Conceitos Básicos e Medidas em Demografia Migração e Distribuição



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PROVA DE GEOGRAFIA 3 o TRIMESTRE DE 2015

Transcrição:

Martin Handford, Where s Wally? CST 310: População, Espaço e Ambiente Abordagens Espaciais em Estudos de População: Métodos Analíticos e Técnicas de Representação Conceitos Básicos e Medidas em Demografia Migração e Distribuição Antonio Miguel V. Monteiro Silvana Amaral {silvana@dpi.inpe.br, miguel@dpi.inpe.br}

Migração Migração é um componente que pode influir na estrutura, dinâmica e tamanho da população em níveis não desprezíveis, Posição secundária nos estudos demográficos: (a) fatores de ordem conceitual, dificuldade de incluí-la nas relações analíticas e teóricas similares àquelas geradas para outros componentes demográficos; (b) dificuldades metodológicas para definir, medir, projetar e obter informações confiáveis sobre os processos migratórios; (c) a despreocupação de certas escolas da Demografia com os movimentos populacionais. Os fluxos migratórios são capazes de alterar significativamente o padrão e o nível da fecundidade e da mortalidade de uma região. A migração é um fenômeno essencialmente social, e que é determinado pela estrutura cultural, social e econômica da região em que ocorre. suposição de população fechada seja capaz de simplificar os cálculos demográficos

Migração SALDO MIGRATÓRIO resultado da diferença entre imigrantes e emigrantes de data fixa, e leva em consideração os efeitos indiretos do fluxo O saldo migratório é portanto, uma medida absoluta e, quando obtido por técnicas indiretas, é dado pela relação: SM j,n = saldo migratório, em uma dada região j, no período compreendido entre o ano 0 e o ano n; P ob = população observada no ano n e na região j. Esta população é aquela enumerada pelo Censo realizado no ano n; P esp = população esperada (fechada) estimada para o ano n e na região j. ( ) Imigrante (emigrante) de data fixa é aquele que no período t não residia (residia) em uma dada região j e no período t + n residia (não residia) em j.

Migração TAXA LÍQUIDA DE MIGRAÇÃO Medida relativa e pode ser calculada dependendo do denominador da razão. Se a taxa líquida de migração for baseada na população esperada, ela corresponde à : (+) proporção em que a população fechada foi acrescida, se positiva, (-) proporção em que a população fechada foi diminuída, se negativa, como consequência dos fluxos migratórios do período Se a população observada for o denominador da razão, então a taxa líquida de migração é a (+) proporção da população observada no segundo censo resultante do processo migratório, quando a taxa for positiva, (- ) e a proporção em que a população seria acrescida na ausência de migração, se negativa.

Migração BRASIL Depois da década 1930: Fim dos processos migratórios internacionais Quebra da economia rural -> dispersou trabalhadores agrícolas ÊXODO Rural a ocupação e abertura das fronteiras agrícolas a crescente ocupação da população nas grandes cidades

Migração BRASIL Década de 80 diminui o fluxo absoluto de população rural (10,8 m. hab), mas as taxas líquidas de migração (fluxo relativo) ainda permanecem altas, diminuindo cerca de 25% a população esperada das zonas rurais

Migração ÊXODO RURAL Década de 60 SP, RJ e MG - mais da metade da emigração rural verificada no Brasil Década de 70 - a emigração rural mais intensa nas regiões de fronteira agrícola recente, como Paraná e Goiás, - continuava emigração rural na região Sudeste em ritmo intenso. - devido a esforços governamentais para atrair colonos, a região Norte apresentou migração rural positiva - expansão da fronteira agrícola

Migração Movimentos Fronteriços Ocupações do Paraná, década 60 - transferência da lavoura cafeeira do Estado de São Paulo - caracterizada pela proliferação de pequenas e médias propriedades. - introdução de cultivos menos intensivos em mão-de-obra, a partir de 1960, o ritmo diminuiu, Região Centro-Oeste e Maranhão - década 50-60 Os principais fluxos foram oriundos das regiões menos prósperas do Nordeste e do Estado de Minas Gerais. Região Amazônica. - o governo tomou a responsabilidade de organizar o processo (Transamazônica, Projetos de Assentamentos...) - A partir de 1974, o influxo de migrantes para Rondônia e Mato Grosso-> aumento populacional na região da ordem de 400% em oito anos.

Migração Dados do Censo 2010 local de nascimento; tempo de moradia no município, na Unidade da Federação e no Brasil; município, Unidade da Federação ou o país estrangeiro de residência anterior; município e Unidade da Federação ou do país estrangeiro em que o indivíduo morava há 5 anos antes da data de referência do Censo. Variáveis: População residente segundo o lugar de nascimento Migração de última etapa - último movimento realizado pelo indivíduo (pessoas que residiam a menos de 10 anos) (perguntas sobre o tempo de residência na Unidade da Federação e no município, e do lugar em que ele morava antes de mudar-se para a residência em que foi recenseado) Migração de data-fixa - migrações ocorridas entre duas datas específicas: 31 de julho de 2005 e 31 de julho de 2010.

Migração Migração no Censo de 2010: - 35,4% da população não residia no município onde nasceu, sendo que 14,5% (26,3 milhões de pessoas) moravam em outro estado. - São Paulo (8 milhões de pessoas), Rio de Janeiro (2,1 milhões), Paraná (1,7 milhão) e Goiás (1,6 milhão) acumularam a maior quantidade de pessoas residentes que não nasceram lá. - Minas Gerais (3,6 milhões de pessoas), Bahia (3,1 milhões), São Paulo (2,4 milhões) e Paraná (2,2 milhões) foram os estados com os maiores volumes de população natural que foi morar em outras unidades da federação. Migração entre países (2010): - recebeu 268,5 mil imigrantes internacionais, 86,7% a mais do que em 2000 (143,6 mil). - Principais países de origem: Estados Unidos (51,9 mil) e Japão (41,4 mil). - Volta de brasileiros do exterior. -Do total de imigrantes internacionais, 174,6 mil (65,0%) eram brasileiros retorno (em 2000, foram 87,9 mil imigrantes internacionais de retorno, 61,2% do total dos imigrantes.)

Migração Censo 2010 População residente segundo o lugar de nascimento

Migração Censo 2010 Migração de última etapa

Migração Censo 2010 Migração de data-fixa

Migração "Os fluxos migratórios não se dão somente de regiões pobres para regiões ricas. É possível observar, por exemplo, que a migração do Norte é maior para o Nordeste do que para o Sudeste. A ideia comum de exportação da pobreza de regiões menos desenvolvidas para outras de maior poder e dinamismo econômico deve sofrer, então, restrições, ou melhor, qualificações, já que a proximidade também é um fator relevante para explicar os fluxos. Migração "deve ser considerada como deslocamento à procura de trabalho e renda". "Migra-se de uma região para outra ou internamente às regiões com a intenção de melhoria das condições pessoais ou da família. Migra-se para atenuar as dificuldades vividas na origem, sejam ligadas ao baixo dinamismo das economias locais ou às vulnerabilidades e carências no sistema de proteção social." Pesquisa "Migração interna no Brasil", Ipea

Distribuição espacial da população O conceito de população é inseparável do espaço geográfico (Welti 1998) Brasil - Povoado ou populoso?? Densidade Demográfica 2000 (IBGE) Densidade Demográfica Densidade demográfica = população / área territorial BRASIL: Censo 2010 (aproximadamente) 190.000.000 / 8.500.000 = 22,4 habitantes / km². Japão 130.000.000 / 377.000 = 340 habitantes / km ² (15 x)

Distribuição espacial da população O conceito de população é inseparável do espaço geográfico (Welti 1998) Densidade Demográfica 2000 (IBGE) Densidade Demográfica 2010 (IBGE)

Distribuição espacial da população O conceito de população é inseparável do espaço geográfico (Welti 1998) Densidade Demográfica 2000 (IBGE) Densidade Demográfica 2010 (IBGE)

Distribuição espacial da população O conceito de população é inseparável do espaço geográfico (Welti 1998) indivíduos e fatos demográficos são localizados espacialmente e normalmente se distribuem de maneira heterogênea neste espaço No BR mudanças recentes na distribuição espacial da população: (menor grau) ao crescimento da importância relativa das regiões de fronteira agrícola Progressiva urbanização Os deslocamentos direcionaram a organização da população sobre o espaço para duas tendências aparentemente contraditórias: a concentração nas regiões densamente povoadas e dinâmicas economicamente dispersão e interiorização pela ocupação sucessiva de novas fronteiras agrícolas.

Distribuição pop indígena 1991-2010

Distribuição espacial da população A participação relativa das regiões nas 3 últimas décadas : - SE quase constante ~43% do total da população brasileira. - NE e S : diminuição relativa da participação - CO e N: aumento da participação

Distribuição espacial da população A participação relativa das de 2000 a 2010: - SE, S e NE reduzem - CO e N: aumento da participação

Distribuição espacial da população Atlas IBGE 2010

Distribuição espacial da população SITUAÇÂO: População Urbana / Rural

Distribuição espacial da população Evolução Situação de Domicílio

Distribuição espacial da população 1980 e 1991: - redução do crescimento urbano, apesar do aumento do número de cidades e de habitantes. - Diminui o crescimento das grandes cidades - Crescimento das cidades médias (+ 4.1%) (+7.7%) (-11.9%)

Distribuição espacial da população REGIC 2007

Distribuição espacial da população 2010: - percentual de municípios que tiveram perdas populacionais é mais expressivo entre os de menor porte - mais de 60,0% daqueles com menos de 2000 habitantes em 2010 apresentaram taxa de crescimento negativa no referido período. - Esse percentual diminui progressivamente à medida que se avança para as faixas dos municípios mais populosos, - Não mais se observam casos de decréscimo populacional na última década, particularmente entre aqueles com mais de 500000 habitantes.

Distribuição espacial da população 2010: - a participação relativa das capitais na população total do País manteve-se praticamente constante entre 2000 e 2010 (23,8%). - As capitais da Região Sudeste concentram 44,6% da população das capitais brasileiras, ainda que essa participação venha declinando ao longo do tempo (em 2000 era de 46,5%), cedendo importância principalmente às capitais das Regiões Norte e Centro-Oeste. - O crescimento da concentração da população em algumas das capitais constituiu um fato de grande importância, sobretudo em alguns estados da Região Norte, que no passado apresentavam uma baixa ocupação populacional

Distribuição espacial Periferização das metrópoles - tendência de redução do ritmo de crescimento dos núcleos metropolitanos, mantendo-se crescimento das regiões periféricas a este núcleo. o A competição desigual pelo espaço urbano tem expulsado os estratos populacionais menos favorecidos, sejam eles migrantes ou não, para as áreas e municípios periféricos das regiões metropolitanas. Algumas capitais brasileiras não apresentaram crescimento significativo quando comparadas a outras cidades pertencentes à região metropolitana das mesmas. Metropolização e periferização - fenômenos concomitantes - populações mais carentes têm pago o maior ônus da concentração urbana M P

Brasil em Síntese dinâmica demográfica

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Referências IBGE Censos IBGE Brasil em Síntese - http://www.ibge.gov.br/brasil_em_sintese/ José Alberto Magno de Carvalho, Diana Oya Sawyer, Roberto do Nascimento Rodrigues. 1994. Introdução a alguns conceitos básicos e medidas em demografia. Textos Didáticos ABEP, 2 a ed. 1998. Associação Brasileira de Estudos Populacionais. http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/textosdidaticos/tdv01.pdf Cerqueira, C.A. e Givisiez, G.H.N., Conceitos básicos em Demografia e dinâmica demográfica brasileira.. Introdução à Demografia da Educação, duardo Luiz Gonçalves Rios-Neto e Juliana de Lucena Ruas Riani (Orgs.) Capítulo 1, p.13-44 http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/demoedu/parte1cap1p13a44.pdf

2 DO Pensar no tema do trabalho Leitura para próxima aula: http://www.ess.inpe.br/courses/lib/exe/fetch.php?media=cst-310-popea:bibliocst310:rosemback_etal_2010.pdf