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Transcrição:

Regime Militar no Brasil (1964-1985) Prof. Rafael Chaves

1- Antecedentes Tensões sociais exacerbadas no governo Goulart Comício das Reformas (Central do Brasil, 13/3/1964) Suposta quebra de hierarquia militar (greve dos Marinheiros) Movimento civil-militar de 31/3/1964 [Olímpio Mourão e Magalhães Pinto (MG), Amaury Kruel e Carlos Lacerda (RJ e GB)] Jango evita derramamento de sangue e vai para o exílio Brizola tenta organizar a resistência no RS Comando Supremo da Revolução : General Costa e Silva, Brigadeiro Correia de Melo e Almirante Augusto Rademaker.

2- Ato Institucional (AI-1) Decretado a 09/04/1964, com vigência prevista até 31/01/1966 Modificava a Constituição de 1946 e mantinha o Congresso aberto Suspendeu as garantias Constitucionais por 6 meses (suspendeu imunidades e direitos políticos por 10 anos, cassou mandatos, promoveu expurgos do serviço público) Estabeleceu eleições indiretas para Presidente e reforçou o executivo Possibilitou os IPMs e, com eles, grande repressão e uso de tortura, mas manteve o recurso ao habeas corpus Levou à criação do SNI (junho/1964), o monstro do Gal. Golbery

2- Governo Castelo Branco (1964-67) Grupo castelista: Sorbonne (ligados à Escola Superior de Guerra) Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG): reduziu o déficit do setor público, contraiu o crédito, comprimiu os salários, restringiu a atuação econômica dos estados, cortou subsídios à importação e aumentou impostos Lei de Greve (junho/1964), Criação do Estatuto da Terra (nov./1964) e do FGTS (setembro/1966) Promoção das exportações de agrícolas e manufaturados nova lei de remessa de lucros (agosto/1964) Reaproximação com os EUA e FMI, renegociando a dívida externa

2.1 Governo Castelo, AI-2 e AI-3 Motivo do sucesso do PAEG: sociedade é obrigada a aceitar perdas (regime autoritário) Eleições estaduais diretas (out./1965): oposição triunfa pressões da linha dura AI-2 (17/out./1965): Votação nominal e aberta pra Presidente, atos complementares ao Ato, decretos-lei sobre Segurança Nacional AI-2: Extinção dos Partidos existentes e início do bipartidarismo ARENA (Aliança Renovadora Nacional governista) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro oposição) AI-3: Governadores eleitos indiretamente, prefeitos de capitais e cidades de segurança nacional nomeados

2.2 AI-4 e Constituição de 1967 Eleições legislativas de 1966: Arena tem maioria no Congresso AI-4 (7/dezembro/1966): Convoca Congresso (fechado em outubro), e faz aprovar nova Constituição em janeiro de 1967 Constituição de 1967: incorpora legislação que ampliou poderes do executivo, mas não os dispositivos excepcionais (que permitiam cassações, suspensão de direitos etc.) Consolidação da sucessão presidencial pelo voto indireto, com o candidato do governo (General de 4 estrelas) indicado pela Arena (mas já decidido nos altos círculos militares) Grupo castelista não faz sucessor: entra em cena a Linha dura

3 Governo Costa e Silva (1967-69) Linha dura, mas promove liberalização restrita: Ouve oposição moderada e reorganiza sindicatos com lideranças confiáveis Oposição se reorganiza: estudantes (UNE), Igreja (Dom Helder), Lacerda, JK e Jango (Frente Ampla) 1968: novas idéias varrem o mundo (maio); assassinato de Edson Luís (março); Passeata dos 100 mil (25 de junho), Greves de Contagem (maio) e Osasco (julho); Tropicália, Vandré, arte em geral A Luta Armada, o foco : Aliança de Libertação Nacional (ALN), Ação Popular (AP), Mov. Revolucionário 8 de outubro (MR-8), Vanguarda Popular Revol. (VPR) [PCB opunha-se à luta armada]

4 AI-5 (13/12/1968) e a Junta Militar (1969) Pronunciamento do dep. Márcio Moreira Alves (MDB-GB) e negação de suspensão de imunidade Fechamento do Congresso, presidente pode intervir nos estados e municípios e suspender direitos políticos Novas cassações e expurgos, censura, fim do habeas corpus, uso generalizado da tortura etc. (AI-6 a AI-11) AI-12: Impedimento do vice Pedro Aleixo e assunção da Junta Militar ( Os 3 patetas ), no lugar de Costa e Silva Seqüestro do Embaixador dos EUA Troca por presos políticos AI-13 (banimento) e AI-14 (pena de morte)

5 Governo Médici (1969-74) Divisão do governo em 3 áreas: militar (Orlando Geisel), econômica (Delfim) e política (Leitão de Abreu) Período mais repressivo: Pacificar o país, Oban vira DOI-CODI (Destacamento de Operações e Inform. e Centro de Operações de Defesa Interna, respectivamente): = fim da luta urbana Foco guerrilheiro do PCdoB: Araguaia (Pará), 1970-75 Propaganda: telecomunicações (Globo porta-voz do governo): Brasil grande potência, Ninguém segura este país, Brasil: ame-o ou deixe-o Copa do Mundo de 1970 (Presidente interfere na Seleção e usa radinho)

6 Milagre econômico (1969-73) Fórmula: extraordinário crescimento econômico + inflação baixa Pontos fortes: ampliação do crédito e autorização de fabricação de carros médios (atração de montadoras), expansão do comércio exterior (diversificação das exportações) Intervenção estatal: aumento da arrecadação, indexação de salários Pontos fracos: grande dependência do sistema financeiro e comércio internacional para a captação de recursos; ausência de distribuição de renda ( Fazer o bolo crescer para, depois, dividi-lo ), ausência de políticas sociais (educação, saúde e habitação), construção da Transamazônica

7 Governo Geisel (1974-78) Eleito pelo Colégio Eleitoral (Emenda nº1) Abertura política (distensão) lenta, gradual e segura : Golbery Relações entre Forças Armadas e o poder, que fora tomado pelos órgãos de repressão (gerava inversão da hierarquia): luta contra a linha dura, nos bastidores Eleições 1974: cresce o MDB Assassinato de Herzog (outubro/1975): tentativa grosseira de encobrir e mobilização da sociedade Assassinato de Manuel Fiel (janeiro/1976): Geisel acaba com a tortura

7.1 Pacote de Abril (1977) e fim do AI-5 (1979) Lei Falcão (1976): não impediu grande vitória do MDB Congresso posto em recesso Criação do Senador Biônico (eleição indireta em Colégio Eleitoral) Estende mandato presidencial para 6 anos Fim do AI-5 por ação conjunta com a oposição

7.2 Política Econômico-social Situação internacional: entre os 2 choques do Petróleo II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND): substituir importações de insumos básicos (petróleo, aço, alumínio etc.) e de bens de capital (ferramentas e máquinas, i.e.) = Pró-álcool, Itaipu e Programa Nuclear II PND incentivou grandes empresas privadas a produzirem bens de capital e fez investimento via estatais Confederação Nacional dos Trab. Agrícolas (Contag): sindicatos rurais Novo Sindicalismo: greves do ABC (Lula)

8 Governo Figueiredo (1979-85) Sucessor de Geisel, para promover a abertura Aprofundamento da crise econômica: 2º choque do Petróleo = aumento do déficit na balança comercial; Corte de investimentos estatais, contenção do crédito, aumento de juros = recessão (1981-83); empréstimo com o FMI e melhora das contas externas, apesar da inflação subir (até 223%, em 1984) Abertura: Lei da anistia (1979); atentados a bomba (Riocentro, 1981); Nova Lei dos Partidos (1979) oposições triunfam nas eleições 1982 Diretas-Já (Emenda Dante de Oliveira, 1984) e Eleições no Colégio (15/1/85): Tancredo morre e Sarney assume

Nova República (1985-2008) Novos tempos, novos problemas Prof. Rafael Chaves

1- Governo Sarney (1985-89) Presidente oposicionista de última hora (Frente Liberal) Solução de compromisso após a morte de Tancredo Deveria revogar as leis autoritárias que vinham do regime militar Deveria realizar eleições para uma Assembléia Constituinte, encarregada de elaborar uma nova Constituição Manteve o SNI funcionando Estabelece-se eleições diretas para Presidente, direito de voto aos analfabetos e legaliza-se todos os partidos políticos (maio/1985)

Eleições para Constituinte novembro de 1986 Situação econômica: superávit comercial (US$13,1 bi) permitia pagamentos da dívida, sem recorrer ao FMI Inflação galopante (223,8% em 1984; 235,5% em 1985) = SUPERINFLAÇÃO Ministro Dornelles: freia gastos públicos, insatisfação. Entra Dilson Funaro Economistas PUC-Rio: inflação inercial = necessidade de desindexação e moeda forte Tudo pelo social : BNDES

Plano Cruzado (fevereiro/1986) Substituição do cruzeiro por uma moeda forte Corte de três zeros (proporção de 1000:1) Indexação abolida; Preços e taxas de câmbio congelados por prazo indeterminado, e aluguéis, por um ano; Reajuste do salário mínimo ( gatilho : inflação de 20%) Presidente convoca brasileiros e brasileiras para serem Fiscais do Sarney Aumento de salário e congelamento de preços gera otimismo e explosão do consumo; importações desenfreadas, moeda artificialmente forte, sem exportações e ingresso de capital estrangeiro = déficit na balança de pagamentos Plano começou a fazer água : Cruzadinho lançado em julho de 1986 Depois das Eleições: Moratória (fevereiro/1987) Plano Bresser (junho/1987): suspende moratória, ajusta gastos do governo, desativa gatilho de aumento salarial, novos congelamentos, adia obras públicas Plano Verão (janeiro/1989): altera índice de poupanças

Eleições de 1986 e Assembléia Constituinte PMDB elegeu governadores de todos os estados, menos o de Sergipe e conquistou maioria das cadeiras na Câmara e no Senado PFL tem altos índices e PT se destaca Constituinte começa a se reunir em 01/02/1987, sem projeto inicial, o que contribuiu para alongar os trabalhos, concluídos em 05/10/1988 Debateu-se questões menores e centrais da organização do Estado e dos direitos dos cidadãos Foram permitidas emendas populares, deu-se destaque aos municípios

Constituição de 1988 Texto criticado pois trata de assuntos que, tecnicamente, não são de natureza constitucional Os diversos grupos da sociedade procuraram introduzir na Constituição regras que atendessem a seus interesses ou concepções Avanço na extensão de direitos sociais e políticos aos cidadãos em geral e às minorias: Constituição cidadã Mandado de segurança, Habeas-data, direitos dos índios Sistema tributário retira recursos da União e dá a estados e municípios; aposentadoria por idade e estabilidade do funcionalismo (previdência deficitária e dificuldade de flexibilizar a máquina estatal) Definição do sistema de governo ficou sujeita a plebiscito marcado para 7 de setembro de 1993: Monarquia ou República? Presidencialismo ou Parlamentarismo?

2 A transição se completa Constituição de 1988 bem avançada, consagra os direitos dos cidadãos Constituição mantém dispositivos problemáticos, o que gera diversas Emendas Marca o fim da abertura lenta, gradual e segura do regime autoritário (começada por Geisel em 1974), firmando-se o regime democrático Insere-se no contexto sul-americano de redemocratização Transição não provocou grandes abalos sociais, mas não tocou em problemas que iam muito além da garantia de direitos políticos Acordo geral pela democracia entre os atores políticos facilitou a manutenção de práticas contrárias à verdadeira democracia

Eleições de 1989 Primeiro Turno: 1º lugar - Fernando Collor de Mello (PRN / PSC) - 20.607.936 votos 2º lugar - Luiz Inácio Lula da Silva (PT / PSB / PC do B) - 11.619.816 votos 3º lugar - Leonel de Moura Brizola (PDT) - 11.166.016 votos 4º lugar - Mário Covas Junior (PSDB) - 7.786.939 votos 5º lugar - Paulo Salim Maluf (PDS) - 5.986.012 votos 6º lugar - Guilherme Afif Domingos (PL /PDC) - 3.271.986 votos 7º lugar - Ulysses Guimarães (PMDB) - 3.204.853 votos 9º lugar - Roberto Freire (PCB) - 768.803 votos 10º lugar - Aureliano Chaves (PFL) - 600.730 votos 11º lugar - Ronaldo Caiado (PSD) - 488.872 votos 12º lugar - Affonso Camargo (PTB) - 379.262 votos 13º lugar - Enéas Carneiro (Prona) - 360.574 votos 14º lugar - José Alcides Marronzinho de Oliveira (PSP) - 238.379 votos 15º lugar - Paulo Gontijo (PP) - 198.708 votos 16º lugar - Zamir José Teixeira (PCN) - 187.160 votos 17º lugar - Lívia Maria (PN) - 179.896 votos 18º lugar - Eudes Mattar (PLP) - 162.336 votos 19º lugar - Fernando Gabeira (PV) - 125.785 votos 20º lugar - Celso Brant (PMN) - 109.894 votos 21º lugar - Antônio Pedreira (PPB) - 86.100 votos 22º lugar - Manuel Horta (PDC do B) - 83.280 votos

Segundo turno Collor X Lula Bonitinho X feio Esportista X sedentário Apoio da mídia X sem apoio Proprietário X trabalhador Modernização do Estado X combate à desigualdade Crítica aos marajás X apelo para os setores organizados Rede Globo: DEBATE NA VÉSPERA (plim-plim) 36 milhões X 31 milhões de votos

3 Governo Collor (1990-92) Sem ampla base de apoio: distante dos parlamentares Plano Collor (16/3/90): Substituição do Cruzado novo pelo Cruzeiro (proporção de 1:1), congelamento dos depósitos bancários por 18 meses (só se poderia sacar Cr$50mil), aumento de impostos, indexação de taxas, congelamento de preços e salários, câmbio flutuante, estímulo às privatizações = queda na inflação Política Industrial e de Comércio Exterior (PICE) e Plano Nacional de Desestatização (PND) Plano Collor II: demissão da Ministra Zélia; Plano Marcílio (estabilização da inflação)

Corrupção e Impeachment Junho/1991: disputa entre Pedro Collor e PC Farias: denúncias às revistas IstoÉ (motorista de Collor) e Veja (Pedro Collor, irmão do Presidente) Rosane Collor: corrupção na LBA Pedro Collor: denúncia do Esquema PC de tráfico de influência, do qual o Presidente era grande beneficiário: PF instaura inquérito e Congresso, CPI Presidente vai à TV, faz denúncia de golpe e conclama a população a apoiá-lo (12/8/91). Sentido inverso: estudantes de classe média da UNE saem às ruas com o slogan Fora Collor! Relatório da CPI: Presidente e família tiveram despesas pagas pelo dinheiro recolhido pelo Esquema PC (reforma na Casa da Dinda e compra de Fiat Elba) Pedido de Impeachment originário da sociedade é levado à Câmara

Globo abandona Collor e transmite votação do Impeachment ao vivo Collor é afastado da Presidência em 2 de outubro e julgado pelo STF em 29 de dezembro de 1992. Renuncia para escapar da cassação ( Não me deixem só! ), mas tem seus direitos políticos suspensos por 10 anos (volta à cena em 2006 e elege-se Senador ); compara sua renúncia ao suicídio de Getúlio e à renúncia de Jânio Assume seu vice, Itamar Franco (PSDB-MG)

4 Governo Itamar (1992-94) Enfrentou o Retorno de Jedi, digo, da inflação; freou as privatizações, em nome do desenvolvimento da indústria brasileira: estimulou a retomada da produção do Fusca Política Externa nacionalista: buscar no exterior os meios para o desenvolvimento Plano Real: desenvolvido pelo Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso (digo, Rubens Ricupero) e equipe ligada à PUC Rio, lançado em julho de 1994 Criação de nova Moeda (o Real), sobrevalorizada com relação ao dólar e tendo seu valor medido pela URV (Unidade Real de Valor): isto foi facilitado pelo saneamento da dívida externa; o plano não congelou preços e propôs desindexar a economia gradativamente O Plano Real teve sucesso e alavancou a candidatura de FHC à Presidência

5 Os Governos FHC (1995-2002) Políticas neoliberais: desregulamentação da economia, privatizações e desmonte do Estado Poder de compra alto = alta do consumo (brasileiros comem frango); juros altos para atrair investimentos estrangeiros; desemprego em níveis elevados; câmbio fixo Maioria no Congresso: reeleição (novo dispositivo) e continuidade Segundo mandato: privatização da Vale do Rio Doce e da CSN; aumento da cotação do dólar = câmbio flutuante Política externa: OMC, diplomacia presidencial, foco nos países desenvolvidos e abandono do restante do mundo, quebra de patentes Insatisfação generalizada: não faz de José Serra seu sucessor

6 Governos Lula (2003-2010) Transição pacífica e negociada Inflação controlada, queda do dólar e do Risco Brasil Euforia inicial; cobranças em seguida Base aliada extensa (esquerda e centro); oposição da direita, de parte da esquerda e de setores do PT (expulsão: PSOL) Política econômica segue as diretrizes do governo anterior; desemprego diminui aos poucos; diversos programas sociais (Fome Zero, Bolsa Família etc.) são implantados Política Externa: Presidente tem grande projeção mundial; ameniza as conturbadas relações na América do Sul (Hugo Chávez, Bolívia etc); grande atenção ao MERCOSUL e à integração latino-americana; Brasil articula-se com grandes países periféricos, países em desenvolvimento, países de menor desenvolvimento relativo e países desenvolvidos, conseguindo defender seus interesses; aumento de exportações de commodities e de produtos industrializados

Denúncias de corrupção ( Mensalão ) e desmoralização de líderes do PT (Genoíno, Delúbio, Dirceu) abalam o governo, mas não impedem Reeleição em 2002 Estímulo ao consumo e crédito farto minimizam efeitos da crise mundial (2008 em diante) PAC; Minha casa, minha vida; redução de IPI Grande apoio popular ao Presidente, sobretudo no nordeste Possibilidades de terceiro mandato Fez sua sucessora (Dilma Roussef) Continua sendo força política após seu mandato