COMUNIDADE DO TAQUARAL



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Transcrição:

COMUNIDADE DO TAQUARAL Histórico Taquaral, localizada na região da morraria era uma sesmaria, que originou aos primeiros tempos da fundação da então Vila Maria do Paraguai. É um povoado antigo e tradicional, que se originou desde o século passado, com a iniciativa do Sr.º Camillo Ferreira Mendes e de seus descendentes que povoaram a área para o desenvolvimento da agricultura, conhecida atualmente por Morraria. Encontra se distante desta cidade apenas 30 quilômetros, residindo todos os lavradores dos arredores e os quais abastecem de gêneros e frutos, em grande escala, esta população, com cerca de 300 habitantes era um centro de atividade agrícola considerada como celeiro da cidade de Cáceres. Existe nessa localidade uma igreja, sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo. O pequeno templo foi construído pelo Sr.º Pedro Ferreira Mendes, em 1911. O sino foi levado em 1912 e foi doado pelo Sr.ºJoão Ferreira Mendes. O sino e a imagem de Nossa Senhora do Carmo foi levada no ombro dos fiéis em procissão, acompanhada da banda de música até o Taquaral. Tornou se então uma tradição que vem passando de pais para os filhos até os nossos dias. Os três irmãos Camillo, Pedro e João eram irmãos e descendentes do mesmo tronco dos Ferreira Mendes de Cáceres, o primeiro residente na comunidade agrícola do Taquaral, e os dois outros tinham domicílio nesta cidade. Existe nessa localidade uma reserva de 29 hectares de terreno que pertence a Nossa Senhora do Carmo, esta doação foi feita pelos antigos proprietários da irmandade que vem mantendo viva, de geração em geração, a devoção à Virgem do Carmo. Após alguns anos de esquecimento, a festa voltou com mais vigor. A Comunidade do Taquaral, preocupados com a destruição da mesma e, principalmente da igreja da Nossa Senhora do Carmo e do local onde se realiza a festa religiosa da Santa, tornaram se guerreiros pela fé, perseverança e adoração da mesma. Para a realização da festa, elegem se com antecedência de um ano os novos festeiros junto com o procurador para a organização da futura comemoração, que compreende a parte religiosa, não faltando as diversões folclóricas, entre os quais o Cururu, o São Gonçalo e o Siriri. Diante do relato do Sr.º Manoel José de Oliveira (Zé Correia), tomamos conhecimento dos atos da festa de Nossa Senhora do Carmo na comunidade do Taquaral, no município de Cáceres. Para a realização da festividade dá se a eleição do Procurador e seus festeiros que são: o Juiz, a Juíza, o Alferes da Bandeira, o Capitão do Mastro, o Rei e a Rainha.

A partir de 1953 tornam se permanentes estes procuradores. 1º Procurador: Manoel José de Oliveira (Zé Correia). Posteriormente, tornaram se procuradores da festa os senhores: Sebastião Dias de Carvalho e Lourenço da Guia Ferreira Mendes, por dois anos consecutivos. 2º Procurador: Nicolau Ferreira Mendes, 3º Procurador: Leopoldo Canuto da Silva, 4º Procurador: José Marino Ferreira Mendes, 5º Procurador: Polfírio Nunes Pires, 6º Procurador: Juvêncio Dias de Carvalho, 7º Procurador: José Corrreia, e 8º Procurador: Cipriano Correia de Oliveira. Os procuradores sãos os responsáveis pela realização da festa, isto é, são as pessoas que procuram as jóias da Santa, as mercadorias doadas pelos festeiros. O juiz é responsável pelo churrasco, é ele quem doa a novilha. A juíza é responsável pela ornamentação da casa da festa e da igreja, é também ela quem doa o café da manhã. O alferes da bandeira é responsável pela ornamentação da imagem da santa na bandeira. Ela também é responsável pelo café da manhã. O capitão do mastro é o responsável pela ornamentação do mastro e pela bebida, geralmente são licores de leite, caju, jabuticaba, pequi e outros. O rei é responsável pela palma, um pequeno buquê de flores. A rainha é a responsável pela coroa e também pela organização dos preparativos da alimentação na cozinha. Para o início da festa, realiza se a cerimônia do levantamento do mastro e, este se faz à tarde do dia 15 de julho. Os cururueiros já reunidos cantam invocando o compromisso assumido. Na sala do altar da santa os cururueiros entoam o canto de abertura. Assim se faz: Para mim cantá meu verso, Eu ainda tenho por costume, Em louvor da Gloriosa, É assim que nos une. Obrigação de um bom cristão É entrar pela porta adentro Oferecer suas doutrinas Ao santíssimo sacramento. Vamos cantar a doutrina Que nos deu a santa igreja Como primeiro sinal Bendito louvado seja. Bendito louvado seja Para todo bom cristão

Santíssimo Sacramento Da puríssima Conceição. Esta doutrina bendita O que vem significar Está no mundo sem mácula Sem pecado original. Esta segunda doutrina Deu sinal da Santa Cruz Desde este primeiro instante Para sempre amém Jesus. Para a saudação da casa da festa, simbolizando a igreja. Os cururueiros louvam com este canto: Agora eu vou cantar Qual é o primeiro dever De saudar qualquer igreja Direito no seu poder. Depois o Espírito Santo Dentro de um significado Porque recebeu o anuncio Naquela igreja encantada. O nome desta igreja Está numa porta estampada Não a reparando bem Fica na direita encostada. Primeiro saúda o pai. Como primeiro sagrado Para depois saudar o filho Como segundo amado. Quem conhece esta igreja Tem o seu dever sagrado E quem não conhecer Não pode beijar ajoelhado.

Fica na direita encostada Bem encostadinho no canto Aonde vem a natureza A obra do Espírito Santo. Um dos cururueiros canta convidando a juíza para pegar em suas mãos a imagem da santa festejada. É chamado também o alferes para segurar a Bandeira com a imagem da santa, o capitão para conduzir o capitãozinho, a rainha para segurar a coroa; o rei para levar a palma. Os demais santos ficam com as pessoas presentes. Os cururueiros fazem roda em frente ao altar, cantando em versos pedindo licença a santa, cantando para acender as velas nas quais acompanharão a procissão. Quero canta meu verso Nesta casa de oração Dá licença mãe santa Pra segui a procissão. Eu quero cantá meu verso Que esta hora é competente Com o nome de Deus pai Eu quero pulá este batente. O mastro enfeitado de fitas é levado para o meio do cortejo representando Jesus Cristo, cabendo ao alferes colocar a bandeira no mastro, e tal ritual é acompanhado pelo seguinte canto: Eu quero cantá meu verso Eu canto desta maneira Eu falo para seus alferes Coloca sua bandeira. Após o alferes, é dada a vez para a rainha colocar a coroa com a melodia: Eu canto este verso Porque a hora já soa Eu falo para a rainha Coloca sua coroa.

O mastro não é mais uma simples bandeira, por esse ato de fé, torna se um mastro bento representando a Santíssima Trindade. A cerimônia segue com a beijação da bandeira, no qual o primeiro cantador convida o companheiro para beijar a insígnia: Eu convido o companheiro Esta bandeira vamo beijá Da licença Nossa Senhora Pra eu me ajoelhá. O companheiro responde cantando: Esta bandeira eu quero beijá Pra mãe senhora me abençoá Minha obrigação já fez Peço licença pra me alevantá Eu vorto para meu lugá. Todos os cururueiros, um após o outro, cantando horas por eles elaboradas, se aproximam e beijam a bandeira, logo em seguida os festeiros e convidados são chamados para repetir esse mesmo ato de fé. Levanta se o mastro e a juíza é convidada para acender aos pés do mastro as três vela benta, tornando assim um local santo, pois é o momento da Ressurreição de Jesus Cristo. A área delimitada entre o mastro e a igreja é considerada Terra Santa Senhora dona Juíza Eu falo neste momento Acende três velas ungidas No pé do mastro bento. Segue então a louvação dos mistérios da fé desta forma: Eu ando procurando Quem pode me contar Como chama este terreno Deste mastro até o portão. Chama se terra santa Aonde o anjo vem passear Eu desejo de saber Da porta até o altar.

Chama se glória divina onde Deus fez a morada Ali mora o mastro bento E a óstia consagrada. Pela semelhança que temos Eu procuro que me explica O mastro sem a bandeira Diz o que significa. Todo sabe que o mastro Se faz de qualquer madeira Mas fica santificado Pela coroa e a bandeira. Representa Jesus Cristo O segundo da primeira Eu desejo de saber O que representa a bandeira