Prioridade para o desemprego

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1 Boletim 1028/2016 Ano VIII 25/07/2016 Prioridade para o desemprego Até agora, o governo interino não deu atenção para esta questão social O País sentiu-se aliviado quando Michel Temer foi alçado à Presidência da República. Paralisado pela maior crise econômica da história, com o processo de desindustrialização se alastrando e o desemprego assumindo proporções de tragédia, o afastamento da presidente Dilma Rousseff renovou as esperanças dos brasileiros. Entre os escolhidos como auxiliares diretos, destacou-se o nome de Francisco Meirelles, designado para chefiar o Ministério da Fazenda, por se tratar de técnico experiente e de indiscutível idoneidade. O programa econômico do governo interino, de acordo com declarações colhidas pela imprensa, consistiria em três pontos: Plano A, controle de despesas; Plano B, privatização; Plano C, aumento de impostos. Salvo equívoco, esse programa teria ignorado, ou não conferido prioridade, à gravíssima questão social do desemprego. Existem hoje cerca de 12,5 milhões de trabalhadores na rua. A maioria já consumiu as poucas mensalidades proporcionadas pelo seguro-desemprego e, viu se esgotarem as reservas acumuladas no Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS). Boa parte, por certo, pertencia a empresas que encerraram as atividades repentinamente, deixando apenas dívidas. O desemprego não é problema só dos assalariados. Os malefícios que provoca se espalham, e alcançam rapidamente o mercado, vítima da redução contínua do número de consumidores e, por ricochete, afeta a arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais, aumentando a porcentagem de insolventes e a quantidade de famílias desprotegidas de convênios médicos. Quanto tempo pode o desempregado aguardar por efetivas providências do governo federal, destinadas a reequilibrar as finanças públicas, privatizar empresas e restabelecer a ordem econômica? A pergunta não pode ser ignorada pelo presidente Michel Temer. Sabemos que a posição em que se encontra como interino é desconfortável. Imagina-se que até agosto, no máximo setembro, o Senado Federal selará o destino da presidente Dilma Rousseff. Fala-se até que, após ser efetivado, Michel Temer reorganizará o ministério, já contando com apoio da Câmara dos Deputados para concretização das primeiras reformas. A retomada do crescimento não depende apenas da credibilidade que ninguém nega ao presidente da República. Exige mais do que isso. Exige grandes 1

2 investimentos em setores produtivos e eliminação da capacidade ociosa presente nas indústrias em geral. Seja como for, o desempregado já esperou demais. Não dispõe de meios para permanecer em forçada ociosidade, privado de salários indispensáveis para se manter e garantir a subsistência da família. Em recentes declarações, Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), relatou que a indústria paulista demitiu 16,5 mil trabalhadores em junho. Em 2016 a redução dos postos de trabalho foi da ordem de 57,5 mil. Para mercado debilitado, os números são alarmantes. Não haverá mudanças enquanto o governo evitar o desafio da reforma trabalhista. Aprovar o projeto de terceirização, que se encontra à espera de pauta no Senado Federal, será o primeiro passo. Para o chefe de família que está sem trabalho, reduzir o desemprego é a primeira das prioridades. Almir Pazzianotto Pinto é advogado, ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do TST - [email protected] Servidores da Receita cogitam reavaliar a greve - Com o envio do projeto de lei sobre o reajuste dos servidores da Receita Federal ao Congresso, o sindicato da categoria pretende reavaliar a paralisação iniciada no último dia 14, afirmou o presidente do Sindifisco, Cláudio Damasceno. A mobilização gerou transtornos em aeroportos, aduanas, impactou o comércio exterior e a arrecadação e ameaçava se estender até o período dos Jogos Olímpicos. Qualquer decisão, porém, só será tomada nos próximos dias, após análise do texto. "Estamos fazendo análise para ver se está de acordo?, disse Damasceno. O projeto de lei encaminhado pelo Executivo prevê um reajuste de 21,3% ao longo de quatro anos, além de um bônus por eficiência. Esse bônus, no entanto, sofreu ajustes no texto para "evitar perdas" aos servidores. Antes, a previsão era de que os auditores receberiam uma bonificação fixa mensal de R$ 3 mil até o fim do ano, que se estende inclusive a servidores inativos. A partir de janeiro do ano que vem, essa valor passaria a ser calculado a partir de índices de eficiência. Agora, o PL prevê que os auditores receberão R$ 5 mil por três meses após a entrada em vigor da lei. Para analistas, o valor será de R$ 3 mil. 2

3 A partir de janeiro de 2017, haverá um pagamento mensal de R$ 3 mil aos auditores e de R$ 1,8 mil aos analistas até que o cálculo do bônus variável seja regulamentado - o que deve ocorrer em até 60 dias após a edição da lei. "Foi uma solução encontrada pelo governo como compensação, já que foi enviado um projeto de lei, e não uma medida provisória", disse Damasceno. O Sindifisco pedia uma MP porque tem vigência imediata, ao contrário do PL, que precisa passar primeiro pelo Congresso. Os auditores argumentavam que o acordo foi selado em março e deveria produzir efeitos já em agosto, o que não será mais possível devido ao atraso no encaminhamento do projeto de lei. Impacto nas contas O impacto do reajuste, segundo cálculos do governo, será de R$ 290,8 milhões neste ano, R$ 604,9 milhões em 2017, R$ 603,4 milhões em 2018 e R$ 598,8 milhões em Já os impactos da implantação dos bônus foram estimados em R$ 326,1 milhões neste ano, R$ 1,917 bilhão em 2017, R$ 2,044 bilhões em 2018 e R$ 2,191 bilhões para O projeto prevê que o pagamento do bônus será feito por intermédio da utilização da receitas com a arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, taxas e contribuições administrados pela Receita Federal e com recursos advindos da alienação de bens apreendidos, que compõem o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf)./Agências Centrais sindicais fazem ato em defesa dos empregos e direitos - CUT, CTB, CSB, Força Sindical, Nova Central e a UGT realizam amanhã a "Assembleia Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras pelo Emprego e Garantia de Direitos". Na reunião, segundo nota conjunta, os sindicalistas vão elaborar uma pauta comum e um "calendário nacional de luta para combater o desemprego e as tentativas de desmonte das políticas de inclusão social; defender os direitos da classe trabalhadora, entre eles a redução da jornada de trabalho - e não a ampliação, como propõe a CNI -, e a ampliação dos investimentos para retomada do crescimento econômico e geração de emprego e renda". Apesar de ser apenas o início de uma mobilização nacional, as centrais sindicais não descartam a possibilidade de greve geral. O evento acontece no Espaço Hakka, na Rua São Joaquim, Liberdade, no centro de São Paulo. Os dirigentes das seis centrais concedem, inicialmente, uma entrevista coletiva. Eles vão explicar para a imprensa a pauta e os objetivos da Assembleia Nacional. / Agências (FONTE: DCI dia 25/07/2016) 3

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5 (FONTE: Valor Econômico dia 25/07/2016) 5

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