A QUESTÃO DO CONHECIMENTO NA MODERNIDADE



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Transcrição:

A QUESTÃO DO CONHECIMENTO NA MODERNIDADE Maria Aristé dos Santos 1, Danielli Almeida Moreira 2, Janaina Rufina da Silva 3, Adauto Lopes da Silva Filho 4 ¹ Alunas do Curso de Licenciatura em Filosofia da UFC, ; bolsistas do PIBID Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, área de Filosofia da UFC/Cariri. E-mails: Maria Aristé: ariste.santos@bol.com.br Danielli: daniellialmeida2009@hotmail.com Janaina: janainaufc@yahoo.com.br ² Professor Doutor do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Ceará - UFC, ; Coordenador Adjunto do PIBID, área de Filosofia da UFC/Cariri. E-mail: Adautosf@superig.com.br Resumo O presente trabalho busca apresentar o planejamento de uma Unidade Temática na área da filosofia, composta por seis horas/aulas, a ser ministradas para alunos do terceiro ano do ensino médio da Escola Tiradentes, em juazeiro do Norte. Tal temática visa proporcionar, aos mesmos, uma compreensão acerca da passagem do pensamento medieval para o pensamento moderno, enfocando a questão do conhecimento na modernidade. Destacando o racionalismo e o empirismo as aulas irão ressaltar que as descobertas científicas na modernidade deram um grande impulso ao abordar conceitos que antes eram inquestionáveis e a partir dos quais René Descartes instaurou o racionalismo e, em contraposição, Francis Bacon defende o empirismo. Intermediando as duas posições delinearemos o criticismo de Immanuel Kant que também, buscou demonstrar as possibilidades do conhecimento humano. Ao final das aulas tencionamos que os alunos compreendam e possam exercer uma reflexão crítica sobre as questões que envolvem o conhecimento humano. Palavras-Chave: Racionalismo, Empirismo, Criticismo, Conhecimento.

Introdução A presente Unidade Temática traz como objetivo principal proporcionar aos alunos do terceiro ano do ensino médio, da Escola Tiradentes, uma compreensão acerca da teoria do conhecimento, a partir do pensamento dos filósofos, René Descartes, Francis Bacon e Immanuel Kant. As questões sobre o conhecimento humano tornou-se a preocupação central do pensamento moderno. Surge então a teoria do conhecimento como forma de viabilizar sua sistematização. As principais questões, nesse aspecto, giram em torno das questões sobre a origem, as possibilidades e os limites do conhecimento. Diante da importância desse conteúdo para o ensino da filosofia, no ensino médio, sentimos a necessidade de ministrar essa temática que será composta por seis aulas a partir das quais esperamos que os alunos compreendam e possam exercer uma reflexão crítica sobre as questões que envolvem o conhecimento humano. Metodologia As aulas terão como metodologia exposições dialogadas, slides e exibição de vídeos. Serão utilizados como instrumentos, além dos recursos tecnológicos, trechos de escritos dos pensadores supracitados para que os alunos tenham contato direto com algumas das suas obras. Fundamentação teórico-filosófica Mesmo na Grécia antiga alguns filósofos já se preocupavam com a questão do conhecimento humano buscando formas de compreender e aperfeiçoar as suas investigações. As respostas às perguntas tais como, o que é o conhecimento, bem como a possibilidade de se chegar ao mesmo, quais os seus limites, vieram despertar o pensamento de alguns filósofos na modernidade, mais precisamente: René Descartes, Francis Bacon e Immanuel Kant, evidenciados pela valorização do homem e da sua capacidade racional. Com a passagem do pensamento medieval para o pensamento moderno os filósofos buscaram entender as perguntas antes indagadas como também estabeleceram métodos seguros que aperfeiçoasse o homem em sua busca pelo conhecimento. Os filósofos modernos passaram a procurar explicações levando em consideração a razão e até mesmo o próprio pensamento, buscando uma forma como o tornaria superior à vontade livre e ao erro. Desse modo, a questão do conhecimento na modernidade aparece como um problema para a filosofia resolver. Tornava-se necessário examinar de que forma e em que circunstâncias acontecia a conhecimento, as suas possibilidades, origem, validade, limites, etc. Para responder a essas questões, de forma mais abrangente, destacaremos o racionalismo e o empirismo e, em contrapartida às duas posições, abordaremos o criticismo kantiano. Vale ressaltar a importância das

descobertas científicas cujo impulso propiciou a abordagem de assuntos ignorados até então e sua contribuição para o progresso das ciências. René Descartes (1596-1650), o maior representante da filosofia moderna, instaurando o racionalismo argumenta que o conhecimento provém da razão. Convém lembrar que, para o mesmo, o processo que constitui o conhecimento depende de alguns princípios, nos quais são estabelecidas as suas regras. Sua fundamentação é que a experiência deve ser controlada pela razão. A matemática teve grande importância nas descobertas de René Descartes pela facilidade de compreender a realidade, bem como a comprovação de seus métodos. A instauração de um método seguro iria repercutir no pensamento moderno não somente na resolução de questões, mas também pela formulação de problemas que serviriam de base para a filosofia posterior. Ao desenvolver o seu método, René Descartes propunha a busca do conhecimento, a sua possibilidade e em que circunstâncias o mesmo se daria. Para dissertarmos sobre esse assunto iremos utilizar a sua obra, Discurso do Método (1637), na qual o filósofo expõe as regras principais acerca do conhecimento humano e também sobre a necessidade de se reformar o pensamento humano sobre os conceitos impostos pela tradição. René Descartes deduziu o seu método embasado em certezas e como critérios avaliativos no modelo matemático. Chama-se de método a ordem que o pensamento deve seguir para alcançar a sabedoria e conforme à qual ele pensa em certo momento que a alcançou.(descartes, 2007, p. XXII). Desse modo o método tem por finalidade o uso perfeito do espírito, sendo observadas as providências do mesmo. O argumento racionalista sobre a questão do conhecimento é a grande contribuição de René Descartes para a Filosofia Moderna. Já Francis Bacon (1561-1626) preocupava-se em tornar o conhecimento científico como um modelo para que o homem tivesse controle da sua realidade, por compreender que, através das pesquisas experimentais, se chegaria ao avanço das ciências. Dessa forma, Francis Bacon viu na experiência a maneira eficiente para o conhecimento verdadeiro. Pois para o empirismo ou método experimental o conhecimento se dá através da experiência dos sentidos, o que remete a valorização da experiência. Francis Bacon, antes de elaborar sua teoria, examinou os erros constantes mantidos pelo pensamento anterior em não sistematizar os seus fundamentos. A partir dos evidentes erros, Bacon defendia que a experiência viabiliza o conhecimento, ou seja, o conhecimento se dá pela experiência. Sua contribuição partiu da elaboração de uma crítica que consistiu em demonstrar que as falsas crenças distanciam o homem do verdadeiro conhecimento. Para o filósofo, havia a necessidade de uma reformulação de certos conceitos, tanto para a sociedade quanto para o próprio intelecto humano. Essa reforma viabilizaria a posição de que a descoberta do conhecimento deveria suceder a um processo de entendimento pelo qual suas evidências seriam verdadeiras. Desse modo, o empirismo valoriza a experiência sensível, isto é, valoriza os nossos sentidos, definindo-os como um modelo seguro ao buscarmos o conhecimento. Francis Bacon destaca-se na modernidade por criticar as falsas crenças que dificultavam o avanço da ciência, bem como da humanidade na busca do conhecimento, pois as mesmas não apresentavam bases estruturais de verdade. O conhecimento, com base na experiência, esperava colocar um fim nas falsas conclusões devido à precariedade dos conceitos defendidos pelo racionalismo. A teoria baconiana sistematiza que o verdadeiro conhecimento se dá pela experiência sensitiva e que se faz necessário acabar com

qualquer falsa crença que distancie a humanidade na busca do conhecimento seguro. Demonstra-se pelos argumentos de Francis Bacon que o empirismo valoriza os sentidos, enquanto que, para René Descartes, no racionalismo há a valorização da razão, porém, intermediando as duas posições delineia-se o criticismo kantiano que critica a unilateralidade do empirismo e do racionalismo, afirmando que a preocupação central não consiste na origem ou na verdade do conhecimento, e sim como se conhece e quais as condições de possibilidades do conhecimento. Immanuel Kant (1724-1804), criticou severamente o racionalismo e o emprirsmo na tentativa de demonstrar os limites das duas posições. O denominado criticismo kantiano buscava superar o impasse apresentado entre o racionalismo e o empirismo ao distinguir duas formas de conhecimento. Para Kant o homem precisava tanto da razão quanto da experiência para chegar ao conhecimento. Vale ressaltar a sua consideração sobre o entendimento e, sobretudo, sobre a sua capacidade em distinguir o que se pode e o que não se pode conhecer. Na sua obra, Crítica da Razão Pura (1781), distingue dois tipos de conhecimentos: o conhecimento empírico (a posteriori), que vem dos sentidos, a sensibilidade que a capacidade humana tem de perceber os objetos perceptíveis; e o conhecimento puro (a priori), estabelecidos pelas categorias espaço e tempo, que não dependem dos sentidos. Há, pois, pelo menos, uma questão que carece de um estudo mais atento e que não se resolve à primeira vista; vem a ser esta: se haverá um conhecimento assim independente da experiência e de todas as impressões dos sentidos. (KANT, 2008, P. 36). Para o filósofo o maior problema estava em considerar a razão humana em sua potencialidade de poder ou não conhecer e, a partir desse ponto, ser lançada ao devido conhecimento. Sua teoria provocou uma verdadeira revolução na filosofia, sendo comparada a revolução do seu pensamento com a revolução das ciências. Portanto, em sua teoria, Kant tenta superar o racionalismo e o empirismo por considerar, em seus argumentos, que todo conhecimento resulta das duas posições, ou seja, quando a sensibilidade nos fornece dados de objetos e também, quando o entendimento, por meio do espaço e tempo, determina em que circunstâncias ou condições o objeto por nós é pensado ou conhecido. Conclusão Diante das colocações aqui expostas podemos afirmar que as questões da Idade Moderna, no que diz respeito ao conhecimento, despertaram grandes preocupações por parte de alguns filósofos, o que os levou a desenvolver algumas teorias na tentativa de elucidar o nosso conhecimento, destacando, nessa dimensão, a relação do homem com o mundo, ou seja, a relação sujeito e objeto, cognoscente e cognoscido. Desse modo, as diferentes posições acerca do conhecimento, procuraram solucionar o problema que a filosofia tradicional não resolveu. Impulsionado pelas descobertas científicas, o pensamento moderno abordou conceitos que antes nunca fora questionados. Destaca-se nesse âmbito, René Descarte no racionalismo, ou seja, o conhecimento parte da razão; Francis Bacon no empirismo, isto é, o conhecimento parte da experiência sensitiva e, em contrapartida, o criticismo de Immanuel Kant que considera as dimensões da razão e da experiência no contexto do conhecimento humano.

Agradecimentos À CAPS e ao PIBID/Filosofia da UFC,, pela oportunidade de realizar o nosso trabalho e de financiar as nossas bolsas. Referências BACON, Francis. Novum Organum. São Paulo: Abril Cultural, 1973. DESCARTES, René. Discurso do Método. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.