APRESENTAÇÃO Nos dois últimos Encontros Nacionais de Diretores de DIJ, fizemos uma seleção de mensagens, retiradas de livros espíritas,cujos autores espirituais teciam comentários sobre diversos aspectos da educação e que poderiam perfeitamente ser utilizadas como orientadoras do trabalho de Evangelização. Neste V Encontro Nacional, conhecendo as dificuldades do Movimento Federativo de Evangelização Espírita, para manter os trabalhadores na tarefa e pela consciência dos prejuízos causados pela rotatividade e inconstância, fizemos outra pesquisa nas obras de Emmanuel, André Luiz e Thereza de Brito, buscando mensagens orientadoras e argumentos que ajudem a minimizar essa dificuldade. Assim, procuramos relacionar mensagens com a opinião de Espíritos esclarecidos, sobre a responsabilidade e o compromisso dos trabalhadores com as tarefas assumidas e o amparo espiritual de que são alvo, todos aqueles que permanecem na atividade espírita. Esperamos que a coletânea de textos que se segue, venha complementar as já oferecidas e que possa servir de subsídios para trabalhos de esclarecimento, aos que integram as fileiras da Evangelização Espírita da Criança e do Jovem. EM SILÊNCIO Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos do Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. - Paulo. (EFÉSIOS, 6:6.) (...) Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens. Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas. Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com o Senhor, no divino silêncio do espírito... 1
Vai e serve. Não te dêem cuidado as fantasias que confundem os olhos da carne e nem te consagres aos ruídos da boca. Faze o bem, em silêncio. Foge às referências pessoais e aprendamos a cumprir, de coração, a vontade de Deus.(1) PADRÃO Porque era homem de bem e cheio do Espirito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. - (ATOS, 11:24.) (...) Aconselhar os que sofrem e fornecer elementos exteriores de iluminação constituem serviços peculiares a qualquer homem que use sensatamente a palavra. Sondagens e pesquisas, indagações e à análises são velhos trabalhos da curiosidade humana. Unir almas ao Senhor, porém, é atividade para a qual não se prescinde do apóstolo. Barnabé, o grande cooperador do Mestre, em Jerusalém, apresenta as linhas fundamentais do padrão justo. Vejamos a aplicação do ensinamento à nossa tarefa cristã. Todos podem transmitir recados espirituais, doutrinar irmãos e investigar a fenomenologia, mas para imantar corações em Jesus-Cristo é indispensável sejamos fiéis servidores do bem, trazendo o cérebro repleto de inspiração superior e o coração inflamado na fé viva. Barnabé iluminou a muitos companheiros porque era homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé. Jamais olvidemos semelhante lição dos Atos. Trata-se de padrão que não poderemos esquecer. (1) EXECUTAR BEM E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. João Batista. (LUCAS, 3:13.) A advertência de João Batista à massa inquieta é dos avisos mais preciosos do Evangelho. A ansiedade é inimiga do trabalho frutuoso. A precipitação determina desordens e recapitulações 2
conseqüentes. Toda atividade edificante reclama entendimento. (...) Nos círculos evangélicos da atualidade, o conselho de João Batista deve ser especialmente lembrado. Quantos pedem novas mensagens espirituais, sem haver atendido a sagradas recomendações das mensagens velhas? quantos aprendizes aflitos por transmitir a verdade ao povo, sem haver cumprido ainda a menor parcela de responsabilidade para com o lar que formaram no mundo? Exigem revelações, emoções e novidades, esquecidos de que também existem deveres inalienáveis desafiando o espírito eterno. O programa individual de trabalho da alma, no aprimoramento de si mesma, na condição de encarnada ou desencarnada, é lei soberana. Inútil enganar o homem a si mesmo com belas palavras, sem lhes aderir intimamente, ou recolher-se à proteção de terceiros, na esfera da carne ou nos círculos espirituais que lhe são próximos. De qualquer modo, haverá na experiência de cada um de nós a ordenação do Criador e o serviço da criatura. Não basta multiplicar as promessas ou pedir variadas tarefas ao mesmo tempo. Antes de tudo, é indispensável receber a ordenação do Senhor, cada dia, e executá-la do melhor modo.(1) AFIRMAÇÃO E AÇÃO Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer eu a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua obra. - (JOÃO, 4:34.) Aqui e ali, encontramos crentes do Evangelho invariavelmente prontos a alegar a boa intenção de satisfazer os ditames celestiais. Entregam-se alguns à ociosidade e ao desânimo e, com manifesto desrespeito às sagradas noções da fé, asseguram ao amigo ou ao vizinho que vivem atendendo às determinações do Todo-Poderoso. Não são poucos os que não prevêem, nem providenciam a tempo e, quando tudo desaba, quando as forças inferiores triunfam, eis que, em lágrimas, declaram que foram obedecidas as ordens do Altíssimo. No que condiz, porém, com a atuação do Pai, urge reconhecer que, se há manifestação de sua vontade, há, simultaneamente, objetivo e finalidade que lhe são conseqüentes. 3
Programa elevado, sem concretização, é projeto morto. Deus não expressaria propósitos a esmo. Em razão disso, afirmou Jesus que vinha ao mundo fazer a vontade do Pai e cumprir-lhe a obra. Segundo observamos, não se reportava somente ao desejo paternal, mas igualmente à execução que lhe dizia respeito. Não é razoável permanecer o homem em referências infindáveis aos desígnios do Alto, quando não cogita de materializar a própria tarefa. O Pai, naturalmente, guarda planos indevassáveis acerca de cada filho. É imprescindível, no entanto, que a criatura coopere na objetivação dos propósitos divinos em si própria, compreendendo que se trata de lamentável abuso muita alusão à vontade de Deus quando vivemos distraídos do trabalho que nos compete. (1) COOPEREMOS FIELMENTE Pois somos cooperadores de Deus. - Paulo. (I CORÍNTIOS, 3:9.) (...) Há companheiros que atingem o disparate de se proclamarem tão pecadores e tão maus que se sentem inabilitados a qualquer espécie de concurso sadio na obra cristã, como se os devedores e os ignorantes não necessitassem trabalhar na própria melhoria. As portas da colaboração com o divino amor, porém, permanecem constantemente abertas e qualquer homem de mediana razão pode identificar a chamada para o serviço divino. Cultivemos o bem, eliminando o mal. Façamos luz onde a treva domine. Conduzamos harmonia às zonas em discórdia. Ajudemos a ignorância com o esclarecimento fraterno. Seja o amor ao próximo nossa base essencial em toda construção no caminho evolutivo. Até agora, temos sido pesados à economia da vida. Filhos perdulários, ante o Orçamento Divino, temos despendido preciosas energias em numerosas existências, desviando-as para o terreno escuro das retificações difíceis ou do cárcere expiatório. Ao que nos parece, portanto, segundo os conhecimentos que possuímos, por acréscimo de misericórdia, já é tempo de cooperarmos fielmente com Deus, no desempenho de nossa tarefa humilde. (1) 4
NO CAMPO O campo é o mundo. - Jesus. (MATEUS, 13:38.) (...) A gleba imensa do Cristo reclama trabalhadores devotados, que não demonstrem predileções pessoais por zonas de serviço ou gênero de tarefa. Apresentam-se muitos operários ao Senhor do Trabalho, diariamente, mas os verdadeiros servidores são raros. A maioria dos tarefeiros que se candidatam à obra do Mestre não seguem além do cultivo de certas flores, recuam à frente dos pântanos desprezados, temem os sítios desertos ou se espantam diante da magnitude do serviço, recolhendo-se a longas e ruinosas vacilações ou fugindo das regiões infecciosas. Em algumas ocasiões costumam ser hábeis horticultores ou jardineiros, no entanto, quase sempre repousam nesses títulos e amedrontam-se perante os terrenos agressivos e multiformes. Jesus, todavia, não descansa e prossegue aguardando companheiros para as realizações infinitas, em favor do Reino Celeste na Terra. Reflete nesta verdade e enriquece as tuas qualidades de colaboração, aperfeiçoando-as e intensificando-as nas obras do bem indiscriminado e ininterrupto... É certo que não se improvisa um cooperador para Jesus, entretanto, não te esqueças de trabalhar, dia a dia, na direção do glorioso fim... (1) NO SERVIÇO CRISTÃO Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. - (I PEDRO, 5:3.) Aos companheiros de Espiritismo cristão cabem tarefas de enormes proporções, junto das almas. (...) Quanto maior, porém, a incompreensão do mundo, mais se deverá intensificar naqueles as noções da responsabilidade. Não falamos aqui dos estudiosos, dos investigadores ou dos observadores simplesmente. Referimonos aos que já entenderam a grandeza do auxílio fraternal e a ele se entregaram, de coração voltado para o Cristo. 5