PROVAS ELETRÔNICAS: O QUE TEM VALOR LEGAL? Camilla do Vale Jimene camilla@opiceblum.com.br
Existe legislação específica para Internet? Internet é um novo território ou apenas um meio de praticar atos jurídicos? Precisamos de legislação específica para tal fim?
MEDIDA PROVISÓRIA 2.200/2001: certificação digital; LEI 11.419/2006: informatização do processo judicial; LEI n.º 8069/1990: Estatuto da Criança e do Adolescente - crime de pornografia infantil por meio de sistema da Internet; LEI 9.983/2000: crime de inserção de dados falsos em sistemas de informações da administração pública; LEI 12551/2011: incluiu na CLT o teletrabalho; LEI 12737/2012: crime de invasão de sistemas (Carolina Dieckmann); DECRETO 7962/2013: regulamentou comércio eletrônico; Lei 12.965/2014: Marco Civil da Internet.
PROVA FACEBOOK
PROVA ORKUT Com razão. Não há controvérsia em que o empregado, operando máquina instalada na biblioteca, mediante solicitação dos alunos, procedia na cópia reduzida de subsídio didático passado por professores, de resto providenciando no alcance de material plastificante à confecção de cola destinada a fraudar exames escolares. Inverossímil alegação de que desconhecesse a finalidade por que, reiteradas vezes, eram-lhe requisitadas a redução das cópias e o material plastificante, tanto assim que, fruto de sua atuação, viu-se homenageado por estudantes com a CRIAÇÃO DA COMUNIDADE AMIGOS DO SEU ADEMIR, NO SITE ORKUT, de concorrido acesso na internet (fl. 31). Aos mais de 500 membros da referida comunidade, na fl. 40, assim se dirige o empregado, verbis: Oi galera! Agora tenho minha página no orkut. Peço que vocês entrem, porque se eu tiver de ir atrás de cada um vai levar muito tempo. Valeu, um grande abraço para todos. (...) Dentre outros, são exemplos desses depoimentos, mediante veiculação na referida página da internet. (TRT 4ª R)
PROVA EMAIL
PROVA FILMAGEM EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CÂMERAS DE VIGILÂNCIA. CONFLITO ENTRE SEGURANÇA PATRIMONIAL E DIREITOS DA PERSONALIDADE. PREVALÊNCIA DA TUTELA DA IMAGEM E PRIVACIDADE DOS TRABALHADORES. No caso concreto, deve ser avaliada qual a finalidade das câmeras e se estas se destinam, conforme afirma a Reclamada, exclusivamente para a proteção patrimonial e segurança, não havendo motivo para, ainda que indiretamente, os seus funcionários sejam de qualquer forma monitorados no exercício de suas tarefas. Com efeito, tal comportamento não seria compatível com os princípios basilares do direito do trabalho, sequer com a sua história, ferindo direitos constitucionais elementares dos trabalhadores. Todavia, tem-se como aceitável a monitoração dos locais com acesso de pessoas estranhas ao ambiente de trabalho em que, justificadamente, haja fundado e relevante receio da possibilidade de ocorrência de roubos ou prejuízos ao patrimônio empresarial. Recurso parcialmente provido. (TRT 4ª Região)
PROVA MONITORAMENTO EMAILS - 2005 Prova ilícita. E-mail corporativo. Justa Causa. Divulgação de material pornográfico. 1) Os sacrossantos direitos do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência constitucionalmente assegurados, concernem à comunicação estritamente pessoal, ainda que virtual. Assim, apenas o e-mail pessoal ou particular do empregado socorrendo-se do próprio provedor, desfruta de proteção constitucional e legal de inviolabilidade. 2) Solução diversa impõe-se em se tratando de e-mail corporativo, instrumento de comunicação virtual mediante o qual o empregado louva-se de terminal e de computador daempresa, bem assim do próprio endereço eletrônico que lhe é disponibilizado igualmente pela empresa(...) Ostenta pois natureza jurídica equivalente à de uma ferramenta de trabalho proporcionada pelo empregador ao empregado para consecução do serviço. 3) (...) notadamente o e-mail corporativo, não raro sofre acentuado desvio de finalidade, mediante a utilização abusiva e ilegal, de que é exemplo o envio de fotos pornográficas. Constitui assim expediente pelo qual o empregado pode provocar expressivo prejuízo ao empregador.(...) 5) Pode o empregador monitorar e rastrear a atividade do empregado no ambiente de trabalho, em e-mail corporativo, isto é, checar suas mensagens, tanto do ponto de vista formal quanto sob o ângulo material ou de conteúdo. Não é ilícita a prova assim obtida, visando a demonstrar justa causa para despedida decorrente do envio de material pornográfico a colega de trabalho. Inexistência de afronta ao art. 5º, incisos X, XII e LVI, da Constituição Federal. (...) (TST)
A EMPRESA QUE PRODUZIU A PROVA POSSUI? Regulamento que afaste expectativa de privacidade (RISI); Termo de uso - ciência do empregado quanto à monitoração (TUSI); 9
OBRIGADA!
Camilla do Vale Jimene camilla@opiceblum.com.br @ Advogada sênior do escritório Opice Blum Advogados Associados; @ Atuação em Direito Digital e suas vertentes; @ Pós-graduada em Direito Processual Civil pela PUC/SP; @ Professora de graduação da UNIP; @ Professora do MBA de Direito Eletrônico da EPD; @ Professora convidada dos cursos de Pós-graduação de Governança de TI e Computação Forense do Mackenzie; @ Autora do livro O Valor Probatório do Documento Eletrônico ; @ Coautora do livro Educação Digital ; @ Perfil LinkedIn: Camilla Jimene