; II - Área de Relevante Interesse Ecológico; III - Floresta Nacional; IV - Reserva Extrativista; V - Reserva de Fauna; VI - Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e VII - Reserva Particular do Patrimônio Natural. Assim, as Unidades de Proteção Integral não podem ser habitadas pelo homem, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais - em atividades como pesquisa científica e turismo ecológico, por exemplo. O artigo 15, caput, da Lei 9.985/00 diz que na Área de Proteção Ambiental há um certo grau de ocupação humana: Art. 15. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente

importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Alternativa a. 55. Das atividades econômicas abaixo, NÃO está sujeito a prévio Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) o projeto de (A) exploração econômica de madeira em área acima de 100 hectares. (B) barragem hidrelétrica com potencial de 9mW. (C) estradas de rodagem com duas faixas de rolamento. (D) portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos. (E) ferrovias. A lista de atividades econômicas sujeitas a prévio Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) é arrolada no artigo 2º da Resolução CONAMA n 1, de 23 de janeiro de 1986: Art. 2.º Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental-rima, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como: I - Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; II - Ferrovias; III - Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; IV - Aeroportos, conforme definidos pelo inciso I, artigo 48º, do Decreto-Lei nº 32, de 18.11.66; V - Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; VI - Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230 Kv; VII - Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragens para fins hidrelétricos, acima de 10 MW, de

saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d'água, abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques; VIII - Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); IX - Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de mineração; X - Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; XI - Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10 MW; XII - Complexo e unidades industriais e agro-industriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha, extração e cultivo de recursos hídricos); XIII - Distritos industriais e zonas estritamente industriais-zei; XIV - Exploração econômica de madeira ou lenha, em áreas acima de 100 hectares ou menores, quando atingir áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental; XV - Projetos urbanísticos, acima de 100 hectares ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes; XVI - Qualquer atividade que utiliza carvão vegetal, em quantidade superior a dez toneladas por dia. Alternativa b. 56. Sobre a ação de usucapião especial coletiva, é correto afrmar: (A) É cabível sobre áreas rurais com mais de 250 m2, desde que indivisíveis. (B) Só é cabível sobre imóvel urbano passível de individualização de cada lote. (C) É cabível sobre área urbana com mais de 250 m2. (D) É cabível sobre área urbana com menos de 250 m2. (E) Os ocupantes da área não precisam se caracterizar como de baixa renda.

Dispõe o artigo da Lei 10.257/01, que instituiu o Estatuto da Cidade: Art. 10. As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. (...) 2º A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de registro de imóveis. (A) Incorreta. Cabe sobre áreas urbanas. (B) Incorreta. É cabível se não for possível individualizar cada lote. (C) Correta. (D) Incorreta. Com mais de 250 metros quadrados. (E) Incorreta. Alternativa c.