PROPOSTA DE SESSÃO DIRIGIDA
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- Carlos Eduardo Castelo di Azevedo
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1 PROPOSTA DE SESSÃO DIRIGIDA Título Ensino de Metrologia nos cursos de Engenharia Coordenador Nome: AMÉRICO TRISTÃO BERNARDES IES: Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP Formação Titulação: Engenharia Elétrica Doutor em Física Relator Nome: ALEXANDRE MENDES [email protected] IES: Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Formação Titulação: Física Doutor em Eng. Mecânica Possíveis Autores que submeteriam trabalhos à SD Autor 01 Nome: RODRIGO PEREIRA BARRETTO DA COSTA-FELIX [email protected] IES: INMETRO Autor 02 Nome: LUCIANA E SÁ ALVES [email protected] IES: INMETRO Autor 03 Nome: MOZART NEVES [email protected]; [email protected]. IES: UFPE; Instituto Ayrton Senna Autor 04 Nome: ELISABETH COSTA MONTEIRO [email protected] IES: PUC-RIO Autor 05 Nome: FLAVIO HENRIQUE VASCONCELOS [email protected] IES: UFMG 1
2 RESUMO Os avanços científicos e tecnológicos, a ampliação do conhecimento e o crescimento da competência técnica são necessidades urgentes ao desenvolvimento e à gestão dos modernos sistemas de medição. A sessão dirigida proposta visa promover reflexões sobre a importância da Metrologia, a ciência das medições, na formação acadêmica do engenheiro e as estratégias para a sua realização, seja sob a forma de inserções de disciplinas na matriz curricular dos cursos de graduação em Engenharia ou a abordagem deste conteúdo nas disciplinas já existentes. A sessão dirigida visa também refletir sobre a importância das ciências das medições no trabalho do engenheiro, seja na indústria ou no mundo acadêmico, pesquisando e/ou formando futuros engenheiros. O resultado desta seção dirigida será divulgado em capítulo de livro a ser elaborado pelo coordenador e pelo relator da sessão, baseado nos artigos enviados e aprovados e nos debates realizados. OBJETIVOS O objetivo geral da sessão dirigida proposta é promover reflexões sobre a importância da metrologia no trabalho do profissional egresso dos cursos de engenharia, seja na indústria ou no mundo acadêmico. Os objetivos específicos são: identificar as estratégias para a inserção da metrologia na formação acadêmica em engenharia e discutir seus impactos; agregar a comunidade acadêmica interessada no ensino de metrologia para fomentar discussões e elaborar propostas sobre a inserção da metrologia na formação acadêmica em engenharia; ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS A sessão dirigida Ensino de Metrologia nos Cursos de Engenharia será desenvolvida em um modelo de mesa-redonda, 2
3 com a apresentação de trabalhos em consonância com as temáticas: ensino de metrologia; metrologia aplicada à engenharia; formação acadêmica em engenharia e a metrologia. Os trabalhos terão características metodológicas de estudos de caso e levantamento bibliográfico. O debate posterior à apresentação dos trabalhos será direcionado para o encaminhamento de propostas para o desenvolvimento do ensino em metrologia na formação em engenharia. BREVE DESCRIÇÃO Metrologia é a ciência da medição e suas aplicações. Complementando esta definição, uma nota no Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM) reforça que a metrologia engloba todos os aspectos teóricos e práticos da medição, qualquer que seja a incerteza da medição e o campo de aplicação. [1] A manutenção de um acordo universal para as unidades de medida, ou seja, a existência de uma padronização dos valores, é um dos fatores mais importantes e críticos da metrologia. Para que isso aconteça e possa ser utilizado existe uma estrutura metrológica internacional e nacional que garante que os instrumentos de medição são mantidos e aplicados adequadamente e corretamente no cotidiano das empresas. Importantes fatores comerciais e industriais são resultantes da metrologia, uma vez que medidas imprecisas acarretam desperdício, baixa qualidade e altos custos. Todos os setores industriais demandam por metrologia: área da saúde, como indústrias farmacêuticas e hospitais; indústria metal mecânica, mecânica fina, aeroespacial e náutica. A metrologia é a ciência de base para a organização da infraestrutura da qualidade de todos os países. A metrologia imprime confiabilidade nas medições e confiabilidade é a capacidade ou a probabilidade de um sistema realizar uma função e manter seu funcionamento sob condições específicas, de forma adequada como previsto no projeto durante um período de tempo pré-determinado em circunstâncias de rotina, bem como em circunstâncias hostis e inesperadas. Assim, a confiabilidade metrológica é a capacidade de um sistema de 3
4 medição transmitir certeza e confiança nos resultados obtidos. Num mercado cada vez mais globalizado, as empresas estão submetidas a pressões comerciais e técnicas, tanto pelo lado dos concorrentes nacionais e internacionais, quanto pelo dos clientes consumidores. Um processo produtivo deve estar, sempre que possível, fundamentado em normas técnicas, procedimentos ou especificações, visando à obtenção de produtos que satisfaçam às necessidades do mercado consumidor. Para que isto ocorra dentro dos limites planejados, são realizadas medições das características das matérias-primas, das variáveis do produto em transformação e das diversas etapas do processo. Sem a comprovação metrológica não há como garantir a confiabilidade dos dados referentes ao controle das características que determinam a qualidade do produto. Sua ausência, portanto, é por si só razão suficiente para gerar descrédito no sistema de informação da qualidade da organização. Analisando-se o ambiente pelo lado do consumidor, o sistema metrológico existente possibilita que os usuários dos produtos tenham acesso a mecanismos de verificação da conformidade dos produtos oferecidos. A partir de resultados de medições, realizadas pelos fabricantes e verificados pelos órgãos controladores, os consumidores podem confiar que os produtos industrializados foram mensurados anteriormente (ex.: peso, volume, composição química, concentração etc.) e liberados para comercialização. A confiabilidade metrológica acarreta um produto final confiável, seguro, econômico (uma vez que é feito sem desperdícios), respeitando o consumidor e garantindo sua fidelidade à marca (por saber que pode confiar num produto que obedece a padrões de qualidade mundialmente aceitos). JUSTIFICATIVA Documentos brasileiros de referência para a organização das ações em metrologia têm capítulos dedicados à educação, descrita como carente de conceitos metrológicos fundamentais em muitas áreas de formação e com atividades incipientes de ensino específico do tema. O desafio proposto é de fortalecer o conhecimento da metrologia na sociedade brasileira. O documento Pensando o Futuro: o 4
5 desenvolvimento da física e sua inserção na vida social e econômica do país [2] foi publicado pela Sociedade Brasileira de Física no ano de 2005, ressalta que a metrologia é um dos desafios multidisciplinares para o desenvolvimento da física e que a maior necessidade brasileira na área é a atração de pessoal de alta qualificação científica e tecnológica. Conforme o documento, a área da metrologia está associada ao atendimento às exigências de uma sociedade que pretende se tornar plenamente industrializada, a um salto qualitativo na capacidade de conceber e realizar experimentos, a uma linguagem comum e padronizada, aos procedimentos que assegurem a confiança nos resultados de medições, à segurança e ao bem-estar e às barreiras técnicas ao comércio. No documento Consolidação das recomendações da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável [3]. aparece, como uma das recomendações, o apoio a programas de capacitação para enfrentar os desafios da metrologia em novas áreas, como a biotecnologia, a nanotecnologia, as mudanças climáticas e as energias renováveis. O documento Diretrizes Estratégicas para a Metrologia Brasileira [4] é publicado quadrienalmente desde o ano 2003 e sempre dedica um capítulo à educação em metrologia, cuja relevância é descrita em quatro afirmações: A metrologia é essencial para o aumento da qualidade dos produtos e processos, com consequente aumento da competitividade das indústrias e desenvolvimento industrial do país. Há carência clara de conceitos fundamentais de metrologia em muitas áreas de formação. Novas áreas de formação, como saúde, segurança e meio ambiente passam a ser dependentes de conhecimentos de metrologia na utilização de equipamentos sofisticados de alta tecnologia e o emprego de normas e regulamentos técnicos. As atividades de ensino de metrologia são incipientes. 5
6 A formação profissional em engenharia não pode ficar alheio a demandas do mercado que podem ser atendidas com uma formação mais sólida em metrologia, tais como: Desenvolver técnicas de medição visando o aumento da produtividade e qualidade industrial. Aplicar princípios metrológicos para o aumento da confiabilidade nos processos produtivos, garantindo os requisitos da qualidade. Analisar normas técnicas, certificados de calibração, especificações de fabricantes, manuais e catálogos na utilização de máquinas e equipamentos; Aplicar técnicas de elaboração de gráficos, inventários e controles de equipamentos, visando à garantia da qualidade industrial. Desenvolver técnicas de calibração e validação de equipamentos de medição; Ler e interpretar resultados gerados pelos instrumentos de medição; Aplicar técnicas estatísticas de tratamento de resultados de medição; Liderar equipes de trabalho na implantação e acompanhamento de programas de confiabilidade metrológica. Para mostrar o tamanho da comunidade acadêmica interessada no tema da proposta de sessão dirigida, uma pesquisa prévia sobre ensino formal em metrologia no Brasil [5] identificou 82 cursos com o termo metrologia no título e 30 programas de pós-graduação com dissertações e teses defendidas sobre o tema. Entre os dez programas de pós-graduação com linhas de pesquisa em metrologia, cinco são programas na área de engenharia. Entre os 18 Programas de Pós-Graduação com dissertações e teses em temas de metrologia, dez programas são em engenharia. RESULTADOS 6
7 Os avanços científicos e tecnológicos, a ampliação do conhecimento e o crescimento da competência técnica são necessidades urgentes ao desenvolvimento e à gestão dos modernos sistemas de medição. Os resultados desta sessão dirigida contribuirão para: disseminar o ensino de metrologia na educação superior; identificar e fortalecer a comunidade interessada no tema; estabelecer novas parcerias de trabalho; fornecer subsídios para a definição das diretrizes estratégicas para a consolidação e desenvolvimento de uma educação e cultura metrológicas no Brasil no próximo quinquênio (período ). CONCLUSÕES A metrologia é considerada uma ferramenta estratégica para o fortalecimento do setor produtivo por todas as políticas industriais do século XXI: Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE 2004/2008), Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP 2008/2011) e Plano Brasil Maior ( ) [6] - uma vez que contribui para a inovação, apoia o comércio exterior, aumenta a competitividade e defende a indústria e o mercado internos. Ao ter acesso aos conhecimentos metrológicos, o perfil do profissional egresso de cursos de graduação em engenheiro poderá ser ampliado para o desenvolvimento de diversos benefícios que advém desse conhecimento, fomentando a infraestrutura da qualidade do Brasil. Os benefícios são: Suporte eficiente para tecnologias e métodos de produção; Quantificação e avaliação de transações comerciais; Transferência de tecnologia e inovação; Intercambialidade de sistemas e de produtos; Proteção para o consumidor; Saúde e segurança para a sociedade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. INMETRO. Vocabulário Internacional de Metrologia: conceitos fundamentais e gerais de termos associados (VIM 7
8 2012). Duque de Caxias, RJ:2012. Disponível em < [2] A. CHAVES; R.C. SHELLARD. (editores). Física para o Brasil: Pensando o Futuro. São Paulo : Sociedade Brasileira de Física, Disponível em < [3] Brasil. Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Consolidação das recomendações da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável; Conferências Nacional, Regionais e Estaduais e Fórum Municipal de C,T&I. Brasília: Disponível em [4] BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO). Comitê Brasileiro de Metrologia (CBM). Diretrizes Estratégicas para a Metrologia Brasileira Disponível em [5] Alves, L.S.;[O Ensino de Metrologia no Brasil]. In: COSTA-FELIX, R.P.B.; BERNARDES, A.T. (Org.). Metrologia Vol. 1: Fundamentos. 1 a. ed. Rio de Janeiro: Brasport, p [6] BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Plano Brasil Maior. Texto de referência. Disponível em < > 8
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