Estatutos do Cabido da Sé Catedral de Leiria
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- Liliana Rios Palha
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1 Decreto de Aprovação e Estatutos do Cabido da Sé Catedral Estatutos do Cabido da Sé Catedral de Leiria Leiria 5 de Outubro de 1989 Decreto de Aprovação Os novos Estatutos do Cabido da Sé Catedral da Diocese de Leiria- Fátima devem desencadear em cada um dos seus membros um novo espírito, porque não basta reformar estruturas, é necessário que as pessoas se dêem à tarefa permanente de crescer em fidelidade a Deus e aos homens. Os cónegos, segundo o espírito e letra do Código do Direito Canónico (Can. 509, 2), por um novo titulo, deverão cultivar com esmero todas as virtudes humanas e sacerdotais, particularmente uma sólida piedade doutrinal, a docilidade ao magistério do Papa e do Bispo, o zelo das almas, a fraternidade sacerdotal. Com estes votos e nesta esperança, usando da faculdade que o Direito me concede, aprovo os novos Estatutos, determinando que sejam fielmente observados. Leiria, 5 de Outubro de 1989 Alberto Cosme do Amaral Bispo de Leiria- Fátima 1 / 6
2 Capítulo I NATUREZA E ATRIBUIÇÕES DO CABIDO 1. O Cabido da Sé Catedral de Leiria é um colégio de Presbíteros, a ela especialmente adstritos, para desempenharem os ofícios que lhe são cometidos pelo Código de Direito Canónico (cf. cân. 503 ss) ou pelo Bispo da Diocese. 2. Institucionalmente ligado à Catedral, o Cabido tem como primeira atribuição assegurar a vida litúrgica da mesma, considerando que é nas celebrações, sobretudo na Eucaristia concelebrada pelo Bispo e o seu Presbitério, com a participação do Povo de Deus, que se há- de realizar a principal manifestação da Igreja diocesana (cf. S.C., 41). 3. Esta especial ligação à Igreja- Mãe da Diocese configura a natureza do Cabido. como instituição ao serviço da Igreja diocesana, em estreita ligação com o ministério do Bispo, que a ela preside em nome de Cristo. 4. Sendo a Catedral também sede duma paróquia, as relações do Cabido com a paróquia regem- se segundo o cân. 510 do Código de Direito Canónico. 5. O Cabido rege- se pelas normas do Código de Direito Canónico e outras determinações da Sé Apostólica, pelas orientações do Bispo diocesano e da Conferência Episcopal Portuguesa e ainda pelos presentes Estatutos, legitimamente aprovados (cf. cân. 505). Capítulo II CONSTITUIÇÃO DO CABIDO 1. O Cabido da Sé de Leiria é constituído por doze cónegos. 2. A nomeação de novos cónegos compete exclusivamente ao Bispo da Diocese, que os nomeará só depois de ouvir o parecer do Cabido e tendo em conta que devem estar incardinados na Diocese, destacar- se pela sua boa formação doutrinal, integridade de vida e empenhamento apostólico e ter actividade pastoral compatível com o exercício das funções capitulares (cf. cân e 152). 3. Os novos cónegos devem tomar posse, dentro de um mês após a sua nomeação. 4. Para favorecer uma conveniente renovação do Cabido, os cónegos que atingirem os setenta anos de idade devem pedir a sua jubilação, aceite a qual fica aberta a respectiva vaga (cf. cân. 186). 5. Em caso de incapacidade prolongada, por falta de saúde, deve proceder- se também à jubilação, a pedido do próprio ou a juízo do Bispo, ouvido o Cabido. 2 / 6
3 6. Os cónegos jubilados deixam de ter obrigação de participar nas reuniões e outros ofícios do Cabido, mas quando participarem nas reuniões têm direito a voto consultivo. 7. A incorporação no Cabido cessa, quando se verificar alguma das seguintes razões: a) excardinação da Diocese b) remoção imposta pelo Direito ou pelo Bispo (cf. cân. 193, 1 e ) c) nomeação para um cargo incompatível com a função canonical (cf. cân. 152) d) renúncia aceite pelo Bispo (cf. cân. 187). Capítulo III ORGANIZAÇÃO INTERNA DO CABIDO 1. São os seguintes os cargos permanentes no Cabido: Presidente, Secretário, Tesoureiro e Penitenciário. 2. A designação do presidente. do secretário e do tesoureiro faz- se por eleição, devendo a do presidente ser confirmada pelo Bispo (cf. cân. 509, 1). 3. Cada mandato será de três anos e só pode haver dois mandatos consecutivos para o mesmo cargo. 4. A nomeação do cónego penitenciário pertence ao Bispo, após consulta prévia ao Cabido; competem- lhe as faculdades concedidas no cân. 508, Compete ao presidente convocar as reuniões do Cabido, a elas presidir e representá- lo oficialmente. 6. Compete ao secretário redigir as actas das reuniões, conservar os documentos e arquivos e substituir o presidente na sua ausência ou impedimento. 7. Compete ao tesoureiro administrar os bens do Cabido, apresentar anualmente o orçamento e o relatório de Contas, para serem aprovadas. 8. O Cabido reúne, ordinariamente, no primeiro e no último trimestre de cada ano e, extraordinariamente, sempre que o Bispo o determinar, o presidente o considerar necessário ou um terço dos seus membros o requerer. 9. Para que o Cabido possa legitimamente tomar decisões, exige- se a presença de metade e mais um dos cónegos e a aprovação da maioria absoluta dos presentes. 10. Todas as reuniões devem ser convocadas pelo presidente, ou pelo secretário, em caso de impedimento do presidente, com um mínimo de quinze dias de antecedência e indicação da agenda. 3 / 6
4 11. Em actos solenes em que participe ou esteja representado o Cabido, os cónegos poderão usar a veste própria: batina preta com debrum e faixa de cor violeta e, no coro, também roquete com canhões de cor violeta e murça preta com debrum da mesma cor (cf. Carta da Sagrada Congregação do Clero, em AAS 63 (1971), 314). 12. Todos os membros do Cabido têm direito e obrigação de participar no Sínodo Diocesano (cf. cân. 463, 1). 13. Para participar no Concílio Provincial, o Cabido deve eleger dois dos seus membros para o representar (cf. cân. 443, 5). Capítulo V O CABIDO E A LITURGIA DA CATEDRAL 1. Tendo em conta o art.º 2 do capítulo I, os cónegos devem participar nas celebrações litúrgicas na Sé, nas seguintes festas, quando presididas pelo Bispo: Natal, Tríduo Pascal, Pentecostes, Corpo de Deus, Aniversário da Dedicação da Sé (13 de Julho), Assunção e Imaculada Conceição de Nossa Senhora, entrada do Bispo na Diocese e nas ordenações e outras celebrações de âmbito diocesano. 2. Em ordem a intensificar a genuína piedade cristã, os cónegos devem dedicar- se ao ministério litúrgico do Sacramento da Penitência, na Catedral. 3. Compete ao Cabido organizar as exéquias do Bispo. 4. O Cabido deve estabelecer um dia anual de sufrágio pelos bispos e cónegos falecidos; nesse dia todos os cónegos devem participar numa solene concelebração na Sé. 5. Os cónegos terão o seu funeral ou, quando isso não for possível, exéquias na Sé. Capítulo V PATRIMÓNIO DO CABIDO 1. O Cabido, como pessoa jurídica, pode adquirir, possuir e administrar bens e valores, para os fins que lhe são próprios, ou ainda aliená- los quando o considerar conveniente, de acordo com as normas canónicas (cf. cân. 1255). 2. Todos os bens do Cabido são bens da Igreja e, por isso, destinam- se a financiar as despesas do próprio Cabido, a subsidiar obras pastorais ou caritativas e ainda a dar a devida remuneração aos seus membros, sempre que possível. 4 / 6
5 3. A administração ordinária dos bens do Cabido compete ao tesoureiro. Capítulo VI O CABIDO COMO COLÉGIO DE CONSULTORES 1. De acordo com o cân e o decreto da Conferência Episcopal Portuguesa de 25 de Março de 1985 (cf. "Lumen", 46 (1985), ), compete ao Cabido exercer as funções do Colégio de Consultores, o órgão que deve colaborar mais de perto com o Bispo no governo da Diocese (cf. Directório do Ministério Pastoral dos Bispos, n.º 205). 2. Em situação de vacância da Sé, se não houver Bispo Coadjutor ou auxiliar, compete ao Colégio de Consultores: a) Informar imediatamente a Sé Apostólica da vacância (cf. cân. 422). b) Assegurar o governo da Diocese, até à posse do Administrador diocesano (cf. cân. 419). c) Eleger, no prazo de oito dias, o Administrador diocesano (cf. cân ). informá- lo da sua eleição e receber dele a aceitação do cargo e a respectiva profissão de fé (cf. cân e ). d) Receber a demissão do Administrador diocesano (cf. cân ), e, consequentemente, assumir o governo da Diocese e eleger novo Administrador (cf. cân. 419). e) Receber, no acto de posse do novo Bispo, a Carta Apostólica, na presença do Chanceler da Cúria (cf. cân ). 3. Em caso de a Sé ficar impedida (cf. cân. 412) e de se verificar a situação prevista no cân. 413, 2. compete ao Colégio de Consultores eleger um Administrador diocesano. 4. Compete também ao Colégio de Consultores receber com o Bispo, na presença do Chanceler da Cúria, a Carta Apostólica, no acto de posse do Bispo Coadjutor (cf. cân ). 5. Estando o Bispo impossibilitado, compete ao Colégio de Consultores receber, na presença do Chanceler da Cúria, a Carta Apostólica, no acto de posse do Bispo Auxiliar (cf. cân ). 6. O voto consultivo do Colégio de Consultores deve ser obrigatoriamente requerido pelo Bispo. nos seguintes casos: a) Antes da nomeação do Ecónomo da Diocese ou da sua demissão (cf. cân e 2). b) Antes da realização de actos importantes da administração diocesana, de acordo com o cân Tem voto deliberativo, nos seguintes casos: a) Antes da realização dos actos de administração extraordinária referidos no cân / 6
6 b) Quando a Sé estiver impedida ou vacante, para autorizar o Administrador diocesano a realizar os seguintes actos: incardinar um clérigo ou permitir a passagem dum clérigo para outra Diocese a fim de aí exercer o seu ministério (cf. cân. 272); demitir o Chanceler ou os notários da Cúria (cf. cân. 485). DISPOSIÇÕES FINAIS 1. Os presentes Estatutos derrogam todos os costumes e normas anteriores, que não se coadunem com o que neles se estabelece, mas respeitam direitos legitimamente adquiridos, nomeadamente o que se refere à estabilidade vitalícia da função e do titulo canonical dos que foram nomeados para o Cabido, antes de Neste caso, não se aplica o art.º 4 do capítulo II. 2. No prazo máximo de três meses, após a entrada em vigor destes Estatutos, o presidente deverá convocar uma reunião extraordinária para se realizarem as eleições previstas no art.º 2 do capítulo III. 3. Os presentes Estatutos entrarão imediatamente em vigor, após a sua aprovação pelo Bispo Diocesano e deverão ser revistos logo que a Conferência Episcopal revir o decreto de 25 de Março de 1985, que atribui aos Cabidos as funções dos Colégios de Consultores. 4. Poderão ser revistos sempre que dois terços dos cónegos o decidirem, mas as alterações carecem da aprovação do Bispo Diocesano (cf. cân. 505). 6 / 6
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