Destaque Depec - Bradesco
|
|
|
- Rui Olivares Natal
- 8 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 Destaque Depec - Bradesco Ano XIII - Número de dezembro de 2016 PISA aponta que as deficiências no aprendizado do estudante brasileiro não estão sendo sanadas Ana Maria Bonomi Barufi Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos A OCDE divulgou na semana passada os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) referentes a Atualmente, a avaliação compreende três áreas de conhecimento (Leitura, Matemática e Ciências) e os resultados para os alunos de 15 anos do apontam que houve poucos avanços em termos da absorção de conhecimento, sem melhora estatisticamente significativa em relação a Considerando a nota média com ajuste 1 das disciplinas do PISA, os estudantes brasileiros apresentaram desempenho estável, ou até mesmo inferior, em 2015 na comparação com o observado em Em relação à média da Leitura - índice Ciências - índice Matemática - índice Para permitir a comparação entre os diferentes anos, ajustando para a composição da amostra Uma consequência desse desempenho é que o continua ocupando as últimas posições do ranking que compara as notas do PISA entre os 35 países da OCDE e outros 35 países parceiros OCDE, cujas notas para matemática, leitura e ciências atingiram 490, 493 e 493 nessa ordem, o apresenta notas médias bastante inferiores (377, 407 e 401, respectivamente). Chama a atenção o fato de a nota de matemática dos estudantes brasileiros ser bastante baixa e, como discutiremos a seguir, é grande o percentual daqueles que não dominam os conceitos básicos dessa disciplina. Apesar de a nota média de matemática ter caído, a de ciências ter permanecido praticamente estável e a de leitura ter subido, levando em conta o erro padrão da distribuição das notas entre os alunos, não houve variação estatisticamente significativa na comparação entre 2012 e Nota média (ajustada para comparação) das disciplinas do PISA, Por um lado, a posição do caiu em função do aumento do número de países pesquisados, mas também contribuiu para essa piora a nota média mais baixa ou estável nas diferentes disciplinas. 1
2 Leitura - posição no ranking Matemática - posição no ranking Ciências - posição no ranking Total de países Posição do no ranking de cada disciplina e total de países pesquisados no PISA Considerando a distribuição dos estudantes avaliados pelos níveis das notas obtidas, 70,3% não demonstraram proficiência básica em matemática em No caso da área de ciências, esse percentual chegou a 56,6%, e na área de leitura, 51,0%. Pior do que isso, não houve melhora significativa em relação aos anos anteriores. 80,0% 75,0% 70,0% 65,0% 60,0% 55,0% 50,0% 45,0% 40,0% 75,6% 73,3% 70,2% 69,3% 70,3% 62,3% 55,6% 56,7% 56,6% 52,4% 51,5% 51,0% Matemática - Abaixo do nível 2 (menos de 420,07 pontos) Ciências - Abaixo do nível 2 (menos de 409,54 pontos) Leitura - Abaixo do nível 2 (menos de 407,47 pontos) Percentual de estudantes do que não possuem nível básico de proficiência das disciplinas (notas ajustadas para comparação) Destaque - Bradesco Vale notar que, se por um lado o apresenta um dos mais elevados percentuais de estudantes que não atingem o nível de proficiência básica nas disciplinas avaliadas, por outro, se aproxima de zero o percentual de estudantes que demonstram nível avançado de conhecimento 78,0% 65,0% 52,0% 39,0% 26,0% 14,0% 13,0% 10,7% 0,0% Abaixo do nível 2 (menos de 407,47 pontos) Nível 5 ou mais (625,61 pontos ou mais) 14,9% 12,7% 17,9% 19,0% 7,5% 25,6% 27,3% 28,4% 21,0% 21,9% 10,0% 7,8% 5,7% 12,5% OCDE - média 35 40,0% 42,8% nas mesmas. No caso da leitura, esse segundo grupo alcançou 1,4% do total de estudantes avaliados em 2015, enquanto em ciências atingiu 0,7%, e em matemática, 0,9%. Na média da OCDE, esses percentuais atingiram 8,3%, 7,7% e 10,7%, respectivamente. 51,0% 55,4% 79,0% 70,7% 72,1% 3,8% 7,2% 9,2% 4,3% 0,6% 1,0% 1,4% 1,1% 0,2% 0,2% 0,1% 0,0% Argentina China Albânia Geórgia Peru Líbano Macedônia República Dominicana Kosovo Algéria Percentual de estudantes com nível de conhecimento inferior à proficiência básica (abaixo de Nível 2) e com nível avançado (Nível 5 ou 6) em relação à área de Leitura,
3 Percentual de estudantes com nível de conhecimento inferior à proficiência básica (abaixo de Nível 2) e com nível avançado (Nível 5 ou 6) em relação à área de Ciências, ,0% 85,7% Abaixo do nível 2 (menos de 409,54 pontos) Nível 5 ou mais (633,33 pontos ou mais) 67,7% 62,9% 58,5% 60,0% 47,8% 49,8% 41,7% 31,4% 34,8% 30,0% 16,2% 17,4% 21,2% 22,7% 25,9% 18,7% 15,3% 9,6% 10,6% 11,1% 7,4% 8,5% 7,7%8,5%8,0% 4,1% 4,6% 2,1% 0,4% 0,1% 1,7% 0,1% 0,1% 0,2% 0,0% 0,0% 0,0% China OCDE - média 35 Argentina Albânia Geórgia Peru Líbano Macedônia Kosovo Algéria República Dominicana 100,0% Abaixo do nível 2 (menos de 420,07 pontos) 90,5% 80,0% Nível 5 ou mais (606,99 pontos ou mais) 77,7% 68,6% 70,3% 60,0% 56,6% 58,7% 49,4% 40,0% 25,6% 20,3% 20,9% 21,8% 20,0% 17,1% 23,4% 34,1% 29,4% 25,8% 10,7% 10,4% 10,6% 10,7%11,4%11,4% 8,1% 8,9% 3,9% 1,1% 0,3% 2,2% 0,4% 0,7% 0,9% 0,0% 0,0% 0,0% China OCDE - média 35 Argentina Albânia Geórgia Líbano Peru Macedônia Kosovo Algéria República Dominicana Percentual de estudantes com nível de conhecimento inferior à proficiência básica (abaixo de Nível 2) e com nível avançado (Nível 5 ou 6) em relação à área de Matemática, 2015 Destaque - Bradesco Por fim, o PISA também permite inferir em que medida o status socioeconômico é determinante do desempenho do estudante e do seu aprendizado em relação às diferentes disciplinas. Nesse sentido, são identificados os estudantes resilientes, pertencentes ao primeiro quartil do indicador socioeconômico e cultural em seu próprio país, cuja nota final no PISA foi classificada no quarto quartil das notas do exame de todos os alunos de todos os países (após controlar pelo status socioeconômico). O percentual de estudantes resilientes é obtido pela divisão desse contingente pelo total de estudantes no primeiro quartil socioeconômico e cultural do próprio país. Percebe-se que no apenas 9,4% dos estudantes desfavorecidos podem ser considerados resilientes, enquanto em locais, como Macau e Hong Kong, esse percentual é superior a 60%. Adicionalmente, comparando essa informação obtida em 2015 com a de 2006, percebe-se que no caso do não houve mudança estatisticamente significativa desse percentual (no período, houve queda de 0,9 ponto percentual). Já nos Estados Unidos, observou-se significativo crescimento do percentual de estudantes resilientes, com variação de 12,3 pontos percentuais entre 2006 e
4 Percentual de estudantes resilientes, 2015 Variação em pontos percentuais do percentual de estudantes resilientes entre 2006 e 2015 Destaque - Bradesco Macau (China Hong Kong (China) Estônia Taipei Espanha Letônia Eslovênia Polônia Austrália Nova Zelândia Irlanda OCDE - média Dinamarca Bélgica Rússia República Tcheca Croácia Lituânia Tailândia Eslováquia Islândia Uruguai Bulgária Romênia Montenegro Jordânia 48,8% 61,8% 64,6% 48,3% 46,3% 42,8% 40,4% 39,2% 38,7% 38,1% 35,4% 35,2% 34,6% 34,6% 33,5% 32,9% 31,6% 30,7% 30,4% 29,6% 29,2% 29,1% 27,5% 27,2% 26,6% 26,6% 26,5% 25,9% 25,5% 24,9% 24,7% 24,4% 23,1% 21,8% 20,7% 19,3% 18,4% 18,1% 17,5% 17,0% 15,7% 14,6% 14,0% 13,6% 12,8% 11,4% 11,3% 10,9% 9,4% 9,4% 7,7% 5,7% 4,7% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% O desempenho dos estudantes brasileiros é bastante heterogêneo em diferentes dimensões. Dentre estas, é possível destacar o fato de que alunos de escolas federais tiveram desempenho superior à média da OCDE em todas as disciplinas. Já os alunos de escolas privadas apresentaram notas médias muito parecidas às da OCDE, enquanto alunos em escolas públicas Espanha Dinamarca Letônia Macau (China Romênia Eslovênia Bulgária Polônia Estônia Taipei Montenegro OCDE - média Bélgica Irlanda Austrália Croácia Hong Kong (China) Rússia Uruguai Islândia Lituânia Eslováquia República Tcheca Nova Zelândia Tailândia Jordânia -11,7-0,2-0,4-0,5-0,7-0,9-1,0-1,3-1,4-1,8-1,8-1,9-2,1-2,2-2,3-2,8-3,2-3,9-4,1-4,7-5,2-10,4-6,7-6,6 9,3 10,7 12,3 8,7 5,0 5,8 6,0 7,9 8,2 4,9 4,8 4,4 3,2 4,1 4,3 3,0 2,8 2,3 2,0 2,0 1,8 1,5 1,5 1,4 1,2 0,7 0,6 0,4 0,3-16,0-8,0 0,0 8,0 16,0 estaduais e municipais tiveram desempenho bem pior. Vale a ressalva entretanto que os estudantes de escolas municipais ainda estão em sua maioria no Ensino Fundamental, e seu conhecimento é portanto menor (podem inclusive ter sido reprovados em algum momento, já que a idade de 15 anos é ligeiramente superior à ideal para este nível de ensino). 4
5 Países da OCDE Rede federal do Rede estadual do Rede privada do Rede municipal do Nota média do PISA por tipo de escola e disciplina, Leitura Matemática Ciências Destaque - Bradesco Em suma, os resultados do PISA de 2015 indicam que não houve progresso significativo no aprendizado dos estudantes brasileiros ao longo da última década. De maneira geral, quando comparados aos estudantes dos países da OCDE, os brasileiros obtêm notas médias muito mais baixas em todas as disciplinas. Além disso, é bastante elevado o percentual de alunos que não atingem o conhecimento que representa proficiência mínima nas diversas disciplinas. No caso da matemática, por exemplo, chega a 70,3% o percentual de estudantes com nota inferior ao nível 2 do PISA. No caso desse indicador, não houve melhora significativa nos últimos anos em nenhuma das disciplinas. Quando se considera a educação como um potencial caminho para superar as adversidades impostas pelo status socioeconômico inicial do jovem, no caso do esse mecanismo não parece estar funcionando. Assim, apenas 9,4% dos estudantes mais desfavorecidos podem ser considerados resilientes (classificados entre os melhores alunos). Na Coreia do Sul, esse percentual chega a 40,4%, enquanto no atinge 48,8%. Considerando o, que possui nível de desenvolvimento mais parecido com o, o percentual de estudantes resilientes chegou a 14,6% em Vale destacar ainda que não houve melhora significativa desse indicador no caso brasileiro entre 2006 e 2015, ou seja, a educação não ganhou importância nessa dimensão relativa à redução das desigualdades. Portanto, considerando o conhecimento que os alunos de fato conseguem reter da educação formal, já que o PISA avalia apenas estudantes de 15 anos no mínimo no 7º ano do Ensino Fundamental, o sistema educacional brasileiro não parece estar avançando na velocidade que seria a ideal para aumentar a produtividade no futuro. Esse diagnóstico é corroborado por outras pesquisas tais como o SAEB, que apontam que, por mais que os alunos ainda consigam reter algum conhecimento mínimo até o Ensino Fundamental, quando chegam ao Ensino Médio essa capacidade de absorção diminui significativamente. Além disso, ao longo da última década não ocorreram avanços significativos no aprendizado nesse nível de ensino. Tais resultados indicam a necessidade de repensar o ensino e os estímulos aos alunos. A discussão ampla com os diversos agentes envolvidos é essencial para garantir que exista qualidade de ensino e aumento da capacidade de compreensão dos alunos. Uma possível resposta para isso pode estar nas razões para o melhor desempenho dos alunos de escolas federais. Nesse sentido, estratégias de sucesso poderiam ser replicadas em outras escolas com pior desempenho no País. 5
6 Destaque - Bradesco Equipe Técnica Fernando Honorato Barbosa Superintendente Executivo Economistas: Ana Maria Bonomi Barufi / Andréa Bastos Damico / Ariana Stephanie Zerbinatti / Constantin Jancso / Daniela Cunha de Lima / Ellen Regina Steter / Estevão Augusto Oller Scripilliti / Fabiana D Atri / Igor Velecico / Leandro Câmara Negrão / Marcio Aldred Gregory / Myriã Tatiany Neves Bast / Priscila Pacheco Trigo / Regina Helena Couto Silva / Thomas Henrique Schreurs Pires Estagiários: Bruno Sanchez Honório / Christian Frederico M. Moraes / Fabio Rafael Otheguy Fernandes / Mariana Silva de Freitas / Rafael Martins Murrer / Alexandre Stiubiener Himmestein O BRADESCO não se responsabiliza por quaisquer atos/decisões tomadas com base nas informações disponibilizadas por suas publicações e projeções. Todos os dados ou opiniões dos informativos aqui presentes são rigorosamente apurados e elaborados por profissionais plenamente qualificados, mas não devem ser tomados, em nenhuma hipótese, como base, balizamento, guia ou norma para qualquer documento, avaliações, julgamentos ou tomadas de decisões, sejam de natureza formal ou informal. Desse modo, ressaltamos que todas as consequências ou responsabilidades pelo uso de quaisquer dados ou análises desta publicação são assumidas exclusivamente pelo usuário, eximindo o BRADESCO de todas as ações decorrentes do uso deste material. Lembramos ainda que o acesso a essas informações implica a total aceitação deste termo de responsabilidade e uso. A reprodução total ou parcial desta publicação é expressamente proibida, exceto com a autorização do Banco BRADESCO ou a citação por completo da fonte (nomes dos autores, da publicação e do Banco BRADESCO). 6
DEPEC Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos CARNE SUÍNA AGOSTO DE 2016
DEPEC Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos CARNE SUÍNA AGOSTO DE 2016 O DEPEC BRADESCO não se responsabiliza por quaisquer atos/decisões tomadas com base nas informações disponibilizadas por
Informe Semanal de Investimentos Setoriais Anunciados
Informe Semanal de Investimentos Setoriais Anunciados 2 de abril de 17 Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos Atlantic Energias Renováveis, BNDES e BRDE investirão R$ 1,2 bilhão na conclusão de
